As estrelas nunca param de cantar

Um leve ressonar sibilava 

Isto tornava a canção das noites 

Vivia um passado inconcluso. Amava. Cantava. Olhava

As estrelas eram o seu próprio pretérito imperfeito irrefletido pelo espelho 

Aquilo tudo era um imenso mistério inexplorado 

Sentia que estava aproximado

Lado à lado da vida

Onde as estrelas não parava de cantar

Aquela canção era sua própria identidade

Sua vitalidade, sua proclamação para liberdade 

….

O que basta?

“Para viver não basta estar vivo” (Frangos com ameixas- Marjane Satrapi)

        Por mais que tentasse não havia nada para comparar, medir, descrever esse misticismo e instabilidade que é a vida. Em quatro letras que representam a totalidade do universo introspectivo e extrospectivos, e suas múltiplas dimensões. Ambos fundi numa única consistência de ser. A vida não estava desamparada, inerte ao vazio, e nem sozinha. Isso que nos definem    precisa de acompanhante, não importa  o tamanho, a intensidade,  a sua materialidade ou até mesmo imaterialidade. A união com esse outro objeto, esse elo que transformar a vida ser digna e bela de ser vivida.

        Ainda não inventaram uma linguagem para traduzir a vida, por isso o sentimento que fortifica e inebriam é que mais importa. Para viver basta sentir….Basta buscar o ar mais puro da felicidade momentânea, talvez nesse instante encontrar-se a sua completude. O que mais basta? A pergunta fica sentenciada, em que as respostas são surgidas conforme se vive.

O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

Tudo que há dentro

Tudo que queria dizer já foi dito 

O resto é pulsado pelo coração 

Apesar de pisar no chão da realidade 

Vivo a intensidade de um sonho 

De olhos que nunca vejo 

Mas sinto penetrar dentro da minha alma 

Que em todas as noites acalma 

As estrelas do meu céu 

Brilha em ti

Que alguém é esse? 

Sabia em que toda pergunta havia uma resposta

Mas não era apenas uma única

Tinha vários rumos

Isso não era apenas questão de escolha 

Mas de destino e força

Dentro existia a magia de viver

A via: Dentro de si

     O mundo externo conectou-se dentro daquele interior tão longínquo, estava respirando esperança. Um ar tão puro que invadia os pulmões. Havia despertado quase inteiramente, sabia os segredos proferidos pela vida. Não poderia dizer, tudo fora silenciado pelo coração e mente, que juntos distinguiam aquilo que acreditava como verdade ou mentira, eram dualidades antagônicas, mas isso que faziam a união ainda mais inexplicável. Uma coisa alimentava da própria vida era a morte, dela retirava sua sobrevivência, essa sob-vida que  permeava um ópio. As linhas não eram lineares tudo estavam em círculos.

     Naquele presente tão vivento estava renascendo e fortificando-se o acreditar apenas isso importava, nenhuma força rival poderia exterminar as asas oníricas e ingênuas que propagavam em todos os lados. Havia um destino, não sabia se era nesse que caminhava no momento. Mas sabia que na escuridão das horas a felicidade absorveu inteiramente, fazendo distanciar da indefinida realidade.

     Uma liberdade ambígua escravizava a mente. Diante daqueles olhos via algo além de tudo não havia necessidade de significado, fixa-se momentaneamente em todos os segredos que eram tão profundos que desconhecia quais eram, dos desejos, dos sentimentos, das razões. Todos os  corpos celestes estava dentro de único universo: ela mesma.

Sem limites

Parceria com Samantha Moura 

     O mar crescia descontrolavelmente repletos de sentimentos e emoções, estava afogando dentro de si mesma. Todos os caminhos estavam levando até o inevitável, nada que já fora definido conseguia designar tudo que manifestava dentro daquele âmago. Estava crescendo e fortificava com decorrer das horas, percorria corpo e alma. O mundo todo começa a gritar. Um grito tão agudo, mas só ela conseguia escutar a força da própria voz. ­ Tudo que dizia eram: “palavras inexistentes, ou pelo menos entendíveis, mas isso lembrava um som, lembrava algo. Naqueles instantes tudo lembrava tudo fazia querer e sentir fechava os olhos e via as cores que irradiavam o céu, claramente, como se tudo aquilo fosse real.”

