Pulsações anoitecidas do silêncio

     Dentro de algum lugar naquela escuridão, haviam palavras preste para serem ditas. Aqueles átomos de vocábulos, estavam construindo um grande corpo celeste que fixava somente naquele universo. Brilhavam numa sintonia complexa de ser localizada, era conhecido como mundo do silêncio, mas essa ausência de som era sua maior inspiração. Numa quietude que acalentava as negatividades, que às vezes persistiam em renascer e vigorarem. Mas essa terra não estava propícia para o florestamento dessas infelicidades. Após ultrapassar o véu da realidade e enfrentar notou inusitadamente que era belo, majestoso e libertador. Essa impulsão foi conquistada com a força corajosa e esotérica de nascimento desconhecido.

– Sabia que tudo surgiu da escuridão, e nela que esconde a própria eternidade. Pois nunca chegou a ser criada, sempre existiu.

     Essa voz propaga todo o espaço interior daquelas partículas, e dissipa como relâmpago.

– Não é os reflexos dos objetos com influencia formação do ser. Existe uma essência imutável por qualquer coisa, até mesmo o tempo. Essa tênue parte que compõe a identidade.

– Tempo não é dinheiro. Tempo é uma invenção dentro de outra que é viver. Vida é real, mas isso não impede que seja inventada e reinventada.

     Estagnou-se, tudo calou-se. Havia dito que era necessário, retirou tudo aquilo que era mais sincero e puro. Os aforismos cantarolavam suavemente em sua mente. Subitamente, essa outra espécie de silêncio prevalece, ali que estão guardados crescentes e recentes sentimentos profundos. Nenhuma palavra ousaria descrevê-los. Era o não-dito, o não-escrito. Apenas o silêncio que podia fortalecer e eternizar o sentimento mais forte da vida, a alma do coração, a motivação de lutar e o oxigênio puro para os pulmões. Era o (…).

Tudo que chamo de vida

     A sobrevivência era uma consistência intensa que liderava todos os sentimentos, era motivação fortificadora de viver. Naquele dia, despertou na inebriação de mais um ano, sabia que haveria muitas surpresas por aí. Aquele final de ano vivia ao lado de várias promessas, que estava preste a realizar-se. Lembrava nitidamente do ano passado, e conciliava com aquele pleno e digno presente que metamorfoseava a cada instante, impressionando cada vez mais. Tudo tinha uma primeira vez, mas o diferente do primeiro é que inesquecível, marcante e imortal. Jamais esqueceria momentos que foram sagrados para coração, ternos para mente e contemplativos para aqueles olhos e aquela vida que enfrentara a realidade e vencera.

     Aquilo era apenas o começo de uma longa e incerta história. Cada dia escrevia um capítulo novo e inusitado das pulsações da vida. Todo dia nascia um novo sentimento que desfolhava lentamente a áurea e mistérios daquela vida.

     Num dia muito longínquo do presente havia um poema que concederia para alguém. Tinha essa fascinação em sua mente, até que nesse final de ano surgiu subitamente atrás da ondas oníricas, numa realidade avassaladora e surreal. Naquelas breves palavras dizia tudo que perpassava naquele coração. Isso é um retalho daquilo que chama de vida.

O nosso livro(Florbela Espanca)

Livro do meu amor, do teu amor, 

Livro do nosso amor, do nosso peito…

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas  de flor.

Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais prefeito.

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu !

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

“Versos só nossos, só de nós os dois…”

O mistério de viver

Quantas coisas foram vividas, sofridas sentidas nesse ano 

Ao transcorrer dos dias as coisas transformavam 

Algumas coisas eram gravadas na memória 

Essa sempre será minha história 

Onde não há vitória maior do que dos sentimentos 

Em todos os momentos, vivo esse plenitude 

Sigo o que em mim é pulsado 

Invento reivento minha verdade 

Ali que encontro a minha felicidade 

Um ano que se esvaia e outro que nasce 

Nas profundezas desconhecidas 

Nunca serei esquecida 

Pela memória do coração e da palavra. 

