No meio do caminho…

     Não tinha uma pedra. Havia as estrelas reluzentes dos seus sentimentos.Havia alguém. Havia também ninguém, pois era incerto. Havia ela e o mundo. Todos destinados pelos ponteiros do relógio. Havia o tempo. E, tudo além disso.

     Ao olhar a superfície do tempo, percebeu que aquele mês chegará ao fim. Mas não havia ponto final naquelas vidas, vários segmentos ramificaram-se e estavam propagando e moldando um futuro no presente. Dentro daquele mundo, ela vivia a plenitude de um ‘futuro-presente’. Um tempo determinado por si própria, pois expunha a idealização do futuro dentro do gerúndio em que vivia. Apesar de ser retalhado e definido, ainda não alcançava o contexto completo daquele verbo mais importante: VIVER. Não importa o tempo verbal, nem a conexão paralela entres os tempos. Apenas sentia a magia de cada instante e construía mais um ponto de sua realidade. Onde, a pontuação é expressão mais verdadeira de atingir a proclamação de algumas emoções. O dia ainda não chegará, talvez seja tangível, mesmo que seja no silêncio demonstrará a verdade que a cerca. Enquanto isso, o seu planeta aguarda pacientemente as translações do universo.

    Naquela mesma estrada no descaminho do obsoleto, do passado sofrível e das angústias tácitas pelo ódio, escárnio e o desdém, em que todos unidos combatiam essa muralha, destruindo pedaço por pedaço. Deixando o espaço vazio, onde preenchia com todos seus sentimentos mais profundos e ralos que sobreviviam na margem da palavra, da palpitação, do onírico e também da ‘sonha-lidade’ (é um termo inventado para designar realizações de sonhos). Esse objeto, a palavra, que liberta a voz aprisionada pelo coração, e sufocada pela mente.

    Nessa noite, a escuridão contraditoriamente ilumina as ramificações de seus sigilos ingênuos e sua visão surrealista da vida. Em cada passos fincados ao chão, e dois voavam para a eternidade. Sentia-se que estava dentro da epiderme do eterno, mas sabia como não podia conter a racionalização, que tudo era efêmero. Mas como sempre, a medição  das coisas são expostas a partir da suas respectivas intensidades.

    Ao deparar-se de súbito com aquilo, (sim ainda indeterminado não foi criado um neologismo para isto). O entendimento não conseguia definir. O sentimento ainda não sabia sentir. A única saída discreta era através das pupilas desconexas da loucura, onde atrás daquela ambiguidade, pois não estava vinculado com a demência mental, mas sim com a prazerosa liberdade de difundir vários pontos ilógicos. Pois, ainda não foram nascidos pela palavra, apenas surgiam dentro do seu mais profundo âmago. Isso era equivocado, o nascimento era incerto e assim como seu falecimento. Por enquanto, as palavras epifânicas traziam consolo. Desde da surpresa com a incompreensão até o espanto inusitado que era fonte de sua pré- criação, criação em movimento, e sua pós-criação. Onde seus olhos revivem o prazer misterioso do livro, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, da escritora intuitiva Clarice Lispector, as páginas antigas eram traços de um passado às vezes tão presente. Na página 52, sussurrava:

    “Era bom. ‘Não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender- entender era sempre limitado. Mas não-entender não tinha fronteiras e levava ao infinito, ao Deus. Não e a um não-entender como um simples espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura estupidez.”

    Um impacto fortemente defrontava com a própria alma, que estava inebriada de inovações, tudo que olhava era sentindo, até mesmo a própria cegueira em que perpassava alguns cantos extremos. Dentro de algum lugar, pulsava uma frase: “Os dois pontos ainda continuam com minha interrogação.” Parecia que por mais que escapava sempre vinha a subjetividade e inconstância das coisas.

     Aquilo (esse era possível chegar-se ao uma definição equivocada), era  a confissão do seu inconsciente para subconsciente e consciente, ainda não sabia distinguir sabiamente esse pilares da mente, mas a base para forma-se uma vida em que a felicidade seja plena no momento.É necessário os sentimentos sinceros e desejos parcialmente realizados. Impossível para de sonhar. Impossível viver sem sofrimento, medo e angústia, mas tudo isso pode ser exterminados pelas incongruentes loucura  de(…) Deixo que as reticências falem por si só. Em que sua solidão é a felicidade e expectativa alheia, onde essa é a única solidão recíproca existente no universo inteiro. Tinha certeza de algo, sabia que  estava entreposta ao mês do adocicado passado recente, e as névoas de um futuro, talvez presente. O resto foi silenciado, sob sonambulismo, adormecia juntamente com o despertar divino daquele livro. Vivia uma aprendizagem guiada pela inteligência sensorial. Estava lendo sua pré-história, sentia-se que era personagem protagonista do enredo de sua história entre as subjetividades infinitas, e palavras que não foram escritas.

