Vidros esfumaçantes em trilhos paralelos

    

     Tinha uma montanha logo em sua frente. Onde exatamente estava indo aquele trem que pegava todas as noites sólidas de tantas chamas dissolvidas? Por que embarcou antes mesmo de se despedir ? Mas de quem? Nada importava. Poderia voltar algum dia e estalar sua presença volátil ao vento, sem que ninguém perceba. Não tinha mais vontade de se esconder atrás das fumaças dos trilhos. Mas não sabia o porquê de refugiar novamente naquele mesmo vagão. Só sabia que ali sentia uma liberdade secreta que desvelava aos poucos.

     Dentro de sua mente, muitos vidros foram quebrados, porque a fragilidade não aguentava mais de duas batidas, sendo uma levemente brusca e agressiva. Estava descolando as superficialidades que os rostos exprimiam por meio de um sorriso malicioso e perdido em algum vazio, descontraidamente, desonesto e ingrato. Não suportava mais observar figuras sem sentidos plácidos. Cansou-se de suspirar uma gentileza, quando uma cara rasgava suas blasfêmias. Para quê toda a omissão ? Por que esconder a própria alma? Era para se manter viva na explosão gotejante de cada ressoar matutino e soar noturno. O que essas elocuções expressam? Talvez, seria simplesmente os fatos que mutilam o tempo.

     O trem partiu para resguarda o sigilo de um olhar que vislumbrava as fumaças que exalavam as noites cada vez mais frias e aconchegantes.

     Não precisava mais fechar seus olhos… A escuridão clareio sua voz. Deitou-se naquela nuvem sonhadora. E calou-se no andar dos trilhos.

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Epístola ao nada

     A canção estava pronta numa indagação dentro das asas de um futuro… passado que se chocaram. O vento desdobrou as entranhas da fala incomunicável e sem junturas, pois aos pedaços se dissolviam por todo aquele destino. O som rebatia todas as horas mais reflexiva, mas não conseguia captar aqueles ruídos e transforma-lo em algo digestivo numa rotulada compreensão que poderia se perde aos grãos neurônicos de uma memória com suas deslembranças mantidas ao silêncio…

     A significação daquele cortante momento- palavra não se teoriza em nenhuma filosofia, teologia e pensamentos, mas em apenas a reconstituição do nada por meio de sua origem…O nada que nunca teve a oportunidade audaciosa de se apresentar dignamente, embora tenha perdido tempo em “pregas valorosas” que não puderem revelar a sua cor perceptível, pois ficaram em seus vestígios e sombras. E não existe uma provavelmente verdade pior do que ficar à margem sombreada de fragmentos e caóticos rastros. Por isso, basta de falsas configurações sobre o nada.

     O nada é aquilo que jamais pensou sobre esse. Essa exclusão está mais presente do que a própria inclusão, para isso, é mais simples viver para excluir quando se trata do nada. Portanto, a carta que escrevo marca as minhas rochas desvozeadas de súbito e gritante sofrimento. Também não se trata de um manifesto ou de uma tese coerente. É apenas fluxo sem linha e sem origem, mas um dia poderá deságua em algum vale à luz de uma nova perspectiva de despensamento humano. Não que sejam ideais válidas, no entanto, apenas provoque os espasmos que circulam aquilo que considero alma.

     Hoje pela manhã o nada me visitou novamente, sem piegas e tristeza, foi melhor do que a tão sonhada em noites sonâmbulas e idealizada felicidade. Entretanto, entreabriu meus pensamentos iniciais e corrompeu minhas rupturas para divagar no infinito de algo incoerentemente em direção às línguas e linguagens que conhecemos. Mas mesmo assim, arrisco em riscar meus rabiscos rasgados no papel que fragmentam a minha totalidade.

