Procura-se

    Os  dias de minha memória estão expirados neste ano revelador, caoticamente, às avessas de melodias comuns e planejadas. Descobrir que a vida humanizada sempre esteve perto de mim e me sustentava em sofrimentos injustos ou sofrimentos saudáveis que permitem a transformação intensa de todas as proposições lúcidas. Dentro de cada parte que simboliza um progresso de meus suspiros, olho para trás e vejo que tudo que tinha que acontecer exatamente como foi, dentre todas as injúrias, derrotas, choros, revoltas e injustiças foram metaforizadas em um vale de realidade, dignamente, crescente. Portanto as injúrias viraram flores de piedades e reflexões; as derrotas abriram para novos caminhos para o destino;  os choros são, na verdade, mares de crescimentos e águas de sentimentos límpidas que deslizam para o vale da felicidade merecedora; as revoltas formaram uma grande armadura de sabedoria e questionamentos sobre os espinhos venenosos e, por fim, as injustiças se tornaram o manto do reconhecimento verdadeiro de cada alma falante.

    Aqueles doze meses de tantas ações desumanas se transformaram em fumaça do esquecimento. Naquele final que faiscava, serenamente, na minha retrospectiva vislumbrava um futuro-presente tão confortante em que os caminhos são nivelados por novos e inebriantes desafios que denunciavam suas cores translúcidas. Parecia que tudo que estava procurando encontrara. Sim, estou certa dessa decisão, encontrei um meio de aprimorar minhas capacidade prematuras em resultados claros.Prefiro ser feliz ao invés de ter feliz, pois o último é perecível, efêmero. “

    Nas suas reais ideologias vivia imersa dentro de suas conquistas, vitórias, novos futuros e obstáculos o qual enfrentaria para chegar até a reta final. Todavia, ainda não se contentou com algo que a perturbava, levemente, como um sopro noturno em que não mostrava sua origem. No fundo sabia o que significava aquilo, no entanto, não tinha muito acesso àquela parte que se comunicava através de outras linguagens diferentes do que estava acostumada. Era uma nova sensação que não tinha origem certa, porém sabia que essa fazia parte do seu processo de humanização. Tudo aquilo era o ato de procurar. Procura-se em forma de matéria ou espírito aquilo que saiba amar não com palavras, promessas ou idealizações uto-mentira, entretanto, saiba amar por meio da ação, dos gestos, verdadeiramente através do coração da realidade. Procura-se o fazer “eu te amo” não o seu dizer promíscuo e sem razão. Procura-se pessoas humanas que saibam ser justas com outras. Procura-se a verdade que se perde em tantas asneiras. Procura-se a vida digna, íntegra, verdadeira. Procura-se a felicidade incondicional que estava na morada de sua sabedoria tênue, mas pronta para expandir das fronteiras limitadoras que adormeciam nas noites de lua cheia.

    Mas tinha certeza que não precisava procurar pela vida humanizada e nem pela felicidade. Pois elas sempre viveriam dentro de sua mente e de seu coração. Naquela tarde, nada mais entristecia, nem mesmo a incerteza de ser enganada novamente, porque sabia que estava guardada pelo sol da verdade e ela não deixaria nenhuma injustiça lhe a abater. Naquele momento a vida estava além de qualquer definições. Fecha aquele ano com novas reflexões com seu grande amigo, Rubem Alves, que apesar de nunca ter conhecido pessoalmente refletia em sua própria vida.

 Instantes, de Rubem Alves.

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido. na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares aonde nunca fui, Tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos; não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, Um guarda-chuva e um para-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, Contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, Se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

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No amanhã tudo é possível

    

     Naquele manhã tão serena fui despertada pelo vento que entrava  através da janela. O ar preencheu todo o meu vazio,  lentamente meus olhos abrem e vêm um futuro turvo e distante daquele presente sólido e silencioso. Levando-me e direcionou-me à janela, através desta vejo um horizonte forma-se subitamente em minha frente. Um instante inusitadamente despertar como uma epifania, um grito berra tão alto que assusta a quietude do recinto. Algo estava nascendo dentro de mim, repentinamente começar à devorar por dentro. Caminhei até outro cômodo e fiquei intacta imersa em reflexões da vida que absorvia-me naquele momento. Parecia que tudo que estava vivendo era uma enorme farsa, como se tudo estivesse mascarado. Um baile de fantasia malfeito. Os olhos doem ao olhar ao redor e descobrir a verdadeira realidade que escondia atrás de imensas máscaras e trajes inimagináveis.

