O não-dizer de uma borboleta

     Quando a linearidade não é mais capaz de desbravar seus códigos, finca na terra viva seu segredo:

     “Meu começo está no fim. Como coisas inacabadas que não possuem endereço. Mas sua rua sempre há uma multidão. Dentro de cada casa, tinha um abrigo incomum, onde o tempo nem sequer tinha pressa de andar. Aqueles passos de desmistificações soltavam seus interiores mais, momentaneamente, próximos.

     No enlaço de um perfume, ela esmagavam descartáveis e medonhos medos. Sabia que alguns suspenses, não deveriam nem sequer respirar. Esse ato indigerível é, promiscuamente, desleal. Para quê recuar, se poderia seguir em frente.

     De maneira oblíqua, os cacos reconfiguravam a gravidade de ser a pétala da medula do tempo. No núcleo daquele corpo. Encontrava as partículas necessárias para sua decisão. Cadê aquela misteriosa palavra afirmativa que absorveria seu sorriso? Será que ainda precisaria dela para realçar uma verdade já transparente? Talvez sim. Tudo dependia de um existir não provado. De um sentir não rotulado. De um viver não tangenciado. De ser não ter. De desaguar em lábios no comprimento de um destino dual.

     Atrás de algumas sensações, alojava uma borboleta que traçou um vôo que concebeu…Uma verdade. Estava tão escuro que nada foi lido. Mas havia algo escrito na parede. Sem hesitação. Tinha um ato tão almejado que não poderia esperar mais nem um estalar das horas para aguardar. Era um ato de “vivência”. Intrigava e renovava aquele pêndulo tão, pacientemente, quieto. Mas como poderia revelar, às escuras, um sentimento tão encoberto pela espera. Não poderia. No entanto, esse dia chegaria como seu ato mais inevitável de se entregar à própria vida.”

     Ao despertar para a única resposta, sentia aquela espera presa à beira da porta de um amanhã tão presente que o futuro se esquecia de se projetar. Deixa seguir. Aqueles lábios já diziam tudo.