O suicídio da sobrevivência – “Depois do nada”, de Nelson Coelho

“O mundo é pó aspirado do nada…”

“Liberdade é como fogo. Se você se aproximar pode ser queimar. Se fica muito longe, morre de frio..”
“Se não somos mais livres para viver, pelo menos para morrer eu teria total liberdade.”


“A vida é um nada cercado de nada por todos os lados.”

    O reflexo do nada sob olhos que ver diante do espelho. Sem identidade que se difundem em instantes de personalidade. Aquilo que desconhecida e pensava que vivia, os pensamentos que envolvia numa delimitação sufocante. Estava perdida sem escapatória benevolente, apenas restava uma. A única sob o grito do egoísmo e ar da liberdade. A morte. Estava incerta e dispunham de algumas palavras de salvação. Era um desafio para a luz que poderia salva-la e condená-la a viver. Abstrair a solução dentro do próprio problema.

    O ar que respirava é sobrevivência que fazia o nada. Na cólera que emanava e se resignava na ausência perfurante. Sob a vastidão injusta de comércio que chamavam de vida. “Um insuportável mercado onde uns vendem e outros comprar…”. Um circulo constante na soberania ilusória do poder, disperso no pó propagado no vazio. Em busca daquele paraíso que quando mais chegava perto, mais se distanciava deste, ausente de percurso e localização.

    “A memória faz parte de mim, eu sou a minha memória, eu sou minhas duvidas, meu medo, eu fico vivendo o tempo todo aquilo que não gostaria de ser e que gostaria de não ser. Isso tudo que sou. Eu sou meu suicídio. E isso não se divide com ninguém.”

    As máscaras que vestia a mentalidade em suas respectivas explicações, tudo dispersado na inexistência. Apenas algo permanecia na quietude vitaliza, os sentimentos. O prego do temor perdurado na parede do nada, ao saber da extinção dos pensamentos. As palavras que manipulam e seduzem à uma distorção. Apenas uma miragem. No mundo engolido pelos paradoxos. Um mundo relativo é finito, aprisionada pelo entendimento leis naturais, E o mundo absoluto a motivação guiada pelo ideal, na ambição pela transcendência. Estava inatingível, perdidos na fundição que eram os dois mundos. Indivisível. Pode haver vida sem morte?

    A dependência das contradições. A vitalidade é a espera para mortalidade. Em risco efêmero, apenas uma linha que traça a vida. Busca a pureza no sentir sob maresia que leva, em ondas de ilusões. “Que maravilhosa riqueza de sons, de luzes, de tons e nuances existe no mundo.” Um grão de areia que sente-se o pulsar do mundo, através da mão do destino. A quietude é voz da vida das não-palavras, não –pensamentos. Apenas um sopro silencioso no fresco da verdade.
Uma súbita estagnação nos números que marcam as horas. A única sobrevivência que encontrava no momento era se alimentar de incertezas. “O que prepara o terreno para o suicídio é o conflito entre a vida e a morte.” Estava agora sob o feitiço efêmero do amor, naquele vicio que navegava.
    “A diferença entre o lúcido e o embriagado é que embora ambos cheguem ao nada, o lúcido poderá sair para sabedoria ou para o suicídio. Enquanto o embriagado vai caindo, caindo até o nada. E lá fica. Embriagado. Você está numa posição privilegiada. Você poderá entrar no depois do nada.”
    “Também não despreze o sonho, porque ele pode muito bem ser realidade.”

    Um fôlego daquele vácuo que se perdia, nas palavras e distanciava da vida. Para continuar a suporta precisava se suicidar para sobreviver. Aquilo que os vivos pensantes, desconhecem. O inevitável a contradição da vida, a morte. Uma dissimulação que se desfaz num ultimo suspiro.
    “Existe a vida e existe a morte?”
    “Estou viva e ou estou morta?”

    O elo duvidoso entre as contradições suprema.Ele não conseguirá…Lá fora estava..

“Olhou pela janela o dia azul lá fora cheio de sol e sorriu. Numa das arvores do jardim um passarinho.” (…)

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