Os badalares nucleares

Ao olhar o coração em suas singelas sintonias e sinais, repara que há um ser navegante, que se esconde atrás do amor, e se revela em apenas alguns momentos da estação. Os âmagos são os centros do sentir propriamente estalado e pactuado. Aquele núcleo permitia que abstração do amor se tornasse concreto por meio da existência “respirante” confraternizada a dois.
O mesmo olhar, o mesmo sentir…
Atrair em si a revolução do sentimento. A proclamação do real. A reconquista da vida. A concretização de nós.
“No brilho de um instante, eu te vi. Você não me olhou apenas, você emergiu dentro de mim.”
O esconderijo “desecreto” enlaçou nos ritmos nucleares.

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Contorno atemporal 

Nenhuma palavra transcreve. Nenhuma voz expressa. O hiato congela o tempo. Transgride as esculturas de grandes conquistas. O receio. A insegurança lidera como um mandato sem contorno.As transposições de luzes “des-distorce” a incerteza. Vitória é um novo que foi dado neste momento. Ela olhou para si e percebeu dentro de tanta coragem havia uma pétala preocupante em um vaso escondido atrás da vitória que vivia em um semblante com uma angústia feliz. Esse sentimento aproveitava da instantaneidade de seu piscar…E ao morrer renascia brevemente como um saltar ao desconhecido. 

A sapatilha e o silêncio 

As pontas sumiram daqueles pés saltitas. A luz “felicitante” que liderava foi substituída pelos rasgos de um sonho interrompido novamente. Ninguém compreendia a necessidade. Ninguém absorvia a importância. Todos voltados para si só. Apenas um. Apenas uma partícula amena sem sentido despreza em abrigo isolado sem saltos ou piruetas. As sapatilhas serão lembradas dentro do silêncio. Na curvatura de uma imensa conquista, o despertar da renúncia desabrigada. Congela. Suspira o ar seco sem saber ainda a resposta…

Entre os dedos, sob os dedos. A desistência daquele sonho antigo de quando era criança de ser uma bailarina. Não haverá mais saltos, nem piruetas, nem muito menos um coração dançante. Haverá apenas a esperança de um dia em que poderá retornar a essa vida. Olhos viram seus pés e dentro dele constroem as suas curvas. 

Dentro daquele silêncio e nas pontas dos pés, ela transformou sua descrença em esperança do retorno do badalar e o pulsar dos passos. 

Corpórea medular

Degolaram-me de uma vez. Não tive tempo de respirar o resto do meu silêncio. Roubaram os vestígios dos meus sofrimentos e distorceram minhas desilusões. Quem será que reaparece da escuridão para furtar as dores alheias? O meu desentendimento é brando. Mas aquele laço de escuro que envolveu meu dia. Jamais esquecerei. Talvez a transformação seja imensa e é tão invisível quanto a alma. Talvez as minhas certezas fincadas na parede ondulada transmitem o eco escondido de uma escada descrente.
Três horas antes
A luz ofusca mostrava um cenário na trivialidade de cada olhar. Estava ela refletindo sobre os últimos acontecimentos da vida. Esse vazio que aos poucos é preenchido de vozes, de sentires, de atos, de fatos, de cheiros, de melodias e, lentamente, era esvaziado todas as noites quando o sol se deita, verticalmente, na nuvem de estrelas que serve de cortina para que ele possa dormir na constelação de galáxias.
Segurou, bruscamente, um pedaço de sua alma que se perdia no espelho e resolveu perfurar sua carne para alojar aquele tênue fragmento rebelde dentro de seu osso. Não admitiria viver uma vida que nunca fora sua. Por isso, tratou de renunciar os retalhos de sua existência. Raptou o que sobrara de sua antiga luz e resgatou para dentro de si. Eram pequenos pontos afiados e sedentos para retomar sua estrada.
Arquitetou-se em frente do espelho, onde vislumbrou lembranças embaçadas e sem nexos. Nada daquilo tinha mais sentido. Nesse momento, pensou sozinha e sentiu mais aliviada: “Era hora de dizer adeus. E cada ‘ser respirante’ esgotar o resto do suas vidas.” Estava aborrecida com alguns trilhos finais. Mas sabia que seu começo seria um lapso de humanização. Precisava sofrer e sentir a verdade rasgar a medula óssea para conseguir se entregar no delírio vívido da verdade.
Olhou em direção ao tempo. E sentiu que estava sendo atraída por novos caminhos. A verdade sorrateira transmitiu seu semblante na lua minguante. Estava retornando vagarosamente. Perdeu um fragmento de sua família. Mas na verdade nunca o tivera. Abandono. Não. Liberdade. Talvez. No encontro do seu olhar com a lua, reconheceu a sua alma por completo que aos poucos se despia de tantos escombros…
Agora

