Descaso e desordem de um desleixado poema

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Metamorfose silenciosa das camélias

     Algumas partes se desfragmentaram como se tivesse um propósito particular e secreto para se cumprir. Dentro de sua mente, vivia aquela névoa de realidade, no entanto, será que universo seria produto de seu subconsciente que ficava cada vez mais inacreditável. Desse modo, escondia-se de maneira imperceptível à simplicidade do olhar que, às vezes, refletia uma realidade momentânea, mas sempre retornava a sua origem que era aquela uto-realidade.

     A memória naquele instante foi substituída pela amnésia de ramos de sofrimentos em que tudo que esmagava seu coração se transformou no próprio vazio. Dentro de lá, só existia o eco silencioso de algo que nunca mais perturbará a imagem de si mesma.

     Naquela floresta, as árvores despediam de uma era antiga e festejavam sutilmente o nascimento de novas formas puras de vida que perfuravam o solo endurecido. Ao lado de uma formosa e resistente camélia havia um lago esverdeado pelo musgo do esquecimento e ela se aproximou para observá-lo de perto, todavia quando percebeu não existia nenhuma forma de seu reflexo. Primeiramente, levou um súbito susto, porém admirou a ideia de não fazer mais parte das formas escurecidas que seu destino lhe mostrou de maneira tão humanizadora que nem se incomodou com a tristezas e a dores resultantes. Pois ambos representavam uma transcendência incomum e um presente favorável no ritmo natural de uma tímida e gradativa felicidade.

     Dentro da gravidade das novas coisas, pegou uma camélia vermelha e despedaçou naquele lago que se secou, repentinamente, como relâmpago não planejado o qual escapa sorrateiramente do céu. Agora, dentro de si sabia que nada mais a perturbava, porque sabia que aquele fora o último adeus.

     Caíam pingos grossos de chuva e parecia rapidamente como se fosse um modo de se livrar da prisão daquelas nuvens acinzentadas. De repente, algo perto dali gritou tão alto, mas ela não escutou nada. Porque sentia que o mistério da vida está na quietude de um cintilante e renovador dia.

     No fundo de sua mente guardava aquele trecho que fazia tanto sentido naquele momento: “(…) tenho a impressão de que a partir de tudo isso surgirá de um fato novo e autêntico, ao mesmo tempo quente e íntimo, que me resuma tão claramente quanto um nome e que ressoe no meu interior com uma tonalidade única, jamais ouvida, mas que seja a sentido da minha vida..”( MAX BLECHER) 

    Após ler a esperança começou a devorá-la lentamente.Sabia que sua felicidade dependia disso.

Sem definições, rótulos e lógos…

      Em algum momento de sua vida despertou um pensamento indivisível, nunca compreenderia a sua exatidão e não era necessário entender aquilo e que estivesse relacionado com qualquer coisa que estivesse localizada nos logos: tanto lógico ou ilógico. Estava na impressão do sentir, mas o que era realmente aquilo? E, que teria honra de sentir toda esta grandiosidade? Não importa, ela sabia que todos nós somos capazes de atingir aquele “sentir”. A dignidade, fraternidade e  a liberdade de toda eternidade das nossas vidas, tudo fazia parte daquele “sentir”.

     Ao piscar seus olhos direcionou à uma nova concepção e desconsiderou todas e quaisquer definições existentes até aquele instante: “O que é a realmente vida, amor, felicidade e eu mesma?” –  Ela refletiu como se fosse uma epifania, mas estava fatigada de meras definições achava que retirava o pulsar verdadeiro de todas  as coisas. “Por que o ser humano é obcecado em definições que até esquecer de viver intensamente as essências das pequenas coisas?”.

    A partir das fagulhas do tempo despertou silenciosa num canto e percebeu que não era mais ela, era eu própria. Não eu escritor, nem eu leitor, era o eu mais puro que alguém poderia viver. Que, ás vezes, aparecia e simultaneamente dissipava como uma nota melódica que devora toda a alma num instante eterno….

