“Meu coração não se cansa”

Quando tempo congela verdades impactantes, uma lágrima é guardada dentro de sua reluzente esperança. Estava escorrendo suavemente. Estava com uma respiração receosa em que se afogava aos poucos,  pois estava apenas no seu estar (verbo de ligação que conectada toda a sua vida). Aquele estado tão insolente e decrépito que esmagava o resto de suas tristezas. Não teria significações para sentir infeliz, porque tudo acontecia inversamente, somente uma coisa a incomodava. Sabia que isso era pior do que silêncio sem despedida. Por que as gotas daquela chuva ainda a afetava?

Entretanto, tinha uma grandiosidade dentro dela o qual tinha certeza que sua dignidade é maior do que qualquer decepção das pétalas escarlate da vida. Neste presente, viveria o lado mais sábio que era ser feliz dentro de seus sonhos iluminados.

A chuva suspirou e ela respondeu:
-“Meu coração não se cansa.” – fechou os olhos e vislumbrou seu sorriso na janela embaçada.

Ela é feliz e sabe que sonhar antecede o seu viver.

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Pressupostos da verdade cintilante

O que antecede um verdadeiro despertar?
Antes de conhecê-lo havia um labirinto de incerteza.
Antes de vivê-lo existia apenas ilusão.
Antes de senti-lo estava presa em seu desespero
que engolia como uma palavra mal-escrita.
Antes de vê-lo pensava que era impossível.
Agora que o despertou chegou….
todos os soluços foram transmitidos pela chuvas
E cada sorriso vigorou como a própria respiração.
Incondicionalmente, aquele seria sempre seu precioso….
Despertar!
A doce liberdade suspirou:
-Veja o que está por detrás daquelas gotas…
Havia muita luz sabia que era uma gloriosa felicidade
e a cintilante verdade.

O moinho dos ELLES

    LIV

LIVRE

LIBERAL

LIBERDADE

LIBERTÁRIO

LIBERALISMO

LIVREMENTE

LIV                LIV

  LIV            LIV

     LIV   LIV

A própria LIBERDADE,

é uma prisão,

Aquilo que todos procurarão

Mas ninguém é capaz de viver:

O cárcere de ser LIVRE…

LIBER                                          LIBERT

  LIBERDA                          LIBERTA

   LIBERDADE            LIBERTÁRIO

É equação não tem mais fim:

(…)

O prelúdio: Assim dizia a vida

“We need to feel breathless with love/ And not collapse under its weight/I’m gasping for the air to fill/My lungs with everything/ I’ve lost/ Precisamos nos sentir sem fôlego com o amor,e não desabar sob o seu peso./ Eu estou desesperado pelo ar para preencher meus pulmões com tudo o que eu perdi.” (It Begining to get me- Snow Patrol) 

“Sem dor e sacrifício não podemos alcançar nada” (Clube da luta- Chuck Palahniuk)

      É prelúdio o novo nasceu, os pesadelos adormeceram, e os sonhos perpetuaram e preencheram todo o espaço daquela vida. Havia ocorrido tantas coisas que nem mesma eu, a palavra, conseguia expressar ordenadamente. Uma explosão, o sonho acordado estava realmente acontecendo, não havia ilusões, os olhos podiam sentir essa força que clareava todos os cantos da vida. Os fatos antecedentes foram sofríveis, pois sabia que o sofrimento compunha a essência humana, assim dizia Arthur Schopenhauer. A mente, o coração, o seu ter, o seu ser, tudo que havia estava em colapso.

      Esse dia será inesquecível, se caso caia no esquecimento não terá importância, pois nesse lugar construo meus outros sonhos. Mas sempre o primeiro é difícil ser esquecido, o primeiro dia do ano, a primeira música, o primeiro sentimento, o primeiro alguém. O início é abertura de outro mundo com novas experiências, conquistas e realizações.

