Levemente…Leve-me a minha mente…

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    Antes de conhecer a exatidão de todas as coisas vivia deslumbrada e pensando qual seria a sua verdadeira sintonia afetiva com o mundo. Seria que encontraria alguém que pudesse compartilhar do mesmo sentimento como se tivesse se comunicando até mesmo no silêncio?Aquele som era delicado como sutilezas de um sorriso escondido, timidamente, feliz com a companhia em que estava vivendo.

    Os olhos já tinha uma sensação majestosa que conquistava cada dia mais sua vontade de se sentir bem. Deixava todas as suas preocupações escaparem como fugitivos para uma terra desértica longe dali. Entretanto, sempre existiam algumas névoas que dissipariam com a certeza de fatos futurísticos em que a fidelidade de ser humanamente feliz prevaleceria.

    Naquelas constelações, sabia que teriam muitas inovações prontas para serem abertas e desfrutadas como se fosse uma promessa feita há muitos anos atrás. Talvez, estava começando a se concretizar de maneira peculiar e distinta. Desta vez, as suas luzes divinas não deixariam ser enganada, não seria novamente traída e se submeter ao coração falso e lunático de amor que nunca sequer pudera sentir. Mas o agora estava, delicadamente, mais colorido e nítido e poderia sentir dentro de algumas vozes que seria algo que nunca tinha vivido e mesmo se for outra ilusão nada poderá deter seu verdadeiro desejo de amar.

    Uma voz vibrou das estrelas e apenas brilhou de tal modo que ofuscou suas vistas. Sentia profundamente que dentro de todas essas incertezas saberia que um dia seria amada e amaria com toda a sua dignidade. Não seria intoxicada pelo veneno desesperador de amar, pois isso não é amar. Seria calmo segundo a natureza dos fatos. Estava livre para viver essa nova fase.

    – Como gostaria de poder exalar tudo isso que sinto e ter certeza da minha felicidade. Quero viver das trevas às cores mais fortes que a vida tem a mostra de maneira humana, porque nossos corações foram feitos para sustentar a sobrevivência humana e isto que é a vitalidade de amar. Por favor, não quero outra ilusão, neblina, quero a realidade de todos os jeitos e cantos. Sei muito bem, que serei feliz assim…

    Levemente imersa dentro daquele escuridão e fumaça existia o silêncio iluminado de voar com a sua felicidade, pois o que a sustenta é leveza da sua alma que repetia para o amor que estava atrás da cortina da desumanização:

    -Leve-me consigo. Leve-me a minha mente, meu coração. Leve-me para realidade em que tudo se sustenta pela leveza do amor…

    O dia nasceu com novos cânticos enquanto lá fora o arco-iris estampava um esconderijo incerto lá dentro fervilhavam emoções serenas e humanas em que sempre tivera vontade de sê-las. O medo se esgotou como soluço sem choro. Agora. Só tinha uma lembrança, um sorriso, um par olhos que sintonizavam diretamente com seus novos caminhos.

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No limite dos pontos

     Reflexões vagas transpiram aquilo que tenta, inutilmente, ser expressivo, todavia se perdem em uma rodovia qualquer em que o ponto ainda não foi reservado…

     Dentro de suas inquietações estava degustando uma nova paisagem que paralisava seus sonhos.

     Por detrás de um suspiro corajoso, subia além da racionalidade e se esquecera dos seus verdadeiros sentires. Em qual alma vagou sua cintilante esperança?

     Era uma categoria que não havia resposta escrita, somente vivida!

Memórias de uma gota

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  Na elegância daquelas luzes escondiam fumaças de realizações que suspiravam, suavemente, suas senhas distantes.

  Cada dia passara com muita força em que a partir de sua sinceridade conseguiu superar todas as dores de maneira, humanamente, invencível.

Os pontos foram traçados para outra direção incerta. Pois, estava no limite da sua felicidade imersas em suas gotículas memórias em que deslizavam em um passado que não fazia mais sentido. Somente o presente a surpreendia, porque agora entendera uma coisa: “Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior da alma.” (Os Miseráveis, de Victor Hugo)

Lá dentro, vivia seus maiores sentimentos silenciosamente na noite chuvosa.

Sem definições, rótulos e lógos…

      Em algum momento de sua vida despertou um pensamento indivisível, nunca compreenderia a sua exatidão e não era necessário entender aquilo e que estivesse relacionado com qualquer coisa que estivesse localizada nos logos: tanto lógico ou ilógico. Estava na impressão do sentir, mas o que era realmente aquilo? E, que teria honra de sentir toda esta grandiosidade? Não importa, ela sabia que todos nós somos capazes de atingir aquele “sentir”. A dignidade, fraternidade e  a liberdade de toda eternidade das nossas vidas, tudo fazia parte daquele “sentir”.