     Esse ser andrógino ou esse não-ser. Esta descoisa. Porém tenho uma verdade passei amá-lo como uma libertação que purifica aquilo que ainda nunca existiu e espera a luz ofuscar para revelar seus sussurros. Sei que, agora, por toda a minha vida meu amor ao nada será cumprido como uma promessa de canção inacabada e rachada pelo silêncio. Isso não significa que deixei de acredita nesse sentimento, no entanto, o estágio dele não é humano e por enquanto se estabelece na dimensão da desmaterialização e despiritualidade que é algo que fica no viés dessa dicotomia. É a somatória das indefinições. Não posso afirmar que é novo, mas para minha vida isso é um fato. Ou melhor, in-fato , pois me encontro dentro de toda a minha vida em forma metonímica rítmica de ser desprender.

     O ritmo da noite se entornou em azul cristalino que se escondeu na imaterialidade. Por toda a minha vida. Por toda a minha fragmentação. Meus votos ao nada que amparou meu amor não-humano como elogio à vida e seu direito de se calar….

O Brilho da Escuridão

    

     As luzes ampliaram os horizontes daquela esquina. Ela estava caminhando de acordo com a lógica do seu destino, portanto de maneira singular e com leves passos que eram levados pelos ventos. Aquele ar puro respondia todos os seus questionamentos perdidos em pedaço de pensamentos. Ainda não sabia que horas eram, mas sabia que aquela escuridão e névoa faziam bem para acalentar seu espírito vitalício.

     Logo em frente, encontrou um banco e ao lado tinha um guarda chuva vermelho molhado. Subitamente, sente uma nova existência dentro de si e percebe a vida com outros olhos. Notou que vidro protetor de seus olhos tinha quebrado, brutalmente, de forma tão repentina que naquele momento nem percebeu. Pois, sabia que estava dentro de uma nova fase algo tão genuinamente planejado que se arrepiou. Teve uma breve sensação de liberdade ao refletir diante dos fatos que sucediam como um mar sereno e translúcido.

     Uma luz amarela invadiu seus olhos e recolheu os vidros caídos e reconstruir um novo caminho para ser percorrido. Ela pegou aquele guarda chuva e, serenamente, caiu um cartão umedecido. Sentiu um espasmo dentro de si e resolveu  lê-lo rapidamente e retornou para seu destino incerto que naquele presente mais se assemelhava com mistério grandioso de um futuro breve.

     Quanto mais andava mais força sentia e naquela estrada apareciam todas as cores existentes. Com olhos atentos e sedentos contemplou os novos brilhos dentro daquela escuridão com seus nuances expressivos. Um ressonar trovejou no céu e uma nuvem serena encostou ao seu lado e a trouxe para nova existência da vida. Porque exatamente naquele momento celebrava sua verdadeira transformação, posteriormente, uma luz escapou do céu e gritou na atmosfera, depois despedaçou todos os estigmas de sofrimento, preconceito, dores e qualquer negatividade destrutiva. E com todos aquelas gotículas de vidro reconstruiu a sua trajetória final.

     Uma ansiedade saudável soltou de sua alma e resolveu caminhar mais lentamente, porque tinha certeza que aquele rumo revelaria os seus sonhos que brilharam com véu que transpassa a alma enquanto a sua tristeza escurecia até se dissipar e se perde no vazio.

     Por atrás de todas aquelas cores havia constelações que rodeavam todo aquele espaço, repentinamente, uma borboleta voo e revelou a identidade daqueles eventos. Tudo isso era a vida se humanizado e uma felicidade pacífica e verdadeira brotou como uma flor em seu coração.

     Longe dali, o relógio registrou 3:56 da manhã e ela despertou sabiamente. Esfregou bruscamente os olhos e absorveu as ideias que explodiam em cada pedaço de sua existência. Tinha certeza que aquilo não fora apenas um mero sonho. Levantou-se e foi ao banheiro e encarou e espelho e notou que tinha um bilhete colado escrito: “Suas cores acabaram de brilhar em sua escuridão. Não se preocupe com a névoa.”

