O pulsar do nada – “A Paixão segundo G.H, de Clarice Lispector

“A profundidade é ausência do oco.”
“À hora de viver é tão internamente inexpressiva que é o nada.” – Clarice Lispector

    Uma ausência pulsada. Em busca daquilo que estava perdido, mas era desnecessário. Estava caminhando na liberdade que poderia destruir-la, seguido a linha caótica da compreensão baseando em fatos. Subitamente estava contornando o caos, uma substância amorfa. Aquele olhar que via uma imensi dão da insanidade, nas tenuidades de pedaços.

    “A firma morte que me fez manusear o proibido tecido da vida”. Presa na compreensão que se revela, decaído ao esquecimento incompreendido. Numa metamorfose ao sonambulismo que contorno o imprevisível de suas palavras. Na quietude inexpressiva, mostrando os retratos. O quadrado era a vida do mundo, guardadas em sorrisos dissimulados da Mona-Lisa.

    Numa submersão naquele pulsar do nada. Um vazio dispersado no cômodo. Sob a escuridão um grito é ecoado no silencio, sem palavras. Uma barata, a origem do nada. Um pedaço gosmento de si próprio. “É que eu olhava a barata viva e nela descobria identidade de minha vida mais profunda”. Aquele nada umedecido rastejando para a verdade, somente vivia o agora. “Meus primeiros passos hesitantes em direção à vida, e abandonando a minha vida. O pé pisou no ar e entrei no paraíso ou inferno: no núcleo.

    “Chegará ao coração pulsante indefinidos pelas palavras. Lembrei-me de que então eu havia sentido o sal na minha boca, e que o sal de lágrimas nos teus olhos era meu amor por ti”. Estava inserida ao luar que existia por si só, desprovida da luz da existência.

    O instante entre as dualidades. O elo silencioso. “Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o numero um o numero dois, de como vi a linha de mistério, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais junto que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir-nos enternecidos da matéria e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração continua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silencio.”

    Aquele inseto um pedaço mascarado é comido. Estava engolindo a própria vida, e sendo degustada por ela.

    “Mergulhando no abismo é que estou começando a amar o abismo que sou feita.” Uma união neutralizava, estava unido o corpo à alma nas sombras da transcendência, apenas uma lembrança transpassada nos três tempos. A vida apenas antecedia o amor. Que estava sendo cuspido, renunciado a ausência. O pulsar do nada é verdade neutra do amor, aquilo que as mentirosas as palavras não atingem. Apenas uma leveza pulsada pelo coração.
    “A mistura letal de amor e mistério que chamamos de paixão.”

 

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