Castelo de areia

     Que impasse, inacreditavelmente, injusto e impuro que corria numa injúria e destruía a melhor tonalidade de voz. Onde ficou presa seu último grito sucumbido? Vestida de sua tranquilidade, ela permanecia inquieta. Algum dia poderia ter certeza de tudo aquilo que a movia. Tinha sede de vida e dessa origem desvelava seu único olhar: que era continuar naquele caminho.

     Um ar impuro mastigava em sua lentidão corriqueira de destruir. Mas nem essa ação “impassante”, deixaria a mercê do abandono. Se escolheu enfrentar aquelas transformações, nem o nada e nem muito menos o tudo conseguiria confronta-lás. Naquela luta não teria nenhum vencedor, além da própria e colorida verdade.

     Estava resguardada novamente no núcleo de seus sentimentos. Seguiria sua liberdade de escolher a sua realidade. O passado há séculos atrás, foi desmoronado pela descontentamento de não-viver. O seu presente recrutava apenas sólidos e vaporizantes instantes que traziam, realmente, o gosto da vida e seu cheiro arrepiante.

     Um dia seria livre de qualquer pré- julgamento, julgamentos e pós- julgamentos. É suportável até o momento que seu grito se torna inaudível.

     Andando entre seu eu, verdadeiramente, e aquilo que era condicionado pelo não-eu. Poderia se redescobrir conforme sua fama de firmar a força que escorregava na vida. Querer. Quero. Queria. Quis. Quereria. Quero. Não tem um tempo maior do que o presente.
Porque alguém com sua pretensão poderia retirar o amargo daquele licor e rasgar suas paredes.

     Rastejaria até sua forma iluminante a fim de encontrar sua substância. Tomou. Degolou. Resistiu. Restribuir o seu mesmo escárnio para a sombra que enriquecia da ignorância.

     A indefinição seria forma de descrever e narrar os fatos sequenciais que eram guardados em uma maresia intitulada. Esse lugar não desejaria abriga-los. Precisava continuar no mesmo trajeto que decidiu, humanamente, entregar – se, deste vez, não arriscaria sua fraqueza.

Estava plenamente convicta daquilo que riscava o pó “coracional”. Precisa ter uma força maior do que sua necessidade de viver. No vento dos dias, viveu e reviveu sua forma mais explícita de sentir.

     Admirável é a fugacidade da chuva que derruba de uma vez só toda a sua vida. Exalou. Respirou. Renasceu aquilo que estava extinto. Naquelas meios convictos de dizer, não ousaria revelar seu suculento mistério. Porque aquilo que mantinha os silêncios em brancos.

     Esqueceu de provocações indevidas. Agora, viveria o núcleo do ato de provocar-volátil que nascia de uma sinceridade entreolhares. Entre o ser e o estar, prevalecia:

    ” – Sou o gole intragável do medo. Sou a decisão de ser, independentemente, de vozes insólitas ou desvozeadas. “

    Restaurou seu ser naquilo que necessitava. Implantou seu sentimento no mundo. Resolveu cavar seus castelos de areias.

     Não teria mais nenhuma hesitação daquilo que surgia do vento e era engolido pela paixão. Areia é frágil assim como tempo. Estaria pronta para suas instabilidades. Dali que resplandecia sua refletividade de ser em cores.

Os respingos do ar: Do tudo à fragmentação respiratória

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    Quando o mundo respirou suas partículas pontiagudas explodiram. Assim ocorreu: o Big Bang. Não é uma origem meramente científica, mas é um o ato autônomo em que pensamento se desprendeu de uma ilusão apagada pela descrição. Antes tudo era completo e acabado, após esses estalos as substâncias sólidas ou, perdidamente, nas abstrações se dispersaram pelo maremoto de fragmentações que durante vários séculos ficaram incomunicáveis…

    A partir desse momento, a existência se tornou inacabada e na sua incompletude resolveu seguir o tempo como, um modo, de compreender o porquê dessa dissolução. Será que aquela fragmentação é pertinente para garantir o fato transformacional? Por que esse silêncio incessante que o vazio perfura amistosamente, trazendo uma alegria escaldante que transborda risos em lágrimas e prantos de felicitações? Aquele “versus” deságuam em um poema que viveu, sem ser escrito.

    A cada lado uma carta viola os dias agitados que os fragmentos vivenciam desde a sua inóspita origem. Aquilo realmente transgrediu o valor de educação que anteriormente se fazia ao todo, e agora, despeça aos poucos como pingos de luz que acendem e desparecem ,temporariamente, na mente daquele que quer despertar para o inteiro.

    O outrem nunca importou naquela realidade, pois ao reconhecer a própria incompletude que se tem autoconsciência da dita e cuja mortalidade. Mal sabem, que o que realmente se fortifica é seu grito e ato de ser eternamente uma criança enquanto se vive. Porque depois as folhas desintegram os seus atos e dizeres que silenciarão o epílogo fatal de uma respiração que se estagnou. O ar será apenas memórias engaioladas naquilo que era considerado vida. Mas dali, uniu-se novamente ao princípio.