     Teve um ímpeto profundo era a mesma coisa do sonho, nem se lembrava deste misterioso bilhete, anotou um pensamento em seu caderninho vermelho e percebeu que estava molhado. Retornou ao sono profundamente claro como a ventania que batia em sua janela embaçada pela chuva que se extinguia a cada instante.

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Sem definições, rótulos e lógos…

      Em algum momento de sua vida despertou um pensamento indivisível, nunca compreenderia a sua exatidão e não era necessário entender aquilo e que estivesse relacionado com qualquer coisa que estivesse localizada nos logos: tanto lógico ou ilógico. Estava na impressão do sentir, mas o que era realmente aquilo? E, que teria honra de sentir toda esta grandiosidade? Não importa, ela sabia que todos nós somos capazes de atingir aquele “sentir”. A dignidade, fraternidade e  a liberdade de toda eternidade das nossas vidas, tudo fazia parte daquele “sentir”.

     Ao piscar seus olhos direcionou à uma nova concepção e desconsiderou todas e quaisquer definições existentes até aquele instante: “O que é a realmente vida, amor, felicidade e eu mesma?” –  Ela refletiu como se fosse uma epifania, mas estava fatigada de meras definições achava que retirava o pulsar verdadeiro de todas  as coisas. “Por que o ser humano é obcecado em definições que até esquecer de viver intensamente as essências das pequenas coisas?”.

    A partir das fagulhas do tempo despertou silenciosa num canto e percebeu que não era mais ela, era eu própria. Não eu escritor, nem eu leitor, era o eu mais puro que alguém poderia viver. Que, ás vezes, aparecia e simultaneamente dissipava como uma nota melódica que devora toda a alma num instante eterno….

     Quais seriam o verdadeiro sentido daquelas palavras ? Numa folha amassada estava escrito numa letra bem delineada:

“Qualquer grandiosidade é indefinido, pois qualquer definição particulariza as coisas e até ‘anti-coisas’. O ‘tudo’ está suscetível a transformação e melhor do que simplórias ou complexas definições que não tem nenhum significado. O que vale realmente é o ser do amor que é mais do que podemos sentir, definir, discernir, conceber e ganhar. Então, viva todos os verdadeiros amores que nascem de simples olhares ingênuos e perniciosos até ao infinito como nossos próprios enigmas.

 Será que alguém é digno desta palavras mal-ditas ou malditas? Não preciso de resposta, pois este sentimento guardo em algum lugar dentro de mim” 

Tudo agora fazia parte dela e dos seus ‘eus’.

Nós…

     Tudo coloriu com outras nuances, essas tonalidades sempre foram aquilo que meu coração ambicionava expressar, mas nunca deve liberdade suficiente. Até que subitamente algo surgir reluzente, como uma certeza aliviando todas as dores, estava esperando faz um tempo, pois aquele era o momento exato para aparece. Muitas coisas estão nascendo, germinando e alguma parte dentro de si. Aquele pronome que definia um simples ‘ela’, um ser individual em busca de suas conquistas e pulsionando pelas suas paixões, transformou em ‘nós’. Pois agora era ela e ele, conhecido melhor com nós. Não precisava mais de nada além dessa doce e sincera certeza, que aquecia os corações de ambos.

(…) “Era apenas um único ser. Era  o mais sincero e intenso do amor.”

Em outro lugar…

     Encontrou-me no pulsar mais íntimo, profundo e intenso do âmago vida. Essa expressividade que tocava dentro de si num ímpeto tão brando. Estava conhecendo novos caminhos todos eram guiados pelo ID, aquele mundo de sonhos. Costumava dizer simplesmente que eram sonho-realista, que ao mesmo instante de idealizar já concretizava. Um espanto tudo ao redor mudava a direção, sabia que essa ano seriam uma nova translação de vida e sentimentos. Isso que mais importava na vida, não sabia ainda como traduzir. Essa imensa natureza que invadia cada partícula movida pelo instinto de ser feliz, uma ânsia um querer de estar-viva. Um estado sagrado que é alcançado quando os sentimentos unidos são insuficientes,  então juntos traz uma energia potente do apogeu da própria vida. Uns dos pontos máximos em que a felicidade, afeto são poucos perto do estar-viva.

