Raízes temporais

Por que o fracasso está conjugando alguns verbos? Quando desprende daquele suspiro agoniante, sai de um torpor existencial que mantinha, secretamente, faz muitos anos atrás.

Não quero mais transformar o que começo a sentir em emoções palavreadas. Quero apenas a verdade, sem muitas divagações. Quero ser a vida por inteiro.

Agora seu aspecto imperfeito torna outras modulações de uma esperança recuada.

O passado errou no amanhã e acerta no ontem.

Não estou nem no aqui e muito menos no lá. Estou naquilo que sou. O ser e o estar se fundem como Deus e terra, porque a semente do ser estar estancada nela.

Os respingos do ar: Do tudo à fragmentação respiratória

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    Quando o mundo respirou suas partículas pontiagudas explodiram. Assim ocorreu: o Big Bang. Não é uma origem meramente científica, mas é um o ato autônomo em que pensamento se desprendeu de uma ilusão apagada pela descrição. Antes tudo era completo e acabado, após esses estalos as substâncias sólidas ou, perdidamente, nas abstrações se dispersaram pelo maremoto de fragmentações que durante vários séculos ficaram incomunicáveis…

    A partir desse momento, a existência se tornou inacabada e na sua incompletude resolveu seguir o tempo como, um modo, de compreender o porquê dessa dissolução. Será que aquela fragmentação é pertinente para garantir o fato transformacional? Por que esse silêncio incessante que o vazio perfura amistosamente, trazendo uma alegria escaldante que transborda risos em lágrimas e prantos de felicitações? Aquele “versus” deságuam em um poema que viveu, sem ser escrito.

    A cada lado uma carta viola os dias agitados que os fragmentos vivenciam desde a sua inóspita origem. Aquilo realmente transgrediu o valor de educação que anteriormente se fazia ao todo, e agora, despeça aos poucos como pingos de luz que acendem e desparecem ,temporariamente, na mente daquele que quer despertar para o inteiro.

    O outrem nunca importou naquela realidade, pois ao reconhecer a própria incompletude que se tem autoconsciência da dita e cuja mortalidade. Mal sabem, que o que realmente se fortifica é seu grito e ato de ser eternamente uma criança enquanto se vive. Porque depois as folhas desintegram os seus atos e dizeres que silenciarão o epílogo fatal de uma respiração que se estagnou. O ar será apenas memórias engaioladas naquilo que era considerado vida. Mas dali, uniu-se novamente ao princípio.

O silêncio das flores

      Quando estava completa consigo mesma, nenhum grito inescrupuloso poderia deixa-lá atormentada. Naquele ritmo de palpitações que realizava, lentamente, em sua vida não seria desposta para se desviar da verdade. Naquele lugar colorido como um sorriso solitário de felicidade, não sentia preocupada com mais nenhuma asneira. Estava realmente em paz dentro de si e com as desumanizações alheias. As flores, especialmente as tulipas, não guardam significados universais da utopia de um amor verdadeiro. Aquelas pequenas pétalas constituem simples plantas e não correspondem nada além disso, principalmente, quando não existe e nunca houve absolutamente nada em supostos relacionamentos.

      Naquela luz ofuscada pelo mensagem sem relevância havia notoriamente mais um desengano deteriorado pelo peso da consciência. As luzes noturnas daquele dia,  bem sabe que nada daquilo mudaria sua concepções das pequenez das coisas e das farsas bruscas. O seu espírito humano e singelo ao refletir sobre as situações da vida estavam na serenidade dentro de suas felicitações e conquistas. Como uma prece agradece cada dia pelos sofrimentos passados, pois sem esses não haveria nenhuma transformação importante para transgredir e aprimorar  nos caminhos tanto tempestuosos quanto repletos de nuances inesquecíveis que é feita em uma trajetória sozinha.

