A inexistência, as reticências e os parênteses

     Estou na inexistência, aqui encontrei o ninguém, esse pronome indefinido trouxe-me o outro lado da vida. Nessa plenitude vivo um sonho-realista, um sonho-acordado, uma viagem ao não-tempo. O mais espantoso é que os fatos são reais, são ilusões fatídicas. Agora realmente sei e posso provar: Sonho é destino, e que a felicidade é apenas digna quando compartilhada.

     Não preciso expressar mais nada, nesse instante só ansiava ser devorada pela explosão dos sentimentos. Encontro-me muito longe daqui, somente o ninguém é capaz de viver ao meu lado. Esse codinome mascarava a sua própria identidade, era uma proteção não violarei. Em que todo dia fazíamos da nossa vida algo intenso e terno de experimentar, aproveitar e saborear. Aqui na inexistência tudo fora provado, as coisas que não existiam na realidade são tão vivas e sólidas nesse espaço, que nada terá audácia de desconfigurar. Sabia onde encontrava-se agora, no limite vitalizo do(…).

Pulsações anoitecidas do silêncio

     Dentro de algum lugar naquela escuridão, haviam palavras preste para serem ditas. Aqueles átomos de vocábulos, estavam construindo um grande corpo celeste que fixava somente naquele universo. Brilhavam numa sintonia complexa de ser localizada, era conhecido como mundo do silêncio, mas essa ausência de som era sua maior inspiração. Numa quietude que acalentava as negatividades, que às vezes persistiam em renascer e vigorarem. Mas essa terra não estava propícia para o florestamento dessas infelicidades. Após ultrapassar o véu da realidade e enfrentar notou inusitadamente que era belo, majestoso e libertador. Essa impulsão foi conquistada com a força corajosa e esotérica de nascimento desconhecido.

– Sabia que tudo surgiu da escuridão, e nela que esconde a própria eternidade. Pois nunca chegou a ser criada, sempre existiu.

     Essa voz propaga todo o espaço interior daquelas partículas, e dissipa como relâmpago.

– Não é os reflexos dos objetos com influencia formação do ser. Existe uma essência imutável por qualquer coisa, até mesmo o tempo. Essa tênue parte que compõe a identidade.

– Tempo não é dinheiro. Tempo é uma invenção dentro de outra que é viver. Vida é real, mas isso não impede que seja inventada e reinventada.

     Estagnou-se, tudo calou-se. Havia dito que era necessário, retirou tudo aquilo que era mais sincero e puro. Os aforismos cantarolavam suavemente em sua mente. Subitamente, essa outra espécie de silêncio prevalece, ali que estão guardados crescentes e recentes sentimentos profundos. Nenhuma palavra ousaria descrevê-los. Era o não-dito, o não-escrito. Apenas o silêncio que podia fortalecer e eternizar o sentimento mais forte da vida, a alma do coração, a motivação de lutar e o oxigênio puro para os pulmões. Era o (…).

Subitamente…

…Uma pergunta surgi:

– O que move sua vida?– uma voz gritante sibilou dentro da mente.

      Estava procurando uma resposta, mas não havia apenas uma, tinham múltiplas espalhadas naquela superfície. Em que cada instante transfiguravam-se de sentido. Essa inspiração aparecia acalentadora e tímida inicialmente,  após um  determinado período destrinchava numa  impulsão que atingia até o espírito da natureza  mais vitalizo e delirante de si. O barulho das algemas foram silenciados, estava sentindo o frescor e o aquoso da liberdade que entregava-se nos cantos mais escuros e desconhecidos daquele todo. O coletivo impregnava um ar puro, ressuscitando as lembranças mortas e esquecidas pelo tempo. Nesse pretérito imperfeito foi encontrado uma solução, abrindo as portas para plenitude do presente. Em que encontra em mim, a palavra, uma eternidade perecível. Esse alimento extinguia a fome e atenuava a necessidade espiritual de viver nas entrelinhas de minha proclamação.

      O ser mais profundo e sensível era úmido. Nesse aquoso destilava o centro da vida e suas reticências essenciais que compunha esse círculo constante de ser. Essa interrogação permanecia, mas brevemente declararia que o movimento da vida era o ar da sobrevivência, a água da inspiração, o pulsar dos sentimentos, e a cegueira de viver apesar de limitada essa liberdade, era o fator que impulsionava os sinos anoitecidos de todos os nomes e pronomes ainda indefinidos no presente, porém são construídos em algum futuro indeterminado.

Sabia de uma coisa nesse momento: “Deus estava na chuva…”

Impulsão noturna

 

“Oh!  Noite Abençoada, bendita noite! Tenho medo de que por ser noite tudo isto seja um sonho, demasiada e deliciosamente adulador para ser real.” (Pg. 32- Romeu e Julieta W. Shakespeare) 

      Nessa cosmologia onde o único espaço é escuridão do céu, e o conforto é adquirido nos passos insinuantes movidos pelo doce e inebriante princípio do prazer. O tempo cronológico era renunciado, e para suprir essa ausência agradável,  o único relógio conveniente era formado por uma linguagem não- numérica, nem verbal, e metafísica. Esse tempo era movido por fatos que concretizavam quando os olhos do dia fechavam-se, e abria o portal do misticismo da noite. Naquele ar alojava a maioria das reflexões que compunha os diversos capítulos da sua realidade, cada um com sua peculiaridade, distinção que às vezes apesar de tênue tinha lampejos de originalidade. Dificilmente conseguiria descrever em um único caráter e uma única palavras composta por simples consoantes e vogais. Na ausência de luz, com apenas o essencial para olhos humanos conseguir enxergar e aproximar ao mais íntimo e profundo daqueles multi-universos que degolavam-se um à um. Uma imensidão cabível num único instante. Onde raras seriam as coisas para distinguir aquelas áureas coloridas na cegueira da noite.

