O mar

“Ás vezes conseguimos nadar e encontrar. Às vezes ficamos perdidos nesse mar dentro do esquecimento. Ou talvez, o vácuo.”

     Em cima da escrivaninha encontra-se um bilhete úmido e amarelado com o tempo escrito:

    “Um frio arrepia meu corpo. Um ar tão gélido e ausente, perfurando um buraco dentro de mim.  Um saudade incondicional congelava as horas, enquanto a esperança estava sufocada pela ansiedade e desfalecendo.Vejo um céu insípido, as cores estão escondida atrás dessa nevoa inquieta, num  adeus distante e vazio. Como gostaria e tava o resto de minha vida para retorna aquele momento. Enquanto isso, espero a chuva. A chuva de alívio que escorre pelo meu corpo e alma lavando todos minhas angústias e temores, levando-me ao inevitável esquecimento. Uma semente frágil germina dentro de mim. Novamente a esperança regressa, alimentado aquela fúnebre nostalgia, estava nascendo dentro disso uma  a pequena planta dentro das próprias ilusões.Encontro-me  Perdida nesses escombros de minhas próprias utopias e irrealidades. No mar de desespero e solidão afogo-me. No mar de minhas próprias lágrimas despejadas…”

     Longe dali, via-se uma ilha. A ilha da salvação. Estava ela nadando no mar furioso, e lutando contra essa maré de angústia.Estava tentando tira fôlego do vácuo, aspirar o ar que se esvai. Piscar os olhos e ver a distância entre seu sofrimento e a ilha da salvação.

O seu corpo é puxando bruscamente para o fundo, a luz torna-se ausente. A escuridão. O medo e desespero,está afogado mais profundamente no mar. O mar de suas emoções, sensações, sentimentos, das lembranças. O mar de sua vida. Não sente nada, nem existe mais sentimentos a vida perde-se nas águas, e elas transportam-se cada vez mais no fundo do poço.

     Uma parada súbita, o corpo inativo oscila-se  nas batidas da água. Chegou finalmente, chegou ao núcleo. O núcleo da mentalidade. O vácuo e a inexistência. À névoa da ausência a penetrava e encobria com sua epiderme fria e frívola.

     Estava morta. NÃO!. Alguém pulsava suavemente dentro de si, estava viva, porém enfraquecida e debilitada, precisava ser salvar. O único pedaço vivo. Mas esse pedaço não tinha consistência era apenas uma voz. A voz verdadeira da sua vida. Oculta dentro de si. Aquilo não era um mar somente de sentimentos, era um mar de lágrimas de desamparo, e de infelicidade. Eram lágrimas, as águas que escorrer nos olhos ao despejar um sentimento nessas pequenas gotículas, que aglomeraram-se e transformaram-se em um mar. O mar da autodestruição, mas não conseguia matar a voz. Pois, apesar de estar viva. A voz nunca será morta, pois é eterna. Não existe tempo, nem origem e fim, para voz..

     O silêncio perpétua nesse vácuo. A voz se libertar do corpo seguido as sonoridade do seu destino(…)Uma ventania sopra o mar, provocando ondas serenas. Um turbilhão de sentimentos que aloja no núcleo insípido do além…

 “(…)Adeus, para todos e para vida.”

A lei do zero

     Um chamado, subitamente meus olhos refletiam o horário 00:00, uma sensação que o mundo foi engolido pelo tempo e simultaneamente vomitado. Em que todas as coisas concretas e abstratas regressaram em seus devidos lugares. Mas anteposto a isso, parecia que tudo transformou-se em nulo, cheguei ao possível nada momentâneo. Não tinha pretensão de ver a reconstituição do mundo em segundos. Como se tudo tivesse desconceituados e a partir disso recria-se outro universo, em que seria digna a arte de viver. Não existirá nada que possa interferir a felicidade  juntamente com seus mistérios indefinidos pelo vocabulário escassos de palavras limitadoras.

     Com indignidade e até um certo receio afirmo veemente que o mundo retornou sua existência medíocre, que atrás do véu da vida havia o macabro. Ali, era reservatório de todas as angústias, medos, tristezas, injustiças, sofrimentos e caos. Onde todos esperavam, indagou-me: Até onde iriam tantas esperanças?. Se esse sentimento fosse sinônimo de força de lutar poderiam transfigurar essa realidade. Ela está aí todos nós vemos, não é necessário abrir os olhos pois escondem-se  debaixo das pálpebras, está dentro dos âmagos, e inconscientes de cada ser que respirar oxigênio e libera gás carbônico. Esse era extrospecção que detive ao olhar os zeros, aproxime-me das lei do zero. Onde por um instante tudo dissipou e foi novamente recriado.Senti que nada mudou com mundo, mais dentro de mim nasceu e morreu com as palavras algo inovador e inexplicável pelo entendimento, mas inteiramente sentido pelo órgão que pulsam sentimentos e circula vida: o Coração. Regressei invariavelmente dentro de mim, estou presa. Neste cativeiro relato os ambientes exterior e traduzo em palavras os enigmas do inconscientes. Até então tudo ser zerado e recomeçando, mas não do começo, do fim…Talvez do meio, não há sequência para o pensamento, muito menos pela vontade de viver. O fato é nasce a vida ao escrever e morre com ponto final. Por isso, deixo a dúvida nas reticências não do hoje nem do amanhã….As reticências são de todos o tempos…

O auto das reticências

Vida: Estou aqui do seu lado..