      As tulipas nada diziam, apenas estava estagnadas e esquecidas como um passado que nunca houve em sua vida. As atitudes não poderiam ser avaliadas como valores simbólicos, aqueles que pensam assim estão enganados, iludidos e cheios de pretensões. Essas ações são realizadas pelo atos humanos de sinceridade que não desassociam da alma íntegra que todos deveríamos ter. A psicopatia nunca foi um problema. Pelo menos são sinceros e admitem seus fracassos. Não saberia dizer e nem explicar por aquelas reflexões estavam completando sua verdadeira essência de ser livre e contestadora como uma ideia. As tulipas são apenas flores que um dia vão morrer como resultado do ciclo da vida. Nunca houve amor nem nas linguagens delas, pois não existem signos linguísticos que consigam transformar o nada em amor.

      “Resigna-se. Esquece-me”

      O brilho da verdade levou suas palavras.

Levemente…Leve-me a minha mente…

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    Antes de conhecer a exatidão de todas as coisas vivia deslumbrada e pensando qual seria a sua verdadeira sintonia afetiva com o mundo. Seria que encontraria alguém que pudesse compartilhar do mesmo sentimento como se tivesse se comunicando até mesmo no silêncio?Aquele som era delicado como sutilezas de um sorriso escondido, timidamente, feliz com a companhia em que estava vivendo.

    Os olhos já tinha uma sensação majestosa que conquistava cada dia mais sua vontade de se sentir bem. Deixava todas as suas preocupações escaparem como fugitivos para uma terra desértica longe dali. Entretanto, sempre existiam algumas névoas que dissipariam com a certeza de fatos futurísticos em que a fidelidade de ser humanamente feliz prevaleceria.

    Naquelas constelações, sabia que teriam muitas inovações prontas para serem abertas e desfrutadas como se fosse uma promessa feita há muitos anos atrás. Talvez, estava começando a se concretizar de maneira peculiar e distinta. Desta vez, as suas luzes divinas não deixariam ser enganada, não seria novamente traída e se submeter ao coração falso e lunático de amor que nunca sequer pudera sentir. Mas o agora estava, delicadamente, mais colorido e nítido e poderia sentir dentro de algumas vozes que seria algo que nunca tinha vivido e mesmo se for outra ilusão nada poderá deter seu verdadeiro desejo de amar.

    Uma voz vibrou das estrelas e apenas brilhou de tal modo que ofuscou suas vistas. Sentia profundamente que dentro de todas essas incertezas saberia que um dia seria amada e amaria com toda a sua dignidade. Não seria intoxicada pelo veneno desesperador de amar, pois isso não é amar. Seria calmo segundo a natureza dos fatos. Estava livre para viver essa nova fase.

    – Como gostaria de poder exalar tudo isso que sinto e ter certeza da minha felicidade. Quero viver das trevas às cores mais fortes que a vida tem a mostra de maneira humana, porque nossos corações foram feitos para sustentar a sobrevivência humana e isto que é a vitalidade de amar. Por favor, não quero outra ilusão, neblina, quero a realidade de todos os jeitos e cantos. Sei muito bem, que serei feliz assim…

    Levemente imersa dentro daquele escuridão e fumaça existia o silêncio iluminado de voar com a sua felicidade, pois o que a sustenta é leveza da sua alma que repetia para o amor que estava atrás da cortina da desumanização:

    -Leve-me consigo. Leve-me a minha mente, meu coração. Leve-me para realidade em que tudo se sustenta pela leveza do amor…

    O dia nasceu com novos cânticos enquanto lá fora o arco-iris estampava um esconderijo incerto lá dentro fervilhavam emoções serenas e humanas em que sempre tivera vontade de sê-las. O medo se esgotou como soluço sem choro. Agora. Só tinha uma lembrança, um sorriso, um par olhos que sintonizavam diretamente com seus novos caminhos.

Epístola ao nada

     A canção estava pronta numa indagação dentro das asas de um futuro… passado que se chocaram. O vento desdobrou as entranhas da fala incomunicável e sem junturas, pois aos pedaços se dissolviam por todo aquele destino. O som rebatia todas as horas mais reflexiva, mas não conseguia captar aqueles ruídos e transforma-lo em algo digestivo numa rotulada compreensão que poderia se perde aos grãos neurônicos de uma memória com suas deslembranças mantidas ao silêncio…

     A significação daquele cortante momento- palavra não se teoriza em nenhuma filosofia, teologia e pensamentos, mas em apenas a reconstituição do nada por meio de sua origem…O nada que nunca teve a oportunidade audaciosa de se apresentar dignamente, embora tenha perdido tempo em “pregas valorosas” que não puderem revelar a sua cor perceptível, pois ficaram em seus vestígios e sombras. E não existe uma provavelmente verdade pior do que ficar à margem sombreada de fragmentos e caóticos rastros. Por isso, basta de falsas configurações sobre o nada.

