O Brilho da Escuridão

    

     As luzes ampliaram os horizontes daquela esquina. Ela estava caminhando de acordo com a lógica do seu destino, portanto de maneira singular e com leves passos que eram levados pelos ventos. Aquele ar puro respondia todos os seus questionamentos perdidos em pedaço de pensamentos. Ainda não sabia que horas eram, mas sabia que aquela escuridão e névoa faziam bem para acalentar seu espírito vitalício.

     Logo em frente, encontrou um banco e ao lado tinha um guarda chuva vermelho molhado. Subitamente, sente uma nova existência dentro de si e percebe a vida com outros olhos. Notou que vidro protetor de seus olhos tinha quebrado, brutalmente, de forma tão repentina que naquele momento nem percebeu. Pois, sabia que estava dentro de uma nova fase algo tão genuinamente planejado que se arrepiou. Teve uma breve sensação de liberdade ao refletir diante dos fatos que sucediam como um mar sereno e translúcido.

     Uma luz amarela invadiu seus olhos e recolheu os vidros caídos e reconstruir um novo caminho para ser percorrido. Ela pegou aquele guarda chuva e, serenamente, caiu um cartão umedecido. Sentiu um espasmo dentro de si e resolveu  lê-lo rapidamente e retornou para seu destino incerto que naquele presente mais se assemelhava com mistério grandioso de um futuro breve.

     Quanto mais andava mais força sentia e naquela estrada apareciam todas as cores existentes. Com olhos atentos e sedentos contemplou os novos brilhos dentro daquela escuridão com seus nuances expressivos. Um ressonar trovejou no céu e uma nuvem serena encostou ao seu lado e a trouxe para nova existência da vida. Porque exatamente naquele momento celebrava sua verdadeira transformação, posteriormente, uma luz escapou do céu e gritou na atmosfera, depois despedaçou todos os estigmas de sofrimento, preconceito, dores e qualquer negatividade destrutiva. E com todos aquelas gotículas de vidro reconstruiu a sua trajetória final.

     Uma ansiedade saudável soltou de sua alma e resolveu caminhar mais lentamente, porque tinha certeza que aquele rumo revelaria os seus sonhos que brilharam com véu que transpassa a alma enquanto a sua tristeza escurecia até se dissipar e se perde no vazio.

     Por atrás de todas aquelas cores havia constelações que rodeavam todo aquele espaço, repentinamente, uma borboleta voo e revelou a identidade daqueles eventos. Tudo isso era a vida se humanizado e uma felicidade pacífica e verdadeira brotou como uma flor em seu coração.

     Longe dali, o relógio registrou 3:56 da manhã e ela despertou sabiamente. Esfregou bruscamente os olhos e absorveu as ideias que explodiam em cada pedaço de sua existência. Tinha certeza que aquilo não fora apenas um mero sonho. Levantou-se e foi ao banheiro e encarou e espelho e notou que tinha um bilhete colado escrito: “Suas cores acabaram de brilhar em sua escuridão. Não se preocupe com a névoa.”

     Teve um ímpeto profundo era a mesma coisa do sonho, nem se lembrava deste misterioso bilhete, anotou um pensamento em seu caderninho vermelho e percebeu que estava molhado. Retornou ao sono profundamente claro como a ventania que batia em sua janela embaçada pela chuva que se extinguia a cada instante.

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As profundezas ilimitadas de amor


O esplendor existe e florescer dentro daquelas almas amantes de maneira vital, pura e intensa como uma luz fortificante inspirou para uma vida humanizadora e digna. Naquele momento fugaz sentia a plenitude que se intensificava e revelava o inusitado mistério de suas vidas marcava um evento maravilhoso e inesquecível que devorava lentamente seus desejos suspirantes que aspiravam:

– O amor é muito mais do que pensava… muito mais…

     Aqueles dois seres se completavam subitamente e neste instante tudo fizera sentido no mais profundo que essa ideia possa representar. Estavam tão serenamente conectados que finalmente todo aquele gigantesco amor estava jorrando de realizações e sonhos acordados.

– Como a vida é incrivelmente humana e intensa . Sinto que repentinamente que tudo é muito mais que amor, apesar de já ter desconfiado disso- exclamou a sua própria alma para ele e exalou o seu olhar que esverdeou todo aquele momento único.

– Eu sei, meu amor, eu te amo tanto que nem sei como exprimi essa profundeza – respondeu de maneira terna e a envolveu em uma abraço gentil e misterioso.

     Lá fora, a lua iluminava toda aquela profundeza amorosa enquanto dentro delas  existia um turbilhão de sentimentos… A noite era única como o amor cintilante daquele grandioso dia memorável como sempre serão todos os dias com ele, seu verdadeira e único amor.


