Nós…

     Tudo coloriu com outras nuances, essas tonalidades sempre foram aquilo que meu coração ambicionava expressar, mas nunca deve liberdade suficiente. Até que subitamente algo surgir reluzente, como uma certeza aliviando todas as dores, estava esperando faz um tempo, pois aquele era o momento exato para aparece. Muitas coisas estão nascendo, germinando e alguma parte dentro de si. Aquele pronome que definia um simples ‘ela’, um ser individual em busca de suas conquistas e pulsionando pelas suas paixões, transformou em ‘nós’. Pois agora era ela e ele, conhecido melhor com nós. Não precisava mais de nada além dessa doce e sincera certeza, que aquecia os corações de ambos.

(…) “Era apenas um único ser. Era  o mais sincero e intenso do amor.”

Anúncios

Em outro lugar…

     Encontrou-me no pulsar mais íntimo, profundo e intenso do âmago vida. Essa expressividade que tocava dentro de si num ímpeto tão brando. Estava conhecendo novos caminhos todos eram guiados pelo ID, aquele mundo de sonhos. Costumava dizer simplesmente que eram sonho-realista, que ao mesmo instante de idealizar já concretizava. Um espanto tudo ao redor mudava a direção, sabia que essa ano seriam uma nova translação de vida e sentimentos. Isso que mais importava na vida, não sabia ainda como traduzir. Essa imensa natureza que invadia cada partícula movida pelo instinto de ser feliz, uma ânsia um querer de estar-viva. Um estado sagrado que é alcançado quando os sentimentos unidos são insuficientes,  então juntos traz uma energia potente do apogeu da própria vida. Uns dos pontos máximos em que a felicidade, afeto são poucos perto do estar-viva.

     Quando o tempo inexiste. Quando os olhos encontram-se. O coração acelera-se e unifica-se. Sinto viva ao teu lado nada pode contraria isso, é fato. Não há ninguém que explique qual é motivo de eu ter o maior sentimento do mundo. Não precisa de explicação, apenas sopro sereno e ardente desses verdadeiros e crescentes sentimentos. Ainda não inventei a palavra para descrever a grandiosidade que percorrer a superfície vitaliza desse universo. O nosso universo….

Soneto da Fidelidade

Vinícius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

                                

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

E assim, quando mais tarde procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor(que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.


O prelúdio: Assim dizia a vida

“We need to feel breathless with love/ And not collapse under its weight/I’m gasping for the air to fill/My lungs with everything/ I’ve lost/ Precisamos nos sentir sem fôlego com o amor,e não desabar sob o seu peso./ Eu estou desesperado pelo ar para preencher meus pulmões com tudo o que eu perdi.” (It Begining to get me- Snow Patrol) 

“Sem dor e sacrifício não podemos alcançar nada” (Clube da luta- Chuck Palahniuk)

      É prelúdio o novo nasceu, os pesadelos adormeceram, e os sonhos perpetuaram e preencheram todo o espaço daquela vida. Havia ocorrido tantas coisas que nem mesma eu, a palavra, conseguia expressar ordenadamente. Uma explosão, o sonho acordado estava realmente acontecendo, não havia ilusões, os olhos podiam sentir essa força que clareava todos os cantos da vida. Os fatos antecedentes foram sofríveis, pois sabia que o sofrimento compunha a essência humana, assim dizia Arthur Schopenhauer. A mente, o coração, o seu ter, o seu ser, tudo que havia estava em colapso.

      Esse dia será inesquecível, se caso caia no esquecimento não terá importância, pois nesse lugar construo meus outros sonhos. Mas sempre o primeiro é difícil ser esquecido, o primeiro dia do ano, a primeira música, o primeiro sentimento, o primeiro alguém. O início é abertura de outro mundo com novas experiências, conquistas e realizações.