     As horas faziam-se em minhas reminiscências, e destas acordava o meu passado. Estava desnorteada não sabia mais o tempo que estava transcorrendo, o passado devora o presente e o futuro permeava o passado. Todos estava aliados em absoluto tempo. Visualizei o relógio que marcava exatamente 10:57, e rapidamente minha mente vagou para um lugar tão longínquo que perdi-me os espaços. Parecia até outra dimensão, meu corpo estava leve e flutuava ao sopro do vento, enquanto a mente perpetuava numa paz e tinha a sensação que tudo seria tangível. Não conseguia encontrar uma linguagem para definir o lugar que encontrava-me e sentimentos que rodeavam o meu peito, nem como o tempo transpassa. Tudo parecia um mistério tão profundo, que antes mesmo de pensar estava de volta novamente à minha casa sentada na cadeira. A surpresa maior ainda foi que ao olhar para relógio estava marcado apenas 10:58, como que tudo aquilo passará em somente 60 segundos de minha vida, tinha a sensação de que  foram horas apesar de serem momentos misticos e únicos. Em cada minutos ficava cada vez mais apavorada e questionava: Como que tudo isso seria possível?. Desconhecida uma resposta.

     Ao entardecer o sol absorvia todos os meus perturbadores sentimentos, e a  solidão prevalecia e consolava-me com suas sutilezas. Por enquanto, estava ali caminhando lentamente seguindo à maré do destino, em cada passo construía um novo caminho. Às vezes sentia-me com aqueles sensações similares que tive ao depara-me com finitude de minha vida. Acho que caminho não para por aí, além deste terá outro pedaço que nunca fora percorrido em vida, mas será caminhando em morte. A insolação do sol trazia-me uma nostalgia que despedaçava meu coração. Paradoxalmente sentia que cada vez que aproximava-me estava afastando-me de algo que fazia falta. Aquilo que sentia corroía dentro na plenitude silenciosa dos dias.

     Apenas ao chegar da noite todos os sentimentos sombrios eram liberados para bem longe do meu coração, para novamente outro dia retornarem. Às vezes nunca saiam de lá, faziam parte e compunha minha identidade e ideologia de viver. Inexplicavelmente na noite uma força consistente germinava dentro de mim, parecia que o mundo estava-se conetando com meu espirito. Onde recordo tudo que já ocorreu, prevejo o que ocorrerá, e sinto a  presença de cada instante. Um sacrilégio, o silêncio acalenta todas as angústia e tristezas que transbordam ao deparar com face esdrúxula da realidade. A ausência dá lugar para espera. O tempo não passava, a vida engolia este, fazia dos segundos sua própria refeição. Com o tempo saciava todas suas vontades e conquistava novos caminhos.

     Apesar de tudo está nas longevidades, sentia-me cada vez mais perto do âmago do mundo, do ponto principal do meu destino, e daquilo que sempre esperarei. Onde o consciente omite e o inconsciente aguarda. A escuridão decaia e suavemente adormecia em cima dos meus sonhos, na espera de realiza-lo em algum amanhã….Até chegar ao hoje e notar que impossível. Mas no amanhã tudo é… Possível.

