Raízes temporais

Por que o fracasso está conjugando alguns verbos? Quando desprende daquele suspiro agoniante, sai de um torpor existencial que mantinha, secretamente, faz muitos anos atrás.

Não quero mais transformar o que começo a sentir em emoções palavreadas. Quero apenas a verdade, sem muitas divagações. Quero ser a vida por inteiro.

Agora seu aspecto imperfeito torna outras modulações de uma esperança recuada.

O passado errou no amanhã e acerta no ontem.

Não estou nem no aqui e muito menos no lá. Estou naquilo que sou. O ser e o estar se fundem como Deus e terra, porque a semente do ser estar estancada nela.

Levemente…Leve-me a minha mente…

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    Antes de conhecer a exatidão de todas as coisas vivia deslumbrada e pensando qual seria a sua verdadeira sintonia afetiva com o mundo. Seria que encontraria alguém que pudesse compartilhar do mesmo sentimento como se tivesse se comunicando até mesmo no silêncio?Aquele som era delicado como sutilezas de um sorriso escondido, timidamente, feliz com a companhia em que estava vivendo.

    Os olhos já tinha uma sensação majestosa que conquistava cada dia mais sua vontade de se sentir bem. Deixava todas as suas preocupações escaparem como fugitivos para uma terra desértica longe dali. Entretanto, sempre existiam algumas névoas que dissipariam com a certeza de fatos futurísticos em que a fidelidade de ser humanamente feliz prevaleceria.

    Naquelas constelações, sabia que teriam muitas inovações prontas para serem abertas e desfrutadas como se fosse uma promessa feita há muitos anos atrás. Talvez, estava começando a se concretizar de maneira peculiar e distinta. Desta vez, as suas luzes divinas não deixariam ser enganada, não seria novamente traída e se submeter ao coração falso e lunático de amor que nunca sequer pudera sentir. Mas o agora estava, delicadamente, mais colorido e nítido e poderia sentir dentro de algumas vozes que seria algo que nunca tinha vivido e mesmo se for outra ilusão nada poderá deter seu verdadeiro desejo de amar.

    Uma voz vibrou das estrelas e apenas brilhou de tal modo que ofuscou suas vistas. Sentia profundamente que dentro de todas essas incertezas saberia que um dia seria amada e amaria com toda a sua dignidade. Não seria intoxicada pelo veneno desesperador de amar, pois isso não é amar. Seria calmo segundo a natureza dos fatos. Estava livre para viver essa nova fase.

    – Como gostaria de poder exalar tudo isso que sinto e ter certeza da minha felicidade. Quero viver das trevas às cores mais fortes que a vida tem a mostra de maneira humana, porque nossos corações foram feitos para sustentar a sobrevivência humana e isto que é a vitalidade de amar. Por favor, não quero outra ilusão, neblina, quero a realidade de todos os jeitos e cantos. Sei muito bem, que serei feliz assim…

    Levemente imersa dentro daquele escuridão e fumaça existia o silêncio iluminado de voar com a sua felicidade, pois o que a sustenta é leveza da sua alma que repetia para o amor que estava atrás da cortina da desumanização:

    -Leve-me consigo. Leve-me a minha mente, meu coração. Leve-me para realidade em que tudo se sustenta pela leveza do amor…

    O dia nasceu com novos cânticos enquanto lá fora o arco-iris estampava um esconderijo incerto lá dentro fervilhavam emoções serenas e humanas em que sempre tivera vontade de sê-las. O medo se esgotou como soluço sem choro. Agora. Só tinha uma lembrança, um sorriso, um par olhos que sintonizavam diretamente com seus novos caminhos.

