No limite dos pontos

     Reflexões vagas transpiram aquilo que tenta, inutilmente, ser expressivo, todavia se perdem em uma rodovia qualquer em que o ponto ainda não foi reservado…

     Dentro de suas inquietações estava degustando uma nova paisagem que paralisava seus sonhos.

     Por detrás de um suspiro corajoso, subia além da racionalidade e se esquecera dos seus verdadeiros sentires. Em qual alma vagou sua cintilante esperança?

     Era uma categoria que não havia resposta escrita, somente vivida!

    – As nuvens nunca mentem, apenas olhe para o céu. O infinito que revela o seu dia em composições que saltam de uma voz adocicada do tempo. Palavra essa que flui servindo de próprio alimento.

    Os passos são letárgicos e hesitantes, envoltos ao um arco-íris que se  forma dentro do coração. Os olhos não viam mais o passado, mas a reminiscências eram sentidas. Vozes silenciosas encobriam a solidão, numa inconsistência soprada pela saudade. O vento é beijo do tempo. Somente um sopro, aquilo que nas salivas das horas despejava uma única vida. Eram segundos vividos em eternidades. A áurea estava tão quieta, em seu canto cabisbaixa, ao lado de alguém. Nada se via pela visão coberta, uma cegueira que engolia sua sobrevivência. Os sentimentos que nasciam e cresciam num instante e logo morriam ao fim do dia. Tudo condicionada ao relativo, mas sempre permanecia a imortalidade, e os vestígios que nunca se desfaziam nem pelo mestre do esquecimento. Sempre iria fixar aquilo que nada dizem, na exalação de um perfume, a doçura da espera perdida em devaneios e expectativas nas nuvens do amor. E amar somente com o coração.

    A respiração está equilibrada junto com o compasso das palavras, que saiam do improviso e riscava o esboço esbranquiçado de uma folha. Os dedos ágeis e fugazmente listravam aquilo que guardava no silêncio, uma respiração, uma batida, uma melodia. É aquilo que os olhos enxergam, os lábios beijam, em busca do sorriso escrito em cada dia. Sentada no cômodo, os pés estava queimando, na fatiga do caminhar, mas se sentia na serenidade melódica que ressonava as notas desconexas em seus ouvidos. Ainda precisava de luz para ver, quando chegar um dia e enxergar na escuridão estará realmente emancipada da manipulação dos olhos. A escuridão é luz do adeus, uma despedida do íris que cria um mundo moldado. Até que não havia incomodo ser escrava da vida, achava os seus instantes de alegria e presos em esperança que guardam o coração da imortalidade. Ao súbito bater úmido esquecido pelo tempo, perdido em algum momento que ainda esperava. “Esperar, esperar”, ao infinitivo que conjuga o verbo imenso nos braços daquilo que nunca deixaria de esperar.

    – O som compunha todos os dispares que germinava, nas sementes que eram escritas. Alguns dias parei, deixei vida sem palavras. Uma ausência, precisava da companhia amparada das palavras. Uma margem que se navega sob meus pés. A palavra contorna a vida –  diz ao silêncio

    O tempo está nas friezas do vento, aquele é o tempo do agora. O ar aquecido é das lembranças, o sopro umedecido é de solidão, eram lágrimas. O arco-íris é de ressurreição com reflexão do sol, que aspira a esperança. Apesar dos dias ter sido encoberto pelas nuvens, conseguia se perder nas cores do arco-íris.

    – Sou seu hoje, estou acabando logo voltarei em alguma lembrança. Mas como elas nunca mentem, pois nada dizem. – no contrastes das cores diz o arco-íris

    Que pintado em um céu nublado ao entardecer, pingados das horas. As gotas continuavam cair sob a quietude. Quando anoiteceu, a metade da lua pinta no metálico da cor, deixando um sorriso ao universo. Visto por todos os olhos que vislumbra a verdade silenciosa, enquanto o coração esperava. O silêncio que une os pedaços.

O silêncio diz adeus

    Em um lugar inatingível pela iluminação sob as carícias do vento, os objetos eram composições sombreadas mantidos pela existência das lembranças, que não eram recordadas. Naquele cômodo o tempo transcorria como uma represa repreendida, as águas estavam secando. Os olhos viam uma luz escura atrás dos pontos formados através dos passos dos pés que entram em atrito com a realidade. O ponto do hoje eram interrogações e vírgulas. A incerta imprevisão da vida que pausa. Os não-pensamentos eram nuvens que cobriam o céu,  pintando pela tinta que nasciam do vazio. No vácuo havia ar, só que esse já tinha sido respirado. Era um ar pausado. Isso é lucidez deparada com a realidade, em que perfura formando cavas inventadas pelos instantes de uma vida desconhecida, até chegar ao silêncio que diz adeus. A despedida, deixando tracejares de um momento.