Isso que chamo de vida é pouco 

Para definir o que é viver 

O pêndulo da vida

“O meu hoje está no ontem. E meu amanhã está nas reticências(…)”

     Naquele caderno antigo escrevia um retalho de sentimento, e impregnava as palavras de pulsações. No instante, onde quase todos adormeciam tácitos dentro de seu universo, ela estava despertar delirando em emoções descontroladas. Um som tão intenso e potente que escutava, provocava-lhe em todos os cantos desconhecidos daquele coração fragilizado. Estava muito próxima, como sentirá dentro de si mesma. O inesperado chegou e revelou-se aquilo impressionou, o medo foi atenuando e substituído por outras sensações imanentes, estava cada momento descobrindo um novo caminho para percorrer. Não havia dúvidas, sempre seguirá a canção do coração, pois essa voz grita mais alto, e a partir disso que conquista a felicidade de viver sorrindo. Em sua face sempre estava riscado um sorriso, como se fosse delineado pelo vento iluminado pela lua, uma sinceridade era exalada, a verdade era o ar que respirava, necessitava dela para sobreviver. Era um recurso inevitável que cultuava em todas as horas de sua vida.

     Novamente, em quatro paredes idealizava e revivia ternos instantes de sua vida real. As utopias eram surreais e coloriam as paredes de concretos, com vários contraste de cores e iluminação. Em cada cômodo criava uma janela, para que fugisse às vezes da realidade e atravessa-se as fronteiras das delimitações das coisas. Em algum momento atingirá o  além de tudo, onde basta sentir para poder viver realmente livre ao lado de suas utopias. Apesar de ainda não ter conseguido alcançar esse objetivo, não amargurou-se, apenas sentia a resplandecência da esperança crescente de um dia conquistar. Mas não tinha tanta pretensão de fugir da realidade, pois o real agora era um sonho. Sonhar não há limites.

     A partir desse instante, percebe como o seu espírito encontrava-se em liberdade, estava desfrutando dessa façanha. Estava voando nas pétalas de todos sentimentos, navegava em fatos inesperados que decorreram numa passado-presente que eram memorizados, mas tudo que não cabia na mente fixava no coração, eram registrados e mantinham imortais. Pois esse órgão é parte mais sagrada dela, apesar de sua mortalidade, nunca deixará de viver, mesmo que seja na lembrança de um velho poema, ou no íris do tempo.

     Por mais que tentasse, não seria possível definir e delimitar em breves palavras tudo que transcorria,  no corpo da mente, e na alma dos sentimentos. Não importava, apreensiva deixe-se leva-se para  o seu lugar favorito o não-tempo. Dali encontrou-se com a eternidade.

“(…)Não há tempo para viver tudo aquilo que desejo, mas aquele que é registrado não é pelo ponteiro é pelo coração. Esse era o meu pêndulo, isso era viver plenamente. “

O doce silêncio da noite

     Nesta noite uma parte diferente e iluminadora despertar. Uma vontade enorme de proferir em palavras aqueles sentimentos que brilham na noite, onde as estrelas estão escondidas dentro de si mesma. O céu lá fora é desconhecido, mas do lado de dentro pode sentir aqueles piscarem vividos e intensos. Quantas sutilezas e provações, estava sob o efeito de histórias alheias, do luar anoitecido, todo aquela magia compunha breves e instantâneas vogais e consoantes que rabiscavam toda a superfície daquele corpo, em que era feito somente de sua verdade, aquilo que criava e realmente existia, e o mais importante acreditava com todas as forças daquele coração que pulsava inovações e incertezas.

     Enquanto flutuava à sonhar de olhos abertos, fincava subitamente no chão da realidade todas as aspirações. Era possível ser feliz  na realidade, isso era uma descoberta, precisava memoriza isso em algum lugar mesmo que seja dentro do mais invólucro. Havia essa liberdade, não importava mais as limitações e injustiças humanas, não tolerava mais aquela natureza, pois pensava que sabia o suficiente, onde o resto era ignorado. Daquela ignorância fazia os retalhos alegres de sua vida.

     A memória daquele dia escondiam-se na noite, tudo resplandecia como luzes noturnas. Sentia-se aquele presente-futuro, aquele passado-presente. Os tempos fundiam-se oscilando juntamente com sentimentos tímidos ainda indefinidos. Como poderia ter exatidão era impossível, como poderia esquecer aquele sabor onde palavras são poucas para discernir e os sentimentos são caóticos para expressar. Deixaria tudo isto com o doce silêncio da noite.

