Intermédio

    Inevitavelmente surgir o equívoco que pintam em todas as tonalidades as partes dualistas. Lá dentro perto de tudo e longe do nada, ou distante de tudo que existia. Sabia que entre o silêncio e o grito há um esconderijo imortal onde aloja as palavras. Entre o bem e o mal há força neutra em fomenta à saciar as ambições egoístas e adormecer os medos. Entre o escuro e o claro há a transparência onde tudo é visível e verdadeiramente sentido. Entre o tempo e a eternidade, há a palavra inventada do não- tempo. Em todas as pontes extremas e antagônicas, havia o intermédio. Naquele horizonte indefinido pela mente e resplandecido pelos sentimentos percorria suas ideologias, utopias, sensações e segredos.

Entre a vida…E a morte….Havia o nada. Depois deste nenhum vivo detinha o conhecimento. Há certeza existe a vida pois existe a morte, os opostos dependem uns dos outros. 

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Ladainha

Poeta brasileiro, Mafra Carbonieri

“Por que a filosofia 

Se temos a publicidade 

Por que a metafísica 

Se nos atrai metempsicose 

Por que o horizonte 

se nos devora a regressão 

Por que a política 

se nos nascemos para demagogia 

Porque a ética 

se nos diverte a demagogia 

Por que a estética

enquanto jogamos bola

Por que a moral

Por falar nisso. Por que a moral.

Por que compromisso. A palavra 

O fio de prumo. A hesitação do gesto 

se nos completa o isgar inclemente

o embriagado rumo o olho funesto

Por que literatura 

Basta a alta-costura. Ficção

com a nua armadura do cio 

Por que a música 

melhor nos serve o grito 

(Jamais lírico ou com brio) 

Um estertor. Uma agonia 

Exame de consciência. Ou tour 

Por que ir ao Louvre 

se já fomos ao Carrefour 

Por que a esperança 

A esperança putrefata e santa 

Dançaremos rock na sua campa 

Por que o epitáfio 

se nada merecemos além da errata .”

Quando os olhos se abrem…

Parceria com Cícero Augusto B. B.

    Havia dissipado como o sol que deixa a escuridão em seu lugar. Onde está? Cade seu sentimento pra eu me alimentar e fortalecer?. Estou quase caindo num abismo tenebroso.Onde estão suas mãos que não me aquecem? E esse seu olhar que não me deseja, por perto.Digo-te é melhor ir embora. Seu corpo se vira e se vai.Vejo sua sombra desvanecendo, se perdendo na escuridão. Daquele noite sombria e solitária.Os meus olhos ficam turvos e lacrimejantes, e  as lágrimas escorrem lentamente pela minha face gélida e entristecida, cada gota marca um pedaço de vida que se esvai junto com sua sombra. Estou me perdendo, o mundo grita tão alto em meus ouvidos…

    O silêncio da estrada é tão agudo que fere meu coração junto com sua despedida. Percebo que levou meu coração consigo, sinto uma tênue batida no meu peito. Sinto-me que estou morrendo, perco o ar. Arrependo -me das palavras ditas sem pensar. Os olhos se fecham. Tudo que precisava era que os meus olhos abrisse de novo e encontrasse você sorrindo para mim, naqueles lábios delicados.Vindo da escuridão, e iluminando a réstia da minha vida.Somente ansiava abrir meus olhos…Abrir os olhos , que se perdem nas lágrimas.. Apenas isso. As reminiscências me cercam, não me deixa escapatória, senão à verem.

    O vento tocou no meu rosto, era gélido e me fez estremecer. Tocou e fez questão de secar as lágrimas que ousaram cair.Demonstrei sentimento, meu erro. Minha sorte foi não me importar. Vou continuar tentando.Enganar-me e dissimular em frente aos espelhos.Foi muito difícil e ainda é. O único reflexo que apareceu no espelho foi uma face desconfigurada, quase não me reconheci. Olhos se perdiam na imensidão entristecida, sem apoio.

    Já se passaram horas, talvez alguns dias perdi a noção de tudo.Direcionei meus olhos ao chão.Era tudo o que podia fazer olhar o chão não tinha forças. Eu precisava sumir… Somente…

    Um ímpeto estava nascendo nas profundidades do meu ser que ansiava em ser areia para evapora junto com aquele vento que se fortificava nas horas. Perdi-me ao tempo, ao espaço, a mente fugiu para algum lugar desconhecido, deixando eu no vazio. O vazio chegou e me fez companhia por alguns minutos. Mas notei que dali em diante ficaria sozinho para sempre. O mundo sempre foi e será de seres sozinhos que buscam um alguém, mas esse alguém é ignorando pelo tempo. E esquecido pela vida.

    A estrada estava íngreme, continue caminhando até chegar em minha casa.Quando novamente abrir meus olhos, esperava encontrar você  atravessando essa porta e reconciliar. Mas não foi isso que aconteceu. Quando abrir meus olhos, descobrir que não sou ninguém. A minha identidade dissipou junto com meu coração e minha vida.