A pupila da expectativa

     Retornar é potência mais forte que liderava em toda a eternidade. Aquela fantasia existia apenas dentro dela, era como involucro que escondiam pequenas ansiedades límpidas. Tudo era um movimento pleno, e sempre retornava para a buscar mais íntegra. Tudo aquilo era sim! uma felicidade sorrateira sem receio e  ilimitada, até ao momento que realidade discordava. Estava noite e misteriosamente estava salva de sim mesma,desta forma preferiria sentir o lado mais puro e oxigenado da vida do que se perde nas dissimulações sem princípios. Ela gostava da irrealidade de tentar se torna realidade, mas tinha ódio daquilo que fora fabricado, manipulado, cuspido e esfarrapado na pedra das lamentações ressentidas .

    ” Sentia-se quase sempre bem. Água corria trêmula no interior da casa, vibrando no ar. Aos poucos longínquo, e seco o desespero veio do próprio bem-estar imóvel e do vazio da noite sem futuro, ela parecia sentir que jamais poderia misturá-la aos dias seguintes a novas insônias (…)

     Na gela da penumbra corredores negros, estreitos, vazios e úmidos, uma substância dormente e silenciosa: e de súbito! de súbito! de súbito! a borboleta branca volitando nos corredores sombrios, perdendo-se no fim da escuridão. Ela desejava obscuramente interromper-se. A rua fumegava fria sonolenta seus próprio coração surpreendia-se, a cabeça pesada, pesada de graça atordoante- enquanto as ruas de Brejo Alto se encaminhavam velozes e vacilantes no seu cheiro de maça, serragem, importação e exportação, aquela falta do mar. E de súbito arrebatada pelo próprio espírito. era um momento extremamente íntimo e estranho- ela reconhecia tudo isto, quantas vezes, quantas vezes o ensaiara sem saber; e agora, extraordinariamente quieta, purificada das próprias fontes de energia, entregando mesmo as possibilidades futuras- ah, não ter então reconhecido aquela espécie de gesto, quase uma posição do pensamento, a cabeça inclinada para um lado, assim, assim… não lhe ter dado importância então… como se assustaria se tivesse compreendido – mas agora não estava assustada, o impulso era inferior à qualidade mais secreta do ser, na gelada penumbra era inferior à qualidade mais secreta do ser, na gelada penumbra nascendo uma nova exatidão; não! não! não era um sensação decadente! mas desejando obscuramente, obscuramente, interromper-se, a dificuldade, a dificuldade que vinha do céu, que vinha. (…)

– Mas eu vi mesmo como o automóvel chegou nesse instante mas nesse instante, e passou por cima dela! (…)

(O lustre, Clarice Lispector , 240, 267 e 268)

     Aquele era “Outros- Elas”, existiam vários ELAS que eram sacrificadas pela custódia da vida. O que poderia sobreviver neste fim infeliz. Como um paradoxo doce pousou novamente uma borboleta da felicidade e trouxe junto consigo um recomeço,  mais um ano novo perdido da realidade de felicidade, humanização, descobertas insaciáveis e inesquecíveis. Existirão uma infinidade de “outros-amanhãs” que é  espelho do PLENO HOJE.

     Na escuridão daquelas notas encontra-se ao seu EU e suas declaração mais afáveis possíveis. Uma explosão devora toda alma de sua vida. Era a grande vontade por viver “humanizamente”.  A realidade era como sorriso terno que resplandecia de uma lua que não fora vista, apenas imaginada atrás da janela de vontades infinitas. No peito de todos aqueles que amavam verdadeiramente. Os ELES e os ELAS eram parte de si.

Coletâneas de amores possíveis

        Em cada tilintar alguém vibrava dentro de si, um fluído intenso escorre na profundezas daquele mar. A maresia vinha numa sutileza que aquecia os corações apaixonados num olhar pleno e único, num elo imutável e uno. Naquele instante, não havia mais sofrimentos, dores e lamentações, somente a pura e digna felicidade e intensidade do amor verdadeiro. A areia límpida ardia a pele sob o raiar do sol da eternidade e as nuvens das certezas que dissipavam na grandiosidade do céu azul anil. Quando  aqueles pares de olhos se encontraram não havia mais tempo. O não -tempo era ritmo pulsante que unia cada partícula daquelas vidas numa integridade única e inesquecível.

       Atrás da ventania havia um serenidade peculiar que manchava o colo límpido dela, os olhos novamente se encontram num olhar pleno revelando  vasto amor que ambos sentiam dentro de suas respectivas almas. As águas claras estavam oscilando como um pulsar num ritmo radiante e incessante.

      Sentiam eternamente plenos…Na margem do não-tempo havia a vida plena e integra. Aquilo era umas das grandiosidade do amor.

Ao cárcere para libertação e humanização

 

Todos esperam alienados numa inventada e imposta realidade automatizada. Os encarcerados estão a espera de algo, de alguém que invade desde a metafísica ao material. Todos os dias despertam de uma mesma vida, o relógio cronometra os passos exaustivos e resignados. Apesar de caminharem arduamente rumo uma tentativa de evolução, nada consigam além da proximidade da morte desumanizadora da alma e da vida propriamente dita.