      Às vezes não há necessidade da busca, as coisas conectam-se e encontram-se num fluxo eloquente. Mas isso não quer dizer que devemos ficar estagnados e esperar o destino fazer sua missão, precisamos deixar levar pela força interior e com essa determinação, que vai além de uma simples palavra é algo vivo. Estava embriagada de tantos sonhos, porém havia algo distinto, muitos eram realidade. Enquanto outros permeavam a margem de algum futuro. Sabia que num piscar de olhos a vida muda.

      Apesar de tudo às vezes tudo é efêmero como arco-íris, assim dizia Virginia Wolf. Assim dizia a vida. Assim dizia eu a palavra, eu o coração, eu a mente, eu mesma por inteira.

Os relapsos: Ao lado da vida

      Estava imersa nas excessividades, tudo transbordava e ultrapassava o limite de realidade. Num som eufórico proclamavam a reinação dos sonhos, haviam vencidos. Mas a questão não era de vitória ou derrota, perdas e ganhos, não estava exposta nesse dualidade antagônica. Era simplesmente algo de ser, como personaliza-se e nutria uma autônoma vida. Algo insólito deixava essa sensação, pois sempre é sinistro, aquilo que não consegue descrever, discernir, e organizar num entendimento. Mas como agradava-lhe o não-entendimento, e sua sintonia tão pactuante com aquele ser  que venerava o âmago puro da loucura. Desse objeto construía  aquilo que considerava de vida,  isso era sua fonte inesgotável, pois mesmo no vazio fúnebre, criava horizontes cálidos de uma noite mal-expressada.

      Caminhara chegara ao fim de uma fase, pequenos feixes obscuros estavam tapados, a enterrados no cemitério do esquecimento, haviam várias lápides que ficaram jazidas em seus cantos dentro da memória do esquecimento. Nada mais daquilo assombrava, a experiência é passo final para superação. Com toda certeza ainda havia as grandes correntes humanas que eram: o medo que sempre existirá, pois nasce no desconhecido e morre na experiência, e renasce para alimentar outros sentimentos que precisam dele para sobreviver. A indolência, sim grande louvada preguiça, o estilo Macunaíma de viver, não percorre apenas nos sangues dos brasileiros, mas de todos nós humanos. Esse estado inerte meditativo, um ócio que pode conter pequenas epifanias e dá origem ao uma nova invenção, ou talvez apenas acalentar a vida que movimenta-se rapidamente e cruza com muitos fatos metódicos. Além do medo e da preguiça há outros itens, porém esses prevalecem e estão composto na natureza humana.

      Era complexo definir uma forma de  memorizar em mim,  a palavra, esse pedaço de vida que delineou em 365 dias. Nesse tempo que ainda continua mais misterioso e equivocada sua definição, cada instante é uma consistência distinta ou apenas uma réplica do ontem. Nesse ritmo navegava e retirava do ar, além do oxigênio, retirava a vida que purificava e alimentava a cada retalho. Nunca deixará de caminhar, sempre a percorrer, transformar-se, ou apenas perde-se ao infinito, mesmo sabendo que a vida carnal seja mortal, tem algo que aproxima-se da imortalidade é a ideia, não uma   simplória composta por pensamentos, teorias, ideologias e cias. A ideia expressar algo mais além disso, é fato vívido de um alguém, além de uma breve memória, são as  vozes silenciadas por mim, a palavra, e segmentos como: palavra-sentida, não-palavra, palavra de não-pensamento, e assim percorre, cada uma com suas específicas definições mutantes.

      Dentro daquelas notáveis horas, reviviam fugazmente momentos memoráveis, talvez seja esquecido pela mente, mas nunca pelo coração. Nada de nostalgia, estava feliz com presente. Sabia a grande diferença da expectativa para realidade, mas esse abismo não assustará mais, pois conseguiu conciliará e fundir num único objeto. Talvez um dia poderia acha que estava enganada, mas até lá, teria muitos horizontes para descobrir. Como uma luz noturna, onde olhos refletiam a paixão de viver. Desconhecia onde encontrou aquilo, não importava, talvez mudará, mas gostava de sentir-se assim. Nesse estado momentâneo trazia um relâmpago de eternidade.

