A guerra das flores

     Estava no silêncio confortante de seus cautelosos momentos. Até que em um súbito instante, houve um grito e a guerra se iniciou. Não sabia quais eram as duas forças que começaram aquela difícil batalha e nem o motivo de tudo aquilo. Apenas sentia aos golpes dados, aos poucos, dentro de emoções soluçantes.

     Precisava se concentrar e compreender aquela maresia que se transformou em um furacão e roubou sua alma , desmascaradamente, sem nenhuma piedade ou, ao menos, um pouco de dignidade. Estava decaindo em uma nova era que desconhecia os resultados de seus sonhos e seus objetivos.

     O que poderia fazer para acabar com aquela luta consigo mesma? Onde guardou seu amor? Onde exatamente vivia? Talvez, perdida dentro de seu próprio vulto? O que significa aquela guerra? As respostas eram doloridas, apenas sentia que a pureza de sua essência salvaria daquele caos. Quem poderia se arriscar para buscá-la daquele breu? Daquilo tinha exatidão. Ninguém.

     “Foi para o ninguém que guardei o meu amor. Porque até chegar o alguém não sofro a dor da espera. As minhas únicas expectativas são em ter guerras maiores para me aprimorar como ser soluçante e transformador. “

     A guerra silenciou. Agora era primavera. Será que alguém dará uma pétala da paz? Tanto faz. Não espera mais nada. Além do seu próprio grito. É o início da guerra das flores…

Será que todos tem direito à vida?

O sol iluminou aquele lugar

Eles eram únicos que sabiam amar,

eram desprovido de racionalidade e,

mas isso que trazia sua total liberdade.

Isto que era dignidade…

No entanto, os malfeitores tinham uma meta…

Acabar com toda aquela felicidade,

Depois de uma enorme carnificina

Daquele momento em diante o sol não raiava mais.

A noite prevalece como silêncio assombroso,

Os seres humanos conseguiam mais uma vez,

extinguirem todos os animais, talvez..

Eles renasçam e nos ensinam a viver dignamente

TODOS TEM DIREITO À VIDA DIGNA!!!

No entanto, isto não se aplica..

As galinhas gorduchas, as majestosas vacas e bois

Coloridas e esbeltas araras, capivaras e  outros pássaros e animais,

que viviam depois da morte,

onde não havia outro norte

Além de amar perpetuamente…

Intervalos da vida I

       Numa maresia descobria aquilo que nunca tinha visto na vida. Estava além da pupila do olhar e também do que podia enxergar, era um sentir tão pleno que escorria por toda alma. Não havia tempo naquele lugar indeterminado pela mente, e nem precisava. Naquela redondeza percorria vários caminhos e sub-caminhos que apareciam como uma miragem distante. O som era muito peculiar e suave como o ato de respirar e caminhar, pareciam que aquelas árvores floresciam por todo o espaço, muito semelhante como uma orquestra que emanava todos os possíveis acordes que decoravam e renasciam  a paisagens inebriantes.

       Como dois pequenos e frágeis olhos conseguiam ver todos aqueles resplendores?  E como havia parado naquele lugar tão simultaneamente maestral e insólito? Estava subitamente com uma amnésia terrível, os poucos flashes que lembrava era de um homem alto que alertava incessantemente: ” Não vá para lá, talvez não encontre a volta…” . “Mas como assim ir para onde? “A mente estava perdida e absorta em múltiplos e caóticos pensamentos que desmembravam todos os fios de sua vida. Perdeu brevemente a noção do passado recente, presente e do futuro. Onde que estava o tempo e suas divagações e o espaço e seus obstáculos? Só conseguia presta atenção naquelas melodias sutis e delicadas que sibilavam docemente em seus ouvidos era um analgésico para alma. Sentia-se cada vez mais enfeitiçada pela música, e estava levitando suavemente rumo ao novo caminho insondável, quando chegou naquele novo lugar caiu bruscamente no chão em meios à vários escombros, parecia que a parte daquele lugar fantástico havia sido destruída. “O que havia acontecido?”– Esta pergunta petrifica em sua mente e não sossega, começa a caminhar incansavelmente na região, e percebe que um prédio e duas casas próximas haviam sido totalmente destruídos, e  atrás do prédio de trinta andares no mínimo estava um avião caído. Sabia que havia ocorrido um acidente mortal e assombroso, um avião caíra e destruíra  um prédio e duas casas. “Quantas vítimas deveriam ter sidos afetadas? Pobre são suas famílias? A morte sempre foi um mistério sombrio demais para mim…Não quero nem pensar.”

