.Os estágios da existência

     Imersa dentro dos próprios  “eus” que aguçavam uma nova era. O vazio era a única coisa que preenchia aquela espaço. Mas sabia que aquele vácuo continha alguma coisa, indefinível. Uma força irradiava dentro daquele corações, estava descobrindo a integridade dos seres. Numa quietude caminhavam junto, neste eternidade perdiam-se das tristezas e dúvidas que eventualmente apareciam no meio da estrada. Nada mais era igual depois daquele único e instante pleno. Ambos viram a face majestosa da vida, resplandecendo  sua matizes hipnotizante e viciante.

      , amavam

… viviam

: beijavam

? eternamente

! verdadeiro

     As letras expandiam-se por todo o horizonte, e continua perpetuamente a  caminhando dentro do âmago da vida. Naquele lugar, sabia que estavam seguros e poderiam conhecer as melhores sensações. Amariam até a pós-vida.

Pulsações anoitecidas do silêncio

     Dentro de algum lugar naquela escuridão, haviam palavras preste para serem ditas. Aqueles átomos de vocábulos, estavam construindo um grande corpo celeste que fixava somente naquele universo. Brilhavam numa sintonia complexa de ser localizada, era conhecido como mundo do silêncio, mas essa ausência de som era sua maior inspiração. Numa quietude que acalentava as negatividades, que às vezes persistiam em renascer e vigorarem. Mas essa terra não estava propícia para o florestamento dessas infelicidades. Após ultrapassar o véu da realidade e enfrentar notou inusitadamente que era belo, majestoso e libertador. Essa impulsão foi conquistada com a força corajosa e esotérica de nascimento desconhecido.

– Sabia que tudo surgiu da escuridão, e nela que esconde a própria eternidade. Pois nunca chegou a ser criada, sempre existiu.

     Essa voz propaga todo o espaço interior daquelas partículas, e dissipa como relâmpago.

– Não é os reflexos dos objetos com influencia formação do ser. Existe uma essência imutável por qualquer coisa, até mesmo o tempo. Essa tênue parte que compõe a identidade.

– Tempo não é dinheiro. Tempo é uma invenção dentro de outra que é viver. Vida é real, mas isso não impede que seja inventada e reinventada.

     Estagnou-se, tudo calou-se. Havia dito que era necessário, retirou tudo aquilo que era mais sincero e puro. Os aforismos cantarolavam suavemente em sua mente. Subitamente, essa outra espécie de silêncio prevalece, ali que estão guardados crescentes e recentes sentimentos profundos. Nenhuma palavra ousaria descrevê-los. Era o não-dito, o não-escrito. Apenas o silêncio que podia fortalecer e eternizar o sentimento mais forte da vida, a alma do coração, a motivação de lutar e o oxigênio puro para os pulmões. Era o (…).

Onde estiveste de noite?

Nas noites encontro minha alma

Tudo agita-se em grandes horizontes de presente-futuro

Não caminho mais no escuro parece que tudo iluminou-se

A vida cantou sua canção peculiar

Encantou-me os ouvidos. Tudo começou a brilhar

Eram apenas breves dizeres

Onde as noites são brancas

Os dias são corridos

O inferno é enterrado

Vivo um grande momento terno

Não quero ilusão

Apenas uma realidade surreal

Um dose de anormal

Sempre a loucura, essa é a cura

Vida, por favor, permita-me a  isso

Nessa plenitude encontrei um sorriso

Esse alguém era a paixão de viver

Ela perguntou-me:

“Onde estiveste de noite?”¹

Ousei a responder:

Ao não-tempo

(…)

“Tudo o que escrevi é verdade e existe. Existe uma mente universal que me guiou. Onde estivestes de noite? Ninguém sabe. Não tentes responder – pelo amor de Deus. Não quero saber da resposta. Adeus. A-Deus.” (Onde estiveste de noite- Clarice Lispector)

Nota: ¹Alusão ao uma obra de contos escrita por Clarice Lispector.

Alma do amanhã

     Atrás daqueles dias finais do mês, como diziam as profecias. O desconhecido abrigaria um lugar onde ninguém ousará ultrapassar. Imersa naquele interior indefinido, repletos de misteriosas e distintas sensações, concedidas por outrem e nascidas dentro de si própria. Desconhecido era o motivo que causavam fuga daqueles olhos, via um horizonte radiar na miragem de um breve futuro. Não era necessário essa visão, pois seu coração tinha uma retina, e nela compartilhava um sentimento indescritível pela palavra, incompreendido pela racionalidade, e libertador pela linguagem das pulsações, como a reciprocidade inesperada de dois desejos unificados. 