     O vento despediu-se levando consigo todas minhas infelicidades dos momentos, deixando nos intervalos do silêncio. A ilusão encobria num manto irreal. Sabia que tudo não passava de uma enorme utopia…

Solitude du silence (Solidão do silêncio)

Um sopro efêmero das palavras

Que pulsam em meu coração solitário

Olhos abertos dispersos dentro de seus momentos

Adormecida no colo da solidão

No silencio palpitado

Sinto a presença desconhecida ao meu lado

O ar puro que respiro

Sob o giro da vida

Solitude são as batidas

Retrove os sentidos inconnu…(desconhecido)

Esse é o sorriso da vie(vida) 

Um risco perdu(perdido) que traça o incerto

La solitude du silence

O destino impreciso da vida

Até chegar a despedida

De minha inda para o além 

    A chuva caía bruscamente sob a pele cálida de Eliza, junto com suas lágrimas que escorriam dos olhos. Estava desamparada, no imenso mar que se forma da solidão e saudade, numa mão sombreada que acenava. Segundos anteriormente haviam raptando o seu coração, que está nesse instante está partido em pedaços levados pelo adeus.A despedida ao entardecer.Aspirava ligeiramente o ar e tentava se recompor, mas os passos são líquido, estava derretendo, logo desintegraria nas águas de lágrimas. Uma tarde entristecida, as nuvens estavam chorando. O mundo é água, o tempo é liquido marcando no relógio 16:22. Duas horas, sentia que seria feliz eternamente, não poderia manipular o destino. O destino é listra da vida com seu próprio livre-arbítrio de dominar em nas curvas desconhecidas e oscilantes, causando somente tristeza, que nunca deixaria de existir. A felicidade é apenas um disfarce para esse sentimento. E como gostava de estar aquecida ao lado dele.

    Nas gotas do passados duas horas antes…..

    Um sorriso torto na face demonstrava desconfiança e apreensão, Eliza estava debaixo de uma árvore antiga de enorme galhos, lembra-se que essa espécie brotavam flores exuberante na primavera. Numa tarde de outono as folhagens estavam caídas sob o solo, no fresco do mês de novembro. As nuvens estava acinzentadas, presságio de chuva. Ali, estava ela estagnada à esperar de sua outra parte de seu coração, que logo viria ao seu encontro. Ele, em contraste harmônico, rosto de traços delineados como uma brisa. Estava preocupada nada distraia-a, pois tinha o pressentimento que algo irá abalar. Era um colisão entre inquietação e  a esperança que dominava, iluminando o peito. As sombras encobre a espera em lembranças, e recorda de como era hipnotizada pelos olhos de verdes mel dele, oscilava nesses dois tons, aquelas madeixas sedosas pretas pareciam ondas marítimas. Era um prazer passar suas mãos em carícias ternas. O relógio no pulso marcava, 14:09 estava atrasado nove minutos, deixando ela aflita. Mas logo ver uma sombra se aproximando, era ele atrás dos arbustos. Fica fascinada como ele estava belo.

    – Oi, Liz. Desculpe o atraso estava ocupadissímo. Como vai? – diz Daniel, selado um beijo suave na bochecha de Liz.

    – Assim, tudo bem, fique despreocupado. Estou tão feliz em te ver, mas não omito meu temor com sua presença, pressinto que virá noticias ruins. O que está acontecendo? – dizendo com olhos que contém as lágrimas, sob um sorriso que tenta dissimular.

    – Sim, tem algo que preciso discutir com você. Podemos nos sentar naquele banco. – sinalizando ao ambiente, um recanto agradável.

    O silêncio marcava os passos ligeiros rumo ao banco da praça. A respiração de ambos ficam acelerada e o coração começa a bater sem compasso. Sentam-se um de frente ao outro. Numa hesitação Daniel, encontrar as palavras e comunica:

    – Precisamos romper…não consigo esconde mais de você, seria muito injusto continuar assim. Você uma menina meiga, carinhosa e linda…-  subitamente interrompido

    – O que não pode ser o que estou pensado. Como pôde? Ainda é descarado de me elogiar. Porque fez isso comigo, não posso acreditar. Parecíamos tão felizes juntos, eu pelo menos conseguia sentir um sorriso verdadeiro da felicidade. – diz fugazmente rasgando as palavras.

    – Eu sei que é decepcionante, mas fiquei enfeitiçado por uma garota e não me contive. Ainda gosto de você, mas é algo neutro. Você é meu equilíbrio e pureza, ela é selva repletas de sensações. Você é o amor. E ela é a paixão. Fiquei indeciso durante essas duas semanas, mas prefiro o gosto ardente da paixão. Desculpe, não gostaria, mas o desejo está me devorando preciso cedê-lo. Ainda podemos se encontrar, sermos amigos. Estou repartindo, uma metade quer amor, outro maior tem anseios pelo fogo da paixão.

