Habituar-se

Todos os dias se passavam e nada de transformação, talvez uma simples borboleta possa revelar o verdadeiro plano. Estava plenamente serena, mas havia uma contradição naquele seu sentimento parecia que era uma forma de incômodo volátil que nascia atrás da parede do seu coração. Tudo aquilo possuía uma miscelânea de cores secretas e neutras que ela tinha medo de deparar com toda essa verdade.

Um dia, ela resolve desvendar aquele grito que se alimentava de sua dor com uma esperançosa finalidade de dissolver de vez aquela escuridão que se escondia cada vez mais fundo e ficava mais dolorido. Entretanto, ao dizer o sua dor para uma possível salvação nada fora feito. Apenas que foi escutado a mesma condolência, a partir disso resolveu tomar uma decisão:

“Precisava habituar-se a vida em suas desilusões. 

Habituar-se com a verdade que, às vezes, desencanta.

Habituar-se na tortuosa espera de te encontrar.

Habituar-se a crueldade do tempo. 

Habituar-se aos sorrisos que estão escondidos na distância. 

Habituar-se a dureza da realidade e sua exigência. 

Habituar-se a fragilidade de ser humano. 

Habituar-se simplesmente por se habituar a vida e suas dificuldades. “

Mas se não fosse tudo isso não teria o que vencer e nem a que se dedicar. Mesmo com pouco tempo ela sempre terá aquele mesmo sorriso secreto que aparece apenas para ele e outros sóis que nascem todas as manhãs. Dentro daquela alma sua esperança sempre vibrava e guardava as grandes transformações.

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Confissões do tempo

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    Em todas as noites eu reflito sobre pedaços de minha vida e cada dia eu estarei construindo um grande coração de muitas lembranças, às vezes, reviro-me fazendo planos e traçando metas importantes para meu futuro. Mas sei que o tempo mais pleno de ser vívido é o presente, nada pode destruir a intensidade do aqui e agora.  Sem este elo os pretéritos e futuros não teriam nenhum sentido sequer.

    Agora eu também tenho certeza em que a literatura já é minha vida, dali que tiro minhas inspirações matutinas e noturnas, minhas composições de felicidades, minhas melodias poéticas, meus contos aspirantes e a minha primeira crônica que nasce aos poucos numa bela manhã. Não consigo imaginar minha vida sem um livro ao lado para compartilhar os melhores sentimentos do mundo, além de todos os dias escutar uma bela história que me faz adormecer, ternamente, no recanto de muitos sonhos.

    Parece que cada simplório dia até ao mais complexo vivo, plenamente, algumas páginas de diversos romances atmosféricos, sentimentais, lunáticos, introspectivos, que são os meus favoritos, contestadores, revolucionários e indefinidos. Apesar de que confesso que muitos romances bons são mesclados de cada tipo de coisa, por isso considero mais eficiente não classificá-los e entendê-los completamente. Desse modo, tenho uma tarefa mais árdua e perpétua que é senti-lo cada alma pulsante do autor, da história, dos personagens das palavras que contornam todos os cenários, eventos, ações e fatos de cada romance. Admito que não é algo simples de se realizar, pois exige muito da alma, do coração, ou melhor, do nosso núcleo do corpo-alma(é elo que liga interruptamente o físico e o metafísico, tornando um único ser). Nesses contrastes de nuances vivo e renasço cada letra em um sentimento digno e humano, para assim me torna humana ainda mais.

     Dentre várias experiências que tive com a literatura os autores que se ressaltam e fazem o meu corpo-alma se surpreender são: Clarice Lispector, Virgínia Woolf, Cecília Meireles, Simone Beauvoir, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Alberto Caeiro heterônimo de Fernando Pessoa, José Saramago, Rubem Alves e por fim Viviane Mosé. Além de muitos outros, se for citar todos nesta crônica poderia se transformar em um artigo sobre nomes de grandes literários, e este não é o objetivo.Por isso, peço perdão aqueles que não foram citados isto não quer dizer que amo menos, mas que prefiro mandar em sigilo em um silencio amistoso e harmioso.