Subiu as escadas. Tratou de continuar a sonhar a sua realidade serena que estava nua ao seu lado e a permitia viver humanamente.
Encontro-me no universo dentro de mim. Aqui aloja todos os planetas inexplorados pela compreensão. Mas completamente sentidos pelo prazer de ser humana.
Costurou o que restou de seus olhos e viu por completo seu corpo no reflexo da escuridão.

Hiato do instante

 

Divagando no tempo para encontrar os fragmentos de horas que ainda existem no instante. A imutabilidade dos atos que perdura a nossa carne. As variadas formas que cabem dentro de cada momento são tão duráveis quanto uma eternidade no vácuo. Ou esse tempo é preenchido pela leveza das cores efêmeras. Quando o própria rosto da vida transcrever seu hino, nem mesmo o instante pode traduzi-lo em língua, apenas uma forma pictográfica de sentir o paradoxo entre a brevidade e longevidade da existência.

Entre essas duas atmosfera divisa o hiato do instante que perfura; constroem  novas dimensões metálicas das horas; reconstroem os escombros de olhares ingênuos e desconstroem mentalidades em vidraças sem perspectivas. Essa paralisação representa a autodescoberta da passagem da vida que transpassa qualquer significação lógica, esse acontecimento transgredi a razão, alojando dentro de um silêncio quieto e sereno.

A descoberta dessa fase é desvelada pela percepção que o instante produz em cada um de nós. O hiato, o não-dizer, o silêncio, a forma sem-palavras que tentam designar o processo existencial da vida é mais substancial do que a palavra mal digerida, escrita e copiada em momento não estagnado. Apenas nessa pausa que a correnteza da fragmentação da existência paralisará em uma forma humana inscrita no hiato de todos os instantes. Olhar para dentro é compreender a alma estagnada, que nesse estado vive sua plena performance.

As chamas que realçam o desejo

     Ao refletir seu desejo nos versos daquela noite, nada mais poderia abalar a sua verdade que transformou aqueles passos juntos um destino arbitrário.

     Sempre quando o ser feliz supera a própria existência, somos tomados de verbos inéditos que preenchem aquele quarto noturno de saltos de descobrimentos.

     O saber estava à espreita de seu sentir correspondente, pois aquela condição era a supremacia de um sentimento que recolhia, vagarosamente, suas desilusões e rebaixava tudo que era indigno no desaparecimento. Ressurgiu seu fôlego de entrega a paixão a existência, a vida, ao tempo a poesia do encontro de cada dia até ela se transmutar no sentindo mais completo ou em pedaço que se compõem, aos poucos, como uma manhã sem sol e uma noite com pouca chuva. Não importava as imperfeições e inconstância. Estava mais do que preparada para divagar naquilo que sonho real vivia. Não iria se recolher no seu mesmo abrigo ilusório. Não precisava. Porque o despertar do tempo da vida foi ativado. Sabia, agora, como viver a intensidade em goles da alma.

     Nas sequências de narrativas incontáveis, ela escondia os melhores instantes que foram seus sorrisos no coração e o fato libertário de suas mágoas ao tornado da dissipação.

     Acolheu, cuidou dos acontecimentos recentes que aquecia a secura de uma lágrima extinta. Estava caminhando, notoriamente, naquela estrada inesperada. Realmente, ela abriu como uma flor calada que se apegou pelo sussurro sincero de um discurso sentido.

     Atirou-se no realce. Enlaçou um pedido. Afirmou. Confirmou que sua vida seria mais “vida”. O seu viver se resignifica a cada toque ao núcleo dos sentimentos. Expirou suas perturbações.

     O melhor ocorrido não é planejado, é inteiramente sentido e vívido. Entregou-se naquela noite serenamente. Hoje, não teria mais medo. Apenas desejo puro de se redescobrir nas constâncias espelhadas.