     Quando o tempo inexiste. Quando os olhos encontram-se. O coração acelera-se e unifica-se. Sinto viva ao teu lado nada pode contraria isso, é fato. Não há ninguém que explique qual é motivo de eu ter o maior sentimento do mundo. Não precisa de explicação, apenas sopro sereno e ardente desses verdadeiros e crescentes sentimentos. Ainda não inventei a palavra para descrever a grandiosidade que percorrer a superfície vitaliza desse universo. O nosso universo….

Palavras tácitas

      Numa atmosfera singela e tocante ocorreu uma história complexa de ser contada. Nenhuma mente recordava os detalhes e as nuances que preenchiam e rodeavam as curvas daquele destino. Numa sintonia em que vivia um sonho realista. Tudo fora declarado, estava cada vez mais perto das realizações. Às vezes uma utopia descadeava e fortalecia alguns horizontes,  onde algumas luzes de incertezas acendiam. Sabia que o futuro é incerto, isso é pelo fato de apenas viver o presente. Mas essa não era questão, algo almejava dentro daquela psicologia, em que sempre esperavam um momento da grandiosa e impulsiva inspiração de viver.

      Alguma voz escondida no âmago indeterminado dizia com exatidão: “Tudo conectam-se e sua história apenas começou…” Em poucas palavras que perfurava o silêncio, nessa doçura retirava a réstia de pulsações noturnas. A memória estava passiva, havia esquecido de muitas recordações sofríveis. O mundo do esquecimento estavam repleto de escuridão. Onde numa placa encontrava-se escrito: Adeus a não-vida!. Agora mergulharia naquele imenso oceano que estava no pretérito- futurístico, esse tempo que distinguia viver. Mesmo que em breves momentaneidades esta seja constituída numa maresia rala

      Nada mais precisava ser dito, o não-dito estava dominando na doçura de um longínquo e acalentador silêncio…

“Abençoados são os esquecidos, pois eles ficam melhores com seus mesmos erros” (Nietzsche)

 

Onde estiveste de noite?

Nas noites encontro minha alma

Tudo agita-se em grandes horizontes de presente-futuro

Não caminho mais no escuro parece que tudo iluminou-se

A vida cantou sua canção peculiar

Encantou-me os ouvidos. Tudo começou a brilhar

Eram apenas breves dizeres

Onde as noites são brancas

Os dias são corridos

O inferno é enterrado

Vivo um grande momento terno

Não quero ilusão

Apenas uma realidade surreal

Um dose de anormal

Sempre a loucura, essa é a cura

Vida, por favor, permita-me a  isso

Nessa plenitude encontrei um sorriso

Esse alguém era a paixão de viver

Ela perguntou-me:

“Onde estiveste de noite?”¹

Ousei a responder:

Ao não-tempo

(…)

“Tudo o que escrevi é verdade e existe. Existe uma mente universal que me guiou. Onde estivestes de noite? Ninguém sabe. Não tentes responder – pelo amor de Deus. Não quero saber da resposta. Adeus. A-Deus.” (Onde estiveste de noite- Clarice Lispector)

Nota: ¹Alusão ao uma obra de contos escrita por Clarice Lispector.

