Ciclo substâncias

Luta, resistência, grito, soluço, desespero, escuridão, fechado.
Reivindicação, batalha, lágrimas, choro, insegurança, semiaberto.
Proclamação, força, angústia, medo, desprezo, tristeza, alívio, choro, combate…
Liberdade.
Aberto.
Alma. Morte. Alma. Vida. Ciclo.

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O ethos de um silêncio irrefletido

Meu ethos não apareceu no espelho hoje. Talvez a minha verdadeira imagem está por detrás de todos aqueles destroços revividos. Meus olhos vislumbraram um futuro no aqui e agora, mas isso só acontecerá se houver luta incessante e digna.

O espelho flutua e não alcanço todas as razões sábias para expelir todos os sentimentos que são engolidos pela dor “almática”. Meus rostos são do amanhã, minha alma do eterno e meu corpo desabitado encontra refúgio atrás do meu próprio reflexo perdido.

O incansável desejo de ser indolor, indiferente e, finalmente, conquistar a minha estabilidade emocional. Entretanto, essas expressões não condizem com meu “ser humano”. A minha humanidade depende do sofrimento que despeja com voracidade a angústia que é viver.

Não pretendo mais encontrar minha imagem. Em desencontros, sou abrigada nas palavras que me recolhe e compreende com nitidez o descaminhos e cruzamentos entre a minha vida e morte.

Retenções submersas da alma

Intratável. Incurável. Abalo físico e agudo. Gotículas dentro si se retorciam em um sofrimento exigido pelo trato vitalício. Nunca se libertaria da dor que é “ser alma”. A existência material se extinguia até se compor na essência da alma que, muitas vezes, incompreendida e acuada se rendia na lamentável vida incerta.

Deixa fluir em redomas do destino suas dores, lamentos, crises, angústias, inseguranças e ansiedades em ares substâncias. Assim, a cada fôlego tomado sentia se libertar, arduamente, de um fardo em essência que apenas a alma a digeria.

A alma a degolava e devorava todas as partes carnívoras daquele corpo, deixando à mercê da submersão de pensamentos incógnitos. Não se sentia viva. Poderia ser o falecimento da alma sentenciado ou apenas tormentos temporário os quais sugavam sua respiração, transformando na personificação da tristeza.

Neste viés, percebeu que a melancolia ao cumprimentá-la, não ia hesitar, pelo contrário seria mais sensata e sagaz, pois ela saberia lidar com sua própria morte. A morte por segundos do corpo. A morte que devora a alma. A alma que desmistifica a sua realidade.

Suportável. Tratável. O véu que rasga a alma, destila o corpo e inebria a dor em choro eterno. Uma eternidade durável, mas que decorre o resto de sua vida e morte. Aceitar um “ser da alma” é ter consciência das dualidades híbridas proferidas pelo eco suspirado e soluçado, após cada decair das lágrimas.

Debruçamento dos cristais vozeados: Gotas sanguíneas dos olhos

Rasgaram o córtex. Quebraram a porcelana em um risco minúsculo, sem cicatriz externa. Entretanto, dentro do seu interior sangrava um choro engolido, melancolia desnutrida e a tristeza afogada.
Em linhas tênues, desfiava, aos poucos, as dores oprimidas por uma felicidade alojada, consolações e desencarnações “almáticas” de modo, criteriosamente, desesperador e crônico. Aquela atitude era única forma encontrada para aliviar a existência de sua alma.
De gota em gota, desalmava os confrontos que havia dentro de si. Por isso, encontrou um refúgio, uma terapia na escrita fina que desencanta os mistérios e os conflitos do ser, encorajando o grito agudo do sofrimento. Não silencia. Vocaliza em linhas o sangue que apunhala aquilo que considerava: vida e viva.
Neste deslance, a morte a via em prantos como se o seu corpo se transformasse em água das gotículas que, sinuosamente, deslisava de seus olhos como hino de alívio.
Humanização também é sofrimento. Aqui vive-se uma realidade navegante e repleta de oscilações. Nestas ondas, encontra-se sozinha o próprio destino líquido.