     Nesta ternura entre a não-palavras e as palavras-sentidas. Denotava as linhas de algum destino(…)

Chegada do fim

     Os motivos ainda eram desconhecidos, mas o mundo exterior e suas suposições orbitavam naquele interior, infiltravam-se com discursos comprados na liquidação. O capitalismo estava em ascensão naquelas almas, estava tudo isso mentalizados e cravados. Tudo surgia e preenchia a essência dos meus seres, nevoado uma superfície desconhecida. Aquilo que era permitido pelo entendimento compreendia, aquilo que era pela sentimento sentia. Mas não havia limite para a discriminada e banalizada, loucura, esse termo era a seiva de toda a inspiração e luz espiritual que alimentava as horas caóticas e monótonas da realidade.

     O tempo passava sem nenhuma interrupção, essa mesma cronologia repleta de fatos, comprovados pela ação que nem sempre eram armazenados na memória. Os pedaços eram dispersados, alguns enterrados ao cemitério do esquecido, outros estava, na anarquia incompressível,outros são perdidos como desejos irrealizados. Cada partícula completava um instante de vida, em cada segundo, minuto, hora, fazia e compartilhava a minha única liberdade, apesar de todas as contradições, podia desfrutar tudo que considerava digno viver. Ninguém poderia retirar esse direito, mesmo na morte poderia viver. “Quantas incertezas!”, sabia disso. Não poderia deter a força do destino, dos fatos, da natureza de viver, não podia deter aquele voz que grita todas as verdades, que preenchia o vazio que adormecia ao lado nessa curva escura, anunciado a partida do ano: O fim chegou!. Nessas inconstâncias, declarava, passará uma fase de aprendizagem em todos os aspectos físicos e metafísicos. O sofrimento sempre será a essência humana, nele aprender-se a revolucionar o universo interior e exterior. Essa dor que fomenta as diretrizes da revolução, da transcendência, e da concretização da utopia. 

     Com indiferença tolerava alguns tênues julgamentos, porém o que mais importava era de si própria. Seguia sua sina segundos os compassos intuitivos, provocativos de sua sacristia espiritual, tinha conhecimento que sofria, o medo foi atenuado, pois foram evidenciados pelas expectativas e idealizações vastas que construía o seu presente-futuro, ou futuro hipotético. Ainda é gratuito sonhar, então abusava desse direito,  esse ato era a sua sobrevivência. Nesse misterioso ano, as coisas foram desmascaradas, revelando suas verdades. Com a experiência ficava mais forte para enfrentar todas as pedras no começo do meio, no fim do começo, e no meio do fim. 

     Uma ânsia de começar pelo meio, acaba no fim e viver eternamente…Pois sabia que embora todas as injustiças, proclamadas na sentença da áurea humana, dos infortúnios e das tristezas. Viver valia à pena, só por viver era uma gratidão plena. Olha que epifania, há direito de vida, inacreditável esse fato. Sente-se a epiderme desse tecido que tece ao caminhar, escolher, ao sofrer as ações e reações da vida. Tudo isso é viver. Não veja apenas o seu futuro, construa no presente, e reconcilie com o passado. Não outro meio de aproveita a vida que não seja viver. 

Alma do amanhã

     Atrás daqueles dias finais do mês, como diziam as profecias. O desconhecido abrigaria um lugar onde ninguém ousará ultrapassar. Imersa naquele interior indefinido, repletos de misteriosas e distintas sensações, concedidas por outrem e nascidas dentro de si própria. Desconhecido era o motivo que causavam fuga daqueles olhos, via um horizonte radiar na miragem de um breve futuro. Não era necessário essa visão, pois seu coração tinha uma retina, e nela compartilhava um sentimento indescritível pela palavra, incompreendido pela racionalidade, e libertador pela linguagem das pulsações, como a reciprocidade inesperada de dois desejos unificados. 

     Naqueles passos sem compasso seguia uma sinfonia tão inovadora e esperada, apesar de ser algo epifânico e inusitado. Através do espelho ela vislumbrava aquele adocicado dia dentro de seus círculos constantes de  despertares e vínculos. Finalmente enfrentará o medo, esse tenebroso sentimento que atenuara-se, dando espaço para outras sementes germinarem. Tinha consciência da realidade, mas mesmo assim dava o sacrilégio de sonhar e navegar no úmido da vida. Pois, a alma de viver é sentir, nada mais é capaz de satisfazer com intensidade a misticidade do sabor misterioso que é viver.

     Um presente que vivia aquecido de lembranças recentes, nesse cenário dormia serena. A única ótica que guiava era do coração. Pois, quando o amanhã chega resta lembranças e expectativas de outro amanhã.