O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

O transe da inspiração

“Preferiria sofrer de amor do que sentir-se indiferente”  (Clarice Lispector)

     Naqueles pedaços de palavras que denotavam uma nova travessia de vida. Com o medo silenciado aos poucos pela esperança e a força de viver descontrolada, que circulavam por todo o corpo até húmus da alma. Estava fatigada de saber que no destino havia caminhos: perniciosos, sofríveis, retrógrados e proibidos. Mas ousadamente admite sua perpétua verdade, de que nunca renunciaria de viver e aproveitar os instantes incontáveis pelo tempo para evitar a degradação e fatalidade da própria vida. Pois consegue viver oficialmente a  partir do momento em que o seu coração devora o tempo e prova o sabor suculento do fruto proibido e da ameaça. O desafio era a fonte da esperança e da fé, sem esses dois essenciais fatores eram quase impossível suportar o condicionamento do ser limitado humano perante ao mundo. Para isso, existia a mente em que o único limite era distinguir: o real do imaginário, se é que isso é possível.

     Tudo estava vazio como uma noite plena e silenciosa, dentro das luzes noturnas, uma voz feminina corta aquela quietude:

– A noite de hoje está me parecendo um sonho

    Ele responde:

– Mas não é. É que a realidade é inacreditável. 

(Uma aprendizagem ou O livros dos prazeres)

     Enquanto os olhos mantiveram abertos podiam sentir inteiramente a verdade radiar por dentro daquele aquoso da vida, e explana para o onírico que sobrevivia no inconsciente daquelas horas. Num transe e estado de sonambulismo compunha e extravasava as névoas do inconsciente. Mas essas eram, bruscamente, interrompidas pela ondas racionais da consciência que ainda mantinha a vigília de sua rígida política. Às vezes, ultrapassava aquele beira, mas ali deparava com o infinito como um livro que acaba, mas sua história permanece e mantém-se viva dentro do coração. Não conseguia idealizar um final, no entanto, depois daqueles dois pontos apenas via uma maresia ao horizonte repleta do esplendor da vida.

Expectativa

Flora Figueiredo (Chão de Vento)

O vento anda ficando mentiroso:

prometeu trazer você- não trouxe,

de dizer o porquê – não disse;

esperou que eu me distraísse, 

passou com pressa rumo ao horizonte, 

Já não tem importância 

que cometa outra vez 

um ato de inconstância 

Aprendi a esperar. 

Se ventos são capazes de levar embora, 

a qualquer hora 

também serão capazes de fazer voltar.

A realidade das coisas

Onde foi que o amor morreu?

Mas como pode ter morrido se ainda não nasceu 

A alma humana é muito impura e bruta 

Para ter esse sentimento que seria a cura

Não existe amor 

Esse é nossa maior dor

Os iludidos acreditam e ainda subestimam

Podem ficar nisso, pois nada disso mais acredito 

Enquanto tudo for dito

Continuo sozinha ao meu caminho perdido 

Não há mais perigo

Estou sendo engolida pelo próprio grito 

Um som estridente na noite tão demente 

Todos mentem, pois estão ainda de olhos fechados 

Quando despertarem estarão lado à lado 

Da inexistência da vida digna, do amor e da eternidade 

Para nós humanos só restou o infortúnio 

Talvez no fim do túnel encontre alguma coisa 

Algum lugar, longe daqui…

Longe da realidade

Ninguém é capaz de leva-me para lá

A roseira da vida

    Uma ventania sopra um ar nostálgico que entra através da janela.  Partículas acinzentas são do coração doente, curando aquelas feridas que perfurava a sua vida dentro da amargura. Os ponteiros se mexem conforme o vento sopra. Suave, passageiro deixando os rastros nos dias, meses e anos. O calendário marca o fim do mês de novembro sob o calor no fresco das lembranças. Aquele mês repletos de vitalidade e amor. Ainda se lembrava, nunca esqueceria.

    As incertezas estavam pintadas na parede do cômodo, cores que relembrava aquele mês, o azul sereno, vermelho na efusão ardentes dos desejos, e o amarelo radiante que aquecia. Uma pintura expressiva, que traçar um sorriso escondido. As rosas em cima do mesa permaneciam vivas exalando o perfume delicado, que ao senti-los flutuava nas reminiscências daquele mês de novembro, traços tracejados com ternura guardados dentro da caixa das lembranças, e nas folhas caídas do outono.