O amar nos mares cíclico à dois

No encontro de duas vidas, não há poesia que supere,não há rima suficiente, não há palavra que descreva, não há vida que viva. A verdade que há entre nós dois. Nas duras barreiras, navegamos juntos em um entrelaço desmitificado real. Porque eu sinto, você sente e vivemos a igualdade insistente do amor que se transforma a cada respirar.
O amor que se confraternizou há três anos, números insuficientes dentro de nossa vastidão. Anos, séculos, milênios serão insuficientes diante de nossa eternidade instantânea. Pois não nos escondemos em máscaras perfeitas e convivemos com nossas verdades, isso que faz do nosso elo mais humano, pleno e digno.
Seria fácil dizer eu te amo. O difícil é concretiza-ló. Isso que fazemos todos os momentos que nos olhamos, tocamos e conversamos. Até no desentendimento há amor, porque sempre há união recíproca de humanidade.
Eu te amo , não porque você me completa. Porque acredito que os seres humanos sempre serão inacabados. Mas pelo simples fato de te amar, puramente, ao sentir dentro de mim e fora um imanência de vida que apenas você me despertou.
As palavras tentam rascuar a veracidade de um sentimento de que transmite na alma e exala no corpo a identidade de ser apenas nós dois.
Ao meu amor,
Diogo Souza Cardoso.
Com carinho,
Débora Matos Alauk

Silêncios, ruídos, desamor e união: Confrontos incongruentes

Já silenciamos demais os ruídos que apagavam qualquer forma de amor. Pensando em interrogações, achamos que nunca houve amor. Pois há seres que não apresentam consciência da própria existência.
Não há soluço. Não há choro. Não há angústia, melancolia e desprezo que faça igualar a desunião de uma pessoa que pensara que um dia nos amou. Possivelmente não.
Na verdade, refletimos sobre algumas deslembranças e tivemos a sintonia que desamor sempre confinava aquela “desxistência desalmada”. O motivo daquela tristeza residia na intolerância de lidar com fatos. Pareciam irreais, ou até mesmo surreais. O surrealismo de pesadelos acordados.
A liberdade encorajou todos nós, que resolvemos pactual uma última decisão, para extinguir os lamentos de opressões e tormentos.
O cenário agora é de contentamento de um desolhar que nunca houve sequer amor e compaixão. A verdade não é dolorida, ao contrário da dissimulação que rasga aorta poética do nosso ar. Entretanto, nada daquilo fazia mais sentido. Libertamos de asas nebulosas e adentramos na vida por inteiros.
A descrição sentenciou rostos que eram, anteriormente, calados e, neste momento, eles resolveram propagar as suas respectivas vozes e denunciarem o silêncio esmagador das irrealidades expostas. Agora, a verdade tornaríamos próximos. O amor que sentimos por nós faríamos mais fortes e íntegros compactuando a nossa fraternidade e dignidade juntos.

O silêncio das mãos

Dizem que há muito tempo atrás, vivia um povoado alegre sob a harmonia dos dias em um reino. O sol era canção das horas e a noite acalentava a alma. Entretanto, havia uma princesa que nunca falara desde o seu nascimento. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Era um grande mistério no reino.

Os anos foram se passando e a princesa cresceu, e teve uma maravilhosa infância cheia de brincadeiras e leituras, mas nunca falara nenhuma palavra sequer. Às vezes ela proferia um grunhido, ou um ruído sem sentido. O rei ficava inconformado com o fato, fazia de tudo para que ela falasse. Até que um dia, ele acordou em uma manhã misteriosa e decidiu fazer um concurso com todos os moços, animais e mulheres no reino para que fizesse de todas as formas a encantadora moça a falar, assim, poderia encontrar a poesia da língua.

Quando chegou o momento, a princesa estava com um semblante tranquilo e parecia que não tinha entendido nada. Na verdade, ela sempre estava tão distante como se estivesse dentro de um universo próprio. Chegaram os primeiros candidatos e fizeram de tudo, mas a única coisa que ela fazia era um olhar perdido e um grunhido estranho e sem nexo. Ficou assim até o entardecer, no instante que o rei pensou em desistir apareceu, subitamente, uma velha senhora e começou a gesticular as mãos. Ninguém estava compreendendo o que estava ocorrendo, foi quando a princesa começou a se comunicar com as mãos:

– Não pode ser. O que significa isso? – indagou desesperadamente o rei.

– Ela está falando, mas com as mãos – exclamou uma menininha espantada.

– Verdade.