     Naqueles passos sem compasso seguia uma sinfonia tão inovadora e esperada, apesar de ser algo epifânico e inusitado. Através do espelho ela vislumbrava aquele adocicado dia dentro de seus círculos constantes de  despertares e vínculos. Finalmente enfrentará o medo, esse tenebroso sentimento que atenuara-se, dando espaço para outras sementes germinarem. Tinha consciência da realidade, mas mesmo assim dava o sacrilégio de sonhar e navegar no úmido da vida. Pois, a alma de viver é sentir, nada mais é capaz de satisfazer com intensidade a misticidade do sabor misterioso que é viver.

     Um presente que vivia aquecido de lembranças recentes, nesse cenário dormia serena. A única ótica que guiava era do coração. Pois, quando o amanhã chega resta lembranças e expectativas de outro amanhã.

     Há coisas são intangível pelas palavras, restando para os sentimentos e suas múltiplas sensações. Que faria dos seus três pontos: O significado da vida. 

Dentro de outra sociedade

     Numa inconstância que nem o tempo nomeia-se. Descobria nas pulsações do sol que invadia um pedaço daquela sociedade incompreendida. Não havia hierarquia, a única restrição era em ser feliz, porém não era imposto. Pois tinha a liberdade aspirante de sentir tudo aquilo que era transmitindo. Através da comunhão de olhares, palavras, gestos, sentimentos, tudo aquilo que resplandecia na cinestesia.  Estava aproximando lentamente nas sutilezas de todos os momentos. Às vezes considerava que a vida era feita de classes gramaticais composta por: verbos que definem as ações, estado emotivos, espirituais, além de outras indefinições complexas pelo entendimento, intensa pelo sentimento; os adjetivos e advérbios que incrementam a ideia de algo; os substantivos e os pronomes são o próprios nomes das coisas que nos cerca dentro e fora; os numerais que tenta inutilmente encontrar a equação da felicidade eterna e  certeza universal. As intejeições são os espantos e as epifanias que surgem e morrem no nada. O nada que é considerado partícula do eterno.  As preposições e as conjunções que  interligam tudo à todos, corações as suas verdadeira almas, pensamentos em seus destinos, e  por fim conecta palavras com tudo que compõe a pintura ainda misteriosa, denominada por: vida. Quatro letra tão breves e cintiladas para definir essa ocultação inconstantes de fatos.

     Numa fugaz instante, um vento timidamente declara:

-Qual é o seu verbo? 

     Indaga e depois de uma certa hesitação responde-lhe:

Viver,apesar de que temos que sacrificar esse sacrilégio por outros que são impostos pelas classes não apenas das palavras, mas também da sociedade. Os três verbos são: Trabalhar, Sofrer, Olhar o mundo acabar-se(…). Alguém respondem-me esses três pontos inconclusivos. Dizem que tudo que tem um começo existe sua oposição elementar o fim. Mas como explicar, quando algo começa pelo meio. Esse intermédio entre a vida e a morte, amor e ódio, verdade e mentira. O mundo de antítese mascara e desnuda a tão questionada realidade. Diga-me, não é uma ordem é apenas o chamado que vida está proclamando. Ainda não encontrei as respostas. 

     Naquele mundo vivia uma sociedade surrealista, que era alma do real e consistência da vida. Apesar de todas as nomeações, questionamentos e injustiças,  ali encontrava um neologismo perfeito. Estava dentro do seu próprio desconhecido. Onde para  ela existir precisava escrever, pois antes sua pré -história era apenas sentida… Agora é vista e esquecida pela própria memória, mas nunca pela da arte quase infinita dos vocábulos. Por enquanto fechava os olhos para a realidade e abria olhos do coração. Mas nunca deixava de olhar mesmo que visse o nada, conseguia notar um sorriso traçados pelas…As reticências.

Ao anoitecer…

A revelação é o pacto

Dito pelas estrelas no eco silencioso

Um ar anoitecido no compasso fluido lavava o corpo

Passos da noite que se encontrar em devaneios

Estava se repartindo ao meio

Um pedaço no pulsar do coração

 Um traço do destino em sua mão

A risca do pressagio do passado

As estrelas que guardam a existência com um brilhar

Apenas um piscar estava desvanecendo

Descendo para a estrada invisível

O olhar anoitecido não conseguia ver

Ao anoitecer se encontrava no abrigo tímido da inspiração

Uma gota úmida lembrada do dia que se escorre

A infinidade era úmida…

Apenas um momento sumia

O vento abafado do quarto que aloja os anseios

Nos passeios do silêncio

Insano prometido

 

“Qu’il ne nous donne rien et qu’il nous promet tout

Parait qu’le bonheur est à portée de main

Alors on tend la main et on se retrouve fou”

“Que não nos dá nada e nos promete tudo

Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,

Então a gente estende a mão e se descobre louco”

     Onde a realidade não atinge, os olhos ler os tracejares das palavras ao infinito:

A insanidade aprisionada na promessa destinada

Nas palavras largadas  nos caminhos

 Sorrisos mascarados ao redor. Passos sozinhos

A consolação na fé no compasso do pé

A dualidade sufocante dos sentimentos e pensamentos

Tentam ultrapassar a barreira do entedimento

A vida é um sopro do momento

É o insano prometido

A promessa que ainda espera

Na esfera cárcere

Um dia talvez possa sentir o frescor

Do beijo suave da amor

Na ausència de pudor

Na revelação da farsa e abstrair a verdade

Em um lugar que não haja saudade daquilo que nunca viveu

Apenas uma sombra saudosa na serenidade eterna

Incerto esse dia, ainda espera….