       Atrás dos violentos ventos, escutou repentinamente um grito estridente e sem esperança, parecia muito com um eco:

-AJUDE-ME, ALGUÉM ESTÁ AÍ!!!

       Estava assustada com todos os acontecimentos, tinha a impressão que estava sozinha neste lugar sinistro, e de repente tão sem vida, tinha um desejo enorme de sair correndo e voltar para o conforto de sua casa e vida rotineira. Nada ali fazia um menor sentido, gostaria de saber onde que tudo isto pararia, se caso tiver algum fim. O seu coração bombardeava tanto, que parecia que sairia pelo peito, mesmo assim se sentia estranha e fraca e sua pele não tinha a mesma cor roseada e saudável, estava  mais pálida e esgotada do que nuca como se tivesse carregando o mundo nas costas. Provável? – No fluxo que as coisas caminhavam não seria impossível. Imediadamente decidiu perseguir aquela voz e salvar aquela alma da morte, se caso fosse possível. O grito estava ficando mais alto, era indício que estava se aproximando.

       Não caminhava mais, corria na velocidade da luz e não estava com medo, agora em seu peito preenchia uma ansiedade inescrupulosa. Estava muito perto, sentia-se seu corpo desintegrar lentamente e a luz estava esvaindo e sentia-se tonta,  estava preste a cair num buraco imenso, e quando não havia mais forças caiu inesperadamente naquele enorme buraco. Não sentia mais o corpo e nem sua lucidez. Estava imóvel, desmaiou sob as nuvens negras de desespero e ignorância.

       Os dias passavam fugazmente, uma tempestade acometeu todo recinto e ela permanecia intacta. Estava quase em estado de coma. Quando um jovem garoto ensaguentado cuidou dela durante este delicado momento. Tinha certeza que despertaria alguma hora, tinha esta esperança. Ambos estava moribundos e aprisionados naquele imenso buraco, a história dele é um pouco distinta, tinha um propósito maior dele está ali ao lado dela.

        O tempo estava acabando, até que um dia desperta completamente assustada e desorientada, quando recuperar um pouco da lucidez e as lembranças tornar em sua mente,  pergunta  numa voz gélida com resto de suas forças:

– Quem é você? E onde estou?

-Sabia que acordaria qualquer dia, sou a morte. Bem-vinda a Terra do Nada, onde os escombros das ilusões encobre toda nossa superfície. Faz dois anos que você morreu, e estou cuidando de você para que não evapore de vez, e transforme em nada, como quase toda nossa civilização. Apesar de ter morrido ainda continua sendo nossa sobrevivente. Na verdade somos os únicos. Considere tudo isto, apenas um dos intervalos da vida, no entanto, este será irreversível e para sempre!

       A pupila dela dilata e lá dentro encontra o resto da alma vulnerável que ainda existia…

Subitamente…

…Uma pergunta surgi:

– O que move sua vida?– uma voz gritante sibilou dentro da mente.

      Estava procurando uma resposta, mas não havia apenas uma, tinham múltiplas espalhadas naquela superfície. Em que cada instante transfiguravam-se de sentido. Essa inspiração aparecia acalentadora e tímida inicialmente,  após um  determinado período destrinchava numa  impulsão que atingia até o espírito da natureza  mais vitalizo e delirante de si. O barulho das algemas foram silenciados, estava sentindo o frescor e o aquoso da liberdade que entregava-se nos cantos mais escuros e desconhecidos daquele todo. O coletivo impregnava um ar puro, ressuscitando as lembranças mortas e esquecidas pelo tempo. Nesse pretérito imperfeito foi encontrado uma solução, abrindo as portas para plenitude do presente. Em que encontra em mim, a palavra, uma eternidade perecível. Esse alimento extinguia a fome e atenuava a necessidade espiritual de viver nas entrelinhas de minha proclamação.