     Ao piscar seus olhos direcionou à uma nova concepção e desconsiderou todas e quaisquer definições existentes até aquele instante: “O que é a realmente vida, amor, felicidade e eu mesma?” –  Ela refletiu como se fosse uma epifania, mas estava fatigada de meras definições achava que retirava o pulsar verdadeiro de todas  as coisas. “Por que o ser humano é obcecado em definições que até esquecer de viver intensamente as essências das pequenas coisas?”.

    A partir das fagulhas do tempo despertou silenciosa num canto e percebeu que não era mais ela, era eu própria. Não eu escritor, nem eu leitor, era o eu mais puro que alguém poderia viver. Que, ás vezes, aparecia e simultaneamente dissipava como uma nota melódica que devora toda a alma num instante eterno….

     Quais seriam o verdadeiro sentido daquelas palavras ? Numa folha amassada estava escrito numa letra bem delineada:

“Qualquer grandiosidade é indefinido, pois qualquer definição particulariza as coisas e até ‘anti-coisas’. O ‘tudo’ está suscetível a transformação e melhor do que simplórias ou complexas definições que não tem nenhum significado. O que vale realmente é o ser do amor que é mais do que podemos sentir, definir, discernir, conceber e ganhar. Então, viva todos os verdadeiros amores que nascem de simples olhares ingênuos e perniciosos até ao infinito como nossos próprios enigmas.

 Será que alguém é digno desta palavras mal-ditas ou malditas? Não preciso de resposta, pois este sentimento guardo em algum lugar dentro de mim” 

Tudo agora fazia parte dela e dos seus ‘eus’.

O “não” era uma vez


     Era uma vez uma sociedade injusta, e existem desde da pré-história, nenhuma civilização até agora não tinha consciência de sua própria interdependência, e também fazem parte de um tempo cíclico. O período temporal pode dividir em : “tentativa de nascimento; crescimento, envelhecimento e morte, e vida novamente”. Sem para, algo contínuo. No floresce daqueles campos havia “0 incorrespondente” , o destino da fuga. Mas aqueles olhos podiam enxergar outras leituras, talvez uma utopia, onde residia a esperança de amores que complete e pactua o elo da integridade da vida, aquele lugar que chama-se: Nenhum lugar.

“tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha….

U

M

A

Quadrilha

João que amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém,

João foi para o Estado Unidos, Teresa foi para o convento,

Raimundo morreu no desastre e Maria ficou para tia;

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que nem havia entrado na história

A

FESTApagou

C

Agora, JOSÉ?

B

A   O S P O V O

G     LUZ

O      M

R       Iu

A, V

O

C

Ê?

Quadrilha da Sujeira

João joga um palitinho de sorvete na
rua de Teresa que joga uma latinha de
refrigerante na rua de Raimundo que
joga um saquinho plástico na rua de
Joaquim que joga uma garrafinha
velha na rua de Lili.

Lili joga um pedacinho de isopor na
rua de João que joga uma embalagenzinha
de não sei o que na rua de Teresa que
joga um lencinho de papel na rua de
Raimundo que joga uma tampinha de
refrigerante na rua de Joaquim que joga
um papelzinho de bala na rua de J. Pinto
Fernandes que ainda nem tinha
entrado na história.

Q U E  PODE

UMA CRIATURA SENÃO,

ENTRE CRIATURAS, AMAR ?

M

A

R  A  N O S S A  F A L T A

,  R  O  M  A   E D  A  M  S  E  M

N  A

S E C U R A    N O S S A,

A M A R  A  À G U A  I M P L ì C I T A,

E  O

B  E I J O

T Á C I T O, E  A S E D E  I N F I N I T A

…. Flor da Idade

Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava Léa,

Que amava Paulo, que amava Juca, que amava Dora, que amava   Carlos amava Dora, que amava a vida, que amava Dico,

Que amava Rita, que amava Dico, que amava Rita, que amava

Carlos amava Dora, que amava Pedro, que amava tanto,

Que amava a filha que amava Carlos, que amava Dora,

Que amava toda a quadrilha

Que amava toda a quadrilha

Que amava toda a quadrilha

Berr…bum, bumbum, bum.

Ssi…bum, papapa bum, bumm

                   Zazzzau…dum, bum, bumbumbum

Prã, prã, prã…ra, hã-hã, aa…

Hahol..