A senhora esclareceu o que estava acontecendo, aproximando-se lentamente ao encontro do rei:

– Meu rei, a sua filha é surda. Sempre foi. Eu sempre soube e resolvi ensiná-la a língua escrita e a língua de sinais para se comunicar. Que aqui no Brasil é conhecida como LIBRAS. Mas ela não gostaria de ninguém soubesse disso. Tinha medo que vocês não entendessem e a desprezassem. Então, eu fiz de todos os nossos encontros de ensino e convivência um segredo velado. Peço, desculpa, senhor. Não poderia quebrar esse enigma até chegar em sua fase adulta.

Todos naquele recinto estavam surpreendidos e ficaram por segundos mudos. Após esse instante, houve uma movimentação e cada um foi parabenizar em libras a princesa que estava ainda mais radiante.

O mistério foi desvelado e tudo se tornou mais terno e mavioso. O rei estava começando a aprender a língua e ficou aliviado com a resolução de tudo. Agora o silêncio não o incomodava mais, pois o silêncio que dá voz para as mãos era a verdadeira poesia da princesa.

A curta passagem

Dentro do espaço existia nós( a melhor forma que o amor já pode criar). Nas têmporas da criação, havia apenas um fôlego que transpiravam juntos. Apenas dois em um somente. Assim vivia como uma imensidão da mais digna realidade.
Ao passar, nascerá…
Na passagem, é vida.
Dois na criação. 

Em um único amor.

Recomeço das cores

No enlanço daquele corpo, só existia apenas uma respiração. Apenas um transpirar sentido no segundo e ardido no momento.
Quando se olha, a revelação vem mais lentamente do que o próprio tempo letárgico de um sol poente.
Ao vislumbrar o encanto, o gole é sentido mais plenamente como se o recomeço vivesse no sempre e a eternidade atrevida se esconde nesse mesmo enlaço. A descoberta nunca fora tão inesquecível, porque aquele mesmo olhar a contemplava de maneira única e peculiar.
O amor parte do olhar e dali se forma o silêncio dos amantes.

Atrito arterial

Inexistência é aspiro de hoje que se tornou amanhã.
Gole que desova a carne. A gema azeda e sem gosto. Nada e ninguém. Nenhum. Articulação repartida. Fragmentação. Desolado. Rapto. Grito sem… sem….cem vezes.
Fraturas desconexadas. Nada mais. Sentenças não expressam. O que expressar? Indeterminando gole inexistente de tudo.
Desamparo…
Perda…
Des-
Desco—
Desa— –
Lor / mor
“Molor “
Descolorindo. Desamor
Descolorir. Desmitificar…
Incolor.
A criatura da criação que reflete o nada.

Artéria…

Os badalares nucleares

Ao olhar o coração em suas singelas sintonias e sinais, repara que há um ser navegante, que se esconde atrás do amor, e se revela em apenas alguns momentos da estação. Os âmagos são os centros do sentir propriamente estalado e pactuado. Aquele núcleo permitia que abstração do amor se tornasse concreto por meio da existência “respirante” confraternizada a dois.
O mesmo olhar, o mesmo sentir…
Atrair em si a revolução do sentimento. A proclamação do real. A reconquista da vida. A concretização de nós.
“No brilho de um instante, eu te vi. Você não me olhou apenas, você emergiu dentro de mim.”
O esconderijo “desecreto” enlaçou nos ritmos nucleares.

Contorno atemporal 

Nenhuma palavra transcreve. Nenhuma voz expressa. O hiato congela o tempo. Transgride as esculturas de grandes conquistas. O receio. A insegurança lidera como um mandato sem contorno.As transposições de luzes “des-distorce” a incerteza. Vitória é um novo que foi dado neste momento. Ela olhou para si e percebeu dentro de tanta coragem havia uma pétala preocupante em um vaso escondido atrás da vitória que vivia em um semblante com uma angústia feliz. Esse sentimento aproveitava da instantaneidade de seu piscar…E ao morrer renascia brevemente como um saltar ao desconhecido. 