      O ser mais profundo e sensível era úmido. Nesse aquoso destilava o centro da vida e suas reticências essenciais que compunha esse círculo constante de ser. Essa interrogação permanecia, mas brevemente declararia que o movimento da vida era o ar da sobrevivência, a água da inspiração, o pulsar dos sentimentos, e a cegueira de viver apesar de limitada essa liberdade, era o fator que impulsionava os sinos anoitecidos de todos os nomes e pronomes ainda indefinidos no presente, porém são construídos em algum futuro indeterminado.

Sabia de uma coisa nesse momento: “Deus estava na chuva…”

Chegada do fim

     Os motivos ainda eram desconhecidos, mas o mundo exterior e suas suposições orbitavam naquele interior, infiltravam-se com discursos comprados na liquidação. O capitalismo estava em ascensão naquelas almas, estava tudo isso mentalizados e cravados. Tudo surgia e preenchia a essência dos meus seres, nevoado uma superfície desconhecida. Aquilo que era permitido pelo entendimento compreendia, aquilo que era pela sentimento sentia. Mas não havia limite para a discriminada e banalizada, loucura, esse termo era a seiva de toda a inspiração e luz espiritual que alimentava as horas caóticas e monótonas da realidade.

     O tempo passava sem nenhuma interrupção, essa mesma cronologia repleta de fatos, comprovados pela ação que nem sempre eram armazenados na memória. Os pedaços eram dispersados, alguns enterrados ao cemitério do esquecido, outros estava, na anarquia incompressível,outros são perdidos como desejos irrealizados. Cada partícula completava um instante de vida, em cada segundo, minuto, hora, fazia e compartilhava a minha única liberdade, apesar de todas as contradições, podia desfrutar tudo que considerava digno viver. Ninguém poderia retirar esse direito, mesmo na morte poderia viver. “Quantas incertezas!”, sabia disso. Não poderia deter a força do destino, dos fatos, da natureza de viver, não podia deter aquele voz que grita todas as verdades, que preenchia o vazio que adormecia ao lado nessa curva escura, anunciado a partida do ano: O fim chegou!. Nessas inconstâncias, declarava, passará uma fase de aprendizagem em todos os aspectos físicos e metafísicos. O sofrimento sempre será a essência humana, nele aprender-se a revolucionar o universo interior e exterior. Essa dor que fomenta as diretrizes da revolução, da transcendência, e da concretização da utopia. 

     Com indiferença tolerava alguns tênues julgamentos, porém o que mais importava era de si própria. Seguia sua sina segundos os compassos intuitivos, provocativos de sua sacristia espiritual, tinha conhecimento que sofria, o medo foi atenuado, pois foram evidenciados pelas expectativas e idealizações vastas que construía o seu presente-futuro, ou futuro hipotético. Ainda é gratuito sonhar, então abusava desse direito,  esse ato era a sua sobrevivência. Nesse misterioso ano, as coisas foram desmascaradas, revelando suas verdades. Com a experiência ficava mais forte para enfrentar todas as pedras no começo do meio, no fim do começo, e no meio do fim. 

     Uma ânsia de começar pelo meio, acaba no fim e viver eternamente…Pois sabia que embora todas as injustiças, proclamadas na sentença da áurea humana, dos infortúnios e das tristezas. Viver valia à pena, só por viver era uma gratidão plena. Olha que epifania, há direito de vida, inacreditável esse fato. Sente-se a epiderme desse tecido que tece ao caminhar, escolher, ao sofrer as ações e reações da vida. Tudo isso é viver. Não veja apenas o seu futuro, construa no presente, e reconcilie com o passado. Não outro meio de aproveita a vida que não seja viver. 