    As lágrimas despencam dos olhos azuis de Liz, deixando-a com um semblante magoado. Puxa um ar que tem perfume de saudade e tristeza, um trovão é escutando, aquele é som da cólera que nascia junto com turbilhão de sensações. Estava indignada, as palavras estava matando, perfurava seu coração. O sangue escorria pelo peito, estava morrendo. Não, seria forte.

    – Eu preciso pensar… – atropela as palavras, não consegue dizer nada. Apenas olha nas profundezas daqueles olhos, e com segundos todas as memórias acerca seu coração e sua mentalidade. Morreria e nunca deixaria de olhar aqueles olhos, aquele íris enfeitiçando-a

    – Está tudo bem, Liz. Podemos conversa mais tarde se quiser, quero que a levo para algum restaurante, pelo que sei ainda nem se alimentou.

    – Não, cale-se. Escute o silêncio e sabe o que ele diz: “Suas precipitações irá te afundar num abismo, com esses atos mesquinhos. Para sempre serão as lágrimas que chorarei por ti. Me afogar no mar feito por palavras que nunca direi, o que me resta apenas a calada resignação.” Eu sou o silêncio e o sentimento desprezado por ti….

    Os pingos começam a cair, ele lentamente dá-lhe um abraço pesado e cheio de culpa, mas mesmo assim traz uma ternura na essência da lembrança. Aquilo faz esquecer de horas antes, e consegue estampar um sorriso de felicidade. Mas tão breve que venho, também desapareceu. As gotas engrossam, o mundo chorava. Era o momento da despedida, nas lágrimas do adeus.

    – Apesar disso tudo, nunca irei esquecer os lábios mais doce, os olhos mais profundos. Você é silêncio do amor, sempre estará comigo dentro de uma parte do meu coração. Sempre sentirei sua presença ao meu lado. Adeus…!- diz Daniel nas palavras que som como a última canção….

    – Ainda não compreendo tudo que houve, como mesmo digo tem algo que não requer de entendimento, mas de sentimento. E o meu agora é perdido nas reminiscências, um vácuo abre em meu peito. Mas em breve preencherá com as lembranças, que são eternas. Nunca decaíra ao esquecimento, nos olhos que morreria vendo, nos cabelos que parecem nuvens, no beijo suave e terno em instantes intensos. Você não vai ficar no meu coração, pois roubou consigo. Sou no agora um corpo vazio, cheio somente de lágrimas. Adeus é a palavra mais dolorida. Não estou mais viva, nem sei mais o que está me sustentando.

    Os olhos se fixam, os lábios se aproximam selado o último beijo ardente nas carícias das gotas da chuva que umedece o fim deles. O que mantinha viva era a água, pois a água é viva. Um beijo umedecido de desejo, tristeza e amor. Soltam-se, e se afastam, vagando em seus devidos caminhos. Tudo foi uma miragem afogada pelas águas do adeus.

    Eram 20:34 ainda não havia chegando o sono, para distanciar daquilo tudo. Os pensamentos rodavam em imagens que passavam velozmente, deixando o coração em poeiras. Todos tinham o amor do lado, mas desprezando em busca do chamas pecaminosas da paixão. Estavam trocando a eternidade pelo instante. Agora o seu reflexo é ausência, e tentar viver a vida na solidão em seu canto, deixar que as lembranças abram as portas de outro alguém. Na escuridão do quarto uma quietude aclamava: “Fique calma e espere o futuro que esconde um sigilo. ” Sob essa voz adormece em outro mundo, que não precisa de visão. A irrealidade onírica.