     Quais seriam o verdadeiro sentido daquelas palavras ? Numa folha amassada estava escrito numa letra bem delineada:

“Qualquer grandiosidade é indefinido, pois qualquer definição particulariza as coisas e até ‘anti-coisas’. O ‘tudo’ está suscetível a transformação e melhor do que simplórias ou complexas definições que não tem nenhum significado. O que vale realmente é o ser do amor que é mais do que podemos sentir, definir, discernir, conceber e ganhar. Então, viva todos os verdadeiros amores que nascem de simples olhares ingênuos e perniciosos até ao infinito como nossos próprios enigmas.

 Será que alguém é digno desta palavras mal-ditas ou malditas? Não preciso de resposta, pois este sentimento guardo em algum lugar dentro de mim” 

Tudo agora fazia parte dela e dos seus ‘eus’.

Intitulado

    Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto- como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente- como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota- como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear a própria pergunta. Qual é o nome? e este é o nome.

     (Clarice Lispector – Para não esquecer)

    A substância é alma do todo orgânico. Que potência havia esse verbalização? Estava nas constâncias. O desconhecido fixava como uma matéria abstrata, buscava um horizonte desprovido de conceitos pré-fabricados. Como isso seria possível? A possibilidade é o caráter anatômico daquilo que constaria como uma realidade. Uma tipologia  despronominal¹. Existia, mas não era categorizada, nominada, denominada. Era reconhecida, mas nada ousaria a destila-la. Lentamente tomava o licor que vitalizava o mais próximo que poderia, podia, poderá, pode chegar como: a vida, o viver.

     Tudo varia em nada…A noite é uma antítese, revelando e escondendo os morfemas, as partículas, as células que compunham o chamado desconhecido, no entanto, desconhecia pois nunca foi inventado.

Nota: ¹ Inverso da característica pronominal. Equivale ao um termo indeterminado.

Atravessando…


     “Na há necessidade de provar, essa indefinição invade toda alma. Essa linguagem em que traduzo minhas pequenas partes expandem-se, em que o corpo flutua numa sutileza. Encontro-me no plano sonhador, uma ânsia fugaz de realizar todo essa impulsão que pode traduzir pedaços da vida: o sonho. Nesse desespero, luto juntamente com tempo em várias idealizações do  futuro, lugar onde me afogo, espero que não seja um futuro- imperfeito. Estou fatigada de saber que esse tempo inexiste, vivemos somente o aqui e o agora. Em que  espaço,  tempo,  contexto, vida, sociedade,  densidade encontro-me? Nesses vários meios com inúmeras perguntas e simultaneamente múltiplas respostas. São palavras, vocábulos, expressões, sentimentos, pensamentos, tudo envolve como uma ponte para outro espaço. Estou atravessando(…) .”

     Naquela instante, ela esquivou-se e percebe que estava sendo criada, não via mais um futuro imperfeito, estava dentro de um gerúndio. Essa continuidade movimentava cada parte em que cada partícula celular era criada no instante, até mesmo o pensamento e suas supostas ideologias que alimentam uma fé, uma crença ainda caótica que delineava lentamente as forças do coração. Aquela impulsão era o significado para tudo que girava dentro e fora de si.

     Num instante vivia a vida eterna. Num instante tudo acaba-se…Num instante ama-se… Num instante sente-se, nasce, cresce, morre. Mas como dizia aquela verdade inventada o instante é a face da eternidade. Pois, isso define a plenitude do presente. As coisas podem diminuir ou aumentar, não importa os advérbios que modificam todos os verbos que caracterizam as ações, reações, fatos, circunstâncias da vida. Sempre permaneceriam vivas, desconhecias a substância que mantinha isso, naquele momento estava transcendendo. Via no céu o infinito de idealizações que denotam constelações ofuscadas pela turbulência de ideais, sentimentos e sensações. Onde nem mesmo um vocábulo, uma palavra, na linguística nem os substantivos podiam descrever e discernir. Nesse plano achou um paradoxo, e nessa insignificação encontrava um significado. A solução era paradoxal.

