Tempos para voar

     Numa noite como essa, sonha em que talvez um dia delirá no coração de alguém. Sentir todos os mais profundos e eloquentes  sentimentos dentro do âmago emotivo visualizar todas as cores que desenham e constroem aquele destino alheio. Tinha um desejo oculto de saber , sentir, furta a vida alheia prová-la e depois devolvê-la, mas não como se fosse um objeto inanimado insignificante, seria como um tênue instante com coração de outrem, absorver todos os desejos, sentimentos e sensações mais intensas e secretas. Submerge nesse universo de feito de ‘id’, captar tudo do mundo das idealizações. Ser um dia o outro, e nesse ínterim doar sua vida. Tudo isso seria feito em 24 horas, como a duração das vidas de algumas frágeis e maviosas borboletas, que após metamorfose tem um destino efêmero mas intenso. Diante aquela perspectiva criava os prismas lunáticos que contrastavam, envoltos  da mente e do coração. 

     Num breve momento viveria outra vida, outro olhar, coração, alma e mente…Dentro daquele outro, e subitamente nota que era si mesmo, o próprio reflexo omitido. Pois aquele tempo voava sem asas,  um voo segundo o fluxo do inconsciente. 

Em cima duma montanha

Bjork- The Modern things 
“All the modern things
have always existed
they’ve just been waiting
To come out
and multiply
and take over
It’s their turn now…”

    Em cima duma montanha, a modernidade escondem atrás da nuvens da invenção. A antiguidade transformou-se em poerias que encobrir o céu poluído, enquanto outras inovações estavam esperando no bico da montanha o momento de aparece num surto imprevisível, repletos de ganância, talvez estejam aguardado dentro de uma  taverna oculta e   inexplorada. Tácitos, estavam:

“Caminhando esperando à hora de chegar.”

Atire mais uma pedra…

    Quem nunca ansiou o poder? Vencer sem levar em conta o outro? Quem nunca fez isso atire a primeira pedra. A grande parte da população, se não forem todos já arremessaram suas pedras. Pois, o mundo em sociedade se constrói no caráter irreparável do ser humano, no aspecto ambicioso e individualista. Não há como alterar essa essência está presente em todos nós. Nesse contexto a Lei de Gérson, pelo seu famoso aforismo: “O importante é levar vantagem em tudo. Certo?se encaixa na realidade além do Brasil, mas também do mundo. Logo a seguir, o trecho da crônica Viva a Lei de Gréson que esclarece as nuances da nossa bandeira: “Ninguém aguenta essa pressão hipócrita. Todos querem o melhor de si (…)”. E no próximo: “Julgamos, condenamos, enforcamos e esquartejamos Gérson. Mas Gérson somos nós. Eis nosso dilema.” Percebe-se explicitamente que as cores que compõe a bandeira brasileira são: verde do egoísmo, azul da ganância, amarelo da hipocrisia, e o mundo inteiro deve-se despir da mascara hipócrita que o envolve.

    Desde do início da história brasileira, período em que o país perdeu sua identidade original, devido à aculturação feita através da colonização portuguesa. Essa imensa consequência do século XVI regressou no mundo moderno, e os comportamentos dos brasileiros são reflexos dessa perda. E, isso motivou a formação de uma sociedade injusta, política instável e corrupta, de uma identidade vulnerável, pois foi o que restou das nossas poucas raízes culturais.

    A chave para a solução é a cultura, mas não é somente esta que abrirá a porta da salvação. Precisa-se modificar o modelo de sociedade e da nossa própria linguagem, como está claro no trecho a seguir da origem da maleficência mundial, da escritora, filosofa e psicanalista Viviane Mosé: “Quem causou o mal ao mundo foi o pensamento socrático platônico aristotélico que colocou na nossa linguagem ocidental uma estrutura que é  sujeito, verbo e predicado. Onde tem sempre um sujeito que causa alguma coisa.” Pois não haverá mutação quando todos nós não rompermos esse modelo de pensamento que designa que a nossa linguagem expõem cada coisa como uma única unidade, excluindo o todo.

    Até chegar nesse período, vamos atirar mais uma pedra. Uma á uma e esperar no silêncio a solução. Trajando a capa da hipocrisia.