O grito abolicionista é proclamado. Este foi O dia que a terra parou.

O mundo precisa SER, além da existência mecanizada. O SER…..

” Então, estranhou-se a si própria e isso parecia levá-la a uma vertigem. È que ela própria , por estranhar-se, estava sendo. Mesmo arriscando que Ulisses não percebesse, disse-lhe bem baixo:

– Estou sendo…

-Como?perguntou a ele àquele sussurro de voz de Lóri.

-Nada, não importa.

-Importa sim. Quer fazer o favor de repetir?

  Ela se tornou mais humilde, porque já perdera o estranho encantamento no momento em que estivera sendo:

Lóri Débora -Eu disse para você- Ulisses, estou sendo.

Ele examinou-a e por momento estranhou-a, aquele rosto familiar de mulher. Ele se estranhou, e entendeu Lóri: ele estava sendo.

  Ficaram calados, como se os dois pela primeira vez se tivessem encontrado. Estavam sendo

-Eu também,disse baixo Ulisses

 Ambos sabiam que esse era um grande passo dado na aprendizagem. E não havia perigo de gastar este sentimento com medo de perdê-lo, porque ser era infinito, de um infinito de ondas do mar.  (…)Lóri estava fascinada pelo encontro de si mesma, ela se fascinava e quase se hipnotizava.

(…)Tudo aquilo era absolutamente impossível, por isso é que Lóri sabia que via. Se fosse o razoável, ela nada saberia.

 E quando tudo começou a ficar inacreditável, a noite desceu.

Lóri, pela primeira vez na sua vida, sentiu uma força mais parecia uma ameaça contra o que ela fora até então. Ele então falou sua alma para Ulisses:

– Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.

Os dois se olharam em silêncio. Ela parecia pedir socorro contra o que de algum modo involuntariamente dissera. E ele com os olhos úmidos quis que ela não fugisse e falou:

-Repita o que você disse, Lóri,

– Não sei mais

 – Mas eu sei, eu vou saber sempre. Você literalmente disse, um será mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um só.

 – Sim

O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grade silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. “

(Pg. 120-121)

 (…)Todos lutavam pela liberdade- assim via pelas jornais e alegrava-se de que enfim não suportasse mais as injustiças. No jornal de domingo viu reproduzida a letra de uma canção Tchecoslóvaquia. Copiou-a com a letra mais linda de professora que tinha e deu-a Ulisses.

Voz Longínqua

Baixa e longínqua
É a voz que ouço. De onde vem,
Fraca e vaga?
Aprisiona-me nas palavras,
Custa-me entender
As coisas pelas quais pergunta
Não sei e não sei
Como responder-lhe-ei.

Só o vento sabe,
Só o sol sábio conhece.
Pássaros pensativos,
O amor é belo
Me insinuam algo.
E o mais
Só o vento sabe,
Só o sol conhece.

Por que, ao longe, erguem-se as rochas,
Por que vem o amor?
As pessoas são indiferentes,
Por que tudo lhes sai bem?
Por que eu não posso mudar o mundo?
Por que não sei beijar?
Não sei e não sei
Talvez um dia compreenda.

Só o vento sabe,
Só o sol sábio conhece.
Pássaros pensativos,
O amor belo,
Me insinuam algo.
E o mais,
Só o vento sabe,
Só o sol conhece.

 

  O mundo precisa SER, além da existência mecanizada. O SER….humanizador

 

– “Preferiria morrer de amor do  que sentir-se indiferente(…)”

 

“Preferiria morrer de amor do que sentir-se indiferente(…)”

 

“Preferiria morrer de amor do  que sentir-se indiferente(…)”

 

(…) (158)

“- Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é coisa mais última que se pode dar de si, disse Ulisses.

– Não sei, meu amor, mas sei que meu caminho chegou ao fim: quer dizer cheguei à porta de um começo.

 – Mulher minha, disse ele

–  Sim, sou mulher tua.

  A madrugada se abria em luz vacilante. Para Lóri a atmosfera era de milagre . Ela havia atingido o impossível de si mesma. Então ela disse, porque sentia que Ulisses estava de novo preso à dor de existir:

–  Meu amor, você não acredita no Deus porque nós erramos ao humanizá-los. Nós O humanizamos porque O entendemos, então não deu certo. Tenho certeza de que Ele não é humano.. Mas embora não sendo humano, no entanto, Ele às vezes no diviniza. Você pensa que-

– Eu penso, interrompeu o homem e sua voz estava lenta e abafada  porque ele estava sofrendo de vida e de amor, eu penso o seguinte: “

(Uma aprendizagem ou O livro de prazeres Clarice Lispector – 71- 72 – 73)

A libertação é dolorida e aos pouco chegaremos ao estado final da humanização digna de todos os seres. Arte ilimitada é a própria vida…

O dia que todos foram humanizados a Terra parou e amor era o sentimento dominante e puro. A felicidade, a justiça e a liberdade eram plena e íntegra.