O tempo dos olhos nas paredes queimadas

     A tristeza entrou dentro de uma felicidade tão macia e terna. Deixou torta suas vistas, mas ela nunca sucumbiria seu real desejo de continuar a seguir aquela mesma curva que relembrava sua existência, agora, reconhecida.

     O sofrimento invade sem motivo real. Mas mesmo sendo na ficção aquilo a perturbava inconscientemente. Por que tinha tanto medo de ser feliz? Fecha suas sombras e destrava sua nocional felicidade que nasce da água.

     Estava tão cansada de lidar com olhares funestos e injustos. Aquelas fragrâncias flagelavam seu mais puro suspiro. Precisava escrever para libera a necessidade de ser íntegra. Aquela vida era feita de reiterações lamparinas, embora o sangue do medo ainda escrevesse na sua parede. Já sabia onde recorrer para queimar aquela vila de escombros.

     Não se permitiria se formar novamente das cinzas. Porque a sua essência era irreconhecível pela matéria, mas digna pelo ato de ser-sentir. As transformações engolem. Subitamente, a serenidade era porta-voz daquela audiência de que selaria seu direito de se realizar.

     Na beira da noite, ela é acariciada por uma sintonia familiar que acalentava seus gritos e compunha canções beijadas pela linguagem dos olhos.

     Se algum sofrer completaria sua transcendência. Seu caminho. Aceitaria. Caso contrário, iria enterrar nas curvas da inexistência.

     A força transformacional estourou na noite. Exalou sua verdade. Calou-se e abraço o tempo supremo.

Luz efervescente que se materializa no ar

     O realce foi finalmente atingido como uma luz que penetrou em dois pares de olhos. Aquela iluminação caiu no vento mais sincero e desapareceu na noite em motivações, que carregavam aquele presente para um passado recente tão nuclear, ali eles estavam e eram. Qualquer momento poderia explodir de tantas expressões. Essa fragilidade de se entregar eram tão forte que enraizava sentimentos.

     O seu sentir era impróprio as falsas especulações. Não viveria novamente um ideal que desprende, dolorosamente, da vida. Viveria, serenamente, no único impasse daquela luz que era configurada pelos mesmos olhos que re-acendiam a descoberta de se materializar no ar. Flutuaram juntos em uma realidade estática que no seu limite conseguia se mover no ritmo estridente de uma nova voz. A reciprocidade é mais que concordância. É quando um olhar não se cansa e necessita do outro. Não para completar sua visão, mas para reafirmar tudo aquilo que sempre existiu dentro de si.

     O nós faz mais sentido no momento, pois os risos fazem o seu percurso através do rio. Porque a efervescência é pífano cantando na alma. E o silêncio se transformou na devoção de dois sorrisos.

Deslumbrância tácita

     O quando chegou muito próximo daquela mesma sensação que se espera entre o instante-esperado e o instante-desesperado. Poderia atingir suas cores, se quisesse. Estaria um milímetro de se redefinir. As suas parcialidades guardavam seu próprio oxigênio em uma força que impedia seu crescimento.

     O seu querer é muito mais de um simples desejo. O que é movido pela terra entorno de suas escamas que circundavam suas vistas? As propensões legitimavam a sua narrativa.

     ” Certa noite, quando a emoção não cabia mais no tempo. Resolveu revivê-las secretamente. Redefiniu. Recriou. Reformulou, refez novas notas de certezas. Reafirmou seus dizeres ao vento que era aquecido por vislumbres. “

     Quando escorregou dentro daquelas sutilezas, reencontrou que o silêncio da espera estava chegando ao fim.

     A noite se abriu para novas estrelas. Amanheceu uma lua estridente no céu dissonante. Enfim, o tempo se calou para escutar sua decisão era:

– Silêncio!!

     Rabiscos substâncias.

Vilarejo da redescoberta

     A pulsão do beijo é muito maior do que qualquer escrita. Mas provida de uma ousadia incomum, ela entrelaçava na palavra como sua melhor confidente.