A sentença do mundo

“Que coisa é: A  esperança nunca morre. Como pode? Se ela nunca nasceu. É igual a eternidade sempre existiu e existirá.”

     Esse jorro de palavras surgir subitamente naquele mente caótica. Isso não passava de influxo, uma réplica daquilo que ambicionava atingir. Quanta anti-fé consigo mesma, o mundo exterior está lá ordenando numa sentença documentada em todos os papéis que tentavam definir cada parte. Eram tudo códigos inventados que apenas buscavam algo. Seguia esse mesmo efeito em movimento, nunca completo, um gerúndio fixo. Onde lá fora todos sorriam suas tristezas, e omitiam sua verdadeira identidade pois uma nova fora imposta. Numa ordem conflitante com os desejos profundos que compõe todas áureas, isso era considerados inexistentes e irreais pela sociedade do maquinismo.

     Há de tolerar e enfrentar mesmo que seja covardemente todas as oposições que deparam-se. Diante aquele espelho imundo refletia o mundo deformado e suas ainda inconcebíveis informações codificadas e jorradas no buraco infinito, que armazenava toda a tenebrosidade e os gritos silenciados de um lugar que ainda não fatigou-se de sentir esperança. Por mais que conseguisse buscar partículas de palavras calcificadas  para definir e expressar esse sentimento que permanece ainda imutável pelo o não-tempo: a eternidade. 

     Numa relampejo ela grita para si e para todos. Os ecos do seu silêncio declarar:

Onde encontrará(…) Encontrará(…)Diga-me, pergunto com vigor para todos os pronomes que ainda escutam uma voz tão perdida num sentimento de revolta tão imenso e pleno que amarga a alma por alguns instantes. Acho que é o fim disso, encontrei essa breve liberdade para descartar o grito interior. Mesmo que ela seja indefinível e utópico, grande neologismo de Thomas More para delinear a impotência humana em busca do refúgio onírico. Um passado tão longínquo, mas continua ainda tão fixo nesse presente. Isso pode-se classificar como coisas irreparáveis. Mas diga-me novamente,questiono você (se é que dê-me um pouco dessa liberdade), esse sujeito indeterminado que lê-me nesse momento. O que seria da vida sem a Graça do sonho? Alguém supostos que e  a realidade seria um verdadeiro sonho, há como contradizer, mas não como provar. Apenas identifico que  a humanidade encontrasse no intervalo do silêncio e do grito, do sonho e da realidade. Mesmo que ainda não seja conclusiva. Essa inconclusão é correspondência do incerto, do insólito, daquilo que tenta-se buscar mais é interrompido pela sentença severa do mundo. Chega de culpar, esse termo de cinco letras mas simplifica tudo que se sobrevive, não estou avaliando inocentes e culpados, não é um jogo policial e não quero desmiuçar essa oposição obsoleta que e ainda  incompreendido do pensamento maniqueísta.  Quantos ainda, esperar, esperar a revolução chegar. Será que isso é suficiente para alterar algum coisa, diga-me Clarice Lispector, agora sentiu a verdade de sua digna frase, estava querendo desabrochar e um modo que encontrei foi por intermédio da palavra. Esse feitio que incorporo em meus pertencentes instantes….

     O resto foi completado por aquilo que não conseguia determinar e contornar com sua expressão. Pois, chegará no fim do fato humano:

“Liberdade – essa palavra,

que o sonho humano alimenta:

que não há ninguém que explique,

e ninguém que não entenda!)

E a vizinhança não dorme:

murmura, imagina, inventa.

Não fica bandeira escrita,

mas fica escrita a sentença.”

 (Cecília Meireles) 

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…” (Clarice Lispector) 

Novamente o eco toma sua breve liberdade e aprisiona em termos palafraseados sua confirmação:

– Sei que ainda tinha, mas não era nesse tempo que vivemos. Pois, repito a esperança só existe ao não-tempo. Essa foi a minha rápida liberdade.