     Há coisas são intangível pelas palavras, restando para os sentimentos e suas múltiplas sensações. Que faria dos seus três pontos: O significado da vida. 

Um passe para a liberdade

     Desconhecia o local, e suas longinquidades tinha apenas algo permanente e veemente na mente, estava à procura das   palavras que libertaria daquele corpo cárcere na  limitada e miserável realidade. Estava grata pelo poder lunático e mágico da imaginação, que transportava no fluxo fugaz e desordenando do pensamento. Sentia-se dentro de si algo nascente e úmido, transcorria agilmente em forma círculos caótico e ansiosos. Estava correndo atrás daquela coisa tão inusitada e translúcida que escondia o rosto ferido da realidade, e revelava o outro caminho tão distinto e pleno da vida que até aquele momento desconhecia. Não havia neologismo para classificar a grandiosidade sensação, ambiente e pensamento em turbilhões que emanavam em sucessivos instantes.

     Ao seu lado uma presença imortal e fixa o matinha erguida.Era a esperança que fortalecia e encorajava à enfrentar com vivacidade e sagacidade a tenebrosidade da vida. Dentro daquela imensidão tão profunda e simultaneamente misteriosa depara com cada passagem da sua existência. Já desistirá de provar a consistência das coisas envoltas, o fato mais importante era acreditar no poder de que elas detinham e manifestam ao mundo inteiro.

     Um sabor surpreendente um agridoce invadia dentro do inconsciente, subconsciente até chegar na perpétua e lúcida consciência. Apesar de lúcida não conseguia com exatidão distinguir as múltiplas sensações e ideias propagadas sucessivamente. Estava farta de compreende, chega de limitar-se nesse sistema racional, fatídico e monótono. Gostava realmente do desconhecido, do proibido, do inevitável e do intenso. Trocaria uma vida letárgica  e longa por uma efêmera e intensa. O que era necessário era aproveitar a intensidade das coisas e suas nuances inebriadas de paixão.

     Diante do véu daquele vasto e brando sentimento tentava prova-lo seu fruto suculento, mas afogava na própria espera. E continua esperançosamente  a caminhar sem hesitação a estrada feita pelo presente. Enquanto sua alma calmamente proferia que estava preste encontrar o seu verdadeiro caminho. Onde estava?(…)

Quando penso em você…

O caminho da vida corre 

E você sempre está lá para sustentar-me

Levanta-me e acolhe-me 

Sempre. Essa constância que será eternamente 

Quando penso em você 

As palavras não alcançam o que realmente sinto

O que realmente vivo e consigo conquistar 

E nesse simples verso te digo 

Você é universo que há dentro de mim

As palavras calam-se 

Pois o silêncio basta

Somente sentir. Nada mais que isso.

Pois quando penso você 

Vivo a verdade e a vida.

Sempre ao seu lado…


    Olhando para infinito pergunto-lhe:

    -O que seria da vida se não fosse as recordações que temos ?

    Você responde-me:

    -Seria um vazio, um eterno presente sem significado.

    -Eu vejo outra coisa. Não teria conhecimento de sua existência, daquele passado tão distante e tão próximo de nós. Duas vidas juntas numa única. Trocando emoções, segredos, afeitos e o mais importante a nossa própria vida. Não consigo mentalizar uma vida sozinha, sem você ao meu lado. Sei que isso pode ser insuficiente, mas é pura verdade que pulsa dentro do meu coração. Isso que ele diz ao palpitar e proferir seu nome. Sem as lembranças seria mais que um vazio, seria o nada em pessoa. O passado, o presente e até o mesmo o futuro. Sempre estarei ao seu lado, não importa aonde for. Estarei lá, mesmo que meu corpo não esteja, minha presença será sentida dentro de si….

    Naquela noite tão serena e única marcava um novo dia, que nascerá atrás do passado transformando em presente e construindo o futuro. Mais um ano junto a ti. Mais um ano completado.

    O tempo leva-me ao passado, sentia você ainda pequena ajudando à cresce e a enfrentar a realidade, sempre com a sua força e sagacidade. Um tempo que não retornará, mas o mais importante é lembrança de ter vivido. Agora, deitou-se ao manto de tudo que merecia a ser vivido. E de estar sempre ao seu lado…Mesmo que o eterno não exista, permaneceria ali.