     A realidade não passava de uma criação. Uma existência que dispersava dentro do seu coração e de sua mente, as coisas  caminhavam rapidamente sem destino,  parecia que seguia o fluxo enigmático daquele som feito memórias de tudo que desconhecida e explodia em algum lugar dentro dela. A órbita do tempo estava ao seu redor, estava aprisionada dentro daquele grito. Uma ânsia incontida crescia, queria correr e fugir daquele lugar, mas era impossível.  Tudo estava levando para ao inevitável que radiava, perdia-se aos minutos, perdia-se nas palavras, nos sentimentos, na vida E agora onde estava? ­…

    “O fogo, a água, a terra e o ar. Os elementos fundiam-se, tudo estava unificando-se. Estava correndo, mas contraditoriamente quando mais aproximava-se as coisas afastava-se cada vez mais.  Estavam era entrando devagar, passo a passo decaia gradativamente. Os fantasmas sussurravam a verdade, desejos falavam a realidade, tais coisas já não eram as mesmas.Um lugar conhecido vinha à memória, uma pressa inevitável, sem reflexos, linhas e mais linhas, já tinha caído na armadilha, mesmo com tantas advertências, não podia mais se salvar, ficou o dito pelo não dito.”

Entre as forças antagônicas estava cárcere dentro do paradoxo. A vida esgotava-se cada vez mais. Precisava-se libertar-se daquelas correntes, quebrar tudo que delimitava e matava a sua vida. Precisava atravessar o espelho. O que poderia está atrás daquele reflexo denominado de vida? A única coisa que enxergava era o próprio reflexo de abnegação e angústia dentro de explosões de sentimentos. Repentinamente estavam ganhando vida, saia pelo coração tudo que criou pela mente… Os primeiros passos foram dados estava atravessando o espelho, não saberia o certo do que encontraria, mas sabia que era única solução…

     “Não havia mais dúvidas, se já foi tão longe não poderia desistir. Gesticula a mão e acenda o fogo e encarar o que vinha a seguir, era isso o que faria, deitaria e sentiria seguiria, simplesmente não adiantava mais se segurar, tinha que aceitar e o que veria a seguir talvez fizessem toda a diferença. Sorriu, sorriu e chorou finalmente tinha sentido.”

     Tudo aquilo era simplesmente expressado em uma palavra: AMOR. O lugar em que encontrou-se era misterioso, mas dali em diante viveria sua nova vida. Com a presença de todos os seus segredos mais ocultos e sentimentos tácitos dentro de si. Partiria para o úmido da vida, estava no âmago do mundo, sentia-se o pulsar deste juntamente com o seu. O silêncio riscou a noite serena e acalentou todas os tormentos e medos, estava na serenidade. Mesmo que não seja eterno, estava próximo de algo mais precioso do que a própria vida. O amor, sem limites. Os cacos dos espelhos ainda estavam espalhados pelo chão, aquilo eram lembranças de sua outra vida. Pois agora era a neo- vida…. Viveria todos os instantes em suas plenitudes imersas aos enigmas mais profundos do coração da verdade.

    Adormece com a magia da noite. Em lugar perto dali, todos os sonhos se transformavam em vidas. Mas quem disse que a vida não é um verdadeiro sonho… Vôo à imensidão não havia mais distância, estava ao lado daquilo que realmente importava. Viver e amar.

Os pontos e as reticências

  Em algum lugar, onde o infinito propagava. Estava  pulsando fugazmente O ‘Coração’ confuso e  emotivo, enquanto a ‘Mentalidade’ toda pomposa e racional se perdia na raiva.  Onde a luz é o escuro e o tempo havia suspirado lentamente as horas. Diz uma voz prepotente:

Mentalidade: Sou a palavra que segue sua semântica quando escreve, sou fruto do racional que lidera ao mundo inseto de sentimento. Sou o entendimento e inevitáveis pensamentos. Essencialmente e consciente, a lucidez de viver a realidade e sofrer as migalhas do pão que foram desprezados pelo sentimental coração. Sem mim, não viveriam, apenas sentiriam, esse faíscas de sentimentos que matam. Vivemos nossa ditadura na racionalidade, em busca do antídoto contra suas reticências. Lideramos!!

Após um intervalo o ‘Coração’ ofendido, defende os seus princípios, dizendo numa voz pausada e sensível:

Coração: A vitalidade é pulsante como um sangue de sentimentos que colorem a vida. Sou a voz da verdade, empirismo que bate dentro da quietude, aquele ar que aquece. A racionalidade apenas é um obstáculo que apodrece os conjuntos de reticências que todos buscam. O amor nas águas da felicidade. Para que racionalidade? Porque ser lúcido?Viver nas ondas oníricas que sente a aspiração. Também pinto em palavras que são inatingíveis no irreal. É o bater do âmago do mundo. Sou a libertação dos pensamentos que levam para a manipulação. Não pretendo levá-lo para o abismo, apenas quero amparo de sua solidão, da ausência e quebras as pedras da espera. Na liberdade que logo terão dos pensamentos. Sou os não-pensamentos um elo dos inesperados cabíveis nos buracos esperados. Sou a tinta, onde o pincel é mão do destino.

