Metades inteiras

Na peneira do existir
estava caindo
debaixo da chuva.
E
de frente com uma
palavra incontável.
Se a cada momento
não se renovar:
– Eu explodirei…
Direi que sou apenas:
– Uma metade por inteiro.
um fragmento sem
uma completude.
Momentos incabíveis
naquilo que se vive.
A soltura de ver aquela
gota à gota.
Chuva.
Desliza e seca uma saudade.
Embaçado era seu olhar.
Miragem sem escombros,
sem conflitos, sem vitórias,
O sem dos seres…
“Imodalidade” que vento move
E
gira por meio de sua:
meio voz, meio olhar, meio sentir…
Aquelas metades eram completas
entre si.
Quando elas se perdiam,
estavam se escondendo da verdade.
Quando elas sabiam a verdade,
estavam embrulhando o destino.
Quando elas respiravam sua paixão,
estavam revelando sua completude.
A finitude do início é assim
que uma gota desce.
Caiu. Transformou- se em
uma prosa em versos desiguais.
Porque o limite de criar é mesmo
que se vive na soltura de…
Descolar suas metonímias
em metáforas caladas.

Memórias de uma gota

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  Na elegância daquelas luzes escondiam fumaças de realizações que suspiravam, suavemente, suas senhas distantes.

  Cada dia passara com muita força em que a partir de sua sinceridade conseguiu superar todas as dores de maneira, humanamente, invencível.

Os pontos foram traçados para outra direção incerta. Pois, estava no limite da sua felicidade imersas em suas gotículas memórias em que deslizavam em um passado que não fazia mais sentido. Somente o presente a surpreendia, porque agora entendera uma coisa: “Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior da alma.” (Os Miseráveis, de Victor Hugo)

Lá dentro, vivia seus maiores sentimentos silenciosamente na noite chuvosa.

Constelações de uma pipoca

Constelações

 

    Nas constelações da vida vejo muitas luzes que refletem os sentimentos, desejos, sonhos, loucuras e objetivos sussurrantes em formas legítimas e humanas. Para captar esses seres espaciais que estão, ingenuamente, tão distantes e pequenos, porém quando começo a acreditar naquelas tênues estrelinhas, elas passam a se transformar em um grande raio muito maior do que sentimento do mundo e a própria eternidade. Tudo isso acontece, mas é um sofrimento constante que é produtivo e necessário. Por meio dele que seremos capazes de transformar utopias em maneiras mais íntegras de realidade verdadeira.

    Neste exato momento, todas as conquistas felizes ou descontentes, todas as descobertas e aprendizagens fizeram parte de um esplendoroso céu que anoitece todos os dias serenamente, pois uma grandiosa trajetória foi marcada por cada um nós. Para aqueles que estão encerrando um ciclo de muitos conhecimentos e lutas à favor das ventanias linguísticas e literárias que sopraram luzes racionais e deram esperanças para continuarmos a persistir nesse árduo e longínquo caminho que é buscar  todas as constelações da nossa vida humanamente feliz e digna.

    A trajetória necessita, assim como dizia, Rubem Alves que considero o escritor da vida humanizada declara:  “Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser um milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. “

    Por isso, afirmo sinceramente que muitos  de hoje se transformaram em pipocas e vivem, constantemente, se modificando e tudo isso é partir da motivação dada por si próprio e pelos professores, familiares e amigos que nunca deixaram em acreditar em nós e em como é possível colher cada estrela de sua vontade e transformá-la no majestoso sol da realização.

    Nesse espírito de gratidão e felicidade me despeço dessa fase reflexiva de minha vida e parto para uma nova em que terão novas estrelas cadentes para serem descobertas e aprendidas pela alma do coração e pela força humana da mente. Saiba que nós escrevemos nossa própria história, sendo essas escritas em cima de pedras ou linhas tortas ou ao vento nas entrelinhas ou simplesmente em nossa alma em todas fazem parte de nossa dignidade.