     Não estava na metade, nem no fim e no início. Estava dentro da  eternidade em notas efêmeras. Dessa contradição fazia sua terna melodia e seu doce remédio.

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Alma do amanhã

     Atrás daqueles dias finais do mês, como diziam as profecias. O desconhecido abrigaria um lugar onde ninguém ousará ultrapassar. Imersa naquele interior indefinido, repletos de misteriosas e distintas sensações, concedidas por outrem e nascidas dentro de si própria. Desconhecido era o motivo que causavam fuga daqueles olhos, via um horizonte radiar na miragem de um breve futuro. Não era necessário essa visão, pois seu coração tinha uma retina, e nela compartilhava um sentimento indescritível pela palavra, incompreendido pela racionalidade, e libertador pela linguagem das pulsações, como a reciprocidade inesperada de dois desejos unificados. 

     Naqueles passos sem compasso seguia uma sinfonia tão inovadora e esperada, apesar de ser algo epifânico e inusitado. Através do espelho ela vislumbrava aquele adocicado dia dentro de seus círculos constantes de  despertares e vínculos. Finalmente enfrentará o medo, esse tenebroso sentimento que atenuara-se, dando espaço para outras sementes germinarem. Tinha consciência da realidade, mas mesmo assim dava o sacrilégio de sonhar e navegar no úmido da vida. Pois, a alma de viver é sentir, nada mais é capaz de satisfazer com intensidade a misticidade do sabor misterioso que é viver.

     Um presente que vivia aquecido de lembranças recentes, nesse cenário dormia serena. A única ótica que guiava era do coração. Pois, quando o amanhã chega resta lembranças e expectativas de outro amanhã.

     Há coisas são intangível pelas palavras, restando para os sentimentos e suas múltiplas sensações. Que faria dos seus três pontos: O significado da vida. 

Um sonho numa noite estrelada

     

    Com olhos para o infinito imaginei-me numa manhã ao despertar e comecei a  flutuar em teus sonhos, sensações e desejos mais profundos e intensos. Sentir o pulsar do teu coração junto ao meu, fundindo-se único órgão “Diga-me vida quanto tempo esperarei para encontrar esse alguém tão distante do meu presente, e perto do meu futuro.” Um fluxo balbucia num grito tão suave que adormece meus lábios secos por algum amanhã que irradiaria todo o meu destino. O inesperado, a conquista dos sentimentos serão enlaçados e receberam o deleito de uma efêmera e intensa paixão.

-Mas onde depara tudo isso?- pergunto aflita e ansiosa

-Tenha paciência, pelo caminho que caminhas encontrarás, se muitas delongas, seus passos depararam com um selo breve de alguém

– Desconheço tudo isso, tenho falsas  e receosas expectativas, não quero aceita-las encontro num turbilhão conflitante e caótico. Ainda não resolvi os passos que darei.

-Espere, amanhã tudo será diferente.

-Mas quando chegarei nesse amanhã.. Pois sei que é impossível só consigo viver um tempo, e este é o presente. E tão perpetuo e consistente. Com esse manto invisível cumpro de noite para dormir. Sob um céu estrelado, estrelas essas que nascem de utopias e fortificam-se em esperanças imortais. Tudo isso modifica a rotação da minha vida. Ela não me pertence, mas tenho controle nas coisas vitais que acometem. Quando será esse amanhã, talvez esse dia fixa num sorriso verdadeiro fatigando de tanto esperar. Ou, atrás de um espelho abandonado e velho, esquecido por um período pelo próprio tempo. Quanto infortúnio! Quero sentir, ver esse olhar tão expressivo e oculto pelo espelho embaçado pelo suspiro inebriante de prazer. Vejo através das longevidades do tempo. Esse alguém está lá a minha espera.

     Depois dessas divagações, suspirou e estagnou-se por um certo momento, estava sob narcótico das ilusões. Em cima da escrivaninha encontrava-se vários papeis avulsos e disseminados entre os livro de poesias, coletâneas e contos que tanto agradava-lhe. No meio de tudo isso, estava um copo com líquido na metade, havia tomando em demasia a poção da ilusão. Era tarde demais perder-se-á no mundo das ilusões, apesar de ser um caminho falso, teria felicidade plena. Mas isso não é sentido da vida, uma tola criação, mas na realidade não tem-se eterna felicidade, isso ela não dispunha, apenas de momentos tão curtos quando o próprio ar que respiras.

     Num intervalo de tempo, tudo regressaria na realidade. Mas até lá, continua na satisfação de suas linhas circulares e desconexas, sempre encontrava dentro e contraditoriamente fora de si. Era engolida pelo próprio grito, esse era o seu livre-arbítrio tinha o direito do grito, e dele fazia muito proveito. E depois era solta pela voz alta que invadia todas as noites estreladas, como aquelas. O seu céu era composto de sua identidade fragmentada, sentimentos mais profundos, sua alma era alojada e oculta por estes, idealizações, ideologias, pensamentos, filosofias, desejos, utopias, tudo que era concreto, abstrato e metafísico delineava em várias tonalidades de cores, pintando o infinito e o horizonte céu com estrelas…..