     O nada é aquilo que jamais pensou sobre esse. Essa exclusão está mais presente do que a própria inclusão, para isso, é mais simples viver para excluir quando se trata do nada. Portanto, a carta que escrevo marca as minhas rochas desvozeadas de súbito e gritante sofrimento. Também não se trata de um manifesto ou de uma tese coerente. É apenas fluxo sem linha e sem origem, mas um dia poderá deságua em algum vale à luz de uma nova perspectiva de despensamento humano. Não que sejam ideais válidas, no entanto, apenas provoque os espasmos que circulam aquilo que considero alma.

     Hoje pela manhã o nada me visitou novamente, sem piegas e tristeza, foi melhor do que a tão sonhada em noites sonâmbulas e idealizada felicidade. Entretanto, entreabriu meus pensamentos iniciais e corrompeu minhas rupturas para divagar no infinito de algo incoerentemente em direção às línguas e linguagens que conhecemos. Mas mesmo assim, arrisco em riscar meus rabiscos rasgados no papel que fragmentam a minha totalidade.

     Esse ser andrógino ou esse não-ser. Esta descoisa. Porém tenho uma verdade passei amá-lo como uma libertação que purifica aquilo que ainda nunca existiu e espera a luz ofuscar para revelar seus sussurros. Sei que, agora, por toda a minha vida meu amor ao nada será cumprido como uma promessa de canção inacabada e rachada pelo silêncio. Isso não significa que deixei de acredita nesse sentimento, no entanto, o estágio dele não é humano e por enquanto se estabelece na dimensão da desmaterialização e despiritualidade que é algo que fica no viés dessa dicotomia. É a somatória das indefinições. Não posso afirmar que é novo, mas para minha vida isso é um fato. Ou melhor, in-fato , pois me encontro dentro de toda a minha vida em forma metonímica rítmica de ser desprender.

     O ritmo da noite se entornou em azul cristalino que se escondeu na imaterialidade. Por toda a minha vida. Por toda a minha fragmentação. Meus votos ao nada que amparou meu amor não-humano como elogio à vida e seu direito de se calar….

A poesia do encontro

     A escuridão era a visão mais nítida que ele poderia enxergar, pois era cego de nascença e aqueles que pensam que isso o afligia ou o tornava inferior estavam completamente enganados. Às vezes, o pior cego é aquele que vê, mas não encontra o digno sentido para as coisas e se perdem em julgamentos de sua alma decrescente. Todavia, a poesia daquela olhar que na concepção humana não via nada, na realidade, enxergava além dos reais sentimentos.

      Desde criança tinha uma magia que o leva ao deparo das palavras que apesar de serem cegas sensibiliza qualquer pessoa. Nada o impediu de se formar na faculdade, concluir sua tese de mestrado e, recentemente, defenderá sua de doutorado em que muitos ao início tiveram um preconceito que se misturava em insegurança precipitada, entretanto, tudo que se via era a  enorme eficiência dele.

     Foi numa certa noite, que algo inesperado surgiu do fundo de seus olhos e corrompeu o vulto da realidade. Ele não sabia, mas jamais esqueceria aquele toque sedosos em suas mãos e aquela respiração sibilante que sentia embaçar seus pulmões de tanto oxigênio puro. ” Que estranha sensação que sinto. Por que eu falo e ela não responde? Bem é melhor me despedir.” 