 

“o ser não tem necessidade do nada para se conceber … mas, ao contrário, o nada que não é só poderia ter unia existência emprestada: é do ser que toma o seu ser (…) o desaparecimento total do ser não seria o advento do reino do não-ser, ao contrário, seria o desaparecimento concomitante do nada: só há não-ser na superfície do ser.”

O S  E  R OU NÂO S E R, EIS A  Q U ES T Â O.

     Referência: Carlos Drummond de Andrade (No meio do caminho tinha uma pedra,Quadrilha, E agora, José? eAmar)  Ricardo Azevedo(Quadrilha da sujeira) e Chico Buarque(Flor da Idade), Poema Dadaísta de Apud Gilberto Mendonça, Joan Paul Sartre e William Shakespeare.

.Os estágios da existência

     Imersa dentro dos próprios  “eus” que aguçavam uma nova era. O vazio era a única coisa que preenchia aquela espaço. Mas sabia que aquele vácuo continha alguma coisa, indefinível. Uma força irradiava dentro daquele corações, estava descobrindo a integridade dos seres. Numa quietude caminhavam junto, neste eternidade perdiam-se das tristezas e dúvidas que eventualmente apareciam no meio da estrada. Nada mais era igual depois daquele único e instante pleno. Ambos viram a face majestosa da vida, resplandecendo  sua matizes hipnotizante e viciante.

      , amavam

… viviam

: beijavam

? eternamente

! verdadeiro

     As letras expandiam-se por todo o horizonte, e continua perpetuamente a  caminhando dentro do âmago da vida. Naquele lugar, sabia que estavam seguros e poderiam conhecer as melhores sensações. Amariam até a pós-vida.

Nós…

     Tudo coloriu com outras nuances, essas tonalidades sempre foram aquilo que meu coração ambicionava expressar, mas nunca deve liberdade suficiente. Até que subitamente algo surgir reluzente, como uma certeza aliviando todas as dores, estava esperando faz um tempo, pois aquele era o momento exato para aparece. Muitas coisas estão nascendo, germinando e alguma parte dentro de si. Aquele pronome que definia um simples ‘ela’, um ser individual em busca de suas conquistas e pulsionando pelas suas paixões, transformou em ‘nós’. Pois agora era ela e ele, conhecido melhor com nós. Não precisava mais de nada além dessa doce e sincera certeza, que aquecia os corações de ambos.

(…) “Era apenas um único ser. Era  o mais sincero e intenso do amor.”

Em outro lugar…

     Encontrou-me no pulsar mais íntimo, profundo e intenso do âmago vida. Essa expressividade que tocava dentro de si num ímpeto tão brando. Estava conhecendo novos caminhos todos eram guiados pelo ID, aquele mundo de sonhos. Costumava dizer simplesmente que eram sonho-realista, que ao mesmo instante de idealizar já concretizava. Um espanto tudo ao redor mudava a direção, sabia que essa ano seriam uma nova translação de vida e sentimentos. Isso que mais importava na vida, não sabia ainda como traduzir. Essa imensa natureza que invadia cada partícula movida pelo instinto de ser feliz, uma ânsia um querer de estar-viva. Um estado sagrado que é alcançado quando os sentimentos unidos são insuficientes,  então juntos traz uma energia potente do apogeu da própria vida. Uns dos pontos máximos em que a felicidade, afeto são poucos perto do estar-viva.

     Quando o tempo inexiste. Quando os olhos encontram-se. O coração acelera-se e unifica-se. Sinto viva ao teu lado nada pode contraria isso, é fato. Não há ninguém que explique qual é motivo de eu ter o maior sentimento do mundo. Não precisa de explicação, apenas sopro sereno e ardente desses verdadeiros e crescentes sentimentos. Ainda não inventei a palavra para descrever a grandiosidade que percorrer a superfície vitaliza desse universo. O nosso universo….

Palavras tácitas

      Numa atmosfera singela e tocante ocorreu uma história complexa de ser contada. Nenhuma mente recordava os detalhes e as nuances que preenchiam e rodeavam as curvas daquele destino. Numa sintonia em que vivia um sonho realista. Tudo fora declarado, estava cada vez mais perto das realizações. Às vezes uma utopia descadeava e fortalecia alguns horizontes,  onde algumas luzes de incertezas acendiam. Sabia que o futuro é incerto, isso é pelo fato de apenas viver o presente. Mas essa não era questão, algo almejava dentro daquela psicologia, em que sempre esperavam um momento da grandiosa e impulsiva inspiração de viver.