    Estaria novamente perdendo o controle de sua sanidade. Improvável. Poderia deixa-la na loucura mais lúcida ou em uma sanidade mais delirante. Qual escolha poderia escavar dentro de si? Se havia profundidade, estava muito longe do seu núcleo. Ou sempre viveu naqueles enlaço, mas só naquele instante percebeu o doce agudo da descoberta.

     Estaria descalça perante aos seus sonhos “intrajados”, não precisava omitir mais a sua sensação pontiaguda que fazia as curvas em uma única direção.

     Era de tudo aquilo que merecia lembrar. Quando a memória via apenas para o momento presente, nenhum dêitico é suficiente de sentir o realístico calor a dois. Estadia do encontro. Marca de batom descolada da alma, esfregou sua intranquilidade e despertou para sua nova vida. Vida nova.

     O desmembrar de uma curva partida e se encurvou em uma reta. Desfigurou um olhar sem cor. Não precisaria contemplar mais nada que não sentia. Porque o seu aqui estava perto demais para recuar. Jamais. Nunca.

     Queria continuar. Foi inteiramente engolida pelas sutilezas daquele mesmo sorriso que crescia em sua janela. Não pretendia sair de casa, porque queria vislumbrar as tonalidades de uma realidade real.

     ” A minha alma foi embriagada de um vento silencioso que conquistou os meus dias.”

     A linguagem audaciosa de breves atos temporais ecoaram no centro existencial da inexistência. Pois o fato de existir dependia da mutação racional. E aquilo de fato era uma expressão em “despalavras”. Era mais autêntico do que o próprio silêncio.

     Quando descobriu seu manto inseguro de medos. Soltou suas sombras ensolaradas e deixou elas refletirem dentro de si.

     Dentro de nós havia um lugar sem nome. Mas. A partir daí, construiu des-sentido. Recriou todos os seus olhares, sorrisos no delírio de uma sanidade que se refugiava nas partículas do hoje.

     Estava sendo sugada pelo vínculo aromatizante do ar. Ali poderia ser nós.

Perto demais

     À noite cálida, adormecia uma escuridão que invadia seu estado estável. A quietude sussurrou novamente algumas notas claras.

     O ser da esperar. Essa esperança tinha um valor verdadeiro da “compreensão-sentir”. O que determina uma espera silenciosa e o ato de chegar em explosões cintilantes?

     Estava sondando as camadas frágeis da vida. Estaria perto demais para compreender e sentir. Por isso, preferiria deixar no silêncio todas as suas pretensões mais oníricas. Mas aquele sonho é real e vívido.

     Ao entrelaçar por meio das palavras suas abstrações, estava cada vez mais inerente ao tempo da resposta. Aos poucos, navegava no seu descobrimento imediato. Quais são valores coloridos que pincelava sorrisos no céu?

     Cada pontiagudo momento, o seu sentir estava mais próximo. Aproximando. Aproxima-se:
-Na próxima curva, prometo-me não me perde.

     Perdida está no beijo não-dito. Mas aquele não precisa de dizeres, somente seu ato que concretizava um fato que “versificava” novas estradas.

     No vácuo, onde encontra seu próprio ar. Respirou suas emoções até elas se instalarem em uma constelação sorrateira que piscava seus olhares na insolação de seus sentimentos. Lentamente, renascia para seu direito de se entregar aos olhares e sorrisos sinceros. Devagar. Divagava. Vagava. Cavava sua voz, aos poucos. Pedaço por inteiro, integrava ao todo que a aguardava.

     Silenciosamente, revelava seu olhar.
-Quando conseguir me ver inteiramente. Você já saberá sua resposta.

     O tempo saiu das horas… Permaneceu intacta à noite como um sorriso nunca visto. Um beijo nunca dito. Uma palavra nunca beijada. O toque nunca sentido. Todos aqueles “nuncas” se transformaram no seu “sempres”. A única medida para aqueles pontos eram dadas pelo ato de viver por meio dos olhares.

     Esqueceu de suas aflições. Relembrou das suas ventanias. Desprendeu da dor para o reconhecimento de sua própria imagem. Estava à margem de um novo descobrimento. Lá, relegava seus novos direitos. Perto demais…Sentia mais viva.

Olhares lares dos espelhos

     No começo era apenas um simples olhar. Estava sozinha a espreita de metamorfoses cutâneas. Nada de aflição. Somente seu ar poderia dizer o que estava no meio do caminho.