     Em relação aos fatos que vivi já tenho em destaque três: o que mais admiro é atingir o ápice das profundezas oníricas do ser  é quando o livro identifica cada parte de sua alma revelando como se fosse algo íntegro e puroe isto aconteceu em,  Uma aprendizagem ou O livros dos prazeres, de Clarice Lispector. Já li apenas três vezes e cada vez que leio descubro mais de mim a cada pulsar de palavra, principalmente, a busca de humanização pela personagem Loreley. O outro aspecto é chamas das contestações inquietantes que ocorre, na maioria das vezes, em que os romances que criticam e denunciam a sociedade, valores e crenças como foi em, Quando o Espiritual Domina, de Simone Beauvoir.  Praticamente briguei com o livro bati para ver se algumas das personagens escutavam meus conselhos, no entanto, foi em vão  infelizmente elas não compreendiam o que eu dizia. Dessa maneira, considero um livro para ler com cautela, pois se tiver um acesso de revolta jogará contra a  parede para tentar fazer alguma personagem ter escutar. Por último, o que acho o mais insano do bom sentido que provoca crises libertadoras de loucura e isso aconteceu no  Ensaio da Cegueira e Ensaio da Lucidez, que são obras primas, de José Saramago. Considero que o primeiro causou câncer em meu cérebro pelo forte impacto que teve em minha mente  e é uma dor muito forte dentro dela ecoa um grito de liberdade dolorida que todos precisam sentir para se torna mais críticos socialmente, não que me tornei exatamente isso mais estou caminhando, lentamente, de passos sinceros e com muitas esperanças. Enquanto o segundo promoveu uma reflexão tão profunda que até esquecia que tudo isso era uma história fictícias, claro de grande valor social e político.

     Diante dessas profundas, chamuscas e insanas experiências com literatura cada segundo estou vivendo este mesmo presente tão secreto que e ,às vezes, tão surpreendente irreal que penso que vida é um sonho acordado, no qual só despertamos quando descobrimos qual é mistério da vida e de viver. Também, penso que a realidade em algumas circunstâncias se encontram tão surreal que melhor forma de eternizar esse momento era estagna-lo, todavia, sei que isso é impossível, dessa forma, colocou uma a uma dentro do meu coração. Assim como minha vida se torna mais humana através dessa ação e da literatura eu me tornou mais digna e justa em que somente aceitarei a felicidade e amor sentados no torno do reino dos meus sentimentos.

     Como não poderei esquecer também de relatar que esta descoberta e ânsia pelos livros nasceu alguns anos atrás a partir da A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeiro. Neste romance descobrir elementos românticos juvenis que me encantou profundamente e me tornei amante, namorada, noiva, amiga, filha, mãe, tia, professora, esposa e mulher por completo por intermédio de vozes que declaram a verdadeira alma do autor que são os livros.

     E neste agora, como fica o tempo neste exato momento ? Ele só tem um objetivo que é mostrar como a vida vale a pena ser vivida intensamente. Não deixarei de cumprir esse conselho que pulsa em minha alma. Eu confesso por fim: “Sou o tempo, sou meu presente eu sou a vida mais humana…”

 

 

O silêncio das palavras

     Naquela chuva esclarecia algumas imagens de pensamentos sem-palavras que construíam uma dimensão ansiosa na margem de futuro imediato. O que ela estava pensando? Não importava, dizia um sereno doce em seus olhos que abriam e fechavam para o novo. Ao seu lado sabia o que vivia, eram várias palavras que queriam ser libertadas do calabouço do não-pensamento. Desse modo, elas gritavam serenamente em tonalidade aguda, mas elas não estavam infelizes de estarem apertadas em sua mente na espera de um novo despertar.

Repentinamente, quando as gotas do passado pararam de cair e se tornaram apenas uma madrugada umedecida, a palavra sensitiva cochichou para silêncio inominável:

– Por que tomou todo meu espaço? Gostaria de pensar mais?

-Calma, minha cara amiga. Eu também penso só que no coração- disse sem-palavras, aquelas palavras apareciam como relapso na sua inconsciência.