      Alguma voz escondida no âmago indeterminado dizia com exatidão: “Tudo conectam-se e sua história apenas começou…” Em poucas palavras que perfurava o silêncio, nessa doçura retirava a réstia de pulsações noturnas. A memória estava passiva, havia esquecido de muitas recordações sofríveis. O mundo do esquecimento estavam repleto de escuridão. Onde numa placa encontrava-se escrito: Adeus a não-vida!. Agora mergulharia naquele imenso oceano que estava no pretérito- futurístico, esse tempo que distinguia viver. Mesmo que em breves momentaneidades esta seja constituída numa maresia rala

      Nada mais precisava ser dito, o não-dito estava dominando na doçura de um longínquo e acalentador silêncio…

“Abençoados são os esquecidos, pois eles ficam melhores com seus mesmos erros” (Nietzsche)

 

Onde estiveste de noite?

Nas noites encontro minha alma

Tudo agita-se em grandes horizontes de presente-futuro

Não caminho mais no escuro parece que tudo iluminou-se

A vida cantou sua canção peculiar

Encantou-me os ouvidos. Tudo começou a brilhar

Eram apenas breves dizeres

Onde as noites são brancas

Os dias são corridos

O inferno é enterrado

Vivo um grande momento terno

Não quero ilusão

Apenas uma realidade surreal

Um dose de anormal

Sempre a loucura, essa é a cura

Vida, por favor, permita-me a  isso

Nessa plenitude encontrei um sorriso

Esse alguém era a paixão de viver

Ela perguntou-me:

“Onde estiveste de noite?”¹

Ousei a responder:

Ao não-tempo

(…)

“Tudo o que escrevi é verdade e existe. Existe uma mente universal que me guiou. Onde estivestes de noite? Ninguém sabe. Não tentes responder – pelo amor de Deus. Não quero saber da resposta. Adeus. A-Deus.” (Onde estiveste de noite- Clarice Lispector)

Nota: ¹Alusão ao uma obra de contos escrita por Clarice Lispector.

O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

O transe da inspiração

“Preferiria sofrer de amor do que sentir-se indiferente”  (Clarice Lispector)

     Naqueles pedaços de palavras que denotavam uma nova travessia de vida. Com o medo silenciado aos poucos pela esperança e a força de viver descontrolada, que circulavam por todo o corpo até húmus da alma. Estava fatigada de saber que no destino havia caminhos: perniciosos, sofríveis, retrógrados e proibidos. Mas ousadamente admite sua perpétua verdade, de que nunca renunciaria de viver e aproveitar os instantes incontáveis pelo tempo para evitar a degradação e fatalidade da própria vida. Pois consegue viver oficialmente a  partir do momento em que o seu coração devora o tempo e prova o sabor suculento do fruto proibido e da ameaça. O desafio era a fonte da esperança e da fé, sem esses dois essenciais fatores eram quase impossível suportar o condicionamento do ser limitado humano perante ao mundo. Para isso, existia a mente em que o único limite era distinguir: o real do imaginário, se é que isso é possível.

     Tudo estava vazio como uma noite plena e silenciosa, dentro das luzes noturnas, uma voz feminina corta aquela quietude:

– A noite de hoje está me parecendo um sonho

    Ele responde:

– Mas não é. É que a realidade é inacreditável. 

(Uma aprendizagem ou O livros dos prazeres)

     Enquanto os olhos mantiveram abertos podiam sentir inteiramente a verdade radiar por dentro daquele aquoso da vida, e explana para o onírico que sobrevivia no inconsciente daquelas horas. Num transe e estado de sonambulismo compunha e extravasava as névoas do inconsciente. Mas essas eram, bruscamente, interrompidas pela ondas racionais da consciência que ainda mantinha a vigília de sua rígida política. Às vezes, ultrapassava aquele beira, mas ali deparava com o infinito como um livro que acaba, mas sua história permanece e mantém-se viva dentro do coração. Não conseguia idealizar um final, no entanto, depois daqueles dois pontos apenas via uma maresia ao horizonte repleta do esplendor da vida.

No meio do caminho…

     Não tinha uma pedra. Havia as estrelas reluzentes dos seus sentimentos.Havia alguém. Havia também ninguém, pois era incerto. Havia ela e o mundo. Todos destinados pelos ponteiros do relógio. Havia o tempo. E, tudo além disso.