    Um suspiro nostálgico úmido como um beijo em seus lábios ressecados. A vida era como uma rosa nasce uma pequena semente. Crescer escondendo um segredo, começa desfolhar lentamente revelando a magia da flor da vida. Murcham, e morre na secura da saudade. Deixando apenas um pulsar imortal no solo, é a fonte de vitalidade para outras sementes germinarem. Como as rosas tácitas do coração, pétalas a pétalas são despejadas sutilmente no chão. Um sopro sereno levam uma a uma para eternidade. Dançando pelo ar.

    Sozinha no chão esperando na constância de cada dia que passam. O vento é veloz levando as folhas murcham do seu peito, estavam indo embora suavemente. O outono já transcorreu, e um sol sorridente é surgindo nessa nova estação. O verão que aquece a esperança daquele coração úmido das lágrimas de saudade.

    Apenas o tempo que passou junto com vento, guardados com carinho as pétalas. Da roseira de sua vida. Viverá eternamente aquelas lembranças com um suspiro de saudade…Até a chegada de sua morte que será breve.

    O som do vento esfolia em sua face e diz:

    “As pétalas são nascidas, colhidas e guardadas dentro do seu coração. Até murcharem e serem levadas pelo vento. O sou o vento que passa pelos seus cabelos. Revela seu rosto perolado pela luz do luar. Para sempre sentarei contigo.”

Caminho da escuridão

    Os rastros marcados no caminho sob a escuridão, traçava o seu destino confuso, percorre dentro do seu tempo. Os passos seguiam a mesma marcha ritmada em cada segundo de vida. Ele estava centrado ao rumo das coisas, desconhecia que estava perdido. Que a vida é além daquilo que pode-se ver. Pode-se sentir. Pode-se medir. Pode-se viver. Além de tudo que cerca em sua órbita. Ao vistar o céu percebe-se tênues estrelas que pinta a atmosfera sinistra, cada pontinha era um pedaço de vida que caminhava e se perdia na mesma escuridão. Todos eram engolidos pelo céu….

    A pergunta gritante penetrar na mente dele, O que seria da vida sem o instante soprada pela felicidade?…. A única resposta.. Nada,  uma imensidão sombria e hedionda. De repente sente-se um calafrio que nasce na espinha, o medo começa a domar por completo. Não sabe onde percorrer, e como parou ali.  Somente se lembra de algo remoto que aparente ter sido vivido alguns anos atrás. Quando ainda tinha autonomia de sua própria vida, agora ele está à custódia do seu dono. O senhor da almas, ele que condenava todas as almas à caminharem na plenitude da escuridão infinita. Todas eram estrelas que foram presas ao céu. A única escapatória era despertar da mentalidade e criar sua própria autonomia. Como isso seria feito, ninguém sabia. Isso é segredo que ninguém conseguiu ainda decifrar. Um mistério tácito.

    Enquanto não descobria o mistério ficava preso nesse calabouço da infinitude. Será que tudo aquilo realmente existia? E se existe. O que explica a existência? Sendo que as coisas acontece na mente de alguém?… Que peso enorme era a ignorância, algo estava ansiando em gritar para despertar aquele alma perdida e submissa ao Senhor das Almas.

    – Liberte-se. Declare Independência. Não é impossível. Apenas precisa desvendar o enigma. Liberte-se – uma voz consistente e insólita grita dentro do seu ser.

    Ele vai seguido a voz dentro de si mesmo, está andando rapidamente…Passa por milhares de verdades condensadas, palavras despencam naquela recito branco. Não sentia mais como ser sólido, agora se transformou em líquido que vai escorrendo no abismo, está decaído. A mente não consegue mais acompanhar os fluxos das coisas. E repentinamente está em sua cama totalmente despertado. Aquela foi a última vez que deve esse pesadelo. Que às vezes se confundia com a realidade, sentia um temor na barriga só de pensar. Mas era quase impossível evitar o tal fato.