A eternidade esperançosa e efêmera

Uma aflição saudável transpirava pelo eco desconhecido daquele futuro. O medo estava se ofuscando e cada suspiro se perdia novamente. Tinha uma decisão selada dentro de seu coração,pois estava preparada para todos os feitiços que dariam apenas para uma ilusão sangrenta. Estava com sua proteção dentro de si e a cada passo e respiração exalavam o seu desejo maior de ser feliz e de um dia sentir as sutilezas do amor.
As suas esperanças eram maiores do que poderia medir e calcular a sua área ou perímetro , estava também além daquilo conhecido como eternidade. Porque sabia que isso era apenas uma margem do que havia de gigantesco. Ainda não tinha acesso a essa grandeza, porém essa força a embalava como um velcro prometido.
Estava a deriva das formações de palavras que se misturava em composições ou derivações em que ambos buscavam o mesmo e radiante rumo em que estava próximo demais de seus olhos e longe demais de seus medos. Não se importava o que sofreria nos anos futuro ou no seu presente, apenas considerava uma coisa que sua vida dependia de suas esperanças e seus mais incrédulos sonhos os quais se confundiam com o brilho eterno da realidade que saltava das veias daquelas palavras.
Naquele instante, queria mais do que grandes ondas marítimas, gostaria de sentir o sabor desconhecido anoitecido pela verdade imortal que liderava todas as formas sensitivas.
Naquele noite, não deixaria novamente seus receios e preocupações cruzarem e destruirem sua história, estava pronta para grita a sua emancipação, porque todos mereciam ser felizes por mais nebulosas que fosse as suas almas. Pois dentro existiam as substâncias que conduziam ao estado de graça.
Lentamente, aguardava ansiosa esse período tão sublime e efêmero. Por mais veloz que fosse não se entristecia com fim, porque era uma efemeridade eterna.
Uma ave parou sobre o asfalto úmido e formou uma curva parecida com sua alma. Faltava apenas uma parte…

Pressupostos da verdade cintilante

O que antecede um verdadeiro despertar?
Antes de conhecê-lo havia um labirinto de incerteza.
Antes de vivê-lo existia apenas ilusão.
Antes de senti-lo estava presa em seu desespero
que engolia como uma palavra mal-escrita.
Antes de vê-lo pensava que era impossível.
Agora que o despertou chegou….
todos os soluços foram transmitidos pela chuvas
E cada sorriso vigorou como a própria respiração.
Incondicionalmente, aquele seria sempre seu precioso….
Despertar!
A doce liberdade suspirou:
-Veja o que está por detrás daquelas gotas…
Havia muita luz sabia que era uma gloriosa felicidade
e a cintilante verdade.

As notas escorregam

Dentro de breves lembranças- Texto escrito em 2010

      Numa noite serena escutando novamente a canção da despedida, nas notas deslizantes que flutuavam na atmosfera. Os lábios, lentamente, abriam para ingerir as notas que alimentava a alma como um sussurro inalado de uma lembrança. As notas percorriam um percurso longínquo, levando as duas metades repartidas. Ela e ele, lado a lado caminhavam sob a canção do violino. O instrumento era tocado pelo amor que se consagrava entre os dois corações. Os passos não eram caminhando pelos pés, mas pelos pulsares das notas. 

– Segure firme minha mão, para que não caia em seu coração – diz ela numa voz mansa cheia de ternura.

– Não adianta mais, você estará para sempre dentro dele, o seu sangue vitalizo é a minha vida, como eu sou em ti. Somos nossas vidas, gota a  gota – diz ele se aproximando suavemente.

      As pálpebras se fecham lentamente, sentido o dispare do coração e da respiração em suspiros de desejos arfantes. Os lábios se aproximam estalando um beijo terno e sinfônico estavam desintegrando ao infinito, onde as notas escorregam nas profundezas além do mundo. Eram as notas de uma canção. 

Ao cárcere para libertação e humanização

 

Todos esperam alienados numa inventada e imposta realidade automatizada. Os encarcerados estão a espera de algo, de alguém que invade desde a metafísica ao material. Todos os dias despertam de uma mesma vida, o relógio cronometra os passos exaustivos e resignados. Apesar de caminharem arduamente rumo uma tentativa de evolução, nada consigam além da proximidade da morte desumanizadora da alma e da vida propriamente dita.

O grito abolicionista é proclamado. Este foi O dia que a terra parou.

O mundo precisa SER, além da existência mecanizada. O SER…..

” Então, estranhou-se a si própria e isso parecia levá-la a uma vertigem. È que ela própria , por estranhar-se, estava sendo. Mesmo arriscando que Ulisses não percebesse, disse-lhe bem baixo:

– Estou sendo…

-Como?perguntou a ele àquele sussurro de voz de Lóri.

-Nada, não importa.

-Importa sim. Quer fazer o favor de repetir?

  Ela se tornou mais humilde, porque já perdera o estranho encantamento no momento em que estivera sendo:

Lóri Débora -Eu disse para você- Ulisses, estou sendo.