     Ao olhar a superfície do tempo, percebeu que aquele mês chegará ao fim. Mas não havia ponto final naquelas vidas, vários segmentos ramificaram-se e estavam propagando e moldando um futuro no presente. Dentro daquele mundo, ela vivia a plenitude de um ‘futuro-presente’. Um tempo determinado por si própria, pois expunha a idealização do futuro dentro do gerúndio em que vivia. Apesar de ser retalhado e definido, ainda não alcançava o contexto completo daquele verbo mais importante: VIVER. Não importa o tempo verbal, nem a conexão paralela entres os tempos. Apenas sentia a magia de cada instante e construía mais um ponto de sua realidade. Onde, a pontuação é expressão mais verdadeira de atingir a proclamação de algumas emoções. O dia ainda não chegará, talvez seja tangível, mesmo que seja no silêncio demonstrará a verdade que a cerca. Enquanto isso, o seu planeta aguarda pacientemente as translações do universo.

    Naquela mesma estrada no descaminho do obsoleto, do passado sofrível e das angústias tácitas pelo ódio, escárnio e o desdém, em que todos unidos combatiam essa muralha, destruindo pedaço por pedaço. Deixando o espaço vazio, onde preenchia com todos seus sentimentos mais profundos e ralos que sobreviviam na margem da palavra, da palpitação, do onírico e também da ‘sonha-lidade’ (é um termo inventado para designar realizações de sonhos). Esse objeto, a palavra, que liberta a voz aprisionada pelo coração, e sufocada pela mente.

    Nessa noite, a escuridão contraditoriamente ilumina as ramificações de seus sigilos ingênuos e sua visão surrealista da vida. Em cada passos fincados ao chão, e dois voavam para a eternidade. Sentia-se que estava dentro da epiderme do eterno, mas sabia como não podia conter a racionalização, que tudo era efêmero. Mas como sempre, a medição  das coisas são expostas a partir da suas respectivas intensidades.

    Ao deparar-se de súbito com aquilo, (sim ainda indeterminado não foi criado um neologismo para isto). O entendimento não conseguia definir. O sentimento ainda não sabia sentir. A única saída discreta era através das pupilas desconexas da loucura, onde atrás daquela ambiguidade, pois não estava vinculado com a demência mental, mas sim com a prazerosa liberdade de difundir vários pontos ilógicos. Pois, ainda não foram nascidos pela palavra, apenas surgiam dentro do seu mais profundo âmago. Isso era equivocado, o nascimento era incerto e assim como seu falecimento. Por enquanto, as palavras epifânicas traziam consolo. Desde da surpresa com a incompreensão até o espanto inusitado que era fonte de sua pré- criação, criação em movimento, e sua pós-criação. Onde seus olhos revivem o prazer misterioso do livro, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, da escritora intuitiva Clarice Lispector, as páginas antigas eram traços de um passado às vezes tão presente. Na página 52, sussurrava:

    “Era bom. ‘Não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender- entender era sempre limitado. Mas não-entender não tinha fronteiras e levava ao infinito, ao Deus. Não e a um não-entender como um simples espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura estupidez.”

    Um impacto fortemente defrontava com a própria alma, que estava inebriada de inovações, tudo que olhava era sentindo, até mesmo a própria cegueira em que perpassava alguns cantos extremos. Dentro de algum lugar, pulsava uma frase: “Os dois pontos ainda continuam com minha interrogação.” Parecia que por mais que escapava sempre vinha a subjetividade e inconstância das coisas.

     Aquilo (esse era possível chegar-se ao uma definição equivocada), era  a confissão do seu inconsciente para subconsciente e consciente, ainda não sabia distinguir sabiamente esse pilares da mente, mas a base para forma-se uma vida em que a felicidade seja plena no momento.É necessário os sentimentos sinceros e desejos parcialmente realizados. Impossível para de sonhar. Impossível viver sem sofrimento, medo e angústia, mas tudo isso pode ser exterminados pelas incongruentes loucura  de(…) Deixo que as reticências falem por si só. Em que sua solidão é a felicidade e expectativa alheia, onde essa é a única solidão recíproca existente no universo inteiro. Tinha certeza de algo, sabia que  estava entreposta ao mês do adocicado passado recente, e as névoas de um futuro, talvez presente. O resto foi silenciado, sob sonambulismo, adormecia juntamente com o despertar divino daquele livro. Vivia uma aprendizagem guiada pela inteligência sensorial. Estava lendo sua pré-história, sentia-se que era personagem protagonista do enredo de sua história entre as subjetividades infinitas, e palavras que não foram escritas.

     Não estava na metade, nem no fim e no início. Estava dentro da  eternidade em notas efêmeras. Dessa contradição fazia sua terna melodia e seu doce remédio.

Expectativa

Flora Figueiredo (Chão de Vento)

O vento anda ficando mentiroso:

prometeu trazer você- não trouxe,

de dizer o porquê – não disse;

esperou que eu me distraísse, 

passou com pressa rumo ao horizonte, 

Já não tem importância 

que cometa outra vez 

um ato de inconstância 

Aprendi a esperar. 