A sapatilha e o silêncio 

As pontas sumiram daqueles pés saltitas. A luz “felicitante” que liderava foi substituída pelos rasgos de um sonho interrompido novamente. Ninguém compreendia a necessidade. Ninguém absorvia a importância. Todos voltados para si só. Apenas um. Apenas uma partícula amena sem sentido despreza em abrigo isolado sem saltos ou piruetas. As sapatilhas serão lembradas dentro do silêncio. Na curvatura de uma imensa conquista, o despertar da renúncia desabrigada. Congela. Suspira o ar seco sem saber ainda a resposta…

Entre os dedos, sob os dedos. A desistência daquele sonho antigo de quando era criança de ser uma bailarina. Não haverá mais saltos, nem piruetas, nem muito menos um coração dançante. Haverá apenas a esperança de um dia em que poderá retornar a essa vida. Olhos viram seus pés e dentro dele constroem as suas curvas. 

Dentro daquele silêncio e nas pontas dos pés, ela transformou sua descrença em esperança do retorno do badalar e o pulsar dos passos. 

Corpórea medular

Degolaram-me de uma vez. Não tive tempo de respirar o resto do meu silêncio. Roubaram os vestígios dos meus sofrimentos e distorceram minhas desilusões. Quem será que reaparece da escuridão para furtar as dores alheias? O meu desentendimento é brando. Mas aquele laço de escuro que envolveu meu dia. Jamais esquecerei. Talvez a transformação seja imensa e é tão invisível quanto a alma. Talvez as minhas certezas fincadas na parede ondulada transmitem o eco escondido de uma escada descrente.
Três horas antes
A luz ofusca mostrava um cenário na trivialidade de cada olhar. Estava ela refletindo sobre os últimos acontecimentos da vida. Esse vazio que aos poucos é preenchido de vozes, de sentires, de atos, de fatos, de cheiros, de melodias e, lentamente, era esvaziado todas as noites quando o sol se deita, verticalmente, na nuvem de estrelas que serve de cortina para que ele possa dormir na constelação de galáxias.
Segurou, bruscamente, um pedaço de sua alma que se perdia no espelho e resolveu perfurar sua carne para alojar aquele tênue fragmento rebelde dentro de seu osso. Não admitiria viver uma vida que nunca fora sua. Por isso, tratou de renunciar os retalhos de sua existência. Raptou o que sobrara de sua antiga luz e resgatou para dentro de si. Eram pequenos pontos afiados e sedentos para retomar sua estrada.
Arquitetou-se em frente do espelho, onde vislumbrou lembranças embaçadas e sem nexos. Nada daquilo tinha mais sentido. Nesse momento, pensou sozinha e sentiu mais aliviada: “Era hora de dizer adeus. E cada ‘ser respirante’ esgotar o resto do suas vidas.” Estava aborrecida com alguns trilhos finais. Mas sabia que seu começo seria um lapso de humanização. Precisava sofrer e sentir a verdade rasgar a medula óssea para conseguir se entregar no delírio vívido da verdade.
Olhou em direção ao tempo. E sentiu que estava sendo atraída por novos caminhos. A verdade sorrateira transmitiu seu semblante na lua minguante. Estava retornando vagarosamente. Perdeu um fragmento de sua família. Mas na verdade nunca o tivera. Abandono. Não. Liberdade. Talvez. No encontro do seu olhar com a lua, reconheceu a sua alma por completo que aos poucos se despia de tantos escombros…
Agora

Subiu as escadas. Tratou de continuar a sonhar a sua realidade serena que estava nua ao seu lado e a permitia viver humanamente.
Encontro-me no universo dentro de mim. Aqui aloja todos os planetas inexplorados pela compreensão. Mas completamente sentidos pelo prazer de ser humana.
Costurou o que restou de seus olhos e viu por completo seu corpo no reflexo da escuridão.

Hiato do instante

 

Divagando no tempo para encontrar os fragmentos de horas que ainda existem no instante. A imutabilidade dos atos que perdura a nossa carne. As variadas formas que cabem dentro de cada momento são tão duráveis quanto uma eternidade no vácuo. Ou esse tempo é preenchido pela leveza das cores efêmeras. Quando o própria rosto da vida transcrever seu hino, nem mesmo o instante pode traduzi-lo em língua, apenas uma forma pictográfica de sentir o paradoxo entre a brevidade e longevidade da existência.

Entre essas duas atmosfera divisa o hiato do instante que perfura; constroem  novas dimensões metálicas das horas; reconstroem os escombros de olhares ingênuos e desconstroem mentalidades em vidraças sem perspectivas. Essa paralisação representa a autodescoberta da passagem da vida que transpassa qualquer significação lógica, esse acontecimento transgredi a razão, alojando dentro de um silêncio quieto e sereno.

