A inexistência, as reticências e os parênteses

     Estou na inexistência, aqui encontrei o ninguém, esse pronome indefinido trouxe-me o outro lado da vida. Nessa plenitude vivo um sonho-realista, um sonho-acordado, uma viagem ao não-tempo. O mais espantoso é que os fatos são reais, são ilusões fatídicas. Agora realmente sei e posso provar: Sonho é destino, e que a felicidade é apenas digna quando compartilhada.

     Não preciso expressar mais nada, nesse instante só ansiava ser devorada pela explosão dos sentimentos. Encontro-me muito longe daqui, somente o ninguém é capaz de viver ao meu lado. Esse codinome mascarava a sua própria identidade, era uma proteção não violarei. Em que todo dia fazíamos da nossa vida algo intenso e terno de experimentar, aproveitar e saborear. Aqui na inexistência tudo fora provado, as coisas que não existiam na realidade são tão vivas e sólidas nesse espaço, que nada terá audácia de desconfigurar. Sabia onde encontrava-se agora, no limite vitalizo do(…).

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O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

O doce silêncio da noite

     Nesta noite uma parte diferente e iluminadora despertar. Uma vontade enorme de proferir em palavras aqueles sentimentos que brilham na noite, onde as estrelas estão escondidas dentro de si mesma. O céu lá fora é desconhecido, mas do lado de dentro pode sentir aqueles piscarem vividos e intensos. Quantas sutilezas e provações, estava sob o efeito de histórias alheias, do luar anoitecido, todo aquela magia compunha breves e instantâneas vogais e consoantes que rabiscavam toda a superfície daquele corpo, em que era feito somente de sua verdade, aquilo que criava e realmente existia, e o mais importante acreditava com todas as forças daquele coração que pulsava inovações e incertezas.

     Enquanto flutuava à sonhar de olhos abertos, fincava subitamente no chão da realidade todas as aspirações. Era possível ser feliz  na realidade, isso era uma descoberta, precisava memoriza isso em algum lugar mesmo que seja dentro do mais invólucro. Havia essa liberdade, não importava mais as limitações e injustiças humanas, não tolerava mais aquela natureza, pois pensava que sabia o suficiente, onde o resto era ignorado. Daquela ignorância fazia os retalhos alegres de sua vida.

     A memória daquele dia escondiam-se na noite, tudo resplandecia como luzes noturnas. Sentia-se aquele presente-futuro, aquele passado-presente. Os tempos fundiam-se oscilando juntamente com sentimentos tímidos ainda indefinidos. Como poderia ter exatidão era impossível, como poderia esquecer aquele sabor onde palavras são poucas para discernir e os sentimentos são caóticos para expressar. Deixaria tudo isto com o doce silêncio da noite.

     Nesta ternura entre a não-palavras e as palavras-sentidas. Denotava as linhas de algum destino(…)

Sonho é destino

Perto dali, uma voz ressoou ao vento:

    – Escolha uma cor ? – uma menina de cabelos castanhos, segurando um papel colorido na mão, pergunta direcionando para um menino.

    – Azul- responde ele na ignorância do seu destino que estava em jogo.

    – Escolha um número?

    -Oito-  diz hesitante.

    -Um, dois, três, quatro, cinco, seis , sete  e oito…

    -Escolha outro número?

    – Quinze.

    – Um…..Cinco…Dez…..Quinze- finalmente termina  a contagem

    – Escolha o último número

    Depois de refletir, fugazmente diz:

    – Seis

    Numa voz clara e potente, diz ela:

    –Sonho é destino…

    Aquelas palavras,a apesar de serem apenas símbolos de algo inatingível. Era o principio para a vida criada.. Tudo aquilo era um.. Sonho…Aquilo era o destino de todos. Ele flutuou ao infinito e adormeceu num sono eterno, dentro da lucidez dos sonhos, que é a sua sina.

Inspirado no filme Waking Life.