Se ventos são capazes de levar embora, 

a qualquer hora 

também serão capazes de fazer voltar.

A realidade das coisas

Onde foi que o amor morreu?

Mas como pode ter morrido se ainda não nasceu 

A alma humana é muito impura e bruta 

Para ter esse sentimento que seria a cura

Não existe amor 

Esse é nossa maior dor

Os iludidos acreditam e ainda subestimam

Podem ficar nisso, pois nada disso mais acredito 

Enquanto tudo for dito

Continuo sozinha ao meu caminho perdido 

Não há mais perigo

Estou sendo engolida pelo próprio grito 

Um som estridente na noite tão demente 

Todos mentem, pois estão ainda de olhos fechados 

Quando despertarem estarão lado à lado 

Da inexistência da vida digna, do amor e da eternidade 

Para nós humanos só restou o infortúnio 

Talvez no fim do túnel encontre alguma coisa 

Algum lugar, longe daqui…

Longe da realidade

Ninguém é capaz de leva-me para lá

A roseira da vida

    Uma ventania sopra um ar nostálgico que entra através da janela.  Partículas acinzentas são do coração doente, curando aquelas feridas que perfurava a sua vida dentro da amargura. Os ponteiros se mexem conforme o vento sopra. Suave, passageiro deixando os rastros nos dias, meses e anos. O calendário marca o fim do mês de novembro sob o calor no fresco das lembranças. Aquele mês repletos de vitalidade e amor. Ainda se lembrava, nunca esqueceria.

    As incertezas estavam pintadas na parede do cômodo, cores que relembrava aquele mês, o azul sereno, vermelho na efusão ardentes dos desejos, e o amarelo radiante que aquecia. Uma pintura expressiva, que traçar um sorriso escondido. As rosas em cima do mesa permaneciam vivas exalando o perfume delicado, que ao senti-los flutuava nas reminiscências daquele mês de novembro, traços tracejados com ternura guardados dentro da caixa das lembranças, e nas folhas caídas do outono.

    Um suspiro nostálgico úmido como um beijo em seus lábios ressecados. A vida era como uma rosa nasce uma pequena semente. Crescer escondendo um segredo, começa desfolhar lentamente revelando a magia da flor da vida. Murcham, e morre na secura da saudade. Deixando apenas um pulsar imortal no solo, é a fonte de vitalidade para outras sementes germinarem. Como as rosas tácitas do coração, pétalas a pétalas são despejadas sutilmente no chão. Um sopro sereno levam uma a uma para eternidade. Dançando pelo ar.

    Sozinha no chão esperando na constância de cada dia que passam. O vento é veloz levando as folhas murcham do seu peito, estavam indo embora suavemente. O outono já transcorreu, e um sol sorridente é surgindo nessa nova estação. O verão que aquece a esperança daquele coração úmido das lágrimas de saudade.

    Apenas o tempo que passou junto com vento, guardados com carinho as pétalas. Da roseira de sua vida. Viverá eternamente aquelas lembranças com um suspiro de saudade…Até a chegada de sua morte que será breve.

    O som do vento esfolia em sua face e diz:

    “As pétalas são nascidas, colhidas e guardadas dentro do seu coração. Até murcharem e serem levadas pelo vento. O sou o vento que passa pelos seus cabelos. Revela seu rosto perolado pela luz do luar. Para sempre sentarei contigo.”

Caminho da escuridão

    Os rastros marcados no caminho sob a escuridão, traçava o seu destino confuso, percorre dentro do seu tempo. Os passos seguiam a mesma marcha ritmada em cada segundo de vida. Ele estava centrado ao rumo das coisas, desconhecia que estava perdido. Que a vida é além daquilo que pode-se ver. Pode-se sentir. Pode-se medir. Pode-se viver. Além de tudo que cerca em sua órbita. Ao vistar o céu percebe-se tênues estrelas que pinta a atmosfera sinistra, cada pontinha era um pedaço de vida que caminhava e se perdia na mesma escuridão. Todos eram engolidos pelo céu….

    A pergunta gritante penetrar na mente dele, O que seria da vida sem o instante soprada pela felicidade?…. A única resposta.. Nada,  uma imensidão sombria e hedionda. De repente sente-se um calafrio que nasce na espinha, o medo começa a domar por completo. Não sabe onde percorrer, e como parou ali.  Somente se lembra de algo remoto que aparente ter sido vivido alguns anos atrás. Quando ainda tinha autonomia de sua própria vida, agora ele está à custódia do seu dono. O senhor da almas, ele que condenava todas as almas à caminharem na plenitude da escuridão infinita. Todas eram estrelas que foram presas ao céu. A única escapatória era despertar da mentalidade e criar sua própria autonomia. Como isso seria feito, ninguém sabia. Isso é segredo que ninguém conseguiu ainda decifrar. Um mistério tácito.