A descoberta dessa fase é desvelada pela percepção que o instante produz em cada um de nós. O hiato, o não-dizer, o silêncio, a forma sem-palavras que tentam designar o processo existencial da vida é mais substancial do que a palavra mal digerida, escrita e copiada em momento não estagnado. Apenas nessa pausa que a correnteza da fragmentação da existência paralisará em uma forma humana inscrita no hiato de todos os instantes. Olhar para dentro é compreender a alma estagnada, que nesse estado vive sua plena performance.

Castelo de areia

     Que impasse, inacreditavelmente, injusto e impuro que corria numa injúria e destruía a melhor tonalidade de voz. Onde ficou presa seu último grito sucumbido? Vestida de sua tranquilidade, ela permanecia inquieta. Algum dia poderia ter certeza de tudo aquilo que a movia. Tinha sede de vida e dessa origem desvelava seu único olhar: que era continuar naquele caminho.

     Um ar impuro mastigava em sua lentidão corriqueira de destruir. Mas nem essa ação “impassante”, deixaria a mercê do abandono. Se escolheu enfrentar aquelas transformações, nem o nada e nem muito menos o tudo conseguiria confronta-lás. Naquela luta não teria nenhum vencedor, além da própria e colorida verdade.

     Estava resguardada novamente no núcleo de seus sentimentos. Seguiria sua liberdade de escolher a sua realidade. O passado há séculos atrás, foi desmoronado pela descontentamento de não-viver. O seu presente recrutava apenas sólidos e vaporizantes instantes que traziam, realmente, o gosto da vida e seu cheiro arrepiante.

     Um dia seria livre de qualquer pré- julgamento, julgamentos e pós- julgamentos. É suportável até o momento que seu grito se torna inaudível.

     Andando entre seu eu, verdadeiramente, e aquilo que era condicionado pelo não-eu. Poderia se redescobrir conforme sua fama de firmar a força que escorregava na vida. Querer. Quero. Queria. Quis. Quereria. Quero. Não tem um tempo maior do que o presente.
Porque alguém com sua pretensão poderia retirar o amargo daquele licor e rasgar suas paredes.

     Rastejaria até sua forma iluminante a fim de encontrar sua substância. Tomou. Degolou. Resistiu. Restribuir o seu mesmo escárnio para a sombra que enriquecia da ignorância.

     A indefinição seria forma de descrever e narrar os fatos sequenciais que eram guardados em uma maresia intitulada. Esse lugar não desejaria abriga-los. Precisava continuar no mesmo trajeto que decidiu, humanamente, entregar – se, deste vez, não arriscaria sua fraqueza.

Estava plenamente convicta daquilo que riscava o pó “coracional”. Precisa ter uma força maior do que sua necessidade de viver. No vento dos dias, viveu e reviveu sua forma mais explícita de sentir.

     Admirável é a fugacidade da chuva que derruba de uma vez só toda a sua vida. Exalou. Respirou. Renasceu aquilo que estava extinto. Naquelas meios convictos de dizer, não ousaria revelar seu suculento mistério. Porque aquilo que mantinha os silêncios em brancos.

     Esqueceu de provocações indevidas. Agora, viveria o núcleo do ato de provocar-volátil que nascia de uma sinceridade entreolhares. Entre o ser e o estar, prevalecia:

    ” – Sou o gole intragável do medo. Sou a decisão de ser, independentemente, de vozes insólitas ou desvozeadas. “

    Restaurou seu ser naquilo que necessitava. Implantou seu sentimento no mundo. Resolveu cavar seus castelos de areias.

     Não teria mais nenhuma hesitação daquilo que surgia do vento e era engolido pela paixão. Areia é frágil assim como tempo. Estaria pronta para suas instabilidades. Dali que resplandecia sua refletividade de ser em cores.

As chamas que realçam o desejo

     Ao refletir seu desejo nos versos daquela noite, nada mais poderia abalar a sua verdade que transformou aqueles passos juntos um destino arbitrário.

     Sempre quando o ser feliz supera a própria existência, somos tomados de verbos inéditos que preenchem aquele quarto noturno de saltos de descobrimentos.