O transe da inspiração

“Preferiria sofrer de amor do que sentir-se indiferente”  (Clarice Lispector)

     Naqueles pedaços de palavras que denotavam uma nova travessia de vida. Com o medo silenciado aos poucos pela esperança e a força de viver descontrolada, que circulavam por todo o corpo até húmus da alma. Estava fatigada de saber que no destino havia caminhos: perniciosos, sofríveis, retrógrados e proibidos. Mas ousadamente admite sua perpétua verdade, de que nunca renunciaria de viver e aproveitar os instantes incontáveis pelo tempo para evitar a degradação e fatalidade da própria vida. Pois consegue viver oficialmente a  partir do momento em que o seu coração devora o tempo e prova o sabor suculento do fruto proibido e da ameaça. O desafio era a fonte da esperança e da fé, sem esses dois essenciais fatores eram quase impossível suportar o condicionamento do ser limitado humano perante ao mundo. Para isso, existia a mente em que o único limite era distinguir: o real do imaginário, se é que isso é possível.

     Tudo estava vazio como uma noite plena e silenciosa, dentro das luzes noturnas, uma voz feminina corta aquela quietude:

– A noite de hoje está me parecendo um sonho

    Ele responde:

– Mas não é. É que a realidade é inacreditável. 

(Uma aprendizagem ou O livros dos prazeres)

     Enquanto os olhos mantiveram abertos podiam sentir inteiramente a verdade radiar por dentro daquele aquoso da vida, e explana para o onírico que sobrevivia no inconsciente daquelas horas. Num transe e estado de sonambulismo compunha e extravasava as névoas do inconsciente. Mas essas eram, bruscamente, interrompidas pela ondas racionais da consciência que ainda mantinha a vigília de sua rígida política. Às vezes, ultrapassava aquele beira, mas ali deparava com o infinito como um livro que acaba, mas sua história permanece e mantém-se viva dentro do coração. Não conseguia idealizar um final, no entanto, depois daqueles dois pontos apenas via uma maresia ao horizonte repleta do esplendor da vida.

O avesso do destino

     Quando o dia nasceu, a vida sibilou algo em seus ouvidos serenamente como uma promessa para o desconhecido. No intermédio das coisas, as vozes opositores e da intuição alheia declararam sua aversão veemente. Uma incompreensão tão fúnebre e hostil escurece todo o arco-íris. Esse conjunto de nuances crescentes e brilhantes dos momentos antecedentes. A realidade estava atrás da porta da surrealidade, que usava da sensação o seu tempo. Tentava encaminhar aquele ponto tão longínquo, estava com áurea pesada consequente da injustiça que foi vítima, mas também ela não era por completo inocente.Não é essa questão que eu, a palavra,  ambiciono a chegar. Essa antítese surgir pois somos humanos estamos à mercê da vulnerabilidade de cometer erros. A minha verdade é tão inconstante e inconsistente que resumo na palavra ainda indefinida como a liberdade. Eis, esse tênue retalho que aprisiono ela dentro de mim.

     Aqueles olhos viam a realidade, poderia ser uma mentira mas era toda a sinceridade e a pureza que havia dentro. O alerta estava dado, estava conscientizada, tudo estava explicitamente a sua vista, embora algo estive omito dentro de um casulo. Pois nunca deixará de ser uma ignorante, é impossível saber a complexidade do mundo. O ar leve profere para si mesmo e para aqueles que escutam:

– Considero suas objeções, compreendo aquilo que está na margem do meu entendimento, mas peço clemência deixa eu seguir o compasso incerto do meu destino. A única coisa que pertence-me a vida, sei que sou uma criação, mas quero pelo menos ter a utopia de um falso controle. Deixo entra nessa ilusão que é tão doce e suave, que às vezes adormece momentos sombrios. Peço com todo o respeito e veneração que tenho por tuas palavras, mas também peço respeito aos meus argumentos. Quero ver o seu olhar, assim como tu poderá ver o meu. Afirmo radicalmente, prefiro renunciar a vida do que deixa-lá de viver devido a  perniciosidade do mundo. Mas completo, que diante disso fico atenta com os fatos que acomete na terra que piso, e aquela que flutuo pelo coração.