A chegada retrouve fou

No tempo impuro que se alimenta de tristeza

Não há certeza apenas espera alguma

O selo da promessa secreta 

Fanatismo

Amando incondicionalmente e além da morte. Florbela Espanca.

Minha alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor à  ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

O coração da verdade

    A vida é vivida pela voz que ecoa no silencio. A quietude é ressonar da vida. Os fatos que ocorrem são marcados nos traços da mão do seu destino… Ou apenas o acreditado. O poder que envolve a misteriosa vida. Enigma seria por não haver definições, algo desconhecido. Que somente o silêncio sabia dentro do coração da verdade.

    A alienação mais terna que encontro-me é no caminho perdido das palavras. E cada dia o mundo encontra-se num sistema injusto e mastigado está lá fora acenando, estendendo a mão na imundice. Aperto aquela mão numa hesitação. Onde tudo aconteceu com o poder das palavras que estão envolvidas num arco brilhante de esperança. Em alguns momentos efêmeros que refletia-se na chuva de minhas lágrimas e no sol do meu coração. O feitiço inacabado das gotas de minha vida. Era uma imensidão interminável.

    As metades encontravam em algum instante da vida. Um breve magia. Por enquanto a resignação se libertar de mim, e meu sentimentos são liderando por esperança, à espera daquele alguém. Mas tudo é efêmero, deixando somente tênues traços de recordações. Não precisava de adeus, apenas o silêncio bastava. Um alívio, no pacto levada pelas palavras. Onde chegará?. A minha conclusão é inconclusiva. Cedo ou tarde, apareceria sua iluminação emanando os feixes de luz em minha escuridão esperançosa, onde a única luz é do coração. Perdidos atrás das reticências, estou à tua busca. Desconhecido apenas sei que é um alguém. Até chegar nesse caminho, a vida enfrentará as  oscilações de minha solidão que canta com alegria. Tem como ser feliz sozinha, na durabilidade limitada.

    No fim daquele dia uma melodia suave toca ao meus ouvidos, um trecho que vale pelo resto que viverei: “Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho.” Não há vida sem amor e não há amor sem união de dois corações. A verdade era pulsante. Isso já bastava…

A chuva sigilosa da vida

    A chuva umedecia uma inovada fase, que guarda um sorriso feliz e lágrimas de tristeza. Estava renascendo suavemente,  lá fora algumas estrelas brilhavam.E sente-se subitamente em seu peito, como um despertar que abre os olhos que estão nas ondas das imprevisões. É a libertação, saindo lentamente do atormento e submergindo ao desconhecido. Um imenso alivio que sopro os seus lábios. Nada a temer além do que a própria vida e sua ausência de aproveito, todos os instantes está no céu único, onde as estrelas brilham na escuridão solitária da espera. Melinda lê em voz alta, sentido cada letra pinga em seus olhos e lábios, no compasso do coração.

    – “A vida é úmida no meu manto, que guarda o medo e tristeza debaixo do manto da ressurreição eufórica. Escrevo por não me conter, preciso marcam como uma imortalidade dessa momentaneidade…Caímos sem pára, numa constância que se oscilam dentro da espera.  A esperança do coração que bate o sangue do amor…”

    As gotas pingam sob o telhado, a distancia que colidia a realidade, estava presa nela, mas o seu refúgio é entra no mundo perdido em sonhos. Os sonhos que às vezes tinha de olhos abertos. Vivia realidade em cima do sonho, feito pelo futuro. Desconhecido seria aquele caminho…Estava de olhos abertos, sonhando.Enquanto a chuva caía.

    Na lagoa rasa estavam borbulhando as palavras que logo seriam pescadas. Às vezes saiam do coração umedecidas pelos não-pensamentos, ou submersos na mentalidade. Todos navegavam nas águas vitalizas. Esperando serem pescados.

    “Então escreve é o modo de quem tem a palavra como isca:  a palavra pescando  que não é palavra. Quando essa não –palavra- a entrelinha morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se –ia com alivio jogar a palavra fora aí cessa analogia: a não palavra ao morder a isca, incorporou-a. O que salva é escreve distraidamente.” – Clarice Lispector  (Água viva)