Mentalidade: Quando asneira mentirosa que encobre esse saco de poesia. Sem escondendo nas próprias palavras, se revela e mostre sua verdadeira face. Não há possibilidade, atrás desses pulsares não há nada. Um vazio esperançoso, sem discernimento lógico que se perdem em ilusões, atraindo almas frágeis aos refúgios que se encontrem em seu baterem. Para que sentir algo que não se vê. O mundo é uma arvore que deve ser podada dessas ilusões, decaído no esquecimento a própria realidade. Despertem dos seus sonhos que nada levará, vamos encarar o real. Apenas isso que existe.

Coração: Deixa-me aflita pela sua ausência de emotividade, como deve ser um sacrifício para ti nunca ter sentido absolutamente nada, ou não ser palavras mastigadas no enorme cuspe que enche o real, que não ultrapassa de outra criação. Tudo no mundo foi criado da escuridão, em cores e luzes distintas para cada olhar dentro de sua essência, exalado pelo coração. Não há salvação isso está explicito, sempre haverão consequências incuráveis que envolve valores que se acorrentam a humanidade. Mas apenas esqueça isso, senão enlouquecerá. Abre as asas para os sentimentos, sente-se brotarem como flores que morrem e renascem aos seus dias. Somos o pintor do próprio quadro, e que cores escolherá para preenchê-lo. Aquela que pulsa o coração?Ou aquele que mutila a mentalidade? A única verdade é aquele que cria no seu coração.

 A ‘Mentalidade’ fica furiosa, demonstra um semblante sombrio

Mentalidade: Que impossibilidade mais tem a encher, num ultimato que soa em palavras exaustivas. Faz de inocentada mais está em supremacia, e controlar mesmo assim. Eu tenho audácia de admitir que sou manipulativa e exerço um absolutismo ditatorial nas vidas, em um mundo relativo. Sou o ponto da origem. Sou o ponto final. Posso às vezes perturbá-lo mais é o caminho mais confiável, quando o coração é perfurado pela realidade. Por isso, a única salvação é temos corações de pedras dentro das rochas reais de uma vida sustentável. Talvez se encontre com um riso de felicidade, mas para que ser feliz já que logo acabará.

Coração: A vida efêmera e volátil. Mas um instante que seja eterno. Como se fosse um vento soprando a eternidade. Sem nenhumas perturbações, ao não se aquela espera que perfurar numa apreensão. Que sempre acaba com selo verdadeiro do alguém que vive ao seu lado. Ou aqueles outros corações que esperam. Logo surgirá nas curvas invisíveis. Um novo mundo em que sentiremos. O âmago do mundo na serenidade eterna das reticências.

Por enquanto convivemos com a colisão entre essas duas forças antagônicas. Entre o ponto e as reticências. Mas sempre esperamos algo além dos que as palavras, os sentidos e os sentimentos podem perceber. O além do mundo. Havia pontos, e as reticências.

A tempestade de areia

Os traços estão dançando aprofundado dentro daquela mão. Segurando a própria vida. Um pedaço é despejado, solto navega na submersão calada ondulatória do mar. Contorcendo, acendem as chamas furiosas formar um fogo  incendiando mar. Água tenta conter aquela força que perfurar. É a dor de viver, derrota pesada que desabando em cada movimentação. Virando apenas na esperança de encontrar a cura para aquela tortura.

    Secando absorvendo a vitalidade, alguns vestígios flutuam na água rasa. Uma pele flácida e transparência como um reflexo que vai se apagando. Há uma luz no fundo daquela pele. Camadas que envolvem e esconde sua existência. Um grito dentro é bruto é a fome descomunal devorando sua carne para sobreviver, no ato canibalesco o sangue vital. Gotas são jorradas do sangue escarlate, o pecado. O mar seca subitamente indomado pelo fogo colérico.

    Os lábios rasgados nas fissuras de matar a fome animal. É um leão nascendo dentro de si. Um rugindo agudo que liberar do próprio timbre, um susto inevitável daquela voz. Não é ela, alguém domina, está querendo sair. Sente-se uma poça sob os pés, aquele úmido refresca. Foi aquilo que sobrou do mar. Apenas uma poça jazida no chão, através daquela água conseguia ver sua imagem refletida. Sangrenta, o suor de solidão que escorrer junto com sangue, o pelo encobria o resto do corpo. Uma pelugem farda de cor enferrujada.

    É o inicio da metamorfose, nascem patas firmes nos lugares daquelas mãos e pés frágeis. Com garras ferozes, é a cólera e dor que se distinguem em cada pêlo impregnado por todo o seu corpo. Ela é transfigurada em um leão. É um sacrifício a morte. O leão deixa escapa outro rangido, como se fosse uma canção do nascimento de outra vida. Um novo animal. Subitamente vomita uma gosma acinzentada era aquilo em chamava de alma. Apodrecida na terra seca.

    Em passos fugazes o animal se distancia no horizonte em busca da montanha. Sob outro olhar e cores em que via aquele deserto. Uma tempestade de areia enterra sua alma que ainda vive perdida na secura eterna. As areias que se disseminou foi o que restou de sua vida. Era apenas um grão.