     Cárcere da vida, da injustiça, de seu próprio eu e dos outros. Mas aqui dentro de mim, a palavra, encontrava sua liberdade o candor tão sutil. Onde para conquistar seu querer é preciso fazer um pacto com outra ideia. A conciliação é alternativa para atingir objetivos justos, através da ordem de sua consciência. Pois não há justiça, isso é um fato da natureza humana.

     Ao inusitado depararia, as coisas transformaram fugazmente. Olhos não viram, mas coração sentia uma pulsação sorridente de todos os seus amanhãs. Esse avesso do destino.

Dentro de outra sociedade

     Numa inconstância que nem o tempo nomeia-se. Descobria nas pulsações do sol que invadia um pedaço daquela sociedade incompreendida. Não havia hierarquia, a única restrição era em ser feliz, porém não era imposto. Pois tinha a liberdade aspirante de sentir tudo aquilo que era transmitindo. Através da comunhão de olhares, palavras, gestos, sentimentos, tudo aquilo que resplandecia na cinestesia.  Estava aproximando lentamente nas sutilezas de todos os momentos. Às vezes considerava que a vida era feita de classes gramaticais composta por: verbos que definem as ações, estado emotivos, espirituais, além de outras indefinições complexas pelo entendimento, intensa pelo sentimento; os adjetivos e advérbios que incrementam a ideia de algo; os substantivos e os pronomes são o próprios nomes das coisas que nos cerca dentro e fora; os numerais que tenta inutilmente encontrar a equação da felicidade eterna e  certeza universal. As intejeições são os espantos e as epifanias que surgem e morrem no nada. O nada que é considerado partícula do eterno.  As preposições e as conjunções que  interligam tudo à todos, corações as suas verdadeira almas, pensamentos em seus destinos, e  por fim conecta palavras com tudo que compõe a pintura ainda misteriosa, denominada por: vida. Quatro letra tão breves e cintiladas para definir essa ocultação inconstantes de fatos.

     Numa fugaz instante, um vento timidamente declara:

-Qual é o seu verbo? 

     Indaga e depois de uma certa hesitação responde-lhe:

Viver,apesar de que temos que sacrificar esse sacrilégio por outros que são impostos pelas classes não apenas das palavras, mas também da sociedade. Os três verbos são: Trabalhar, Sofrer, Olhar o mundo acabar-se(…). Alguém respondem-me esses três pontos inconclusivos. Dizem que tudo que tem um começo existe sua oposição elementar o fim. Mas como explicar, quando algo começa pelo meio. Esse intermédio entre a vida e a morte, amor e ódio, verdade e mentira. O mundo de antítese mascara e desnuda a tão questionada realidade. Diga-me, não é uma ordem é apenas o chamado que vida está proclamando. Ainda não encontrei as respostas. 

     Naquele mundo vivia uma sociedade surrealista, que era alma do real e consistência da vida. Apesar de todas as nomeações, questionamentos e injustiças,  ali encontrava um neologismo perfeito. Estava dentro do seu próprio desconhecido. Onde para  ela existir precisava escrever, pois antes sua pré -história era apenas sentida… Agora é vista e esquecida pela própria memória, mas nunca pela da arte quase infinita dos vocábulos. Por enquanto fechava os olhos para a realidade e abria olhos do coração. Mas nunca deixava de olhar mesmo que visse o nada, conseguia notar um sorriso traçados pelas…As reticências.

Penso, logo vivo…

     Posposta a vida um alguém estava vocacionando algo desconhecido pelo entendimento. Na frente um espelho vislumbrava, o olhar era do presente o reflexo era do passado.” Quanto ao futuro? “, pergunta-lhe, tinha autorização para a façanha, ninguém ousaria a comunicar- se com o espelho, diziam as lendas que estes objetos sugam as almas e prende as vidas daqueles olhos despreparados e ignorantes. O espelho é elo para outra realidade existencial e inventada.

     No lago perto dali, estava uma indagação subjetiva dentro do subconsciente:” O fato de pensar prova a existência. Será que não passo de uma invenção de um suposto criador, que tem como objetivo traçar as páginas e os capítulos da minha vida. Ou além do mais, a existência não é ciência não há como provar-la certamente. A força da fé que controla os fluxos do pensamentos, ou a anti-fé. Viver e morrer. Não gostaria de viver esperando a morte, quero aproveitar o instante e todos os caminhos perniciosos e desconhecidos indefiníveis.”  