      Nada poderia deter a força maior que é do destino pulsado. Da certeza estalada, e do instante pleno e distante em que tudo, apesar de caótico e disperso contém um sentido que adormece qualquer tipologia de negatividade. Essa força descontrolada era a sua supremacia sem hierarquia e lei. Toda noite proclamava o aforismo libertador dentro de sua Sociedade Alternativa: ” Não deixaria nada  privar e corromper as badaladas do seu tempo concretista.”

      Os significados são designados, marcados em algum ponto daquele mundo. Lá dentro e aqui fora, nessas duas dimensões era seu terno refúgio em que paradoxalmente enfrentava e escapava da face em que todos olhos vê, mas poucos reconhecem. Aquela face era da incomparável: VIDA.

Palavras tácitas

      Numa atmosfera singela e tocante ocorreu uma história complexa de ser contada. Nenhuma mente recordava os detalhes e as nuances que preenchiam e rodeavam as curvas daquele destino. Numa sintonia em que vivia um sonho realista. Tudo fora declarado, estava cada vez mais perto das realizações. Às vezes uma utopia descadeava e fortalecia alguns horizontes,  onde algumas luzes de incertezas acendiam. Sabia que o futuro é incerto, isso é pelo fato de apenas viver o presente. Mas essa não era questão, algo almejava dentro daquela psicologia, em que sempre esperavam um momento da grandiosa e impulsiva inspiração de viver.

      Alguma voz escondida no âmago indeterminado dizia com exatidão: “Tudo conectam-se e sua história apenas começou…” Em poucas palavras que perfurava o silêncio, nessa doçura retirava a réstia de pulsações noturnas. A memória estava passiva, havia esquecido de muitas recordações sofríveis. O mundo do esquecimento estavam repleto de escuridão. Onde numa placa encontrava-se escrito: Adeus a não-vida!. Agora mergulharia naquele imenso oceano que estava no pretérito- futurístico, esse tempo que distinguia viver. Mesmo que em breves momentaneidades esta seja constituída numa maresia rala

      Nada mais precisava ser dito, o não-dito estava dominando na doçura de um longínquo e acalentador silêncio…

“Abençoados são os esquecidos, pois eles ficam melhores com seus mesmos erros” (Nietzsche)

 

Indolor

      Sempre de noite encontrava um refúgio, não desejava apenas isso. Onde todas as misérias, inglórias e infortúnios  partiram eternamente. Um eterno tão fugaz que acaba quando o dia amanhece. Mas nessa solação nada perturba aquela mente guiada pela pulsão de viver. Apesar de breves aflições, inseguranças e  ignorâncias que lutava dentro de si, estava forte. Essa força nascia, morria e renascia frequentemente. Nesse ritmo onde não havia nenhum onda radiofônica para medir essa energia surrealista que era viver.

(…)

      Chega de sofrimento, tudo que mais ansiava é senti-se indolor. Nesse estado poderia desfrutar aqueles vagos olhares, gestos e quimeras que projetava uma realidade utópica.

“Senti-se indolor. Senti-se indolor. Essa era primeira nota para amor.”

O prelúdio: Assim dizia a vida

“We need to feel breathless with love/ And not collapse under its weight/I’m gasping for the air to fill/My lungs with everything/ I’ve lost/ Precisamos nos sentir sem fôlego com o amor,e não desabar sob o seu peso./ Eu estou desesperado pelo ar para preencher meus pulmões com tudo o que eu perdi.” (It Begining to get me- Snow Patrol) 

“Sem dor e sacrifício não podemos alcançar nada” (Clube da luta- Chuck Palahniuk)

      É prelúdio o novo nasceu, os pesadelos adormeceram, e os sonhos perpetuaram e preencheram todo o espaço daquela vida. Havia ocorrido tantas coisas que nem mesma eu, a palavra, conseguia expressar ordenadamente. Uma explosão, o sonho acordado estava realmente acontecendo, não havia ilusões, os olhos podiam sentir essa força que clareava todos os cantos da vida. Os fatos antecedentes foram sofríveis, pois sabia que o sofrimento compunha a essência humana, assim dizia Arthur Schopenhauer. A mente, o coração, o seu ter, o seu ser, tudo que havia estava em colapso.

      Esse dia será inesquecível, se caso caia no esquecimento não terá importância, pois nesse lugar construo meus outros sonhos. Mas sempre o primeiro é difícil ser esquecido, o primeiro dia do ano, a primeira música, o primeiro sentimento, o primeiro alguém. O início é abertura de outro mundo com novas experiências, conquistas e realizações.

      Às vezes não há necessidade da busca, as coisas conectam-se e encontram-se num fluxo eloquente. Mas isso não quer dizer que devemos ficar estagnados e esperar o destino fazer sua missão, precisamos deixar levar pela força interior e com essa determinação, que vai além de uma simples palavra é algo vivo. Estava embriagada de tantos sonhos, porém havia algo distinto, muitos eram realidade. Enquanto outros permeavam a margem de algum futuro. Sabia que num piscar de olhos a vida muda.

      Apesar de tudo às vezes tudo é efêmero como arco-íris, assim dizia Virginia Wolf. Assim dizia a vida. Assim dizia eu a palavra, eu o coração, eu a mente, eu mesma por inteira.