O fôlego úmido da abstração – Livro: “Água Viva”, de Clarice Lispector

(…)

    “O instante era a levitação dos pássaros. De dois e dois dias. As pétalas é revelação dos mistérios dos animais.”

    “É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia que se funde como mais escuro uivo humano da dor da separação mas é grito de felicidade diabólica. Por que ninguém me prende mais.”

    Um grito de esperança umedecido pela saliva. A vida estava ficando molhado pelas pinturas que ilustrava os instantes, em um percurso constante e deslizante das palavras improvisadas. Os momentos eram a transpiração. Eram o fôlego colorido que puxava das vozes que aclamavam. O candor da liberdade, algo vitalizo “A semente viva”.

    O sentido de quatro letras na abstração de um momento incontável. O amor agudo, dolorido. Era a facada que matava, escorrendo as gotas de sangue que pintava a sua vida. Aquilo era o que mantinha viva. As perniciosas palavras era a sua quarta dimensão. Lutando na cegueira, na indefinição sob o frescor úmido. Distorcendo o som daquela canção. A canção nos traços coloridos da vitalidade fluída. Um instrumento que escraviza sua própria áurea, em busca do seu it. Era aquilo que escondia o mistério. A fruta clandestina suculenta, sem tristeza. Aquilo era algo extremamente perecível. A revelação era apenas um esconderijo seguro da sua intimidade. “O meu eu  principal está sempre escondida. Sou implícita. E quando vou me explicita perco úmida intimidade.”

     Os fluídos escorridos pelo livro e caótico que tirava da  o sentido lógico. Uma veia pulsante de sentimentos, difundido na quietude que traz um ar dissimulado da liberdade. A fé esperançosa daquelas palavras que deslizam.     “Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim. As grutas é o alojamento das angústias um inferno, ocultado pelas pedras que ficam intactas despachava no meio do caminho, sob os passos perdidos do oceano. “

    “Eu sou nunca e tudo. Isso a ganhei ao te deixar te amar.” A sabedoria volátil vai se desaparecendo, ficando praticamente quase inexistente. No ato continuo de pescar as palavras que mordem a isca da inspiração, ao chegar no desgaste e escreve as não- palavras. A salvação é entra no compasso da distração, inventado suas próprias verdades. “Reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tic- tac do relógio.” Dentro de um única difusão. A união dos três tempos.

    A durabilidade do tempo é conforme desintegram os pensamentos, na transmutada realidade para uma sonolência criada. O desconhecido nas suas próprias palavras, revelando um outro lado luminoso sombrio liquefez, deixando os fatos se libertar da liberdade através do fôlego. Rodeiam como ato de se expressar e ver uma vida despida e sangrenta. Torna-se a ausência em consistência levemente brotada nas altitudes infinitas pelos instantes. Nas ondas oníricas da insônia, com aceno da saudade deixado pelos sonhos adormecidos.

“Você que me lê me ajuda a nascer.” “ O mais profundo pensamento é o coração batendo.” 

     As linhas líquidas que seguiam o compasso sonolento e fluído, no fôlego úmido da abstração. Uma pintura nos deslizar das palavras que compunha a vitalidade, que se sacrificada. Água viva era o ar puro úmido distorcido pelas letras, uma molhada sensação que revela o inatingível pela compreensão. Uma musica no ar, a leitura que nasce uma vida. Aquilo era a verdade acreditada. Água viva em um breve momento incontável. O alimento era a própria vida. Sem origem sem fim. A eternidade moldável criada nas águas, apenas esperando o inesperado. Talvez um sorriso de alegria. Um laço eterno enfeitiçado.

    Os olhos ficam vidrados no reflexo das águas cristalinas. As palavras escorrem na fonte que alimenta. Algo úmido envolta dos lábios um pedaço desconhecido é despertado. No eco silencioso vibrar nos impulsos nuances. Um vinculo enlaçado pela esperança que flutua junto com a minha alma. Na distância que me separa da compreensão e sentir a fragrância do perfume exalado nos instantes. O inesperado é liquido da liberdade mortiça, umedecido pelo vento que navega nas horas.
“O que escrevi continua e estou enfeitiçada.”

(…)

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