     Ao recintar isso mentalmente navegava ao inconsciente daquele espírito tão liberto e fortificador, estava nascendo novamente. Chegará depois da vida, estava seguindo além das margens limitadores que eram impostas. Estava ultrapassando o impossível. Tudo transfigurou-se em imaterial, sentia-se apenas alma desnudada de um corpo. Aquele era um dia importante, o dia da libertação, nem sequer perdia o tempo em meros raciocínios lógicos. Pois, aquilo era de uma grandeza surpreendente que nada limitaria a transcendência espiritual, mental e carnal que transitava. Tudo expandia-se ao infinito das criações do mundo. Em transe sob o feitiço daquela magia que liderava, estava direcionando para seu destino. Não era feita de carne, nem osso, nem sangue não era material. Era imortalidade e eternidade de uma ideia, sempre viveria dentro de um plano dimensional, onde alojava todo o seu universo. Onde o grande mito era a morte e verdade era vida. Mas isso não que dizer que não seja uma mera criação?: Não. Dali, é onde tudo surgi.

     “Sou aquilo que atingiu ao extremos da capacidades, transformou-me na ideia de minha própria identidade. Agora sou eternidade. Vivo num lugar onde o único mito é a morte. Ninguém consegue matar uma ideia, pode decapitar e massacra o autor, mas nunca seu ideal. Depois de dito, escrito, pensado sempre viverá no mundo das ideias. De lá onde todas as coisas nasceram e partiriam para outras dimensões de realidades criadas e reinventadas . Pensar é sinônimo de viver. Se penso,logo vivo. Essa é pureza da vida a ideologia que ultrapassa até o pensamento, pois é alma e núcleo do mundo da vida.”

O mundo dos sonhos

Parceira com Emerson Soares…

É possível ter uma vida e 36 Desejos

Quero nesses devaneios conquistar todos os meus anseios

Através dos passeios dessa estrada

Em cada  beijos de felicidade

Talvez viver a eternidade

Torna-se minha identidade imortal

Quero ser o anormal….

Sem a existência de bem ou mal

Ou viver duas vidas com 72 desejos

Duplicando o mesmo eu

Constituído vários pedaços

Em meios dos abraços daquilo que busco

Cada parte sussurra uma arte

De nuances e contrastes febris

Logo é mês de abril…Estarei em marte

O mundo dos meus sonhos

Nada de olhos de olhos tristonhos

Ainda tenho desejos pelos seus segredos

Onde que estão todas as suas palavras. Não encontro!

Que diziam o resto de minha vida

Parece que é a despedida

Caminho tão perdida em ilusões

E fico esquecida pela própria voz

O que será de nós?  Se não fosse a arte de ser feliz

Tudo que sempre quis

Um minuto de tranquilidade

E aproveitar a eternidade…

Com toda liberdade

Acho que está chegando ao fim da nossa história

Acabou sem vitória

Quanta inglória,

A única coisa que resta é esperar

E saciar meus outros desejos

E conseguir viver três vidas e seus 108 desejos.

Onde que chegarei?

Imersa ao infinito

Perco-me no abismo dos anseios

Nada faço além de tentar acabar com essa a sede insaciável

Que liderar dentro do ar instável

É o fim….Perco-me dentro de mim

Voltou novamente no mundo dos sonhos

Através da noite estrelada…

     Está tudo pronto para viver, somente isto é realidade. Tudo que os sentidos absorvem e transformam através das atividades cerebrais. Segue esse caminho não há diferença tentar outros, pois todos terão o mesmo fim. Um cativeiro tudo aquilo era viver, se ultrapasse do ponto delimitado partiria para loucura. Tudo estava criado, os olhos enxergavam todas as coisas que projetava aquele universo. Estava fatigada daquilo, não suportava mais conviver o resto de sua vida naquele recinto cárcere. Estava sufocada pela própria respiração, o ar tornava-se rarefeito. Precisava-se imediatamente atravessar essa camada obsoleta  que inventaram e nomearam como a realidade. Com toda força que encontrou empurrou e consegui uma escapatório e estava lentamente atravessando para outro mundo. Sentia o frescor do vento suavemente em sua face, aquilo era uma breve e ilusória liberdade, mas mesmo assim sentia-se serena e estava em harmonia com todos elementos, desde materiais até abstratos que compunham todo universo externo e também o mundo labiríntico interno.