    Os olhos vem uma imagem embasada no relógio, está marcado 00:00. Acha estranho e tenta encontrar o erro e a única coisa que descobriu, foi que tudo aquilo não foi um pesadelo. Era real, estava preso eternamente em sua própria mente. Um corpo sem alma , em que foi vendida pelo Senhor das Almas. Para sempre caminharia na perpetua escuridão, onde não há olhos para guia-lo. Todos estavam perdidos. Todos eram almas vendidas em mentes presas em pequenas verdades.

    Longe dali ainda esperavam fatigados a Declaração da Independência, a liberdade de sua própria mente. A criadora da realidade.

A inexistência

    Longe dali, havia um lugar atrás da existência localizava e inexistência. Os passos eram letárgicos e subiam a colina rumo aquile local insólito. Ela estava arfando com um semblante fatigado e ansioso. A sua outra vida guardam lembranças sombrias de um passado longínquo e sofrido, onde o amor não existia, a felicidade, nem a vida. Somente tristeza e cada dia era um nova morte. Estava farta desse mundo preto em branco, os seus olhos ansiavam ver múltiplas nuances riscar no céu, um arco-íris magnifico e as nuvens brancas como algodão, e o sol translucido  ao entardecer no colo da paz e do sossego. Aquilo seria uma vida.

    Em cima da colina o ar se tornava rarefeito, cada respiração era um sacrifício. Mas quando mais próximo chegada percebia que não precisava mais respirar, caminhar. Estava flutuando naquele imenso céu de azul anil, as cores penetravam dentro dos olhos e atingiam o coração sofrido e fraco, trazendo vida novamente. O coração subitamente começou a palpitar brutalmente, quase saiu da peito. Os olhos ficam lacrimejates de tantas emoções que transporta no momento único, em que finalmente senti-se viva.. Aquele úmido era pura vitalidade e transcorria nas veias, no corpo até a alma.

    Quando chegou ao topo final da colina, havia um portal iluminada. Bateu duas vezes delicadamente, a porta se abriu, e seus olhos ficaram repletos de imagens e cores. Entrar apreensiva, lá estava ela dentro de sua utopia, submersa à utopia.Tudo aquilo que não existia na realidade cruel, existia lá. Estava na inexistência. O amor cresciam em flores, a vida transpassava no coração, a felicidade é iluminada pelo sol sorridente que perpetua o lugar…

    – Aqui estou na mundo dos meus sonhos. Finalmente encontrei-te, estava procurando tanto por ti… Oh amor, que transporta o meu peito e sacia a minha alma- diz Melinda direcionada ao sol

    O tempo esfoliava em sua face uma serenidade que parecia que sua história ali nunca terá fim.Atrás das flores encontrou o seu amor. Com um rosto cativante e um sorriso nos lábios. Juntos viveriam eternamente…

    O despertar toca, Melinda acorda repentinamente e percebe que tudo aquilo fora um sonho. Agora despertou para a realidade e primeiramente fica perplexa com a grandeza e realeza do sonho, que pensa na possibilidade que seja real. E quando finalmente, acorda por inteira para realidade que o espera. Vê que tudo aquilo não ultrapassou de um sonho utópico. Um mundo absoluto em sua busca infinita. Atrás da colina…. A inexistência. Um dia iria para lá, mesmo que não existia esse era o proposito. Um dia se libertaria da realidade.Ainda podia ver aquela face atraente e bondosa sorriso para si. Sabia de algo quando o relógio parasse, estaria naquele lugar vivendo seus lindos dias….

    Através da janela o dia lá fora estava nublado e chuvoso, sabia que a chuva eram lágrimas de tristeza que aguardavam esperançosas a ‘inexistência’…Precisava se animar hoje teria um longo dia pela frente, e muito tempo até a chegada do seu momento.