    Enquanto não descobria o mistério ficava preso nesse calabouço da infinitude. Será que tudo aquilo realmente existia? E se existe. O que explica a existência? Sendo que as coisas acontece na mente de alguém?… Que peso enorme era a ignorância, algo estava ansiando em gritar para despertar aquele alma perdida e submissa ao Senhor das Almas.

    – Liberte-se. Declare Independência. Não é impossível. Apenas precisa desvendar o enigma. Liberte-se – uma voz consistente e insólita grita dentro do seu ser.

    Ele vai seguido a voz dentro de si mesmo, está andando rapidamente…Passa por milhares de verdades condensadas, palavras despencam naquela recito branco. Não sentia mais como ser sólido, agora se transformou em líquido que vai escorrendo no abismo, está decaído. A mente não consegue mais acompanhar os fluxos das coisas. E repentinamente está em sua cama totalmente despertado. Aquela foi a última vez que deve esse pesadelo. Que às vezes se confundia com a realidade, sentia um temor na barriga só de pensar. Mas era quase impossível evitar o tal fato.

    Os olhos vem uma imagem embasada no relógio, está marcado 00:00. Acha estranho e tenta encontrar o erro e a única coisa que descobriu, foi que tudo aquilo não foi um pesadelo. Era real, estava preso eternamente em sua própria mente. Um corpo sem alma , em que foi vendida pelo Senhor das Almas. Para sempre caminharia na perpetua escuridão, onde não há olhos para guia-lo. Todos estavam perdidos. Todos eram almas vendidas em mentes presas em pequenas verdades.

    Longe dali ainda esperavam fatigados a Declaração da Independência, a liberdade de sua própria mente. A criadora da realidade.

A inexistência

    Longe dali, havia um lugar atrás da existência localizava e inexistência. Os passos eram letárgicos e subiam a colina rumo aquile local insólito. Ela estava arfando com um semblante fatigado e ansioso. A sua outra vida guardam lembranças sombrias de um passado longínquo e sofrido, onde o amor não existia, a felicidade, nem a vida. Somente tristeza e cada dia era um nova morte. Estava farta desse mundo preto em branco, os seus olhos ansiavam ver múltiplas nuances riscar no céu, um arco-íris magnifico e as nuvens brancas como algodão, e o sol translucido  ao entardecer no colo da paz e do sossego. Aquilo seria uma vida.

    Em cima da colina o ar se tornava rarefeito, cada respiração era um sacrifício. Mas quando mais próximo chegada percebia que não precisava mais respirar, caminhar. Estava flutuando naquele imenso céu de azul anil, as cores penetravam dentro dos olhos e atingiam o coração sofrido e fraco, trazendo vida novamente. O coração subitamente começou a palpitar brutalmente, quase saiu da peito. Os olhos ficam lacrimejates de tantas emoções que transporta no momento único, em que finalmente senti-se viva.. Aquele úmido era pura vitalidade e transcorria nas veias, no corpo até a alma.

    Quando chegou ao topo final da colina, havia um portal iluminada. Bateu duas vezes delicadamente, a porta se abriu, e seus olhos ficaram repletos de imagens e cores. Entrar apreensiva, lá estava ela dentro de sua utopia, submersa à utopia.Tudo aquilo que não existia na realidade cruel, existia lá. Estava na inexistência. O amor cresciam em flores, a vida transpassava no coração, a felicidade é iluminada pelo sol sorridente que perpetua o lugar…

    – Aqui estou na mundo dos meus sonhos. Finalmente encontrei-te, estava procurando tanto por ti… Oh amor, que transporta o meu peito e sacia a minha alma- diz Melinda direcionada ao sol

    O tempo esfoliava em sua face uma serenidade que parecia que sua história ali nunca terá fim.Atrás das flores encontrou o seu amor. Com um rosto cativante e um sorriso nos lábios. Juntos viveriam eternamente…

    O despertar toca, Melinda acorda repentinamente e percebe que tudo aquilo fora um sonho. Agora despertou para a realidade e primeiramente fica perplexa com a grandeza e realeza do sonho, que pensa na possibilidade que seja real. E quando finalmente, acorda por inteira para realidade que o espera. Vê que tudo aquilo não ultrapassou de um sonho utópico. Um mundo absoluto em sua busca infinita. Atrás da colina…. A inexistência. Um dia iria para lá, mesmo que não existia esse era o proposito. Um dia se libertaria da realidade.Ainda podia ver aquela face atraente e bondosa sorriso para si. Sabia de algo quando o relógio parasse, estaria naquele lugar vivendo seus lindos dias….