-Mas como assim. Como se faz isso? Quero ser racional, cansei de ser muito sensível  – implorava de tal forma que o silêncio exprimiu um sorriso ardente que iluminou para uma risada alegre até demais.- Chega! Tudo bem. Aceito o jeito que sou. Mas, por qual motivo eu só sinto e não penso mais.

– O que houve contigo hoje? Lógico, que você pensa só que de forma distinta e mais digna que é conjunto harmonioso que compõe o coração de cada unidade mórfica e lexical. Todas essas partículas não são apenas algo para ter coesão e coerência, mas também para formar todo o sistema cardiovascular da nossa própria história que moram no vale dos textos e suas múltiplas identidades e gêneros.

-Tudo bem, agora ficou mais claro. Mas, onde fica alma de todas essas unidades importantes para minha formação?

– Alma é própria e sábia inspiração que é muito estratégica que segue um impulso que só e compõe alguns riachos que podem secar ou percorrer numa vasta e longínqua estrada.

– Gostei, agora sim me animei- os seus olhos ressaltaram perplexamente- Finalmente, encontrei minha identidade. Silêncio, você sabe esclarecer muito bem as coisas. Obrigada, por fazer parte em mim.

     A palavra sensível expressou seus melhores sentimentos e tentou se humanizar com aquela instantânea chuva que pingava seus maiores segredos, que nem mesmo o silêncio sabia. Há de um dia ele descobrir, se caso ocorrer ele ficará muito magoado com falta de fidelidade da palavra. Mas, não era demais, pois não poderia falar que o silêncio era ela própria. Ela nunca poderia silenciar isso para ele. Se não, o silêncio se transformaria em solidão vazia. Com medo, guardou aquele código dentro de suas músicas e na água que escorria sua palavra favorita: “A vida”. Ela era uma palavra charmosa e digna quando era valorizada e bem aproveitada, caso contrário a “Morte Precoce” iria ficar muito feliz quando a vida se transformava nela. Por isso, depois de alguns não–pensamentos fecharam nos horizontes daquela verdade e renasceu um outro amanhã no futuro. Ela agora, gostaria de ser a palavra digna da pura verdade.

     Adormeceu sem sonho e esperaria o tempo que for para se transformar naquilo.

Uma mulher esclarecida

Uma ‘mulher esclarecida’ não é, como algumas querem fazer crer, e muitos homens sabidos teimam em convencê-las, uma mulher sem escrúpulos e sem preconceitos, pois a viver como parte de uma sociedade, toda criatura tem de seguir as leis dessa sociedade, quer as ache certas ou erradas. Digo-lhes que “esclarecida” é a mulher que se instrui, que procura acompanhar o ritmo da vida atual, sendo útil dentro do seu campo de ação, fazendo-se respeitar pelo seu valor próprio, que é companheira do homem e não sua escrava, que é mãe e educadora e não boneca mimada a criar outros bonequinhos mimados.

 

O fato de uma mulher ser livre não implica que ela deva libertar-se também dos liames de moral e pudor, que são, afinal, embelezadores da mulher, e, portanto, indispensáveis à sua personalidade. A mulher esclarecida sabe disso. Ela estuda, ela lê, ela é moderna e interessante sem perder seus atributos de mulher, de esposa e de mãe. Não tem de trazer necessariamente um diploma ou título, mas conhece alguma coisa mais além do seu tricô, dos seus quitutes e dos seus “bate-papos” com as vizinhas. Ela cultiva, especialmente, a sua capacidade de ser compreensiva e humana. Tem coração. Despoja-se do sentimentalismo barato e inútil, e aplica sabiamente a sua bondade e a sua ternura. É mulher. Você, minha leitora, não limite o seu interesse apenas à arte de embelezar-se, de ser elegante, de atrair os olhares masculinos. A futilidade é fraqueza superada pela mulher esclarecida. E você é uma ‘mulher esclarecida’, não é mesmo?”

(Correio Feminino, p. 18, Clarice Lispector)