As chamas que realçam o desejo

     Ao refletir seu desejo nos versos daquela noite, nada mais poderia abalar a sua verdade que transformou aqueles passos juntos um destino arbitrário.

     Sempre quando o ser feliz supera a própria existência, somos tomados de verbos inéditos que preenchem aquele quarto noturno de saltos de descobrimentos.

     O saber estava à espreita de seu sentir correspondente, pois aquela condição era a supremacia de um sentimento que recolhia, vagarosamente, suas desilusões e rebaixava tudo que era indigno no desaparecimento. Ressurgiu seu fôlego de entrega a paixão a existência, a vida, ao tempo a poesia do encontro de cada dia até ela se transmutar no sentindo mais completo ou em pedaço que se compõem, aos poucos, como uma manhã sem sol e uma noite com pouca chuva. Não importava as imperfeições e inconstância. Estava mais do que preparada para divagar naquilo que sonho real vivia. Não iria se recolher no seu mesmo abrigo ilusório. Não precisava. Porque o despertar do tempo da vida foi ativado. Sabia, agora, como viver a intensidade em goles da alma.

     Nas sequências de narrativas incontáveis, ela escondia os melhores instantes que foram seus sorrisos no coração e o fato libertário de suas mágoas ao tornado da dissipação.

     Acolheu, cuidou dos acontecimentos recentes que aquecia a secura de uma lágrima extinta. Estava caminhando, notoriamente, naquela estrada inesperada. Realmente, ela abriu como uma flor calada que se apegou pelo sussurro sincero de um discurso sentido.

     Atirou-se no realce. Enlaçou um pedido. Afirmou. Confirmou que sua vida seria mais “vida”. O seu viver se resignifica a cada toque ao núcleo dos sentimentos. Expirou suas perturbações.

     O melhor ocorrido não é planejado, é inteiramente sentido e vívido. Entregou-se naquela noite serenamente. Hoje, não teria mais medo. Apenas desejo puro de se redescobrir nas constâncias espelhadas.

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O tempo dos olhos nas paredes queimadas

     A tristeza entrou dentro de uma felicidade tão macia e terna. Deixou torta suas vistas, mas ela nunca sucumbiria seu real desejo de continuar a seguir aquela mesma curva que relembrava sua existência, agora, reconhecida.

     O sofrimento invade sem motivo real. Mas mesmo sendo na ficção aquilo a perturbava inconscientemente. Por que tinha tanto medo de ser feliz? Fecha suas sombras e destrava sua nocional felicidade que nasce da água.

     Estava tão cansada de lidar com olhares funestos e injustos. Aquelas fragrâncias flagelavam seu mais puro suspiro. Precisava escrever para libera a necessidade de ser íntegra. Aquela vida era feita de reiterações lamparinas, embora o sangue do medo ainda escrevesse na sua parede. Já sabia onde recorrer para queimar aquela vila de escombros.

     Não se permitiria se formar novamente das cinzas. Porque a sua essência era irreconhecível pela matéria, mas digna pelo ato de ser-sentir. As transformações engolem. Subitamente, a serenidade era porta-voz daquela audiência de que selaria seu direito de se realizar.

     Na beira da noite, ela é acariciada por uma sintonia familiar que acalentava seus gritos e compunha canções beijadas pela linguagem dos olhos.

     Se algum sofrer completaria sua transcendência. Seu caminho. Aceitaria. Caso contrário, iria enterrar nas curvas da inexistência.

     A força transformacional estourou na noite. Exalou sua verdade. Calou-se e abraço o tempo supremo.

Luz efervescente que se materializa no ar

     O realce foi finalmente atingido como uma luz que penetrou em dois pares de olhos. Aquela iluminação caiu no vento mais sincero e desapareceu na noite em motivações, que carregavam aquele presente para um passado recente tão nuclear, ali eles estavam e eram. Qualquer momento poderia explodir de tantas expressões. Essa fragilidade de se entregar eram tão forte que enraizava sentimentos.

     O seu sentir era impróprio as falsas especulações. Não viveria novamente um ideal que desprende, dolorosamente, da vida. Viveria, serenamente, no único impasse daquela luz que era configurada pelos mesmos olhos que re-acendiam a descoberta de se materializar no ar. Flutuaram juntos em uma realidade estática que no seu limite conseguia se mover no ritmo estridente de uma nova voz. A reciprocidade é mais que concordância. É quando um olhar não se cansa e necessita do outro. Não para completar sua visão, mas para reafirmar tudo aquilo que sempre existiu dentro de si.