    O tempo transpassa e fere o meu âmago. Não sei o que me espera no dia de amanhã. Não existo, mais. Nesse instante a vida me diz adeus. E quando abrir meus olhos já não estava mais ali, estava dentro do silêncio… Agora sou a não-vida. Sou o vazio.

    Em cima da mesa havia um bilhete escrito. Eram suas últimas palavras. O papel estava umedecida.

“Ao abrir os olhos a vida se completa como um caminho finito ao torna-se cíclico”

    Aquele foi o seu fim…Onde todos percorrem por um caminho esperando que finitude desvanece. E nasce vida. Uma que os olhos vejam além daquilo que vêem, e o coração sente-se tudo aquilo que esperar sentir. E todos encontre o seu alguém que espera do outro lado.

O tempo…


    O que é isso? Não tem ninguém que o veja. E quem consiga para. É o tempo.. A vida. O silêncio. A morte. Mistério talvez seja a palavras para simbolizar ignorância humana, que vive submersa  em relatividade e ao condicional. Em todos os pedaços há um grito. Em toda palavra há vida, que às vezes morrer depois de lida. As vezes me perco pelo caminho, mas logo encontro uma passagem  para outro lado das palavras….Ou o não-caminho

O que é o tempo?

Quem me diz

O que será?

Onde está o alguém para me explicar?

A insolidez é que quando penso

E depois esqueço. Que não há fim

 Somente de mim e outros 

De seres que anseiam demais

Para uma realidade incabível de cada utopia

O tempo humano é perecível

A gasta cada dia um pedaço de sua vida 

Leve-me para não- tempo: ELA&ELE

Parceria com Cícero Augusto B. B.

  Na mente uma enorme indagação e o coração estava sem fôlego de tanto desespero. Estava tudo perdido não sabia em que caminho seguir em frente. O tic-tac do relógio atormentava, e cada vez mais ficava mais próximo do fim. Repentinamente encontra alguém., é ‘ELE’. Com uma voz determinada diz ‘ELA’:

ELA:“Onde que está olhos que antes via o tempo…Em lugar nenhum, nem os números consegue medi-lo como realmente é essa áurea misteriosa e imprecisa que é o tempo. Tempo, tempo na lentidão na fugacidade continua o seu mesmo percurso ciclônico e infinito….”

Logo em seguida já inicia ELE, com uma face afirmativa.

ELE: “Mesmo que tudo pareça inconstante e permeável luta pela decisão do amanha se torna obsoleta quando o teu amanha se torna ontem..”

ELA: ” Ou quando os dois tempos não passa de um presente… Nada escapa do agora…Mas ainda acredito no amanhã, mesmo que não exista.. Pois não passará de hoje…”

ELE: “O teu não acreditar é a força que me motiva a instigar-te com muitas opções do que vivenciar do que viver nesse amanha que não existe.”

ELA: “O segredo da vida é viver o instante. Não arquitetar planos e viver essa ilusão, uma vida de inexistência… Mas ainda não aprendi como vive o instante, raramente chegou ao centro disto…E nessas vezes também não sei como faço isso…Parece que não tenho muita autonomia da minha vida.”

ELE: “Nem quando eu decido que chorar, meus olhos obedecem…Os sentimentos e razão tem vidas próprias não estão no meu controle.”

ELA: “São como lágrimas perdidas no vazio, é pior do que despejá-las… Nesse contexto não há liberdade, algo conduz para o seu destino…”

   Em algum lugar escutava um grito. Era o vazio perpetuado pelo silêncio que se deparar na vida diante de olhos delimitados que não conseguiam captar o tempo presente. É como se fosse estivesse se movimentando, mas sentia que continuava estagnada. Em três trilhas que separava o caminho certo e outro errado, e outro desconhecia. E no meio destes, existia o não-caminho. ‘Mas quem disse que certo é certo e errado é errado, são apenas valores contraposto que definem o mesmo enigma de paradoxo’. E, subitamente surgiu uma ideia, e caminha em direção ao centro do paradoxo alcançaria aquilo que sua alma ecoa dentro do fôlego sufocante do silêncio. Resolve percorrer pelo não-caminho. E lá encontrou…O não-tempo, e finalmente a vida era livre para poder direcioná-la para onde quisesse.

   O no enfim vivenciar da vida verdadeira que existe em todos os não’s é que se continua a afirmar a negativa, de que saber é realmente renunciar de tudo o que seu cérebro sabe para que as mentes incapazes possam se sentir superiores e enfim continuar a seguir a vida que todos querem. E seguir o coração a voz da verdade. Retirando as mascaras que o mundo utiliza para esconder a verdade.

ELA:Leve-me para não tempo. Lá é meu lugar, onde vivo intensamente cada instante translucido dos dias e noites.”

   E, viveu lá para sempre…