Ele examinou-a e por momento estranhou-a, aquele rosto familiar de mulher. Ele se estranhou, e entendeu Lóri: ele estava sendo.

  Ficaram calados, como se os dois pela primeira vez se tivessem encontrado. Estavam sendo

-Eu também,disse baixo Ulisses

 Ambos sabiam que esse era um grande passo dado na aprendizagem. E não havia perigo de gastar este sentimento com medo de perdê-lo, porque ser era infinito, de um infinito de ondas do mar.  (…)Lóri estava fascinada pelo encontro de si mesma, ela se fascinava e quase se hipnotizava.

(…)Tudo aquilo era absolutamente impossível, por isso é que Lóri sabia que via. Se fosse o razoável, ela nada saberia.

 E quando tudo começou a ficar inacreditável, a noite desceu.

Lóri, pela primeira vez na sua vida, sentiu uma força mais parecia uma ameaça contra o que ela fora até então. Ele então falou sua alma para Ulisses:

– Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.

Os dois se olharam em silêncio. Ela parecia pedir socorro contra o que de algum modo involuntariamente dissera. E ele com os olhos úmidos quis que ela não fugisse e falou:

-Repita o que você disse, Lóri,

– Não sei mais

 – Mas eu sei, eu vou saber sempre. Você literalmente disse, um será mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.

 – Sim

O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grade silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. “

(Pg. 120-121)

 (…)Todos lutavam pela liberdade- assim via pelas jornais e alegrava-se de que enfim não suportasse mais as injustiças. No jornal de domingo viu reproduzida a letra de uma canção Tchecoslóvaquia. Copiou-a com a letra mais linda de professora que tinha e deu-a Ulisses.

Voz Longínqua

Baixa e longínqua
É a voz que ouço. De onde vem,
Fraca e vaga?
Aprisiona-me nas palavras,
Custa-me entender
As coisas pelas quais pergunta
Não sei e não sei
Como responder-lhe-ei.

Só o vento sabe,
Só o sol sábio conhece.
Pássaros pensativos,
O amor é belo
Me insinuam algo.
E o mais
Só o vento sabe,
Só o sol conhece.

Por que, ao longe, erguem-se as rochas,
Por que vem o amor?
As pessoas são indiferentes,
Por que tudo lhes sai bem?
Por que eu não posso mudar o mundo?
Por que não sei beijar?
Não sei e não sei
Talvez um dia compreenda.

Só o vento sabe,
Só o sol sábio conhece.
Pássaros pensativos,
O amor belo,
Me insinuam algo.
E o mais,
Só o vento sabe,
Só o sol conhece.

 

  O mundo precisa SER, além da existência mecanizada. O SER….humanizador

 

– “Preferiria morrer de amor do  que sentir-se indiferente(…)”

 

“Preferiria morrer de amor do que sentir-se indiferente(…)”

 

“Preferiria morrer de amor do  que sentir-se indiferente(…)”

 

(…) (158)

“- Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é coisa mais última que se pode dar de si, disse Ulisses.

– Não sei, meu amor, mas sei que meu caminho chegou ao fim: quer dizer cheguei à porta de um começo.

 – Mulher minha, disse ele

–  Sim, sou mulher tua.

  A madrugada se abria em luz vacilante. Para Lóri a atmosfera era de milagre . Ela havia atingido o impossível de si mesma. Então ela disse, porque sentia que Ulisses estava de novo preso à dor de existir:

–  Meu amor, você não acredita no Deus porque nós erramos ao humanizá-los. Nós O humanizamos porque O entendemos, então não deu certo. Tenho certeza de que Ele não é humano.. Mas embora não sendo humano, no entanto, Ele às vezes no diviniza. Você pensa que-

– Eu penso, interrompeu o homem e sua voz estava lenta e abafada  porque ele estava sofrendo de vida e de amor, eu penso o seguinte: “

(Uma aprendizagem ou O livro de prazeres Clarice Lispector – 71- 72 – 73)

A libertação é dolorida e aos pouco chegaremos ao estado final da humanização digna de todos os seres. Arte ilimitada é a própria vida…

O dia que todos foram humanizados a Terra parou e amor era o sentimento dominante e puro. A felicidade, a justiça e a liberdade eram plena e íntegra.