     O nós faz mais sentido no momento, pois os risos fazem o seu percurso através do rio. Porque a efervescência é pífano cantando na alma. E o silêncio se transformou na devoção de dois sorrisos.

Deslumbrância tácita

     O quando chegou muito próximo daquela mesma sensação que se espera entre o instante-esperado e o instante-desesperado. Poderia atingir suas cores, se quisesse. Estaria um milímetro de se redefinir. As suas parcialidades guardavam seu próprio oxigênio em uma força que impedia seu crescimento.

     O seu querer é muito mais de um simples desejo. O que é movido pela terra entorno de suas escamas que circundavam suas vistas? As propensões legitimavam a sua narrativa.

     ” Certa noite, quando a emoção não cabia mais no tempo. Resolveu revivê-las secretamente. Redefiniu. Recriou. Reformulou, refez novas notas de certezas. Reafirmou seus dizeres ao vento que era aquecido por vislumbres. “

     Quando escorregou dentro daquelas sutilezas, reencontrou que o silêncio da espera estava chegando ao fim.

     A noite se abriu para novas estrelas. Amanheceu uma lua estridente no céu dissonante. Enfim, o tempo se calou para escutar sua decisão era:

– Silêncio!!

     Rabiscos substâncias.

Vilarejo da redescoberta

     A pulsão do beijo é muito maior do que qualquer escrita. Mas provida de uma ousadia incomum, ela entrelaçava na palavra como sua melhor confidente.

    Estaria novamente perdendo o controle de sua sanidade. Improvável. Poderia deixa-la na loucura mais lúcida ou em uma sanidade mais delirante. Qual escolha poderia escavar dentro de si? Se havia profundidade, estava muito longe do seu núcleo. Ou sempre viveu naqueles enlaço, mas só naquele instante percebeu o doce agudo da descoberta.

     Estaria descalça perante aos seus sonhos “intrajados”, não precisava omitir mais a sua sensação pontiaguda que fazia as curvas em uma única direção.

     Era de tudo aquilo que merecia lembrar. Quando a memória via apenas para o momento presente, nenhum dêitico é suficiente de sentir o realístico calor a dois. Estadia do encontro. Marca de batom descolada da alma, esfregou sua intranquilidade e despertou para sua nova vida. Vida nova.

     O desmembrar de uma curva partida e se encurvou em uma reta. Desfigurou um olhar sem cor. Não precisaria contemplar mais nada que não sentia. Porque o seu aqui estava perto demais para recuar. Jamais. Nunca.

     Queria continuar. Foi inteiramente engolida pelas sutilezas daquele mesmo sorriso que crescia em sua janela. Não pretendia sair de casa, porque queria vislumbrar as tonalidades de uma realidade real.

     ” A minha alma foi embriagada de um vento silencioso que conquistou os meus dias.”

     A linguagem audaciosa de breves atos temporais ecoaram no centro existencial da inexistência. Pois o fato de existir dependia da mutação racional. E aquilo de fato era uma expressão em “despalavras”. Era mais autêntico do que o próprio silêncio.

     Quando descobriu seu manto inseguro de medos. Soltou suas sombras ensolaradas e deixou elas refletirem dentro de si.

     Dentro de nós havia um lugar sem nome. Mas. A partir daí, construiu des-sentido. Recriou todos os seus olhares, sorrisos no delírio de uma sanidade que se refugiava nas partículas do hoje.

     Estava sendo sugada pelo vínculo aromatizante do ar. Ali poderia ser nós.

Perto demais

     À noite cálida, adormecia uma escuridão que invadia seu estado estável. A quietude sussurrou novamente algumas notas claras.

     O ser da esperar. Essa esperança tinha um valor verdadeiro da “compreensão-sentir”. O que determina uma espera silenciosa e o ato de chegar em explosões cintilantes?

     Estava sondando as camadas frágeis da vida. Estaria perto demais para compreender e sentir. Por isso, preferiria deixar no silêncio todas as suas pretensões mais oníricas. Mas aquele sonho é real e vívido.