    Através da janela o dia lá fora estava nublado e chuvoso, sabia que a chuva eram lágrimas de tristeza que aguardavam esperançosas a ‘inexistência’…Precisava se animar hoje teria um longo dia pela frente, e muito tempo até a chegada do seu momento.

Quando as palavras se delimitam ao silêncio

 Enquanto espero sua presença

 Só sentido a ausência

Das palavras-sentidas

Aquelas que nunca foram escritas, lidas ou escolhidas

Onde não há saída, apenas escrevendo

As não-palavras caladas Sentadas em seus cômodos

 Que se despedem

 Até mesmo o silêncio diz adeus

Em um lugar chegarão

Estou indo até onde me levarem

E chegar ao inevitável. Onde elas param

 E onde continuam

 Na margem dos pontos…


    – As nuvens nunca mentem, apenas olhe para o céu. O infinito que revela o seu dia em composições que saltam de uma voz adocicada do tempo. Palavra essa que flui servindo de próprio alimento.

    Os passos são letárgicos e hesitantes, envoltos ao um arco-íris que se  forma dentro do coração. Os olhos não viam mais o passado, mas a reminiscências eram sentidas. Vozes silenciosas encobriam a solidão, numa inconsistência soprada pela saudade. O vento é beijo do tempo. Somente um sopro, aquilo que nas salivas das horas despejava uma única vida. Eram segundos vividos em eternidades. A áurea estava tão quieta, em seu canto cabisbaixa, ao lado de alguém. Nada se via pela visão coberta, uma cegueira que engolia sua sobrevivência. Os sentimentos que nasciam e cresciam num instante e logo morriam ao fim do dia. Tudo condicionada ao relativo, mas sempre permanecia a imortalidade, e os vestígios que nunca se desfaziam nem pelo mestre do esquecimento. Sempre iria fixar aquilo que nada dizem, na exalação de um perfume, a doçura da espera perdida em devaneios e expectativas nas nuvens do amor. E amar somente com o coração.

    A respiração está equilibrada junto com o compasso das palavras, que saiam do improviso e riscava o esboço esbranquiçado de uma folha. Os dedos ágeis e fugazmente listravam aquilo que guardava no silêncio, uma respiração, uma batida, uma melodia. É aquilo que os olhos enxergam, os lábios beijam, em busca do sorriso escrito em cada dia. Sentada no cômodo, os pés estava queimando, na fatiga do caminhar, mas se sentia na serenidade melódica que ressonava as notas desconexas em seus ouvidos. Ainda precisava de luz para ver, quando chegar um dia e enxergar na escuridão estará realmente emancipada da manipulação dos olhos. A escuridão é luz do adeus, uma despedida do íris que cria um mundo moldado. Até que não havia incomodo ser escrava da vida, achava os seus instantes de alegria e presos em esperança que guardam o coração da imortalidade. Ao súbito bater úmido esquecido pelo tempo, perdido em algum momento que ainda esperava. “Esperar, esperar”, ao infinitivo que conjuga o verbo imenso nos braços daquilo que nunca deixaria de esperar.

    – O som compunha todos os dispares que germinava, nas sementes que eram escritas. Alguns dias parei, deixei vida sem palavras. Uma ausência, precisava da companhia amparada das palavras. Uma margem que se navega sob meus pés. A palavra contorna a vida –  diz ao silêncio

    O tempo está nas friezas do vento, aquele é o tempo do agora. O ar aquecido é das lembranças, o sopro umedecido é de solidão, eram lágrimas. O arco-íris é de ressurreição com reflexão do sol, que aspira a esperança. Apesar dos dias ter sido encoberto pelas nuvens, conseguia se perder nas cores do arco-íris.

    – Sou seu hoje, estou acabando logo voltarei em alguma lembrança. Mas como elas nunca mentem, pois nada dizem. – no contrastes das cores diz o arco-íris

    Que pintado em um céu nublado ao entardecer, pingados das horas. As gotas continuavam cair sob a quietude. Quando anoiteceu, a metade da lua pinta no metálico da cor, deixando um sorriso ao universo. Visto por todos os olhos que vislumbra a verdade silenciosa, enquanto o coração esperava. O silêncio que une os pedaços.