Tudo que chamo de vida

     A sobrevivência era uma consistência intensa que liderava todos os sentimentos, era motivação fortificadora de viver. Naquele dia, despertou na inebriação de mais um ano, sabia que haveria muitas surpresas por aí. Aquele final de ano vivia ao lado de várias promessas, que estava preste a realizar-se. Lembrava nitidamente do ano passado, e conciliava com aquele pleno e digno presente que metamorfoseava a cada instante, impressionando cada vez mais. Tudo tinha uma primeira vez, mas o diferente do primeiro é que inesquecível, marcante e imortal. Jamais esqueceria momentos que foram sagrados para coração, ternos para mente e contemplativos para aqueles olhos e aquela vida que enfrentara a realidade e vencera.

     Aquilo era apenas o começo de uma longa e incerta história. Cada dia escrevia um capítulo novo e inusitado das pulsações da vida. Todo dia nascia um novo sentimento que desfolhava lentamente a áurea e mistérios daquela vida.

     Num dia muito longínquo do presente havia um poema que concederia para alguém. Tinha essa fascinação em sua mente, até que nesse final de ano surgiu subitamente atrás da ondas oníricas, numa realidade avassaladora e surreal. Naquelas breves palavras dizia tudo que perpassava naquele coração. Isso é um retalho daquilo que chama de vida.

O nosso livro(Florbela Espanca)

Livro do meu amor, do teu amor, 

Livro do nosso amor, do nosso peito…

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas  de flor.

Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais prefeito.

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu !

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

“Versos só nossos, só de nós os dois…”

365 páginas

         Aquele ano guardou uma densidade bruta e diferente, muitas provas de sentimentos e de vida foram jogadas aleatoriamente, como se fosse cartas dispersadas ao vento. Em cada mês o regresso daquele tristeza de motivo desconhecido apunhalava o coração, as lágrimas de angústias lavavam a alma e empobrecia o corpo desnudado pela brusca realidade, em que depara o seu destino. Os caminhos são múltiplos a incerteza e receio permeiam aquela mente, deixando suas respectivas névoas. Cada dia era como se tivesse ganhando um pedaço a mais da vida, uma vitória inconcebível  por ela mesma. Aproveita uma breve felicidade de alívio e uma serenidade peculiar, pois aguardava o regresso da tristeza. Aquele sentimento era a essência da alma, nunca deixaria de sentir…

      Naquelas redondezas guardava inusitadas surpresas, mas até lá continuava a navegar naquele mar imerso em lamentações, pois cada instante despertava mais, e via com os próprios olhos a  face da realidade. Nunca notara como era  bruta, desconfigurada e sofrível. Sofrera de solidão, de desamparo, de atitudes egoístas e mesquinhas, de quase tudo. Mas nesse final de ano as coisas mudaram completamente de rumo, como imensa aleluia o caminho iluminou-se. O sorriso fora revelado e coração libertado para cantar todos os dias sua doce melodia, que transparece todos aqueles sentimentos que antes eram oprimidos e ocultados. Finalmente sobrevivera, chegará ao final com esperança para outro ano e euforia radiante, esse sentimentos foram a base para compor essas últimas páginas que lustra esse a

   O epílogo eram escritos por palavra-sentidas nascentes de puros e desconhecidos, sentimentos que listram longas linhas de um futuro incerto. Uma esperança crescente e imanente preenchia todos os cantos vazio daquele coração, daquela mente e daquela vida. O futuro eram reticências o presente é pleno, o passado era absolvido e vivia nas longevidades. Estava vivendo intensamente isso era que realmente importava. Aquele não era o fim, apenas um longo e misterioso começo.