Hiato do instante

 

Divagando no tempo para encontrar os fragmentos de horas que ainda existem no instante. A imutabilidade dos atos que perdura a nossa carne. As variadas formas que cabem dentro de cada momento são tão duráveis quanto uma eternidade no vácuo. Ou esse tempo é preenchido pela leveza das cores efêmeras. Quando o própria rosto da vida transcrever seu hino, nem mesmo o instante pode traduzi-lo em língua, apenas uma forma pictográfica de sentir o paradoxo entre a brevidade e longevidade da existência.

Entre essas duas atmosfera divisa o hiato do instante que perfura; constroem  novas dimensões metálicas das horas; reconstroem os escombros de olhares ingênuos e desconstroem mentalidades em vidraças sem perspectivas. Essa paralisação representa a autodescoberta da passagem da vida que transpassa qualquer significação lógica, esse acontecimento transgredi a razão, alojando dentro de um silêncio quieto e sereno.

A descoberta dessa fase é desvelada pela percepção que o instante produz em cada um de nós. O hiato, o não-dizer, o silêncio, a forma sem-palavras que tentam designar o processo existencial da vida é mais substancial do que a palavra mal digerida, escrita e copiada em momento não estagnado. Apenas nessa pausa que a correnteza da fragmentação da existência paralisará em uma forma humana inscrita no hiato de todos os instantes. Olhar para dentro é compreender a alma estagnada, que nesse estado vive sua plena performance.