      Às vezes não há necessidade da busca, as coisas conectam-se e encontram-se num fluxo eloquente. Mas isso não quer dizer que devemos ficar estagnados e esperar o destino fazer sua missão, precisamos deixar levar pela força interior e com essa determinação, que vai além de uma simples palavra é algo vivo. Estava embriagada de tantos sonhos, porém havia algo distinto, muitos eram realidade. Enquanto outros permeavam a margem de algum futuro. Sabia que num piscar de olhos a vida muda.

      Apesar de tudo às vezes tudo é efêmero como arco-íris, assim dizia Virginia Wolf. Assim dizia a vida. Assim dizia eu a palavra, eu o coração, eu a mente, eu mesma por inteira.

O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

No meio do caminho…

     Não tinha uma pedra. Havia as estrelas reluzentes dos seus sentimentos.Havia alguém. Havia também ninguém, pois era incerto. Havia ela e o mundo. Todos destinados pelos ponteiros do relógio. Havia o tempo. E, tudo além disso.

     Ao olhar a superfície do tempo, percebeu que aquele mês chegará ao fim. Mas não havia ponto final naquelas vidas, vários segmentos ramificaram-se e estavam propagando e moldando um futuro no presente. Dentro daquele mundo, ela vivia a plenitude de um ‘futuro-presente’. Um tempo determinado por si própria, pois expunha a idealização do futuro dentro do gerúndio em que vivia. Apesar de ser retalhado e definido, ainda não alcançava o contexto completo daquele verbo mais importante: VIVER. Não importa o tempo verbal, nem a conexão paralela entres os tempos. Apenas sentia a magia de cada instante e construía mais um ponto de sua realidade. Onde, a pontuação é expressão mais verdadeira de atingir a proclamação de algumas emoções. O dia ainda não chegará, talvez seja tangível, mesmo que seja no silêncio demonstrará a verdade que a cerca. Enquanto isso, o seu planeta aguarda pacientemente as translações do universo.

    Naquela mesma estrada no descaminho do obsoleto, do passado sofrível e das angústias tácitas pelo ódio, escárnio e o desdém, em que todos unidos combatiam essa muralha, destruindo pedaço por pedaço. Deixando o espaço vazio, onde preenchia com todos seus sentimentos mais profundos e ralos que sobreviviam na margem da palavra, da palpitação, do onírico e também da ‘sonha-lidade’ (é um termo inventado para designar realizações de sonhos). Esse objeto, a palavra, que liberta a voz aprisionada pelo coração, e sufocada pela mente.

    Nessa noite, a escuridão contraditoriamente ilumina as ramificações de seus sigilos ingênuos e sua visão surrealista da vida. Em cada passos fincados ao chão, e dois voavam para a eternidade. Sentia-se que estava dentro da epiderme do eterno, mas sabia como não podia conter a racionalização, que tudo era efêmero. Mas como sempre, a medição  das coisas são expostas a partir da suas respectivas intensidades.

    Ao deparar-se de súbito com aquilo, (sim ainda indeterminado não foi criado um neologismo para isto). O entendimento não conseguia definir. O sentimento ainda não sabia sentir. A única saída discreta era através das pupilas desconexas da loucura, onde atrás daquela ambiguidade, pois não estava vinculado com a demência mental, mas sim com a prazerosa liberdade de difundir vários pontos ilógicos. Pois, ainda não foram nascidos pela palavra, apenas surgiam dentro do seu mais profundo âmago. Isso era equivocado, o nascimento era incerto e assim como seu falecimento. Por enquanto, as palavras epifânicas traziam consolo. Desde da surpresa com a incompreensão até o espanto inusitado que era fonte de sua pré- criação, criação em movimento, e sua pós-criação. Onde seus olhos revivem o prazer misterioso do livro, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, da escritora intuitiva Clarice Lispector, as páginas antigas eram traços de um passado às vezes tão presente. Na página 52, sussurrava:

    “Era bom. ‘Não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender- entender era sempre limitado. Mas não-entender não tinha fronteiras e levava ao infinito, ao Deus. Não e a um não-entender como um simples espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura estupidez.”