    Uma névoa oculta o cômodo e a moça que estava perdida atrás dos pontos. Havia passando doze anos, e nunca encontrará ninguém como ele. Era eterno seu amor, e a saudade impedia sua extinção. Sentada numa cadeira endurecida, escrevia numa folha amassada as palavras que fervia no sangue enfurecido: “Nas horas que não existem…E mesmo assim seguimos. O mestre da dor é o tempo, não cicatrizam nada. Pois nada havia. Nada sei. Ainda espero a promessa do silêncio que me disse: Espere que o futuro esconde um sigilo. Que sátira da vida, é inexistente o futuro, só existe mesmo o agora. Nem a palavra que escrevo existe…Até a palavra existência foi inventada. Tudo não escapa de uma criação. Um enorme vazio perfura o peito. Acho que deve haver um pouco de esperança, pois é sem escapatória. Mas a única coisa que espero é morte. O fim dessa vida…. Será que agora permaneço ao seu lado. Meus olhos se recusam deixar cair mais uma gota por ti. Adeus, para sempre….”

    As gotas das suas palavras imortais se esgotam, e subitamente tem um ataque cardíaco e desfalece. O amor é equilíbrio vasto, impossibilidade pelo coração fragilizado e indeciso do ser humano. Ela estava na liberdade, atrás das  nuvens. Agora sentia a vida, e dentro do peito tinha uma pena. A leveza que flutuava ao infinito escurecido. Ali, é origem o centro do mundo. A vida presa na realidade é apenas uma espera, para morrer e começar realmente à viver. Onde as palavras não encontram definição, ficando somente pelo silêncio umedecido….

    Um sorriso estampado em sua face, sem nenhuma felicidade. Isso é um gesto que  disfarçar a angústia, a saudade, a tristeza e a solidão. Na inquietação aflitiva que sofre, eriçando o corpo. Na esperança que ainda brilhar como uma névoa de um ar aquecido. Sente o pulsar lento do coração, a falta de um pedaço perdido no além. Ausência como um buraco que lentamente vai se afundado no abismo da solidão….

Não pode morrer agora – uma voz diz.

    Segura um galho estreito que aparece subitamente no abismo. Toma fôlego soube devagar, mas é algo difícil e o ar se torna rarefeito. Chegou a ficar segundos sem respirar, mas como?, lá embaixo não há tempo. Ou talvez, lá cima os olhos passam imagens distorcidas. É uma difusão infinita, obscura e silenciosa. A quebrar das moldagens dos paradoxos, uma dimensão sombria, inexistente capaz até mesmo de sentir o vazio perfurando.

    Um grito ribombou o silêncio. De repente, uma chuva caí lentamente esfoliando em seu rosto as gotículas de desespero, saudade. Eram notas que umedecia suavemente.Emoções que fogem do coração para nuvens nostálgicas da solidão. Caindo lentamente. Escorrendo pelo corpo. Uma dor aguda atinge e rasga seu coração, as águas que se esvaia voltam novamente. Voltam, para o abrigo. O abrigo do seu coração….

    Desperta abre os olhos, estava em sua casa sentada na cadeira da esperança. No quarto que protege da chuva que escorrer lá fora. A janela embaçada com essas gotículas. Desnorteio, perde a noção da sua própria existência. Fixa repentinamente os olhos lacrimejantes no papel ao seu lado. Um suspiro de saudade, na lembrança eterna escrita num bilhete azul: “Nos olhos me perco na paixão do meu primeiro beijo…Um abraço…. Depois de tanto tempo recordava daquele instante. Do seu primeiro amor, inesquecível. Ainda sentia aquela presença delicadamente em seu lado.

    Sentido a fragrância das palavras coloca o bilhete suavemente no colo, para que penetrasse em seu coração eternamente. Fecha cautelosamente olhos. Escutando as gotas de chuva que caía sob telhado e na grama umedecendo-a. Não apenas no seu jardim, mas em  sua alma no úmido das lembranças. A chuva se acalma se transformando numa garoa, refletida pela luz solar. Um arco – íris rasga formando um paisagem bela, em sete cores. As cores que são vistas, feitas. As cores da sua vida.

    Naquele dia ela deve a última lembrança, escutando a última música. Apreciou a última visão e estampou o último sorriso. Um sorriso verdadeiro de alívio. Fechou os olhos e adormeceu profundamente. E quando abrir novamente os olhos já não existia mais…Um suspiro.

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