     O saber estava à espreita de seu sentir correspondente, pois aquela condição era a supremacia de um sentimento que recolhia, vagarosamente, suas desilusões e rebaixava tudo que era indigno no desaparecimento. Ressurgiu seu fôlego de entrega a paixão a existência, a vida, ao tempo a poesia do encontro de cada dia até ela se transmutar no sentindo mais completo ou em pedaço que se compõem, aos poucos, como uma manhã sem sol e uma noite com pouca chuva. Não importava as imperfeições e inconstância. Estava mais do que preparada para divagar naquilo que sonho real vivia. Não iria se recolher no seu mesmo abrigo ilusório. Não precisava. Porque o despertar do tempo da vida foi ativado. Sabia, agora, como viver a intensidade em goles da alma.

     Nas sequências de narrativas incontáveis, ela escondia os melhores instantes que foram seus sorrisos no coração e o fato libertário de suas mágoas ao tornado da dissipação.

     Acolheu, cuidou dos acontecimentos recentes que aquecia a secura de uma lágrima extinta. Estava caminhando, notoriamente, naquela estrada inesperada. Realmente, ela abriu como uma flor calada que se apegou pelo sussurro sincero de um discurso sentido.

     Atirou-se no realce. Enlaçou um pedido. Afirmou. Confirmou que sua vida seria mais “vida”. O seu viver se resignifica a cada toque ao núcleo dos sentimentos. Expirou suas perturbações.

     O melhor ocorrido não é planejado, é inteiramente sentido e vívido. Entregou-se naquela noite serenamente. Hoje, não teria mais medo. Apenas desejo puro de se redescobrir nas constâncias espelhadas.

O tempo dos olhos nas paredes queimadas

     A tristeza entrou dentro de uma felicidade tão macia e terna. Deixou torta suas vistas, mas ela nunca sucumbiria seu real desejo de continuar a seguir aquela mesma curva que relembrava sua existência, agora, reconhecida.

     O sofrimento invade sem motivo real. Mas mesmo sendo na ficção aquilo a perturbava inconscientemente. Por que tinha tanto medo de ser feliz? Fecha suas sombras e destrava sua nocional felicidade que nasce da água.

     Estava tão cansada de lidar com olhares funestos e injustos. Aquelas fragrâncias flagelavam seu mais puro suspiro. Precisava escrever para libera a necessidade de ser íntegra. Aquela vida era feita de reiterações lamparinas, embora o sangue do medo ainda escrevesse na sua parede. Já sabia onde recorrer para queimar aquela vila de escombros.

     Não se permitiria se formar novamente das cinzas. Porque a sua essência era irreconhecível pela matéria, mas digna pelo ato de ser-sentir. As transformações engolem. Subitamente, a serenidade era porta-voz daquela audiência de que selaria seu direito de se realizar.

     Na beira da noite, ela é acariciada por uma sintonia familiar que acalentava seus gritos e compunha canções beijadas pela linguagem dos olhos.

     Se algum sofrer completaria sua transcendência. Seu caminho. Aceitaria. Caso contrário, iria enterrar nas curvas da inexistência.

     A força transformacional estourou na noite. Exalou sua verdade. Calou-se e abraço o tempo supremo.

Luz efervescente que se materializa no ar

     O realce foi finalmente atingido como uma luz que penetrou em dois pares de olhos. Aquela iluminação caiu no vento mais sincero e desapareceu na noite em motivações, que carregavam aquele presente para um passado recente tão nuclear, ali eles estavam e eram. Qualquer momento poderia explodir de tantas expressões. Essa fragilidade de se entregar eram tão forte que enraizava sentimentos.

     O seu sentir era impróprio as falsas especulações. Não viveria novamente um ideal que desprende, dolorosamente, da vida. Viveria, serenamente, no único impasse daquela luz que era configurada pelos mesmos olhos que re-acendiam a descoberta de se materializar no ar. Flutuaram juntos em uma realidade estática que no seu limite conseguia se mover no ritmo estridente de uma nova voz. A reciprocidade é mais que concordância. É quando um olhar não se cansa e necessita do outro. Não para completar sua visão, mas para reafirmar tudo aquilo que sempre existiu dentro de si.

     O nós faz mais sentido no momento, pois os risos fazem o seu percurso através do rio. Porque a efervescência é pífano cantando na alma. E o silêncio se transformou na devoção de dois sorrisos.