    Quando a mentalidade descontrola e percorrer um caminho fugaz e deslizante, é o momento que entrar oficialmente em um novo mundo. Onde a loucura prevalecia. Pergunto-lhe: “O que é loucura?”…. Um grito estridente diz: “Tudo aquilo que ultrapassa o limite do senso comum, diferentemente de demência mental. Mas defini-la é uma tarefa mais complexa do que romper o preconceito inserido dentro das mentes convencionais e limitadas. “

    Um fluxo navegavam pelo corpo inteiro, a loucura líquida estava entre todos os pensamentos e sentimentos. Estava transgredindo, agora os seus olhos viam além da imagem, os ouvidos escutavam além do som, sentia além do concreto e do abstrato, todos os sentidos eram ilimitados. O controle universal a mente também tornou-se ilimitado. Na vastidão onde não havia tempo, nem espaço para delimitar a liberdade material que conquistará.

    Uma voz repleta de vida e veracidade ecoou: “Seja livre, segue esse fluxo nem todas as coisas precisam ter sentido lógico, nem tudo que a ciência, a religião, a filosofia, a sociologia explica é verdade. Cada parte classificada como verdadeira é aquilo que  eu, a ‘Loucura’ designo na mente de vós seres humanos delimitados, em suas tocas e cárcere em seus próprios e pensamentos perturbadores. Escutais minhas voz que vós libertarei da prisão. Transformo dos sentimentos mais decadentes em arte e da morte em renascimento. Sou o desconhecido, ninguém pode definir-me…Apesar de chamar-me de Loucura sou além desse breve vocábulo.”

    A noite silenciou subitamente e ela dissipa ao infinito das estrelas. Diziam que quando morresse transformaria numa delas e permaneceria brilhado no universo eternamente. As estrelas eram o portal para loucura, onde tudo e nada estariam libertos.

Formigas Capitalistas

                                                                                                     
Mais um dia acordar

Na nostalgia indefinida uma corda que sufoca

Perfurando o sangue encontra-se numa oca

Um nada que reflete um tudo, perdidos no abismo

Presos na escravidão do entendimento

As imagens distorcidas mastigadas mostram um pensamento

Crescendo na ignorância matando a fome

Guiadas por algum rastro de motivação ou ausência dela

As formigas capitalistas só diferem pelo nome

Vive em um mundo na propagação da destruição

São máscaras e fantasias de dissimulação

Pegando as folhas dos seus dias

Na idolatria de um poder

Uma áurea do ser submersa na profundidade deserta

Um perfume da salvação algo incerto

Alimentam a ganância pelo dinheiro

Na trilha da injustiça

Uma chama atiça é o pecado que devora

Sacrificam a vida para permanecerem vivos

Seguido o compasso de sua fé

O mundo que dissimula a insanidade

Escondendo sua própria identidade

Atrás do véu da maldade

Aquilo que prolifera em sua esfera que chama de vida

Um capital destruído e dependido

É o sangue vital das almas apodrecidas

Nos rastro das formigas capitalistas

Vivendo um mundo dualista

Moldeis idênticos escorridos

Onde o mal são as gotas sangrentas vital

Matando a fonte natural perecível

 Anoitece no oco pesado pelo fardo insustentável

A esperança pousa nos dizeres da realização do sonho

Mal sabiam que vivia um moinho da fé

E que a vida era aquilo que acreditava

As patas frágeis que tinham

Na emoção omitida pela lamentação

Uma lágrima era os passos seguidos da formiga

Esperavam o desconhecido

Logo será esquecido….E continuam à caminhar. 

Seja apenas um formiga, uma pequena parte

Que compõe a sociedade ….