     Atrás de algumas horas incontáveis. Encontrou outro olhar que sorriu cautelosamente. Um breve ímpeto. Por que os fatos estão ligeiramente escondidos na visão de encontrar e perder? Mas naquele momento, apenas encontrou risos contemplativos. Aquelas palavras vistas eram vestidas de poesia do tempo.

     Os olhos se aproximaram como o rio em busca de uma cachoeira. Naquelas águas, suplicou algumas reflexões.

     O tempo piscou…

     Quando os olhares se encontram nada mais se moveu. Apenas aqueles dois viciosos seres que flutuavam no tempo. Nas circunstâncias temporais, o que poderia decidir? O impacto ainda era maior do que seu ato de respirar. Tudo se tornou reverente em simples e imagéticos momentos.

     Ao contemplar rápidas e significativas palavras, não teria uma decisão concreta. Porque seu abstrato estava tão profundamente tocado por cada vivência em relâmpagos cristalinos. Sentia que as cores estavam descrevendo e nivelando seus acordes mais inéditos possíveis.

     Desta vez, sentia um querer atômico de ser guiada pela verdade de cada gotícula sentimental e emotiva. Não deixaria nenhum sorriso rancoroso transplantar sua felicidade energética nas cinzas do “a-tempo”.

     Uma hesitação é melhor forma de palpitar suas vívidas decisões. Aquele ato de respirar. Era para sentir e absorver a pureza daqueles ares que ressurgiam, sucessivamente, nos seus estalos matutinos, tardios e noturnos. Iminência de uma surpresa. Mas a necessidade da espera é mais para alimentar e reestruturar seus olhares francos intensivamente leves.

     Aquele compasso acelerado, estava “vivi-fincando” tudo aquilo que tinha mais do que o ineditismo. Verdade. Sintonia. Liberdade de viver a alma dos fatos e atos.

     Não precisava de promessas e juramentos. Não precisava de sentimentos rotulados. Não precisava de falsas cortesias e etiquetas. Não. Não. Não…

     Necessitava de verdade “sincera”. Necessitava de sentimentos que dignificasse e humanizasse todos os seus olhares tanto tempestuosos quanto frescos.

     O alguém continuou olhando, serenamente, para aquele novo trajeto. Será que ela resolveria seguir em frente? Talvez. Isso depende do amanhã.

     Quando o amanhã chegou. A vida se re-significou, porque…

     Olhou em volta. Sua felicidade foi refletida.

Verbalizações que pousaram no silêncio

Esconda-se antes que…

     Não desmascare ninguém que não saiba ver a própria alma. Finja desdém e esboce um soluço de compaixão. Esqueça a “logicidade” do tempo. Veja as asas abrirem. E restauram suas classes.

Porque…

     Tudo não passou de meros pronomes mastigados pelo tempo e enforcados na lucidez das incontáveis e térreas soluções planejadas. Aquilo não rastejava mais no genoma fétido de seus olhares suspirantes.

     Queria viver somente de verbos e substantivações na eloquência de seu sorriso mais puro.
Mas-

     Estava apenas sentada sem esperar mais nada além do que a própria realidade.
…antes que tragam seu licor

     A chuva foi engolida pela nuvem. Pousou o seu silêncio.

Vidros esfumaçantes em trilhos paralelos

    

     Tinha uma montanha logo em sua frente. Onde exatamente estava indo aquele trem que pegava todas as noites sólidas de tantas chamas dissolvidas? Por que embarcou antes mesmo de se despedir ? Mas de quem? Nada importava. Poderia voltar algum dia e estalar sua presença volátil ao vento, sem que ninguém perceba. Não tinha mais vontade de se esconder atrás das fumaças dos trilhos. Mas não sabia o porquê de refugiar novamente naquele mesmo vagão. Só sabia que ali sentia uma liberdade secreta que desvelava aos poucos.

     Dentro de sua mente, muitos vidros foram quebrados, porque a fragilidade não aguentava mais de duas batidas, sendo uma levemente brusca e agressiva. Estava descolando as superficialidades que os rostos exprimiam por meio de um sorriso malicioso e perdido em algum vazio, descontraidamente, desonesto e ingrato. Não suportava mais observar figuras sem sentidos plácidos. Cansou-se de suspirar uma gentileza, quando uma cara rasgava suas blasfêmias. Para quê toda a omissão ? Por que esconder a própria alma? Era para se manter viva na explosão gotejante de cada ressoar matutino e soar noturno. O que essas elocuções expressam? Talvez, seria simplesmente os fatos que mutilam o tempo.