Morte: Vivo o desconhecido

Vida: Dentro dos às vezes. Se oscilando no aquoso das lágrimas contidas

Morte: Sou o corte fatal que perfura suas veias. Sou o temor mais profundo

Vida: Sempre estarei contigo, mesmo que esteja silenciosa.

Morte: Sou a temida. O louvor dos refugiados.

Vida: Estou dentro de todos.

Morte: Perto da vida, nas longevidades da espera.  

Esperança: Permaneço aos olhos iluminados.

As reticências: O ser das não-palavras… O ar que respiras.

Silêncio: Guardo todos os enigmas insondáveis.

 

    Um ar transpirado numa manhã caótica, exalando um perfume misterioso. A ventania soprava as horas que ficava na quietude serena, vão percorrendo sem destino. Não havia linha mais, era uma colina. Vista pelos olhos limitados, era tão distante. A cegueira é a libertação do olhos, o temor é somente uma lenda mística nas névoas do esquecimento.O céu de um azul esconde uma inspiração que fica perdida nas nuvens. Um desgaste, na luta de buscar um pensamento consistente. Vivia o hálito da inconsistência que perfurava as não-palavras, numa indolência deslizante. Estava vagando perdida. O reflexo difuso nos instantes pingava as gotas que se desfazia em seus dias. Os pingos em composições de notas e lágrimas. A sonoridade pulsava junto com seu coração, no bater sinfônico. Um fôlego abstraia o ar exaustivo, estagnada no macio daquele carro que percorre o seu rumo. Enquanto seu corpo permanecia perdido, tentava absorvem sua identidade desfragmentada e desconhecida.

     Apenas era um elo submisso ao inusitado no compasso compulsivo, que alimentava a sua alma e seu corpo, e chegar ao inevitável decaído no abismo da insanidade e perdição. O perdido era apenas um lugar na ausência de revelação. Olhar no espelho e espantar a própria imagem. Era algo distorcido pelos olhos, sob os lábios secos. Um sopro da espera era a eternidade dos piscares. Os instantes não paravam de passar. Dentro dos pingos caminhava o caminho perdido, sob os pontos que saltavam cada pétala do hoje. Não existia mais flores, somente suas poeiras.

     Ao anoitecer sentia a serenidade no impulso aflito. O rio estava corrompido pela exaustão. A vida estava escrita nas reticências, suspiradas pelos momentos vividos e não- vividos. No apenas que ficavam esperando. Era desconhecido e incerto o ar que respirava, mas aquilo deixava nas folhas que um dia foram colhidas e das palavras escritas sobreposta na ausência. Perfurava o vácuo para respirar….“Uma face perdida atrás das reticências dos momentos.” Aquilo que jorrava o seu coração em névoas de palavras.

     Os papéis estavam umedecido de lágrimas contidas. Aquele pedaço é o esconderijo de seus segredos e alojamento de suas angústias. A sua vida é uma folha molhada, onde escrevia as riscas nascidas nas sombras dentro de algum lugar. Nesse último dia de janeiro, que se despedia na noite inativa imemorial. Era um sombra sem lembranças, o passado dissipou deixando poeiras que chorava nos pingos sombreados da espera. Mas olhos continuavam secos, o choro era das palavras e da alma.

 

A lentidão dos pingos

As gotas são deslizadas

 Caem estão estagnadas

Uma poça crescente no solo perdido

 Nas imagens turvas

 Sob a quietude escura

Uma lentidão na secura

 Decaído no esquecimento

Onde se escondem a cura?

A cura era a doença

 Brevemente lento no encosto do alívio

 Os pingos ainda estavam vivos

A ausência de um motivo

Era aquilo que transfigurava

As palavras que navegava

 No ar que exalava

Estava vivendo ou apenas esperando

 Tentado viver o agora

Mesmo sabendo da inexistência da hora se pregava nela

A sanidade é o ar puro no vácuo

 A insanidade está em cima do muro

Daquilo que se prender no temor

O abrigo nebuloso que vive

 Onde está o amor?

Escondido na distorção dos pingos

 Nas palavras – sentidas

Que não sentia

Dentro do apenas piscado.Nada sabia

Na secura da espera…Sombreando…

As palavras se calam, ainda estavam caminhando