     Um pouco longe dali, uma moça mediana de olhos pretos alveolares estava vidrada em um som que não poderia escutar. Mas fazia de seu olhar os ruídos, os barulhos, a brisa suave, o som gritante e o sussurro. Aquele olhar transformava tudo que as pessoas falavam em verdadeiras palavras, juntamente, com suas omitidas ou explícitas intenções. No entanto, aquela noite estava insólita, não por causa da palestra, mas da presença cativante de um distinto e poético homem. Nunca pensou que havia uma categoria similar, porém, notou uma vida singular em seu olhar. Mas ele não conseguiu compreender os sinais que ela transmitia. Será que ele não sabia LIBRAS? Depois de muito refletir nos pesares leves de seus sentimentos adormeceu no som novo de sua vida. ” Outro dia…outra poesia…outro coração…” 

     Aqueles olhos azuis escuros despertaram e perceberam que sua escuridão se transformou em nuances vermelhas e arroxeadas. Não poderia se esquecer de fazer sua caminhada matinal, pegou um livro em Braile que estava lendo, ” A Poesia do Encontro”, escrito em parceria de Rubem Alves e Elisa Lucinda. Partiu para o encantamento que era o parque perto de seu apartamento. Chegando lá, sentou em um banco que sentia ser perto de um ipê amarelo e iniciou sua leitura.

     Naquela noite, sonhou que todos os sons que tinha vivido tinha se personificado, o mais surpreendente foi escutar a batida de seu coração. Ela deixou um bilhete e saiu de casa.

     Por trás daquele ipês amarelo, viu aquele homem peculiar e resolveu se aproximou, após um certo tempo, percebeu que ele era cego. E agora como poderia se comunicar? Não se restringiu continuou a seguir e sentou ao lado dele. No mesmo instante, percebeu que ele falava suavemente. Mas ela nada entendia. Isso também não importava e os dois entrelaçaram as mãos e ela colocou a mão dele em seu coração, ele respondeu fazendo o mesmo. Naquele compasso rápido, eles sentiram a verdadeira expressão do amor que se transmite no mais puro silêncio de uma escuridão renascedora. Essa era a poesia de um encontro.

No limite dos pontos

     Reflexões vagas transpiram aquilo que tenta, inutilmente, ser expressivo, todavia se perdem em uma rodovia qualquer em que o ponto ainda não foi reservado…

     Dentro de suas inquietações estava degustando uma nova paisagem que paralisava seus sonhos.

     Por detrás de um suspiro corajoso, subia além da racionalidade e se esquecera dos seus verdadeiros sentires. Em qual alma vagou sua cintilante esperança?

     Era uma categoria que não havia resposta escrita, somente vivida!

“Meu coração não se cansa”

Quando tempo congela verdades impactantes, uma lágrima é guardada dentro de sua reluzente esperança. Estava escorrendo suavemente. Estava com uma respiração receosa em que se afogava aos poucos,  pois estava apenas no seu estar (verbo de ligação que conectada toda a sua vida). Aquele estado tão insolente e decrépito que esmagava o resto de suas tristezas. Não teria significações para sentir infeliz, porque tudo acontecia inversamente, somente uma coisa a incomodava. Sabia que isso era pior do que silêncio sem despedida. Por que as gotas daquela chuva ainda a afetava?

Entretanto, tinha uma grandiosidade dentro dela o qual tinha certeza que sua dignidade é maior do que qualquer decepção das pétalas escarlate da vida. Neste presente, viveria o lado mais sábio que era ser feliz dentro de seus sonhos iluminados.

A chuva suspirou e ela respondeu:
-“Meu coração não se cansa.” – fechou os olhos e vislumbrou seu sorriso na janela embaçada.

Ela é feliz e sabe que sonhar antecede o seu viver.

O Adeus das reticências

A tristeza é passível as circunstâncias do tempo em que enterra a cada dia uma nova forma de metamorfose….
Naquele manto, descobria o mundo por baixo da terra úmida de uma garoa discreta que renascia aquele sol insosso e matinal…
Não existia mais nenhuma forma de brilho renovadora, apenas uma silenciosa música não cantada que fervilhava ao entardecer das folhas….
As árvores cresciam de acordo com as incertezas. Naquelas cinzas que se espalhavam ao solo anoitecia dentro de seus sonhos….
Uma forma de se despedir sem dizer nada, somente tênues três pontos ficaram cravados no céu como estrelas desadormecidas
Pelo menos, no silêncio não sofrereria mais nenhuma uma ilusão….