     O trem partiu para resguarda o sigilo de um olhar que vislumbrava as fumaças que exalavam as noites cada vez mais frias e aconchegantes.

     Não precisava mais fechar seus olhos… A escuridão clareio sua voz. Deitou-se naquela nuvem sonhadora. E calou-se no andar dos trilhos.

A chama

Desolado. É sua vida.
É feliz,porque vive do
lado sol.
Seus desejos foram:
jogados e descolados e derretiam
no sol em gotículas de luzes…
lucidez,
Luz
luminoso.
Escorriam todas as suas quietudes.
O selo foi rompido,
nada impedia a revelação que
fazia nascer aquele núcleo
de sua vida.
Porque na sintonia do sol que
nasce a memória do dia.
E a luz da noite é limiar
do existir e viver…
Reluzentes.

Epístola ao nada

     A canção estava pronta numa indagação dentro das asas de um futuro… passado que se chocaram. O vento desdobrou as entranhas da fala incomunicável e sem junturas, pois aos pedaços se dissolviam por todo aquele destino. O som rebatia todas as horas mais reflexiva, mas não conseguia captar aqueles ruídos e transforma-lo em algo digestivo numa rotulada compreensão que poderia se perde aos grãos neurônicos de uma memória com suas deslembranças mantidas ao silêncio…

     A significação daquele cortante momento- palavra não se teoriza em nenhuma filosofia, teologia e pensamentos, mas em apenas a reconstituição do nada por meio de sua origem…O nada que nunca teve a oportunidade audaciosa de se apresentar dignamente, embora tenha perdido tempo em “pregas valorosas” que não puderem revelar a sua cor perceptível, pois ficaram em seus vestígios e sombras. E não existe uma provavelmente verdade pior do que ficar à margem sombreada de fragmentos e caóticos rastros. Por isso, basta de falsas configurações sobre o nada.

     O nada é aquilo que jamais pensou sobre esse. Essa exclusão está mais presente do que a própria inclusão, para isso, é mais simples viver para excluir quando se trata do nada. Portanto, a carta que escrevo marca as minhas rochas desvozeadas de súbito e gritante sofrimento. Também não se trata de um manifesto ou de uma tese coerente. É apenas fluxo sem linha e sem origem, mas um dia poderá deságua em algum vale à luz de uma nova perspectiva de despensamento humano. Não que sejam ideais válidas, no entanto, apenas provoque os espasmos que circulam aquilo que considero alma.

     Hoje pela manhã o nada me visitou novamente, sem piegas e tristeza, foi melhor do que a tão sonhada em noites sonâmbulas e idealizada felicidade. Entretanto, entreabriu meus pensamentos iniciais e corrompeu minhas rupturas para divagar no infinito de algo incoerentemente em direção às línguas e linguagens que conhecemos. Mas mesmo assim, arrisco em riscar meus rabiscos rasgados no papel que fragmentam a minha totalidade.

     Esse ser andrógino ou esse não-ser. Esta descoisa. Porém tenho uma verdade passei amá-lo como uma libertação que purifica aquilo que ainda nunca existiu e espera a luz ofuscar para revelar seus sussurros. Sei que, agora, por toda a minha vida meu amor ao nada será cumprido como uma promessa de canção inacabada e rachada pelo silêncio. Isso não significa que deixei de acredita nesse sentimento, no entanto, o estágio dele não é humano e por enquanto se estabelece na dimensão da desmaterialização e despiritualidade que é algo que fica no viés dessa dicotomia. É a somatória das indefinições. Não posso afirmar que é novo, mas para minha vida isso é um fato. Ou melhor, in-fato , pois me encontro dentro de toda a minha vida em forma metonímica rítmica de ser desprender.

     O ritmo da noite se entornou em azul cristalino que se escondeu na imaterialidade. Por toda a minha vida. Por toda a minha fragmentação. Meus votos ao nada que amparou meu amor não-humano como elogio à vida e seu direito de se calar….