Impulsão noturna

 

“Oh!  Noite Abençoada, bendita noite! Tenho medo de que por ser noite tudo isto seja um sonho, demasiada e deliciosamente adulador para ser real.” (Pg. 32- Romeu e Julieta W. Shakespeare) 

      Nessa cosmologia onde o único espaço é escuridão do céu, e o conforto é adquirido nos passos insinuantes movidos pelo doce e inebriante princípio do prazer. O tempo cronológico era renunciado, e para suprir essa ausência agradável,  o único relógio conveniente era formado por uma linguagem não- numérica, nem verbal, e metafísica. Esse tempo era movido por fatos que concretizavam quando os olhos do dia fechavam-se, e abria o portal do misticismo da noite. Naquele ar alojava a maioria das reflexões que compunha os diversos capítulos da sua realidade, cada um com sua peculiaridade, distinção que às vezes apesar de tênue tinha lampejos de originalidade. Dificilmente conseguiria descrever em um único caráter e uma única palavras composta por simples consoantes e vogais. Na ausência de luz, com apenas o essencial para olhos humanos conseguir enxergar e aproximar ao mais íntimo e profundo daqueles multi-universos que degolavam-se um à um. Uma imensidão cabível num único instante. Onde raras seriam as coisas para distinguir aquelas áureas coloridas na cegueira da noite.

      Nada poderia deter a força maior que é do destino pulsado. Da certeza estalada, e do instante pleno e distante em que tudo, apesar de caótico e disperso contém um sentido que adormece qualquer tipologia de negatividade. Essa força descontrolada era a sua supremacia sem hierarquia e lei. Toda noite proclamava o aforismo libertador dentro de sua Sociedade Alternativa: ” Não deixaria nada  privar e corromper as badaladas do seu tempo concretista.”

      Os significados são designados, marcados em algum ponto daquele mundo. Lá dentro e aqui fora, nessas duas dimensões era seu terno refúgio em que paradoxalmente enfrentava e escapava da face em que todos olhos vê, mas poucos reconhecem. Aquela face era da incomparável: VIDA.

Anúncios

O mistério de viver

Quantas coisas foram vividas, sofridas sentidas nesse ano 

Ao transcorrer dos dias as coisas transformavam 

Algumas coisas eram gravadas na memória 

Essa sempre será minha história 

Onde não há vitória maior do que dos sentimentos 

Em todos os momentos, vivo esse plenitude 

Sigo o que em mim é pulsado 

Invento reivento minha verdade 

Ali que encontro a minha felicidade 

Um ano que se esvaia e outro que nasce 

Nas profundezas desconhecidas 

Nunca serei esquecida 

Pela memória do coração e da palavra. 

Isso que chamo de vida é pouco 

Para definir o que é viver