O tempo dos olhos nas paredes queimadas

     A tristeza entrou dentro de uma felicidade tão macia e terna. Deixou torta suas vistas, mas ela nunca sucumbiria seu real desejo de continuar a seguir aquela mesma curva que relembrava sua existência, agora, reconhecida.

     O sofrimento invade sem motivo real. Mas mesmo sendo na ficção aquilo a perturbava inconscientemente. Por que tinha tanto medo de ser feliz? Fecha suas sombras e destrava sua nocional felicidade que nasce da água.

     Estava tão cansada de lidar com olhares funestos e injustos. Aquelas fragrâncias flagelavam seu mais puro suspiro. Precisava escrever para libera a necessidade de ser íntegra. Aquela vida era feita de reiterações lamparinas, embora o sangue do medo ainda escrevesse na sua parede. Já sabia onde recorrer para queimar aquela vila de escombros.

     Não se permitiria se formar novamente das cinzas. Porque a sua essência era irreconhecível pela matéria, mas digna pelo ato de ser-sentir. As transformações engolem. Subitamente, a serenidade era porta-voz daquela audiência de que selaria seu direito de se realizar.

     Na beira da noite, ela é acariciada por uma sintonia familiar que acalentava seus gritos e compunha canções beijadas pela linguagem dos olhos.

     Se algum sofrer completaria sua transcendência. Seu caminho. Aceitaria. Caso contrário, iria enterrar nas curvas da inexistência.

     A força transformacional estourou na noite. Exalou sua verdade. Calou-se e abraço o tempo supremo.

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