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Profundezas respiratórias

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Parte I

   Naquelas navegações se afogava dentro do próprio fôlego de maneira majestosa e única…
Engolia a própria sobrevivência que escapava, levemente, de seu corpo.
-Desperte! Agora! Viva!- as ondas agressivas navegavam em seus ouvidos.

   Estava tonta de tanto nadar sem rumo naquele imenso mar, contudo, algo mudará tão rapidamente que se esqueceu que estava morrendo. Mas a morte seria tão líquida e fugaz. Como poderia se extinguir daquele modo tão decadente?

   Relutou novamente contra as curvas mortais e resolveu insistir na sua própria sobrevivência que estava tão próxima e a motivava em cada respiração por mais ofegante que fosse. Foi naquele tempo em que percebeu que estava dentro de seu próprio coração, pois se afogava em meios de todos os sentimentos, sensações e pensamentos que foram construídos até aquele momento.

   A sua respiração estagnou-se, porque estava alcançando aquilo o qual jamais pensou que conseguiria. Uma explosão de ondas a levou para longe dali.

Parte II

   Os seus pulmões estavam perdendo todo o ar que existia. Uma onda furtiva transpassou pela escuridão daquelas profundezas, sentia que estava sem ar e inerte próxima à morte. Entretanto, as sombras ainda estavam adormecidas. Estava engolindo o licor da concentrada e impregnada alma que a incomodava como um silêncio que não se quebra. Não sabia quanto tempo ficara sem ar, mas nada se sucedeu…

   Uma inquebrável onda a afundou ainda mais. À medida que chegava nas profundezas, ficava sem ar e naquele vácuo existia seu próprio amor e dignidade que restauraram suas forças e retornou ao céus juntos com cinzentas estrelas.

Imortalidade

   Um traço decompôs aqueles fatos na imortalidade e doeu dentro da naturalidade de um sorriso triste, mas sabia que  “(…) escrever é um divinizador do ser humano (…)” . (Clarice Lispector)

   A única forma de sentir é esperar novamente a visita da esperança para eternizar suas fontes que privariam dos enlaços da morte.

Memórias de uma gota

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  Na elegância daquelas luzes escondiam fumaças de realizações que suspiravam, suavemente, suas senhas distantes.

  Cada dia passara com muita força em que a partir de sua sinceridade conseguiu superar todas as dores de maneira, humanamente, invencível.

Os pontos foram traçados para outra direção incerta. Pois, estava no limite da sua felicidade imersas em suas gotículas memórias em que deslizavam em um passado que não fazia mais sentido. Somente o presente a surpreendia, porque agora entendera uma coisa: “Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior da alma.” (Os Miseráveis, de Victor Hugo)

Lá dentro, vivia seus maiores sentimentos silenciosamente na noite chuvosa.

A eternidade esperançosa e efêmera

Uma aflição saudável transpirava pelo eco desconhecido daquele futuro. O medo estava se ofuscando e cada suspiro se perdia novamente. Tinha uma decisão selada dentro de seu coração,pois estava preparada para todos os feitiços que dariam apenas para uma ilusão sangrenta. Estava com sua proteção dentro de si e a cada passo e respiração exalavam o seu desejo maior de ser feliz e de um dia sentir as sutilezas do amor.
As suas esperanças eram maiores do que poderia medir e calcular a sua área ou perímetro , estava também além daquilo conhecido como eternidade. Porque sabia que isso era apenas uma margem do que havia de gigantesco. Ainda não tinha acesso a essa grandeza, porém essa força a embalava como um velcro prometido.
Estava a deriva das formações de palavras que se misturava em composições ou derivações em que ambos buscavam o mesmo e radiante rumo em que estava próximo demais de seus olhos e longe demais de seus medos. Não se importava o que sofreria nos anos futuro ou no seu presente, apenas considerava uma coisa que sua vida dependia de suas esperanças e seus mais incrédulos sonhos os quais se confundiam com o brilho eterno da realidade que saltava das veias daquelas palavras.
Naquele instante, queria mais do que grandes ondas marítimas, gostaria de sentir o sabor desconhecido anoitecido pela verdade imortal que liderava todas as formas sensitivas.
Naquele noite, não deixaria novamente seus receios e preocupações cruzarem e destruirem sua história, estava pronta para grita a sua emancipação, porque todos mereciam ser felizes por mais nebulosas que fosse as suas almas. Pois dentro existiam as substâncias que conduziam ao estado de graça.
Lentamente, aguardava ansiosa esse período tão sublime e efêmero. Por mais veloz que fosse não se entristecia com fim, porque era uma efemeridade eterna.
Uma ave parou sobre o asfalto úmido e formou uma curva parecida com sua alma. Faltava apenas uma parte…