Ninguém do grito

Um grito tão alto estava devorando tudo que existia

Estava dentro de fora si

Era tudo que sabia

Enquanto alguém dizia:

“Que o dia chegará. Mas que saberá?”

Enquanto houver tempo esperará

Estava esgotando….

Tudo que sentia era tão forte

Que nenhuma palavra poderia

Simplificar….

Porém a ideia continua fixa

Ainda viva..

Onde encontra a justiça, a liberdade..

Não há na sociedade. Isso é fato

Mas existe no meu mundo. Isso é ato

Aquele que idealize e crie

Que nasce e morre todos os dias

 SILÊNCIO(…)

 

 

O neologismo da despedida

Parceria com D.C

Toda vez em que algo inesperado vem visitar.

Sinto um olhar sincero e penetrante

Que submerge o meu consciente.

São as palavras que moldam e desenha

A verdadeira face desnudada da realidade

Que intriga e deixa curiosidades

Com momentos oportunos de sonhos e verdades.

Talvez encontre no meio dessas grandezas as minhas vozes de saudades…

Até angustias algozes…

Agora sou uma mentira ferida do ontem.

Perco-me no tempo. Ainda não sei que direção percorrer.

Até o dia que morrer, ou talvez esquecer daquele nome…

Que me torna prisioneiro dos sorrisos riscados na lembrança

Fugindo na estrada do tempo

Em busca do lugar livre de esperança

Intoleravelmente, viverei a realidade brutal

No despertar súbito como uma criança

Que acorda de um de sonho

Enfrentarei o pesadelo.

Sem nenhum tipo de aversão e resistência

Tudo isso compõe minha emoção.

Seguir meu caminho através do pulsar do coração

E sabedoria da mente. Mesmo que ela mente.

Essa mentira é lira da minha verdade

Essa é minha identidade, sem piedade.

Adeus, saudade. Vivo o presente.

Enquanto lá fora um grito alto estridente.

Chama novamente aquele nome. sem motivo

Não importa ainda vivo. Mesmo que seja esquecido por este.

O neologismo despede-se

Estou na liberdade, ali reencontro a minha felicidade.

O agora…

     As gotas pingavam sob o telhado estreito, cada gota escorria uma parte que envolvia desde a epiderme da vida até a sua alma. A lembrança era líquida. A vida, tudo não passava de algo passageiro e volátil. Em todos os momentos e passagens teve uma durabilidade limitada, e aquilo que foi registrado na memória foi levado juntamento com a chuva, que na realidade eram lágrimas que foram esquecidas de serem despejadas.

     Nessa estrada incerta e ingrime caminhava com o coração no esplendor da esperança, e a mentalidade realista. Tudo estava exposto naquele mundo exterior, que sempre a surpreendia, repletos de sensações que preenchia as nuances de seus sentimentos. Estava ali delirantemente e sozinha. O caminho da vida é solitário, nele constroem ao caminhar. Desconhecia o que viria no futuro, apenas vivia sem temor e pudor o seu presente.

     Na plenitude das noites, sonhava em um dia transformar e revolucionar o mundo, tanta ingenuidades aliadas com conspirações que prometiam fielmente transfigurar a face política, ideológica e social da sociedade. Estava de olhos abertos para realidade, mas isso não impedia de ter suas longínquas utopias. A verdadeira fonte de motivação. Uma força renascia todos os dias, estava paralisada e despertar. Além de tudo isso, crescia uma força que era capaz  de enfrentar todos os problemas que poderiam petrificar o seu destino.

     Na memória guardava o presente, nada mais importava além do instante que vive. O passado desvaneceu juntamente com o tempo e gotículas de chuva, porém ainda tinhas belas recordações de sua vida, mas apenas daquilo que realmente importava e que era verdadeiro. O restante foi desprezado e exterminado. Quando uma vez perde o sentimento por alguém nunca mais retorna, é fixo e eterno. Mas sabia que nunca esqueceria um adeus tão distante, impuro e covarde daquela tarde. O seu ódio tinha nome fadado e era sinônimo de força e coragem.