    Um impacto fortemente defrontava com a própria alma, que estava inebriada de inovações, tudo que olhava era sentindo, até mesmo a própria cegueira em que perpassava alguns cantos extremos. Dentro de algum lugar, pulsava uma frase: “Os dois pontos ainda continuam com minha interrogação.” Parecia que por mais que escapava sempre vinha a subjetividade e inconstância das coisas.

     Aquilo (esse era possível chegar-se ao uma definição equivocada), era  a confissão do seu inconsciente para subconsciente e consciente, ainda não sabia distinguir sabiamente esse pilares da mente, mas a base para forma-se uma vida em que a felicidade seja plena no momento.É necessário os sentimentos sinceros e desejos parcialmente realizados. Impossível para de sonhar. Impossível viver sem sofrimento, medo e angústia, mas tudo isso pode ser exterminados pelas incongruentes loucura  de(…) Deixo que as reticências falem por si só. Em que sua solidão é a felicidade e expectativa alheia, onde essa é a única solidão recíproca existente no universo inteiro. Tinha certeza de algo, sabia que  estava entreposta ao mês do adocicado passado recente, e as névoas de um futuro, talvez presente. O resto foi silenciado, sob sonambulismo, adormecia juntamente com o despertar divino daquele livro. Vivia uma aprendizagem guiada pela inteligência sensorial. Estava lendo sua pré-história, sentia-se que era personagem protagonista do enredo de sua história entre as subjetividades infinitas, e palavras que não foram escritas.

     Não estava na metade, nem no fim e no início. Estava dentro da  eternidade em notas efêmeras. Dessa contradição fazia sua terna melodia e seu doce remédio.

Alma do amanhã

     Atrás daqueles dias finais do mês, como diziam as profecias. O desconhecido abrigaria um lugar onde ninguém ousará ultrapassar. Imersa naquele interior indefinido, repletos de misteriosas e distintas sensações, concedidas por outrem e nascidas dentro de si própria. Desconhecido era o motivo que causavam fuga daqueles olhos, via um horizonte radiar na miragem de um breve futuro. Não era necessário essa visão, pois seu coração tinha uma retina, e nela compartilhava um sentimento indescritível pela palavra, incompreendido pela racionalidade, e libertador pela linguagem das pulsações, como a reciprocidade inesperada de dois desejos unificados. 

     Naqueles passos sem compasso seguia uma sinfonia tão inovadora e esperada, apesar de ser algo epifânico e inusitado. Através do espelho ela vislumbrava aquele adocicado dia dentro de seus círculos constantes de  despertares e vínculos. Finalmente enfrentará o medo, esse tenebroso sentimento que atenuara-se, dando espaço para outras sementes germinarem. Tinha consciência da realidade, mas mesmo assim dava o sacrilégio de sonhar e navegar no úmido da vida. Pois, a alma de viver é sentir, nada mais é capaz de satisfazer com intensidade a misticidade do sabor misterioso que é viver.

     Um presente que vivia aquecido de lembranças recentes, nesse cenário dormia serena. A única ótica que guiava era do coração. Pois, quando o amanhã chega resta lembranças e expectativas de outro amanhã.

     Há coisas são intangível pelas palavras, restando para os sentimentos e suas múltiplas sensações. Que faria dos seus três pontos: O significado da vida. 

Confissões de um espelho

É quase inevitável omitir minha sagacidade e contraditoriamente  a tolice de raptar tudo o que há ao redor. As coisas são espelhos em que vejo vários retalhos da minha ou de alguma identidade. Ainda não atingi , escondo meu olhar para que o outrem não possam atravessar, mas minha expressão acaba revelando. Estava despindo cada vez mais, logo depararia a vida denuda e verei não pelo olhar, mas pelo coração o que aquele espelho ainda refletia. No espelho fixa  tudo aquilo que meu silêncio diz….