Quando os olhos se abrem…

Parceria com Cícero Augusto B. B.

    Havia dissipado como o sol que deixa a escuridão em seu lugar. Onde está? Cade seu sentimento pra eu me alimentar e fortalecer?. Estou quase caindo num abismo tenebroso.Onde estão suas mãos que não me aquecem? E esse seu olhar que não me deseja, por perto.Digo-te é melhor ir embora. Seu corpo se vira e se vai.Vejo sua sombra desvanecendo, se perdendo na escuridão. Daquele noite sombria e solitária.Os meus olhos ficam turvos e lacrimejantes, e  as lágrimas escorrem lentamente pela minha face gélida e entristecida, cada gota marca um pedaço de vida que se esvai junto com sua sombra. Estou me perdendo, o mundo grita tão alto em meus ouvidos…

    O silêncio da estrada é tão agudo que fere meu coração junto com sua despedida. Percebo que levou meu coração consigo, sinto uma tênue batida no meu peito. Sinto-me que estou morrendo, perco o ar. Arrependo -me das palavras ditas sem pensar. Os olhos se fecham. Tudo que precisava era que os meus olhos abrisse de novo e encontrasse você sorrindo para mim, naqueles lábios delicados.Vindo da escuridão, e iluminando a réstia da minha vida.Somente ansiava abrir meus olhos…Abrir os olhos , que se perdem nas lágrimas.. Apenas isso. As reminiscências me cercam, não me deixa escapatória, senão à verem.

    O vento tocou no meu rosto, era gélido e me fez estremecer. Tocou e fez questão de secar as lágrimas que ousaram cair.Demonstrei sentimento, meu erro. Minha sorte foi não me importar. Vou continuar tentando.Enganar-me e dissimular em frente aos espelhos.Foi muito difícil e ainda é. O único reflexo que apareceu no espelho foi uma face desconfigurada, quase não me reconheci. Olhos se perdiam na imensidão entristecida, sem apoio.

    Já se passaram horas, talvez alguns dias perdi a noção de tudo.Direcionei meus olhos ao chão.Era tudo o que podia fazer olhar o chão não tinha forças. Eu precisava sumir… Somente…

    Um ímpeto estava nascendo nas profundidades do meu ser que ansiava em ser areia para evapora junto com aquele vento que se fortificava nas horas. Perdi-me ao tempo, ao espaço, a mente fugiu para algum lugar desconhecido, deixando eu no vazio. O vazio chegou e me fez companhia por alguns minutos. Mas notei que dali em diante ficaria sozinho para sempre. O mundo sempre foi e será de seres sozinhos que buscam um alguém, mas esse alguém é ignorando pelo tempo. E esquecido pela vida.

    A estrada estava íngreme, continue caminhando até chegar em minha casa.Quando novamente abrir meus olhos, esperava encontrar você  atravessando essa porta e reconciliar. Mas não foi isso que aconteceu. Quando abrir meus olhos, descobrir que não sou ninguém. A minha identidade dissipou junto com meu coração e minha vida.

    O tempo transpassa e fere o meu âmago. Não sei o que me espera no dia de amanhã. Não existo, mais. Nesse instante a vida me diz adeus. E quando abrir meus olhos já não estava mais ali, estava dentro do silêncio… Agora sou a não-vida. Sou o vazio.

    Em cima da mesa havia um bilhete escrito. Eram suas últimas palavras. O papel estava umedecida.

“Ao abrir os olhos a vida se completa como um caminho finito ao torna-se cíclico”

    Aquele foi o seu fim…Onde todos percorrem por um caminho esperando que finitude desvanece. E nasce vida. Uma que os olhos vejam além daquilo que vêem, e o coração sente-se tudo aquilo que esperar sentir. E todos encontre o seu alguém que espera do outro lado.

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3 comentários sobre “Quando os olhos se abrem…

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