-Abraça-me eternamente felicidade. Adeus, o ontem. Estou vivendo esse amanhã tão misteriosamente intenso e apaixonante. Não sei onde estou e nem que és tu que falas comigo. Sei que tu és o alguém que tanto esperei e já que agora encontrei, viverei a mortalidade desse sentimento. Como diz o poeta Vinicius de Morais que seja eterno enquanto dure….

    Ela estava absorta diante aquele olhar tão sincero e penetrante do espelho, que entregou-se de corpo e alma para aquele outrem. Desconhecia a identidade, não usava mais o entendimento. Pois a vida não é questão de lógica e sim de sentir o mais profundo âmago das coisas….Encontrará o seu amanhã, e este era apenas um outro hoje. Aquele que sempre esperou com grandes enraizadas esperanças que matinhas o tronco da espera firme e erguido. A realidade não importava-lhe, que viveria para sempre um sonho de uma noite estrelada..

O neologismo da despedida

Parceria com D.C

Toda vez em que algo inesperado vem visitar.

Sinto um olhar sincero e penetrante

Que submerge o meu consciente.

São as palavras que moldam e desenha

A verdadeira face desnudada da realidade

Que intriga e deixa curiosidades

Com momentos oportunos de sonhos e verdades.

Talvez encontre no meio dessas grandezas as minhas vozes de saudades…

Até angustias algozes…

Agora sou uma mentira ferida do ontem.

Perco-me no tempo. Ainda não sei que direção percorrer.

Até o dia que morrer, ou talvez esquecer daquele nome…

Que me torna prisioneiro dos sorrisos riscados na lembrança

Fugindo na estrada do tempo

Em busca do lugar livre de esperança

Intoleravelmente, viverei a realidade brutal

No despertar súbito como uma criança

Que acorda de um de sonho

Enfrentarei o pesadelo.

Sem nenhum tipo de aversão e resistência

Tudo isso compõe minha emoção.

Seguir meu caminho através do pulsar do coração

E sabedoria da mente. Mesmo que ela mente.

Essa mentira é lira da minha verdade

Essa é minha identidade, sem piedade.

Adeus, saudade. Vivo o presente.

Enquanto lá fora um grito alto estridente.

Chama novamente aquele nome. sem motivo

Não importa ainda vivo. Mesmo que seja esquecido por este.

O neologismo despede-se

Estou na liberdade, ali reencontro a minha felicidade.

O coração da verdade

    A vida é vivida pela voz que ecoa no silencio. A quietude é ressonar da vida. Os fatos que ocorrem são marcados nos traços da mão do seu destino… Ou apenas o acreditado. O poder que envolve a misteriosa vida. Enigma seria por não haver definições, algo desconhecido. Que somente o silêncio sabia dentro do coração da verdade.

    A alienação mais terna que encontro-me é no caminho perdido das palavras. E cada dia o mundo encontra-se num sistema injusto e mastigado está lá fora acenando, estendendo a mão na imundice. Aperto aquela mão numa hesitação. Onde tudo aconteceu com o poder das palavras que estão envolvidas num arco brilhante de esperança. Em alguns momentos efêmeros que refletia-se na chuva de minhas lágrimas e no sol do meu coração. O feitiço inacabado das gotas de minha vida. Era uma imensidão interminável.

    As metades encontravam em algum instante da vida. Um breve magia. Por enquanto a resignação se libertar de mim, e meu sentimentos são liderando por esperança, à espera daquele alguém. Mas tudo é efêmero, deixando somente tênues traços de recordações. Não precisava de adeus, apenas o silêncio bastava. Um alívio, no pacto levada pelas palavras. Onde chegará?. A minha conclusão é inconclusiva. Cedo ou tarde, apareceria sua iluminação emanando os feixes de luz em minha escuridão esperançosa, onde a única luz é do coração. Perdidos atrás das reticências, estou à tua busca. Desconhecido apenas sei que é um alguém. Até chegar nesse caminho, a vida enfrentará as  oscilações de minha solidão que canta com alegria. Tem como ser feliz sozinha, na durabilidade limitada.

    No fim daquele dia uma melodia suave toca ao meus ouvidos, um trecho que vale pelo resto que viverei: “Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho.” Não há vida sem amor e não há amor sem união de dois corações. A verdade era pulsante. Isso já bastava…

Apenas Um…

 

Em todos os cantos há um novo caminho para percorrer 

Fugindo e caindo em vários corações 

Todos encurralam em conflitos e canções 

Um som que traça no vento 

Todos os momentos 

Apenas há um especial 

De todos os amores só há um verdadeiro e leal 

Amar com olhos

Amar com coração

Expresso nos beijos, nos desejos 

Dentro da alma 

Quando adormece acalma 

Ao anoitecer ao lado de alguém que ama 

Há somente um caminho 

Para chegar ao coração escondido…