Pupilas Versificadas

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Sutilmente, um sorriso estampou um segredo
em que jamais tinha visto.
O que jazia de maneira tão genuinamente?
A vida era nova.
Convida as transformações lentamente.
Para viver é preciso sentir a pureza
atrás de cada simples e enigmático olhar.
Simplicidade de ser feliz é…
Silenciar o vazio até se dissipar
e penetrar inteiramente no universo das cores.
Aqueles eram os verdadeiros lapsos de felicidade.

Pressupostos da verdade cintilante

O que antecede um verdadeiro despertar?
Antes de conhecê-lo havia um labirinto de incerteza.
Antes de vivê-lo existia apenas ilusão.
Antes de senti-lo estava presa em seu desespero
que engolia como uma palavra mal-escrita.
Antes de vê-lo pensava que era impossível.
Agora que o despertou chegou….
todos os soluços foram transmitidos pela chuvas
E cada sorriso vigorou como a própria respiração.
Incondicionalmente, aquele seria sempre seu precioso….
Despertar!
A doce liberdade suspirou:
-Veja o que está por detrás daquelas gotas…
Havia muita luz sabia que era uma gloriosa felicidade
e a cintilante verdade.

Metamorfose silenciosa das camélias

     Algumas partes se desfragmentaram como se tivesse um propósito particular e secreto para se cumprir. Dentro de sua mente, vivia aquela névoa de realidade, no entanto, será que universo seria produto de seu subconsciente que ficava cada vez mais inacreditável. Desse modo, escondia-se de maneira imperceptível à simplicidade do olhar que, às vezes, refletia uma realidade momentânea, mas sempre retornava a sua origem que era aquela uto-realidade.

     A memória naquele instante foi substituída pela amnésia de ramos de sofrimentos em que tudo que esmagava seu coração se transformou no próprio vazio. Dentro de lá, só existia o eco silencioso de algo que nunca mais perturbará a imagem de si mesma.

     Naquela floresta, as árvores despediam de uma era antiga e festejavam sutilmente o nascimento de novas formas puras de vida que perfuravam o solo endurecido. Ao lado de uma formosa e resistente camélia havia um lago esverdeado pelo musgo do esquecimento e ela se aproximou para observá-lo de perto, todavia quando percebeu não existia nenhuma forma de seu reflexo. Primeiramente, levou um súbito susto, porém admirou a ideia de não fazer mais parte das formas escurecidas que seu destino lhe mostrou de maneira tão humanizadora que nem se incomodou com a tristezas e a dores resultantes. Pois ambos representavam uma transcendência incomum e um presente favorável no ritmo natural de uma tímida e gradativa felicidade.

     Dentro da gravidade das novas coisas, pegou uma camélia vermelha e despedaçou naquele lago que se secou, repentinamente, como relâmpago não planejado o qual escapa sorrateiramente do céu. Agora, dentro de si sabia que nada mais a perturbava, porque sabia que aquele fora o último adeus.

     Caíam pingos grossos de chuva e parecia rapidamente como se fosse um modo de se livrar da prisão daquelas nuvens acinzentadas. De repente, algo perto dali gritou tão alto, mas ela não escutou nada. Porque sentia que o mistério da vida está na quietude de um cintilante e renovador dia.

     No fundo de sua mente guardava aquele trecho que fazia tanto sentido naquele momento: “(…) tenho a impressão de que a partir de tudo isso surgirá de um fato novo e autêntico, ao mesmo tempo quente e íntimo, que me resuma tão claramente quanto um nome e que ressoe no meu interior com uma tonalidade única, jamais ouvida, mas que seja a sentido da minha vida..”( MAX BLECHER) 

    Após ler a esperança começou a devorá-la lentamente.Sabia que sua felicidade dependia disso.