Paradoxo realista almificado pela injustiça

        Num turbilhão de palavras desconexas vivia num desespero agudo do abalo conflitante de seus sentimentos. Por que os fatos foram contra as marés de forma súbita e drástica? Até naquele instante gélido navegava dentro de uma incompreensão caótica em que aqueles mesmos olhares sem perdem na água salgada de sua própria alma. Ela se questionava naqueles dias o que significa o amor, já tinha uma conclusão rascunhada em sua mente. Primeiramente, existe um enorme abismo entre a palavra e a ação, ambas consagram essa plenitude, no entanto, elas dependem uma da outra. Pois se só tiver palavras e mais palavras virá uma grande ilusão, infelizmente, de muita dor e sofrimento sufocante que destroem as crenças nativas de uma vida feliz.

        Aqueles olhos estavam turvos numa miragem perdida em algum futuro distante que talvez nunca existirá. Cadê a coragem para tomar a decisão certa? Que amor é esse que tanto fala e demonstra em momentos e contradizem em outros, formando um paradoxo cíclico. Uma voz desencantada ressonou naquela escuridão reveladora e gritou para o Eco:

-Onde você quer chegar nesse labirinto com motivos poucos convincentes? Enfrenta a realidade e diga de uma vez a verdade e toma uma decisão certa. Sem meios termos, chega de antíteses! Chega de antagonismos! – sua voz estava suave mesmo estando sensivelmente abalada com toda a situação.

        O Eco apenas silenciou e fechou seus olhos. Será que ele estava se escondendo de algo? Será que era da vida do próprio amor declarado e talvez sentido. Aos poucos, as coisas se colidiram e transformaram em migalhas soltas que empoeiram toda a circulação sentimental.

        Naquele presente fúnebre ficava derrapando no passado que sempre sorria e demonstrava um amor tão intenso e límpido que sentia uma nostalgia em que nenhuma lágrima era capaz de deslizar. Eram tantos flashes que jorravam como se fosse pedras e machucavam ao se lembrar de seu presente tão injusto. Por que tinha que acontecer dessa forma? Ela se questionou dentro de seu coração:

– Por que, Eco, você fez isso comigo? Cada aquelas lindas palavras que encantava meu coração e alma. Isso era realmente verdade? No fundo, Eco eu acredito em suas linhas. Todavia, suas ações não condizem, isso me refiro alguns dias antes. Quero saber a verdade que se esconde atrás dessas linhas, entrelinhas de todo esse novelo confuso que declarou. Nada entendo. Tudo desentendo. Por enquanto, estou vivendo assim. Mas acabei de ter uma epifânia, Eco, sim. Uma epifânia. Sabe, o que importa que o amor  sempre vence no final e verdade sempre vem. Por isso, decido que minha felicidade depende de mim. Ser feliz está dentro de minha alma. Esse é meu valor real que ninguém jamais vai retirar de meu caráter. Essa convicção que tenho….

        Naquele momento Eco abriu seus olhos e se surpreendeu com aquelas afirmações. Sentou e pensou: “….”

        Imediatamente, aquelas luzes de lembranças invadiram sua mente:

….Muitas conquistas….

….Felicidade, amor, sorrisos ternos e braços unidos….

….Agora…

        Como tudo isso foi mudar? Se não é fim e nem um tempo. É o que então? O que estaria preso naquele olhar? Se sabia desde do fundo que as coisas tomariam esse rumo por qual razão pegou aqueles braços e fez aquele pedido. Chega de arrumar empecilhos. Diga a verdade plena. Pois somente esta que prevalecerá. Numa voz corajosa e decidida exclama:

-Ninguém é super herói, somos seres humanos com nossas limitações precisamos aproveitar o mais intenso e digno que a vida tem de oferecer. Se for amor que continue. Se for ilusão que desapareça. Eu sei  o que sinto e minhas ações correspondem. E você, Eco ? 

        Novamente outro silêncio que invadiu aquela caverna de questionamento. Ela sempre estará livre de sofrimento desprezíveis, pois:

-Eu sou minha própria felicidade!

O nunca do amor esbravejou…

        O vento trovejou em sua alma. Nada fora esclarecido ainda. Determinação. Coragem. Verdade. Ela leu a placa daquele lugar que dizia:

Almas Mortas Olhos Restantes”

        As coisas não poderiam continuar como estão. Que viva a verdade e dela que precisava.

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