     Ao entrelaçar por meio das palavras suas abstrações, estava cada vez mais inerente ao tempo da resposta. Aos poucos, navegava no seu descobrimento imediato. Quais são valores coloridos que pincelava sorrisos no céu?

     Cada pontiagudo momento, o seu sentir estava mais próximo. Aproximando. Aproxima-se:
-Na próxima curva, prometo-me não me perde.

     Perdida está no beijo não-dito. Mas aquele não precisa de dizeres, somente seu ato que concretizava um fato que “versificava” novas estradas.

     No vácuo, onde encontra seu próprio ar. Respirou suas emoções até elas se instalarem em uma constelação sorrateira que piscava seus olhares na insolação de seus sentimentos. Lentamente, renascia para seu direito de se entregar aos olhares e sorrisos sinceros. Devagar. Divagava. Vagava. Cavava sua voz, aos poucos. Pedaço por inteiro, integrava ao todo que a aguardava.

     Silenciosamente, revelava seu olhar.
-Quando conseguir me ver inteiramente. Você já saberá sua resposta.

     O tempo saiu das horas… Permaneceu intacta à noite como um sorriso nunca visto. Um beijo nunca dito. Uma palavra nunca beijada. O toque nunca sentido. Todos aqueles “nuncas” se transformaram no seu “sempres”. A única medida para aqueles pontos eram dadas pelo ato de viver por meio dos olhares.

     Esqueceu de suas aflições. Relembrou das suas ventanias. Desprendeu da dor para o reconhecimento de sua própria imagem. Estava à margem de um novo descobrimento. Lá, relegava seus novos direitos. Perto demais…Sentia mais viva.

Olhares lares dos espelhos

     No começo era apenas um simples olhar. Estava sozinha a espreita de metamorfoses cutâneas. Nada de aflição. Somente seu ar poderia dizer o que estava no meio do caminho.

     Atrás de algumas horas incontáveis. Encontrou outro olhar que sorriu cautelosamente. Um breve ímpeto. Por que os fatos estão ligeiramente escondidos na visão de encontrar e perder? Mas naquele momento, apenas encontrou risos contemplativos. Aquelas palavras vistas eram vestidas de poesia do tempo.

     Os olhos se aproximaram como o rio em busca de uma cachoeira. Naquelas águas, suplicou algumas reflexões.

     O tempo piscou…

     Quando os olhares se encontram nada mais se moveu. Apenas aqueles dois viciosos seres que flutuavam no tempo. Nas circunstâncias temporais, o que poderia decidir? O impacto ainda era maior do que seu ato de respirar. Tudo se tornou reverente em simples e imagéticos momentos.

     Ao contemplar rápidas e significativas palavras, não teria uma decisão concreta. Porque seu abstrato estava tão profundamente tocado por cada vivência em relâmpagos cristalinos. Sentia que as cores estavam descrevendo e nivelando seus acordes mais inéditos possíveis.

     Desta vez, sentia um querer atômico de ser guiada pela verdade de cada gotícula sentimental e emotiva. Não deixaria nenhum sorriso rancoroso transplantar sua felicidade energética nas cinzas do “a-tempo”.

     Uma hesitação é melhor forma de palpitar suas vívidas decisões. Aquele ato de respirar. Era para sentir e absorver a pureza daqueles ares que ressurgiam, sucessivamente, nos seus estalos matutinos, tardios e noturnos. Iminência de uma surpresa. Mas a necessidade da espera é mais para alimentar e reestruturar seus olhares francos intensivamente leves.

     Aquele compasso acelerado, estava “vivi-fincando” tudo aquilo que tinha mais do que o ineditismo. Verdade. Sintonia. Liberdade de viver a alma dos fatos e atos.

     Não precisava de promessas e juramentos. Não precisava de sentimentos rotulados. Não precisava de falsas cortesias e etiquetas. Não. Não. Não…

     Necessitava de verdade “sincera”. Necessitava de sentimentos que dignificasse e humanizasse todos os seus olhares tanto tempestuosos quanto frescos.

     O alguém continuou olhando, serenamente, para aquele novo trajeto. Será que ela resolveria seguir em frente? Talvez. Isso depende do amanhã.

     Quando o amanhã chegou. A vida se re-significou, porque…

     Olhou em volta. Sua felicidade foi refletida.