“Em alguma lugar poderia sonhar sem receio…”

     Algo grito em sua mente…Adormeceu numa noite sem sonhos(….)

O grito da incerteza: Ao cair o pano

     Impossível não imaginar o mundo feito de tênues unidades que integradas constroem o todo. Mas do que constituí esse todo, se cada momento, cada segundo do tempo, cada individuo é uma pequena parte. Onde tudo é transcrito e recriado por fragmento.Nessa perspectiva o todo fica na margem utópica. Uma vaguidades de valores em colisão, encontrou-me perdida imersa como sempre em paradoxos. Nesse mundo interior é possível criar uma outra realidade, mesmo que isso seja uma sensação, ideia existencial, passando a ter vida limitada. Dentro desse fluxo ligeiro tudo que ansiava dizer foi esgotado e comido pelo silêncio, ele transfigurou-se em minha verdade instantânea. Amanhã ao despertar será naturalmente outra coisa. O reverso de tudo ou apenas o inovador,  ou uma reinvenção.

     Ao exterior dos objetos que são reais pelo fato de vê-los, talvez a definição de realidade seja uma ideia criada em minha mente que é comprovado pela visão, mas isso é outra questão ainda insolúvel por mim. Essa realidade de fora, penetra dentro de algum parte, provocando um desassossego, está aclamando para escuta-lá esse grito tão estridente que ninguém mais escuta além de mim.  O som torna-se mais forte e agudo, meus ouvidos não estão preparados para escutar. Hoje desnudarei a vida, mostrarei sua face, talvez seja a verdade por trás de tantos ornamentos e máscaras ficam dificultoso encontra-lá, e depara-lá mediante aqueles olhos tão incertos e interrogativos. Com esse pensamento, determinada sigo um impulso ainda inexplicável que leva-me em direção algum lugar. Inegavelmente vivemos uma sociedade de voz passiva de aceitação, que carrega a dor e angústia no coração cercado de um enorme e perturbador sentimento de resignação, isso que vai desfalecendo cada vez o direito para o grito em que todos detivemos. Em todos os olhares vejo poucos sonhos conquistados, onde a maioria são perdidos,  esquecidos, silenciados ou renunciados. Tudo para conseguir uma sobrevida inseridos ao mundo injusto e hipócrita. Onde a conexão são apenas pequenos acontecimentos, pessoas, gestos, sentimentos e pensamentos. O restante cada um caminha sozinho.

     Na tempestade de confrontos ideológicos sofridos pela própria mente, desperto quase subitamente uma ânsia incontrolável de chegar ao centro do universo. Mesmo ainda não sabendo o significado do que isso poderia ter, apenas uma vontade tão grande, maior do que eu possa medir. Enquanto isso, permaneço perplexa ao fato de enfrenta cada componente que vejo, sinto, respiro, escrevo, penso, duvido, considerado como real apesar do equívoco. Não aflija-me mais os males e infortúnios sociais, infelizmente habitue-me com a miséria, violência, ignorância, obcecação humana pelo poder, espirito egoísta incorrigível, e quase ausência de solução de vários problemas. Mas minha esperança é  imortal, pelo menos ingenuamente imagino, e quase inevitavelmente caio num abismo que tudo poderá reparar, e um dia talvez modificar o rumo e  mentalidade de tudo incluindo os objetos e seres vivos. Transfigurar a face da vida, e a ordem mundial. Necessito de outra sociedade e outra política, ideologia e vida. Confesso que imaturamente não sei o ponto de partida, mas não ouso perpetua no silêncio, mesmo que meus atos não sejam perceptíveis  e meus princípios sejam irrelevantes para alguns, mas para outros serão libertadores e reveladores. Desconheço o futuro, vivo o presente. Mas em algum certo ponto caíra o pano que escondem a verdade e tudo revelará-se.