Vidros esfumaçantes em trilhos paralelos

    

     Tinha uma montanha logo em sua frente. Onde exatamente estava indo aquele trem que pegava todas as noites sólidas de tantas chamas dissolvidas? Por que embarcou antes mesmo de se despedir ? Mas de quem? Nada importava. Poderia voltar algum dia e estalar sua presença volátil ao vento, sem que ninguém perceba. Não tinha mais vontade de se esconder atrás das fumaças dos trilhos. Mas não sabia o porquê de refugiar novamente naquele mesmo vagão. Só sabia que ali sentia uma liberdade secreta que desvelava aos poucos.

     Dentro de sua mente, muitos vidros foram quebrados, porque a fragilidade não aguentava mais de duas batidas, sendo uma levemente brusca e agressiva. Estava descolando as superficialidades que os rostos exprimiam por meio de um sorriso malicioso e perdido em algum vazio, descontraidamente, desonesto e ingrato. Não suportava mais observar figuras sem sentidos plácidos. Cansou-se de suspirar uma gentileza, quando uma cara rasgava suas blasfêmias. Para quê toda a omissão ? Por que esconder a própria alma? Era para se manter viva na explosão gotejante de cada ressoar matutino e soar noturno. O que essas elocuções expressam? Talvez, seria simplesmente os fatos que mutilam o tempo.

     O trem partiu para resguarda o sigilo de um olhar que vislumbrava as fumaças que exalavam as noites cada vez mais frias e aconchegantes.

     Não precisava mais fechar seus olhos… A escuridão clareio sua voz. Deitou-se naquela nuvem sonhadora. E calou-se no andar dos trilhos.

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